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4.3 Økonometrisk modell

4.3.2 Husholdninger

A relação do perdão com a justiça tem sido explorada recentemente a partir de um novo conceito: a crença no mundo justo (Just-world beliefs – BJW), que consiste numa disposição geral para responder às transgressões e se relaciona com a maneira como as pessoas interpretam a justiça. De acordo com Strelan (2007), a relação entre a justiça e o perdão depende dessa concepção.

A crença no mundo justo se desenvolve ainda na infância do indivíduo. A partir das interações com o meio e do desenvolvimento do respeito pelas normas sociais e morais, cada pessoa forma uma concepção do mundo justo, que funciona como um contrato regulador. A criança passa a assumir que o mundo é estável, lógico e ordenado, de modo que cada pessoa tem o que merece, ou seja, que atitudes boas geram consequências boas enquanto atitudes ruins vão causar respostas negativas do mundo. Assim, as pessoas passam a se comportar de maneira consistente com a sua crença sobre o mundo justo. E, dependendo da maneira como o indivíduo conceitua a justiça, o perdão pode ser compatível ou não com os comportamentos desejados (Strelan & Sutton, 2011).

A crença no mundo justo pode ser operacionalizada em três tipos: geral, que se refere às crenças sobre como as pessoas são tratadas; pessoal, relacionada à percepção de uma pessoa sobre como ela própria é tratada pelo mundo; e injusta, referindo-se a

pessoas que acreditam que o mundo é injusto com ela e com todos. Acreditar que o mundo é justo ajuda as pessoas a reagir positivamente em situações de mágoas e injustiças. Elevada crença no mundo justo está relacionada a menos ruminação sobre eventos negativos, mais comportamentos de altruísmo e de ajuda e maior senso de responsabilidade social e confiança interpessoal.

Strelan (2007) realizou um estudo para analisar a relação entre a crença no mundo justo e o perdão, para identificar se a percepção das pessoas de que elas são tratadas com justiça pode facilitar o uso de estratégias pró-sociais e adaptativas, como o perdão. O autor indica uma variável que pode ajudar a explicar essa relação: a gratidão. A hipótese do estudo era que a crença no mundo justo, pessoal e geral, se relaciona com o perdão, e que a gratidão pode favorecer essa relação, principalmente no nível pessoal. Esperou-se, ainda, encontrar uma relação negativa entre o perdão e a crença no mundo injusto. O estudo investigou também o papel mediador da autoestima na relação entre o autoperdão e a crença no mundo justo.

Participaram do estudo 275 estudantes universitários com idade média de 20 anos. Cada jovem respondeu a duas escalas de crença no mundo justo, uma escala de disposição para perdoar a si e aos outros e medidas de autoestima e gratidão. Como resultados, as crenças no mundo justo geral e pessoal se relacionaram com autoperdão, mas apenas a crença pessoal se relacionou com a disposição para perdoar os outros. Foram encontradas as relações previstas no que se refere à gratidão e à autoestima: a gratidão mediou a relação positiva do perdão com a crença pessoal e a relação negativa com a crença no mundo injusto, enquanto a autoestima atuou como mediadora da relação das crenças pessoal e geral com o autoperdão. Esses resultados confirmam a indicação teórica de que a crença no mundo justo influencia na maneira das pessoas interpretarem as situações de mágoa, e aumentam a disposição para perdoar.

Lucas, Young, Zhdanova e Alexander (2010) realizaram um estudo com o objetivo de verificar se existe diferença na relação do perdão com as crenças no mundo justo nos níveis pessoal e geral, e se essa distinção poderia ser mediada pela impulsividade e a ruminação. O estudo contou com 278 participantes, que responderam a instrumentos sobre a crença no mundo justo, ruminação, impulsividade e perdão. Os resultados indicaram, após analisar todos os possíveis modelos estruturais envolvendo as variáveis, que aquele que se mostrou mais adequado apresenta uma relação das crenças pessoais e gerais com o perdão, mediada pela ruminação e pela impulsividade: a crença pessoal se associou positivamente com o perdão e negativamente com a ruminação e a impulsividade, enquanto a crença geral se relacionou negativamente com o perdão e positivamente com as duas variáveis mediadoras. De acordo com os autores, esses resultados esclarecem as dúvidas existentes sobre a relação positiva ou negativa entre a justiça e o perdão, indicando que essa relação será determinada pelo tipo de crença na justiça que a pessoa tenha, além de características individuais, como a ruminação e a impulsividade.

Strelan e Sutton (2011) estudaram como as informações específicas de cada transgressão podem se relacionar com a crença no mundo justo das pessoas e como essa interação pode influenciar na decisão de perdoar. Os autores esperaram encontrar que a crença pessoal no mundo justo diminui as respostas negativas da ofensa, facilitando o perdão, enquanto a crença geral no mundo justo se associaria com o aumento dessas respostas negativas. Essas duas relações seriam influenciadas pela gravidade da ofensa. Participaram do estudo 157 estudantes universitários, divididos em duas condições: gravidade da ofensa elevada e gravidade da ofensa baixa. Os participantes deveriam relembrar uma situação de ofensa pessoal de acordo com a condição, e responder aos instrumentos. Foram utilizados: o Inventário TRIM e escalas de crença no mundo justo

pessoal e geral, proximidade da relação com o ofensor e comportamento do ofensor após a ofensa. Como resultados, foram encontradas mais respostas positivas na condição de gravidade baixa e mais respostas negativas na condição de gravidade alta. Não foram encontradas relações significativas entre os dois tipos de crença no mundo justo e respostas positivas sobre a ofensa, mas a crença pessoal se relacionou negativamente com as respostas negativas. Esses resultados confirmam as hipóteses dos autores e os estudos anteriores, mostrando que a crença no mundo justo no nível pessoal ajuda no perdão, na medida em que diminui as respostas negativas sobre a ofensa, evitando a motivação para evitação e vingança.

4.3.3. A relação do perdão com os dois tipos de justiça: retributiva e