3.4 Husmorens innsats som et argument i den politiske og samfunnsmessige debatten
3.4.1 Husmorens fredsbevarende instinkt
Conforme estabelecido por Dolowitz e Marsh (1996, p. 344-377; 2000), os atores podem engajar-se em transferência de políticas públicas por diversas razões de ordem política, social, cultural ou econômica, em processo norteado por motivações voluntárias ou coercitivas. Para analisar o caso do projeto BRA/04/044-S181 faz-se necessário recapitular alguns fatores históricos.
O contexto no qual surge o projeto é resultado de uma série de ações empreendidas por ambos os países, motivadas pelo reconhecimento da importância da cooperação Sul-Sul como ferramenta promotora do desenvolvimento nacional. A despeito de ter sido originado em um momento de grande aproximação política e ideológica entre Brasil e El Salvador, em 2011, face à transição do governo de Lula para o de Rousseff, e em meados do governo de Funes, não se pode deixar de lado o esforço de Lula e Saca, a partir de 2006, em estreitar os laços de cooperação entre os países.
Com a chegada de Lula ao poder em 2003, o Brasil passa a experimentar uma nova interpretação da cooperação Sul-Sul, não apenas como ferramenta promotora do
90 Esta pergunta do modelo de Dolowitz e Marsh (1996; 2000) se relaciona com as seguintes perguntas dos
roteiros de entrevistas (disponibilizados no Apêndice A): 1 e 13 dos roteiros da Embaixada do Brasil em San Salvador e ABC; 16 de todos os roteiros destinados aos atores salvadorenhos; e, 2 dos roteiros do DONDH/SDH, da SNPDCA/SDH e do consultor.
desenvolvimento entre as nações de forma desinteressada e alheia a qualquer tipo de desnível entre os países cooperantes, mas, e, sobretudo, como alavanca para uma inserção internacional mais robusta, tanto regional como internacionalmente. El Salvador, por sua vez, além de buscar auxílio nas atividades de cooperação técnica advindas dos esforços conjugados por meio da cooperação Sul-Sul, como forma de privilegiar áreas da política interna que não dispunham de recursos suficientes por parte do governo central, também passa a experimentar, em 2012, nova projeção internacional, elevando-se de país puramente receptor para prestador de cooperação de cooperação técnica na América Central.
Dessa forma, nota-se que as relações entre os países, além de voluntárias no que diz respeito à aproximação motivadora da cooperação estabelecida desde os governos Lula e Saca, são resultado da expressão da vontade política conjugada por ambos em buscar na cooperação Sul-Sul alternativas para lacunas sociopolíticas nacionais. Entretanto, verifica-se uma maior aproximação entre Brasil e El Salvador no momento em que se encontram governos com maior proximidade ideológica, como verificado com Lula, Rousseff e Funes. Ademais, cumpre destacar, também, que esta aproximação ideológica também desponta na priorização de temas sociais em ambos os países, o que elevou a cooperação técnica nesta área, e em direitos humanos, ao topo da pauta.
Esta priorização dos temas de escopo social e de direitos humanos nos cenários internos destes países transbordou para as ações de cooperação estabelecidas entre si, refletindo o grau de engajamento entre os governos nacionais também nos atores envolvidos na execução dos projetos de cooperação técnica. De forma consensual nas sete entrevistas realizadas, todos os atores destacaram que o grau de engajamento entre a SDH/PR e o ISNA para a realização das atividades propostas, mesmo diante dos percalços encontrados ao longo da execução do projeto, foi um dos fatores que garantiu sua completude.
A Coordenadora de Cooperação Internacional da Embaixada do Brasil em San Salvador, a Gerente de América Latina e Caribe da ABC e o Coordenador Institucional do ISNA destacam, nesse sentido, a atuação da Primeira Dama e Secretária de Inclusão Social de El Salvador, Sra. Vanda Pignato, tanto na construção, como na articulação da agenda de temas sociais e de direitos humanos em El Salvador e sua importância para a elevação destes temas à esfera da cooperação técnica. Isto se traduz não apenas como demonstração de reverência por tais temas por parte do governo salvadorenho internamente, mas também na gestão da cooperação internacional do país, uma vez que compunham a maior parte do
portfolio de cooperação com o Brasil à época – lista de projetos encontra-se no ANEXO A - LISTA DE PROJETOS DE COOPERAÇÃO TÉCNICA COM EL SALVADOR.
Também se faz necessário reiterar, diante desses fatores, o caráter demand driven da cooperação brasileira, que só inicia negociações e demais tratativas de cooperação internacional a partir de provocações de suas contrapartes. Assim, destaca-se também a legitimidade no interesse salvadorenho para com as políticas brasileiras em temas sociais e de direitos humanos. Somados o prestígio que ambos os governos desfrutavam entre si, e a percepção das similitudes envolvendo os desafios sociais e relacionados a direitos humanos que tanto o Brasil como El Salvador enfrentavam, não somente à época da idealização e implementação do projeto BRA/04/044-S181 como antes, obteve-se um bom grau de engajamento para execução das atividades previstas no projeto também nas demais esferas, abaixo das presidencial e diplomática, dos governos.
As relações entre Brasil e El Salvador desenvolveram-se de tal maneira durante os governos de Lula e Funes que Rousseff optou pela manutenção desta tônica, ainda que sem maiores reforços orçamentários à ABC para o período subsequente. Da mesma forma, a boa interatividade verificada pelas instituições envolvidas na execução do projeto BRA/04/044- S181 garantiu o andamento das atividades pactuadas, ainda que sob o diapasão dos atrasos sofridos, da necessidade de realizar duas ou mais atividades ao tempo de uma e dos empecilhos das línguas.