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2.4 Organisasjoner som komplekse prosesser

2.6.2 Hva bør ledere gjøre?

O relatório apresentado à assembleia geral legislativa na sessão de 1831, pelo então ministro da Guerra José Manoel Moraes, expôs aos deputados a situação da Academia Militar do Rio de Janeiro através de quadros demonstrativos acerca de seu efetivo e de suas despesas. Anunciava o ministro que apresentaria uma proposta para a necessária reforma do Estabelecimento. Neste documento surge novamente o discurso que, já em 1829, observava as deficiências no sistema de ensino acadêmico que formava os oficiais do Exército.

Em 1829, a Imperial Academia Militar, como era denominada, teve sua organização criticada pelo ministro Thomaz Joaquim Pereira Valente, que tratou de lembrar “quanto à necessidade de que existe de se dar outra organização à este Estabelecimento”175. Este ministro destacava aquilo que seria cobrado por seus sucessores no decorrer de todo período Regencial, ou seja, um equilíbrio entre teoria e prática na formação dos oficias. Chamava atenção para “as ideias geralmente adotadas nas Academias Militares mais bem regulamentadas” e concluía que para a “heroica carreira das Armas” no Brasil:

(...) além da instrução científica, seja ali [Academia Militar] ao mesmo tempo a escola do regime Militar, onde se aprendam as principais virtudes que devem possuir aqueles que, dedicando-se a tão nobre profissão, tem um dia de servir de exemplo (...) e contribuir por este modo para a glória e respeito da Nação.176

Desde a criação da Academia Militar em 1811 até a lei que reformou o sistema de promoções no Exército em 1850177, a formação neste estabelecimento não era requisito para se alcançar as patentes de oficial. A não obrigatoriedade do curso integral para a totalidade dos oficiais e a predominância das disciplinas teóricas sobre as práticas nos currículos dividiam os militares em “científicos” e aqueles que não tinham formação acadêmica, os chamados “tarimbeiros”. Esses dois tipos de militar coexistiram

175 Relatório apresentado à Assembleia Geral Legislativa do Império de Brasil na Sessão de 1830, pelo respectivo secretário e ministro de Estado Tomaz Joaquim Pereira Valente. Rio de Janeiro: Tipografia Imperial e Nacional, 1830

176 Ibid.

83 na primeira metade do século XIX. O oficial profissional178, no entanto, pelo menos até 1850, inexistia no Brasil, visto que os tarimbeiros não tinham formação teórica, ao passo que os científicos, sem experiência de guerra ou carentes de exercícios práticos consolidados, estariam despreparados para a carreira militar.

Este é um fator importante para a caracterização da Academia como “desmilitarizada”, conforme podemos identificar na historiografia através dos estudos de José Murilo de Carvalho e Adriana Barreto de Souza. Em suas pesquisas, estes autores alertaram para um problema que encontramos também nos relatórios do ministério da guerra, qual seja o que se refere à ausência de disciplina e exercícios práticos ensino dos aspirantes a oficial. Adriana Barreto de Souza considerou que “ainda que impressione pela organização, para os padrões atuais, o modelo formalmente apresentado era de uma academia desmilitarizada”. 179

A perspectiva da desmilitarização esclarece muito sobre a estrutura militar no império. Realmente, a parcela da oficialidade que correspondia aos formados pela Academia Militar frequentava um ambiente militar cujo ensino era deficiente, se considerado o padrão atual de ensino militar ao que se refere à disciplina e exercícios práticos. A ausência de uma organização propriamente castrense no principal local formador de oficiais do Império remete à problemática do processo de profissionalização do Exército. Como já referido no primeiro capítulo, o qual analisou o pensamento dos militares redatores do jornal O Militar, a Lei de promoções criada no ministério de Manoel Felizardo em 1850 é considerada por alguns autores180 como um fator importante para a profissionalização do Exército. Naquele capítulo, a lei foi apresentada para identificar no discurso político dos jovens oficiais o que esses militares pensavam acerca da reforma do Governo. Através dos textos que escreviam no jornal, fica claro que o sistema de promoções disposto na lei não foi bem aceito, pois pela ótica dos redatores as mudanças não trariam benefícios à “classe militar”.

Colocavam-se os jovens oficiais contra pontos específicos, como o tempo de serviço no mesmo posto ou os limites de idade para a promoção, além dos benefícios oferecidos àqueles que pudessem ser “protegidos do ministro”. Quanto à exigência da

178 Se considerarmos os moldes sugeridos por Samuel Huntington.

179 SOUZA, Adriana Barreto de. Duque de Caxias: o homem por trás do monumento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008. 114 p.

180 Cf. SCHULZ, John. Exército na política: origens da intervenção militar, 1850-1894. São Paulo: EdUSP, 1994.

84 formação acadêmica, no entanto, nem poderiam se opor, sendo eles próprios alunos da Escola militar. As críticas referiam-se ao próprio funcionamento do estabelecimento, em tom parecido com aquele apresentado pelos relatórios dos ministros da guerra. Na leitura de estudiosos do tema existe a ideia de que os mecanismos aplicados pelo ministério de Manoel Felizardo contribuíram para tornar o Exército brasileiro uma força militar moderna, “uma carreira aberta ao talento”, conforme colocado por John Schulz181. A discussão em torno da Lei de promoções de 1850 revela que, a partir de sua execução, deixou o Exército de ter características de Antigo Regime, retirando dos corpos, gradativamente, os oficiais sem formação profissional.

Assim como apontado pela historiografia, as reformas propostas de 1850 foram de grande relevância para a mudança de padrão da oficialidade militar na segunda metade do século XIX. A nosso ver, a compreensão de que a Lei de 1850 contribuiu consideravelmente para tal é importante. Essa conclusão, no entanto, não retira a possibilidade de pensar as reformas como o resultado de um pensamento progressista denotado pelas ações dos ministros que precederam Manoel Felizardo. Os relatórios ministeriais revelam que a questão da profissionalização esteve presente nos discursos de diferentes ministros militares, os quais compartilhavam um ideário moderno de concepção militar possíveis de se perceber através da análise de suas trajetórias.

Havia por parte do governo intenções claras de reformar a escola tornando-a um centro de excelência a exemplo de estabelecimentos de ensino militar existentes em países como a França, o que revela que possuíam um conhecimento atualizado em relação a profissionalização dos oficiais. As constantes reformas ocorridas do início do período regencial até o início da década de 1850 demonstram o interesse da política imperial na manutenção da instituição. Neste ínterim, grande parte dos relatórios ministeriais da guerra faz referência à formação militar e ao papel atribuído à Academia/Escola. Procurou-se investigar os argumentos utilizados para a defesa da manutenção deste estabelecimento tão criticado.

A partir da análise do discurso dos ministros da guerra discutiremos as questões pedagógicas que movimentavam as frequentes reformas que sofreu a Academia (depois Escola Militar) entre 1830 e 1850.

181Cf. SCHULZ, John. Exército na política: origens da intervenção militar, 1850-1894. São Paulo: EdUSP, 1994.

85 Em relação ao perfil dos relatores, uma pesquisa nos dados biográficos dos ministros que ocuparam a pasta da guerra durante este período, mostrou que mais da metade possuíam formação acadêmica e na maioria eram filhos de militares e ligados à nobreza.

A insatisfação com a organização da Academia Militar aparece nos relatórios por todo período regencial, se intensifica após a coroação de D. Pedro II diminuindo somente após 1850, ano da criação da lei de promoções. Em 1832, o ministro Manoel da Fonseca Lima e Silva comunicou à Câmara dos Deputados que a reforma a qual reclamava a Academia Militar fora autorizada. Para tal, no dizer do ministro, “Com zelo e prudência o Governo se houve a esse respeito, nomear uma comissão de Lentes tanto da Academia Militar, como da de Marinha” 182. A reforma, decretada em 9 de março de 1832, unia as Academias Militar e da Marinha, e dava-lhes novos estatutos. Segundo o relatório “Os Lentes de ambas as Academias extintas foram distribuídos pelas cadeiras nos diversos anos da Academia reformada.”183 O ministro aproveitou para chamar a atenção dos deputados para os baixos salários dos professores, que a seu ver eram insuficientes para a tarefa que deveriam realizar em trabalhos teóricos e práticos.

Uma das reivindicações expressas pelo relatório de Lima e Silva ao corpo legislativo foi definir as diferentes armas, dividindo o ensino em distintos cursos, dando aos aspirantes a oficial formação específica, diferente do curso generalizado que existia desde a criação da Academia em 1810. Ao mesmo tempo, unia-se o ensino superior militar e diminuía-se a despesa de manter dois estabelecimentos com o mesmo fim. Apesar da preocupação com a receita, no entanto, o relatório destacava a necessidade de se aumentar o edifício em que se encontrara a Academia para que fosse possível oferecer maior número de salas, gabinetes e arquivos. No decreto de 1832, a preocupação da Regência com a instrução militar dos oficiais da Armada e do Exército estava relacionada à eficiência da organização curricular. “Em nome do Imperador”, o texto do decreto destinava-se a apresentar o desejo de:

(...) proporcionar aos Oficiais do Exército e Armada Nacional todos os meios com que possam alcançar o grau de instrução que os habilite para bem desempenhar as comissões e operações Militares terrestres e navais de que forem encarregados, sem que lhes seja necessária a

182 Relatório da Administração do ministério da guerra apresentado na augusta câmara dos deputados na sessão de 1832 pelo ministro Manoel da Fonseca Lima e Silva. Rio de Janeiro: Tipografia Patriótica D´Astera, 1832.

86 frequência de uma longa série de anos letivos para adquirir as teorias, hoje reconhecidas como indispensáveis aos que professam qualquer dos ramos da Ciência Militar.184

O problema encontrado na estrutura curricular centrava-se na organização e distribuição das disciplinas e não no conteúdo propriamente dito, visto que as disciplinas científicas continuaram a dar base à formação dos oficiais. O decreto também envolvia o lugar do Corpo de Engenheiros na política nacional. Segundo o Governo, a reforma das Academias e a mudança em seus estatutos visavam “a futura organização e classificação do Corpo de Engenheiros, da qual se não pode já prescindir, para maior regularidade, perfeição e aproveitamento dos trabalhos exigidos pela pública necessidade”185.No relatório referente ao ano de 1831 consta que o Corpo de Engenheiros carecia de uma Lei que regulasse “convenientemente seus exercícios, vencimentos e promoções”186. Segundo o documento, a falta desta Lei prejudicava o serviço da Corporação à Nação, fosse em trabalhos civis ou mesmo militar, pois sem as divisões específicas, os oficiais se viam “Obrigados a darem-se indistintamente a todos os ramos da vasta ciência da Engenharia” 187. Ou seja, a inexistência das especialidades formava um corpo técnico sem aptidão para servir “aos progressos e à prosperidade do Império”188.

Na compreensão do Governo as tarefas atribuídas ao Corpo de Engenheiros eram diversas, e diversos deveriam ser os cursos de formação dos oficiais. Era necessário substituir o longo curso de sete anos que formava engenheiros militares, de pontes e calçadas e geógrafos, por distintos cursos de menor duração para cada uma dessas funções. Dessa forma, consta no Art. 1º do decreto de 9 de março de 1832 que:

Haverá na Corte e Cidade do Rio de Janeiro, uma Academia Militar, na qual se ensinarão as ciências matemáticas e militares, assim como o Desenho próprio aos oficiais do Exército, Marinha, Engenharia, em suas quatro essenciais classes.189

Esse pensamento, porém, não foi compartilhado por todos os ministros. Em seu relatório com base no ano de 1836, João Vieira de Carvalho se mostrou contrário a 184 Decreto de 9 de março de 1832. 185 Ibid. 186 Ibid. 187 Ibid. 188 Ibid. 189 Ibid.

87 organização que os estatutos de 1832 deram ao corpo de engenheiros. Em sua opinião não seria possível adequar ao Brasil o sistema adotado em outros países, de divisão das especialidades dos oficiais. “Em algumas Nações”, dizia o ministro, “estão distribuídos os Engenheiros pela maneira ali descrita, mas essas Nações têm linhas de Praças e Exércitos para entreter uma Classe;”190. Se pensarmos na redução que sofrera o efetivo do Exército no período regencial é possível apontar um motivo para a negativa de Vieira de Carvalho. Outro argumento elaborado pelo ministro se relacionava a própria sociedade brasileira, pois no seu entendimento, o Brasil não contava com recursos encontrados em outras nações como “população e riqueza para alimentar outras [classes] nas operações Geodésicas, Astronômicas, Hidráulicas e na construção das Pontes e Calçadas”191.

Trata-se de duas opiniões divergentes acerca da organização do Corpo de Engenheiros. De uma parte, a iniciativa do ministério de Manoel da Fonseca Lima e Silva em dividir as especialidades do corpo de engenheiros e da outra as críticas em relação a essa metodologia proferidas por João Vieira de Carvalho em 1836, quando retomava a pasta da guerra que havia ocupado quatro anos antes. Este último precedeu Lima e Silva, que ascendera ao ministério da guerra no primeiro gabinete regencial. Sua direção, no entanto, havia durado apenas dois dias após a abdicação de D. Pedro I. Curiosamente, ao voltar para o ministério da guerra, substitui o próprio Lima e Silva, que passara para a pasta dos Negócios do Império.

Uma das primeiras providências da Regência foi diminuir o efetivo, conforme relatado por Lima e Silva em 1832. Escreveu o ministro que “Se o Exército do Brasil, pelo corte que sofreu, ficando diminuído de força, quase desaparecendo, aliviou a Fazenda da despesa que indispensavelmente era obrigada a fazer com ele”192. O corte, no entanto, não tinha o objetivo de aniquilar o Exército, mas sim dar-lhe nova organização. Lima e Silva criticou o sistema de recrutamento e justificou a diminuição do efetivo com base na falta de unidade e disciplina aparentes nos diversos batalhões que compunham o Exército. Neste mesmo relatório foi esclarecido à Câmara dos

190 Relatório da Repartição dos negócios da Guerra apresentado à Assembleia Geral Legislativa na sessão ordinária de 1837 pelo respectivo ministro e secretário de Estado Conde de Lages (João Vieira de Carvalho). Rio de Janeiro: Tipografia Nacional, 1837.

191 Ibid.

192Relatório da Administração do ministério da guerra apresentado na augusta câmara dos deputados na sessão de 1832, pelo ministro Manoel da Fonseca Lima e Silva. Rio de Janeiro: Tipografia Patriótica D´Astera, 1832.

88 Deputados as razões do governo para pedir a conservação dos Corpos de Artilharia e de Cavalaria193.

Se comparadas as trajetória política desses dois militares, observamos que ambos possuíam formação técnica194, descendiam de pais militares e ostentavam título de nobreza. Outro ponto em comum é o fato de terem alcançado suas patentes no Teatro da Guerra. A diferença estava na nacionalidade, visto que Lima e Silva era natural do Rio de Janeiro e Vieira de Carvalho nascera em Portugal.

Apesar da disparidade de opiniões, o interessante é compreender os argumentos de cada ministro são, sobretudo, as motivações que levavam a defender a manutenção da Academia Militar, mesmo que a partir de diferentes perspectivas. De maneira geral, todos os ministros atribuem considerável relevância na formação acadêmica dos oficiais militares. Acreditamos serem essas constantes reivindicações que impulsionaram as reformas que resultaram na Lei de promoções em 1850. A lei que serviu de ponto de partida para a profissionalização do Exército pode ser entendida como produto de um conjunto de ideias de uma liderança militar de Antigo Regime, formada em grande parte pela Escola Militar e outras instituições científicas. Não se trata de atribuir unicamente a esses homens o poder de transformar a oficialidade militar no século XIX, mas sim demonstrar através das intenções que apontavam em seus discursos o quanto contribuíram no processo de modernização do Exército.

A análise dos relatórios esclarece o interesse do governo na manutenção e organização da força militar do Império e a importância legada à instrução para a formação do quadro de oficiais. Note-se que, apesar de não ser requisito para a promoção dos militares, a Academia e seus currículos eram tratados com seriedade pelos governantes na primeira metade do século XIX. Como já referido, as “questões pedagógicas” foram discutidas pelo Governo e resultaram nas constantes reformas que sofreu a academia entre 1831 e 1850. Dentre os temas constantes nos relatórios, destacam-se a busca pelo equilíbrio entre teoria e prática da grade curricular do curso, a insatisfação com a falta de disciplina militar, além da atenção aos salários e condições de trabalhos dos professores da Academia. Se tomarmos a questão da base curricular como exemplo, compreendemos que o ensino teórico praticado na Academia Militar era

193 Ver Carta de Lei de 24 de novembro de 1831.

194 João Vieira de Carvalho era engenheiro, estudou no Colégio dos Nobres, tendo se destacado em matemática. Manoel da Fonseca Lima e Silva entrou para a Academia Real Militar em 1811.

89 incentivado pelo governo, demonstrando que o objetivo não era retirar as disciplinas teóricas do currículo, e sim incorporar a prática. No relatório de 1838 para o ano anterior, o ministro Sebastião do Rego Barros enfatizou que:

Este Instituto [Academia Militar] tem merecido do Governo aquela consideração, que é devida ao único Estabelecimento no Império desta ordem, aonde se ensinam e professam as Ciências Matemáticas, Filosóficas e Militares;195

Além disso:

Nesta Academia têm sido admitidos os Oficiais, que tem solicitado a necessária permissão, concedendo-se esta faculdade mesmo a alguns, que se achavam no Teatro da Guerra, pela convicção em que está o Governo de que a instrução é a primeira mola da disciplina dessa classe de Cidadãos, à quem a Nação cometeu a sua defesa e segurança.196

O Corpo de Engenheiros, segundo o relatório de Rego Barros, era considerado “da mais transcendente utilidade, sendo distribuído por aquelas Províncias, que mais reclamam o exercício de seus úteis conhecimentos”. Argumentou o ministro que da Escola Militar sairia a “nossa estudiosa mocidade brasileira” a fim de preencher o Corpo “que em si hoje encerra prestantes e mui dignos Membros” 197. Em relatório do ano anterior, o mesmo ministro reclamara sobre a situação do Corpo de Engenheiros. Além de destacar a importância desses oficiais na política de Estado o relatório denunciava que:

Este corpo, ou antes este agregado de oficiais (...) quando mesmo todos os seus membros tivessem os estudos exigidos pela Lei orgânica da Academia Militar e a necessária prática, ainda assim não seria suficiente para as precisões do Império atentas as multiplicadas circunstâncias em que é reclamado seu indispensável serviço; para a prova do que bastará considerar-se as contínuas requisições, que de todas as Províncias são dirigidas ao Governo pelos seus respectivos Presidentes, e a que em parte ele não tem podido satisfazer, pela razão de não julgar acertado arredar da Academia aqueles oficiais, que, ou não tem completado seus cursos especiais, ou a quem inteiramente falecem os precisos conhecimentos práticos.198

195 Relatório apresentado à Assembleia Geral Legislativa na Sessão Ordinária de 1838, pelo respectivo secretário e ministro de Estado Sebastião do Rego Barros. Rio de Janeiro: Tipografia Nacional, 1838. 196 Ibid.

197 Ibid. 198 Ibid..

90 Além da ênfase na importância da instrução para a oficialidade militar, que explica o papel da Escola Militar na Política do Governo, as palavras do Ministro Rego Barros nos levam a colocar em pauta as outras questões pedagógicas que envolvem a estrutura curricular e a metodologia aplicadas na instituição. O “indispensável serviço” do corpo de engenheiros carecia de organização e dependia de uma reformulação na estrutura curricular dos cursos, providenciando um equilíbrio entre a teoria e a prática. As reformas apresentadas à Assembleia Legislativa não eram aprovadas, conforme apontam os relatórios. Rego Barros foi o responsável pela proposta de reforma de 1839, pela qual a Academia Militar passava a se chamar Escola Militar e cujos estatutos teriam por base os mesmos dispostos pela Escola Politécnica da França, na qual esse ministro havia realizado seus estudos.

Compreender o papel destinado a Academia Militar na política imperial exige trazer a discussão a importância dada a Engenharia199 dentro da política de Estado. Os militares que constituíam o Corpo de Engenheiros recebiam considerável atenção do