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Hva er mageleie?

In document Politiets bruk av fysisk makt (sider 130-136)

O debate em pauta acerca da tolerância consiste na averiguação histórico- linguística que em primeira instância une a tolerância aos dias atuais e apresenta o modo como se tem empreendido o debate tanto na base dos movimentos em prol das minorias, quanto no âmbito acadêmico no qual o conceito tem sido tratado como passível de substituição como sugerem alguns pesquisadores tais como Pereira e Timm. Por outro lado essa mesma reflexão teórica tem reverberado no fazer prático dos citados

movimentos que muitas vezes envoltos pela dinâmica político-social que lhes espreita a reivindicação de direitos equânimes, também pretende a substituição do termo tolerância justificando-se através do modo como se tem associado esse valor pela ótica dominante assumindo assim um parecer assimétrico nas relações intra-sociais.

Noutro aspecto, não menos importante, apresenta-se a tolerância como debate atual empreendido pelas organizações tais como ONU e UNESCO, que após os horrores das duas Grandes Guerras Mundiais assumiram o posto de promotoras da paz e da convivência. O ano de 1995 tornou-se referência da discussão atual sobre a tolerância, pois, além de ter sido pautado pelo ambiente democrático e, portanto de participação efetiva e igualitária, considerou as diversas características que compunham os países sedes dos eventos preparatórios ao “Ano Internacional da Tolerância”. Nesse sentido, o tema não somente foi atualizado como também, pode-se observar iniciativas voltadas para a prática cotidiana como a orientação para implementação dos aspectos tratados através dos planos nacionais de educação. No entanto, a “Declaração dos princípios sobre a Tolerância” tornou-se o grande marco balizador das conferências e das discussões nelas elaboradas.

Tendo em vista a evolução do tema, o capítulo apresenta uma breve retomada histórica que tem início na perspectiva etimológica bíblica que a pressupunha como sinônimo de paciência, mas também, equalizando o modo como o termo tem sido apresentado pelos parâmetros sociais linguísticos que são os dicionários e neste caso adotou-se dicionários renomados tais como “A Greek-English Lexicon”, o “Larousse”, o “Dicionário Etimológico - Antônio Geraldo da Cunha”, o “New dictionary of the history of ideas” que, por assim dizer, externam o perfil assumido pela tolerância no dizer comum e atual.

A referência judaico-cristã aparece como fator determinante da constituição do ideário comum de que tolerar é suportar, é condescender, é permitir, vez que o parâmetro dessa perspectiva religiosa antiga é a unicidade e a padronização conceitual, mas, sobretudo, comportamental. A contribuição Greco-Romana, de maneira não diferenciada, evidencia a condescendência com que os imperadores e os organismos públicos tanto gregos quanto romanos mantinham e expandiam seus impérios atuando pela permissão da existência do outro, no caso o conquistado. Assim, os limites de tolerar estavam, no ambiente Greco-Romano, vinculados ao ato de desordem e de revolta para com o poder dominante que lhes permitia existir.

Na Ilustração ou Iluminismo, Ockham, Boccacio, Espinsa, Montaigne, Castellio e Milton são apresentados como representantes do movimento nascente pós-medievo de associação do paradigma racional aos princípios éticos, fazendo com que o senso comum não se fundasse somente no parecer religioso de interpretação, pois supunha um único modo de interpretação da realidade. Assim, a partir da contribuição filosófica passa-se a associar a tolerância à racionalidade e a intolerância à irracionalidade; incorpora-se à reflexão a ideia de liberdade e de pluralidade interpretativa que em última instância dá início ao afrontamento do ideário religioso e já espraiado no âmbito social de que tolerar é agüentar o outro ou permitir-lhe que exista.

Ainda na perspectiva da evolução do conceito tolerar, e após o período de revigoramento e de expansão do pensamento, surge no final do século XIX e início do séc. XX, representando o renomado Circulo de Vienna a figura de Carnap apresentando uma análise totalmente diferente das que já se tinha observado até o presente momento, não tão voltada para o fazer sócio-político, mas diretamente vinculada ao fisicalismo científico, o pensador apresenta o princípio de convencionalidade que contribui diretamente para a compreensão contemporânea de que tolerar supõe uma igualdade mínima e uma diferença fundamental. O pensador mostra por meio de conceitos linguísticos que qualquer comunicação supõe um acordo prévio, que seja compreensível e propício para ambos os interlocutores garantindo assim a eficácia das relações que da comunicação se depreendem.

Por fim, desdobra-se a temática linguística que analisa brevemente os interlocutores das citadas relações de acordo com princípio de convencionalidade de Carnap, mas agora ancorado em Bakhtin, Locke e Arendt que versam sobre as realidades imbricadas nessa relação de comunicação, o “eu” e o “outro” relacionando as atividades humanas com a usualidade idiomática por excelência.

Tais aproximações referentes aos modos como a tolerância tem sido apresentada ao longo dos tempos históricos e de sua convencionalidade tanto no fazer comum, quanto nas reflexões de cunho filosófico e epistêmico prepararam o caminho para o segundo capítulo retomando a temática que fundamenta as relações sociais a partir da perspectiva do embate empreendido pela racionalidade a qual a tolerância já foi associada histórica e linguisticamente, visando perceber como ela, a tolerância se tornou sinônimo de assimetria e aprofundamento da desigualdade relacional na contemporaneidade. Para tanto o próximo esforço consistirá no estabelecimento de um

debate sobre a racionalidade e a irracionalidade, esta última travestida de ideologia que usurpa a realidade em prol de suas concepções dogmáticas.

Capítulo II

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