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Hva betyr kjønnsdominans for sannsynligheten

3. Forskjeller mellom kvinner og menn i sannsynligheten

3.3 Hva betyr kjønnsdominans for sannsynligheten

Partindo da forma elementar na qual se apresenta à consciência, podemos dizer que toda pessoa tem alguma representação mental de sua vida e de seus atos. Como disse Gramsci (1984, p. 11):

Todos são filósofos, ainda que ao seu modo, inconscientemente, porque, inclusive na mais simples manifestação de uma atividade intelectual, na 'linguagem', está contida uma determinada concepção de mundo.

Essa representação que todos possuem é constituída a partir do meio mais próximo, no espaço de inserção imediata da pessoa. Como nos diz Marx:

1 Para Marx o que importa: descobrir as leis que regem o fenômeno que ele pesquisa, importa-lhe não apenas a lei que o rege, enquanto tem forma definida e os liga a relações observadas em dado período histórico. O mais importante, de tudo, para ele, é a lei de sua transformação, de seu desenvolvimento, isto é a transição de uma forma para outra, de uma ordem de relações para outra. Método empregado por Marx contido no posfácio da 3a Edição de O Capital, 1988, p. 25.

A consciência é, naturalmente, antes de mais nada, mera consciência da conexão limitada com as outras pessoas e coisas situadas fora do indivíduo que se torna consciente. (MARX; ENGELS, 1979, p. 43).

A percepção da consciência através da exterioridade também é confirmada por Freud que, mesmo buscando compreender o fenômeno pela aproximação psicológica, afirma que o processo de algo tornar-se consciente está ligado às percepções que nossos órgãos sensoriais recebem do mundo externo.

Sendo assim, a consciência seria o processo de interiorização de uma realidade externa ao indivíduo.

A questão se torna complexa na medida em que esta interiorização apresenta-se como uma representação, não sendo um simples reflexo da materialidade externa que busca representar na mente, mas, antes, é captada de um real aparente, limitado, uma parte do todo e de seu movimento. Dessa forma, a consciência gerada a partir das relações concretas entre seres humanos não apresenta conexão entre sua aparência e sua essência, ou seja, o indivíduo, ao ser inserido no conjunto das relações sociais que o antecedem e vão além dele, capta um momento abstraído do movimento.

As informações que chegam ao indivíduo já estão sistematizadas; são pensamentos, idéias e conhecimentos que buscam compreender ou justificar a natureza das relações determinantes de cada época.

Como isso ocorre? Se a consciência é a interiorização das relações vividas pelos indivíduos, a família é a primeira instituição que coloca o indivíduo diante de relações sociais.

No ventre materno, o novo ser (criança) não estabelece relações externas, ela é uma coisa só, não se separa da mãe. Quando ela nasce, dizem os psicólogos que entra numa fase pré objetal. O que quer dizer? No momento do parto, a criança vai ver manchas e vai continuar assim por um período. Relevante também é o fato da mesma não precisar realizar ações para a sua sobrevivência, assim não tem a compreensão de si, nem dos outros. Trata-se de uma fase onde as coisas externas ainda são um complemento de si mesma.

Até esse momento não podemos afirmar que a criança tenha consciência, embora tenha percepções básicas, uma vez que, por não conceber algo que seja o

outro, não estabelece propriamente uma relação. Suas ações são ainda determinadas mais pelo universo pulsional, orgânico, que social.

Freud afirma que chegamos ao mundo munidos apenas de nosso corpo orgânico e de seus instintos, os impulsos básicos, o ID.

O ID corresponde ao conjunto das necessidades físicas, orgânicas, que a pessoa traz no seu código genético; são impulsos, desejos, como: fome, proteção, sexo e afetividade. Esse conjunto vai se dividir em dois grandes blocos:

- sexualidade: conjunto de impulsos que tenha relação com a afetividade, com

certa sensação corporal de prazer;

- auto-sobrevivência: tem sua relação com a vida e a morte; se não for

resolvido o corpo sofre e morre.

Num determinado momento do amadurecimento, a criança percebe que não pode controlar tudo que antes para ela fazia parte de seu corpo; então percebe que existe uma realidade externa, somente aí, com essa percepção, é que faz sentido a sua noção do eu.

Dessa forma, agora tem impulsos e uma realidade externa que nem sempre estará disponível para a realização das suas necessidades. O mediador entre o ID e a realidade externa chama-se EGO. Com isso, teremos dois critérios diante das necessidades:

- O do prazer - o que é bom eu quero manter e do que causa desconforto

procuro me livrar;

- Os impulsos são de duas naturezas diferentes - alguns não são negociáveis

(exemplo, a fome) e outros podem ser maleáveis (por exemplo, o sexo). Existe uma série de sensações que o ego utiliza para conter os impulsos maleáveis, por exemplo, no caso do sexo eu posso deslocá-lo, sublimá-lo, adiá-lo, enfim, substituí-lo por outra coisa, como pela religião, pela qual se busca reprimi-lo.

Diante disso, o ser humano tem duas saídas frente à necessidade e à realidade externa: adaptar-se à realidade ou transformá-la. Na maioria dos casos, a fuga, a adaptação, o esquivo ocorrem para não haver o confronto.

Assim, o conjunto de normas, valores, regras que são externas ao ser humano acaba sendo interiorizado, passando então a ser interno. O superego age agora incorporando as normas externas como se fossem suas. Não são mais os impulsos que vão determinar o que necessita ser satisfeito ou realizado, mas sim as leis morais da sociedade (o externo) que o ego vai buscar para intermediar as exigências do id.

Toda criança elege um objeto de seu desejo e fantasia sua perfeita integração afetiva com ele. Na estrutura triangular da família monogâmica, esta ação é interrompida por uma terceira pessoa. A criança com a mesma intensidade que fantasia seu desejo, fantasia a eliminação do concorrente. No entanto, a plena realização do desejo colocaria em risco a sobrevivência da relação que garante a existência física da criança.

Por uma série de mecanismos, a criança desenvolve sentimentos de impotência e de culpa, que o ego sente como desprazer e busca eliminar. A forma encontrada é dada pela própria natureza dos impulsos: reprime-se o desejo para garantir a sobrevivência imediata.

A cada passo, o novo ser vai criando a base sobre a qual se estruturará seu psiquismo e sua personalidade, ao mesmo tempo em que se amolda à sociedade da qual está interiorizando as relações e formando, a partir delas, a consciência de si e do mundo.

É evidente que o que fica interiorizado não são as relações em si, mas seus valores, normas, padrões de conduta e concepções. Nessa fase, ainda embrionária, cola-se na constituição do aparato psíquico uma concepção de mundo em que estão presentes os principais elementos que constituirão as características da primeira forma da consciência, ou seja:

1) A vivência de relações que já estavam pré-estabelecidas como realidade dada.

2) A percepção da parte pelo todo, em que o que é vivido particularmente como uma realidade pontual, torna-se a realidade (ultra-generalização).

3) Em consonância com o segundo elemento, as relações vividas perdem seu caráter histórico e cultural para se tornarem naturais, levando à percepção de que "sempre foi assim e sempre será”.

4) A satisfação das necessidades, seja da sobrevivência ou do desejo, deve respeitar a forma e a ocasião que não são definidos por quem sente, mas pelo outro que tem o poder de determinar o quando e o como.

5) A luta entre a satisfação do desejo e a sobrevivência imediata, na qual o indivíduo é levado a optar pela sobrevivência e reprimir ou deslocar seu desejo.

Assim, o indivíduo se submete às relações dadas e interioriza os valores como seus, zelando por sua aplicação, desenvolvimento e reprodução.

Gramsci tem razão ao afirmar que o senso comum é formado de maneira bizarra, ou seja, amalgamam-se sem necessidade de uma consciência interna elementos dos mais diversos herdados pelas mais diferentes influências que se materializam no campo imediato de ação dos seres humanos em formação. No senso comum o ser humano forma sua visão de mundo. Segundo Gramsci (1984, p. 12):

de maneira desagregada e ocasional, isto é, "participa" de uma concepção de mundo "imposta" mecanicamente pelo ambiente exterior, ou seja, por um dos vários grupos sociais. Nos quais todos estão automaticamente envolvidos desde sua entrada no mundo consciente (e que pode ser a própria aldeia ou província, pode se originar na paróquia e na "atividade intelectual" do vigário ou velho patriarca, cuja "sabedoria" dita leis, na mulher que herdou a sabedoria das bruxas ou no pequeno intelectual avinagrado pela própria estupidez e pela impotência para ação).

Nesse processo, as pessoas tomam como se fosse delas um conjunto de idéias do outro e formam sua concepção de mundo com algo alheio/ do outro. Então, em nosso entendimento, a primeira forma de consciência é uma alienação.

Ao nível do senso comum a alienação é tratada como sendo um estágio de não consciência. Após a análise, percebemos que ela é a forma de manifestação inicial da consciência. Essa forma será a base, o terreno fértil onde será plantada a ideologia como forma de dominação.