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Foram realizadas algumas viagens de campo sendo estas primordiais para pesquisa. Algumas no início dos trabalhos, em meados de 2009 e 2010, com a finalidade de
reconhecimento da área a ser analisada. Oportunamente, observou-se relevo, cobertura vegetal, solos como também os tipos de uso e ocupação de cada unidade geoambiental estudada. Posteriormente, em 2011 e 2012, coletaram-se dados das comunidades ribeirinhas junto às agentes de saúde de cada município inserido na área da pesquisa. Logo depois, houve outras viagens a campo para verificação do mapeamento executado, checagem de dados cartográficos, para isso utilizou-se GPS, computador portátil, mapas base, fita métrica, câmara fotográfica, além de um mateiro experiente no reconhecimento da vegetação nativa.
Técnicas de Sensoriamento Remoto foram aplicadas na análise de imagens de satélite, interpretando-se elementos básicos da imagem como, tonalidade de cores, padrões geométricos e textura. Conforme essas informações, pode-se diferenciar as condições do relevo, a drenagem hídrica superficial, a cobertura vegetal e também as formas de uso e ocupação do solo.
Todas as informações obtidas foram interpretadas e registradas e posteriormente plotadas em mapas previamente elaborados sobre bases cartográficas adequadas. Os registros das imagens de 1:25.000 foram lançados sobre uma base na escala de 1:100.000, constituídos a partir dos mapas abaixo citados.
A respeito da representação das condições geoambientais, as mesmas foram confirmadas cartograficamente com o apoio das folhas SB.24-V-B-I (Santa Quitéria) e SB.24- V-A-III (IPU) do Projeto RADAMBRASIL (1981), através de seus diferentes mapas temáticos: geológico, geomorfológico, exploratório de solos, fitogeográfico e potencial de recursos hídricos, na escala de 1:100.000.
Utilizou-se como referência cartográfica a folha planialtimétrica de Santa Quitéria (SB. 24 V B I) editada pela DSG/SUDENE,1972.
Em seguida, as representações indicadas cartograficamente na escala de 1:100.000 foram checadas em trabalhos de reambulação em campo, com o apoio de veículos automotores e em barcos respectivamente no entorno e dentro do açude Paulo Sarasate.
Foram utilizadas imagens de satélite Landsat 7 do INPE dos anos de 2005 na escala aproximada de 1:100.000 cobrindo toda a área da bacia de drenagem do açude Paulo Sarasate, que inclui parte dos municípios de Varjota, Santa Quitéria, Pires Ferreira, Hidrolândia e Ipu, as quais serviram de apoio para checagem de algumas informações a respeito das condições ambientais, como o relevo, a hidrografia como também a cobertura vegetal.
Como material de finalização de interpretação de sensores remotos, preparação e trabalho de reambulação, elaboraram-se dois mapas temáticos, delimitando unidades de paisagens ao nível de escala regional para toda área da bacia de drenagem do açude Paulo Sarasate na escala de 1:350.000 e ao nível de escala tipológica 1:50.000 circundando o açude.
Os registros fotográficos foram efetuados nos trabalhos de campo com a finalidade de mostrar de maneira mais eficaz a tipologia da paisagem, servindo como apoio à localização sobre as imagens de satélite.
As cartas e os conjuntos de fotos/imagem foram elaborados a partir do Scanner Genius Color Page I , que passou as informações do papel (imagens de satélite e fotografias coloridas) para o computador Compaq Presario CQ50-21 OBR através do programa Corel Foto Paint, que captura as imagens. Depois de salvar o arquivo, foi efetuada a impressão por meio da impressora Hp Deskjet F4480.
Por meio de esquema de perfis topográficos, foi possível visualizar a distribuição horizontal dos geossistemas, as unidades tipológicas da paisagem, e também a distribuição vertical dos seus elementos. Com uma legenda adequada foi possível demonstrar a distribuição espacial dos componentes das paisagens nos sentidos verticais e horizontais, especificando-se os tipos de sedimentos, as variações do relevo, a disposição dos constituintes florísticos da vegetação, formas de drenagem hídrica, o uso e a ocupação do solo.
Os componentes abióticos foram avaliados através dos reconhecimentos de campo e de suas características baseadas em análises anteriormente realizadas, em ambientes semiáridos. Vale ressaltar o substrato geológico, que as formações de relevo, os tipos de solos como também as condições climáticas são relativamente homogêneas dentro do contexto regional do entorno, levando-se em conta as escalas que foram utilizadas.
A drenagem observada em toda área da pesquisa é do tipo dendrítica e ou subdendrítica, ou seja, de forma arborescente comandadas pelos processos da semiaridez, apresentando períodos de cheias e longos períodos de escassez.
Quanto à cobertura vegetal, à flora e à fauna, a análise foi realizada por meio de áreas representativas das principais unidades ecossistêmicas encontradas no semiárido. Foram feitas coletas de material botânico através de transectos longitudinais e transversais em cada ecossistema, percorrendo-se também áreas de amostragem e recolhendo-se amostras de espécies não presentes na execução dos perfis que as representam.
Para a coleta, foram convidados mateiros experientes da própria localidade, os quais repassaram a denominação popular das espécies vegetais. Conforme normas vigentes, o material botânico que foi coletado foi prensado e enviado ao Herbário Prof. Francisco José de
Abreu Matos, do Curso de Biologia da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA, sendo identificado taxonomicamente pelos professores dessas Instituições e também pela Universidade Federal do Ceará – UFC.
Foram consideradas na pesquisa as comunidades fitoecológicas através de critérios de fisionomia, estrutura e composição florística, tendo como base a classificação estabelecida por Fernandes (1990). Para cada comunidade, estabeleceu-se uma listagem das espécies identificadas, taxonomicamente destacando a sua família botânica como também o nome vulgar.
Houve a identificação taxonômica dos elementos faunísticos, além das observações em campo, entrevistas com caçadores e pescadores habitantes da área em estudo complementada e rigorosamente corrigidas cientificamente através de consultas bibliográficas específicas relativas à pesquisa.
As formas de uso e ocupação foram analisadas “in loco” no decorrer das
pesquisas de campo, através de observações diretas e também de informações junto às comunidades que habitam o entorno do açude Paulo Sarasate.
Um fluxograma metodológico foi elaborado com a finalidade de esclarecimento melhor de todo o conjunto a ser estudado (Figura 02).
Fonte: elaborado pelo autor
Objetivo
Diretrizes para o Planejamento e Gestão Ambiental da Bacia de Drenagem do Açude Paulo Sarasate- CE
Fundamentação TeóricaAbordagem Integrativa-Teoria Geosistemica
Levantamento e análise do material bibliográfico, geocartográfico e produtos de sensoriamento remoto, base cartográfico, interpretação visual de imagens orbitais , controles de campo geoprocessamento. (Base cartográfica, mapas temáticos e mapas sínteses).
ANÁLISE INTEGRADA DOS COMPONENTES GEOBIENTAIS (Através do Planejamento e Gestão Ambiental)
GEOLOGIA Crono- litoestratigráfica GEOMORFOLOGIA Unidades Geomorfológicas CONDIÇÕES CLIMÁTICAS HIDROLÓGICAS Termo-pluviométrico Balanço Hídrico SOLOS Principais classes de solos VEGETAÇÃO E FAUNA
Unidades fito -ecológicas composição faunisca.
USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
Situação atual, formas de transformação da
paisagem.
CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS
ASPECTOS RELATIVOS AO USO E OCUPAÇÃO
COMPONENTES GEOAMBIENTAIS
PLANO DE AÇÃO INTEGRADA
Estratégias de planejamento e gestão
Esboço para o zoneamento ambiental da Bacia de Drenagem do Açude Paulo Sarasate
COMPARTIMENTAÇÃO E DIAGNÓSTICO GEOAMBIENTAIS ASPECTOS FÍSICOS, USO E OCUPAÇÃO, IMPACTOS AMBIENTAIS, POTENCIALIDADES E LIMITAÇÕES AMBIENTAIS
Foi fundamental para um melhor conhecimento da área do entorno do açude o relato de antigos funcionários do DNOCS, pescadores, caçadores, mateiros, como também outros habitantes do lugar. Através de entrevistas pôde-se analisar com mais afinco a relação desses habitantes com os recursos naturais aqui disponíveis, podendo-se destacar formas de aproveitamento e beneficiamento das matérias primas obtidas em tipos de produtos e seu decorrente consumo e comercialização.
No reconhecimento das condições socioeconômicas, infraestrutura e serviços das comunidades do entorno do açude Paulo Sarasate, mais especificamente da cidade de Varjota, onde está a barragem e o escritório do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS, procuraram-se informações em órgãos públicos, como a Secretaria de Saúde de Varjota e Secretaria de Administração, entre outros.
No que se refere à pavimentação das vias, transporte, comunicação, arruamento, infraestrutura de saneamento básico, energia elétrica e serviços de educação e saúde dentro da área da pesquisa, todos foram avaliados. Todas as deficiências e disponibilidades de serviços dos mais diversos foram correlacionadas com as demandas de cada comunidade visitada.
Uma análise qualitativa foi efetuada por meio dos principais impactos ambientais inerentes às populações do semiárido, dando-se ênfase aos tensores naturais e antrópicos como também suas consequências socioambientais. Propõe-se relacionar os impactos de maior intensidade e suas modificações provocadas no meio ambiente.
Foi elaborado um quadro-síntese com a correlação dos impactos, suas causas e consequências.
Determinaram-se algumas áreas representativas, que foram utilizadas como áreas de referência, indicando os processos dinâmicos semiáridos e de suas interações com outras unidades íficas. Por meio de esquemas representativos de geossistemas e unidades de paisagem, puderam-se verificar as transformações ocorridas na paisagem.
Através do estudo em conjunto dos componentes geoambientais e a análise pormenorizada das áreas que circundam o açude Paulo Sarasate, foi possível absorver maiores informações sobre suas estruturas e funcionalidades. Por meio da integração na pesquisa dos aspectos físicos, biológicos e socioeconômicos, como também uma análise sistêmica, houve condições de avaliar os principais problemas e potencialidades socioambientais dessa área representativa do semiárido nordestino.
Apesar de este presente estudo possuir um viés geográfico em nenhum momento deixou de recorrer a procedimentos técnicos e metodológicos de outras áreas das ciências.
Enfim esta pesquisa procurou colaborar com informações científicas, com o intuito de fornecer dados fidedignos dessa área localizada no semiárido cearense.