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3.1 Historisk boligprisutvikling

Esta pesquisa foi fundamentada na análise geossistêmica, que, por sua vez, tem suas bases teóricas justificadas na Teoria Geral dos Sistemas, cujos critérios consideram as relações mútuas entre os componentes de um sistema visando analisar o estado de interrelações e interdependências entre os sistemas natural e humano, procurando definir a sensibilidade e a resistência do ambiente.

De acordo com Troppmair (1989), a Teoria Geral dos Sistemas foi inicialmente desenvolvida nos Estados Unidos da América e usada por R. Defay na termodinâmica (1929) e, mais tarde, aplicada à biologia por Ludwig Von Bertalanffy, em 1932.

Thornes e Brunsden (1977) entendem o sistema como “um conjunto de objetos ou

atributos e das suas relações, organizados para executar uma função particular”. Portanto,

entende-se o sistema como operador que, durante um determinado tempo, recebe o “input”

(entrada) e o transforma em “output” (saída).

Autores como Sotchava (1962), Bertrand (1972), Tricart (1977) Cristofolletti (1979), e Troppmair (1989) desenvolveram estudos integrados da paisagem, tendo como fundamentação a Teoria Geral dos Sistemas, direcionada para estudos geossistêmicos, em que o geossistema é um conceito territorial, uma unidade espacial que pode ser delimitada e analisada em determinada escala. Sotchava (1962) afirma que o geossistema é a expressão dos fenômenos naturais, ou seja, o potencial ecológico de um determinado espaço, no qual há uma exploração biológica, podendo aí influenciar também os fatores sociais e econômicos na estrutura e expressão espacial.

Um fator de extrema importância a respeito de estudos desenvolvidos através da análise geossistêmica é a classificação dos geossistemas que, de acordo com este mesmo autor, conceituam-se como unidades territoriais homogêneas e diferenciadas, escalonadas em três classes hierárquicas: planetário, regional e tipológico.

Contudo, essa classificação hierárquica proposta por ele considera a dinâmica da paisagem, em que a unidade ambiental e da paisagem ou geossistema apresenta-se organizada, mas constantemente em mudança, devido ao metabolismo de suas propriedades como um todo integrado. Vale ressaltar que homogeneidade e diferenças estão contidas em

cada geossistema, significando, portanto, que um determinado espaço conceituado como homogêneo poderá possuir caráter de heterogeneidade no mesmo local.

Para Bertrand (1972), o geossistema é um complexo dinâmico espaço-temporal usado na identificação e delimitação das unidades geossistêmicas. Nesse sentido, a concepção

de paisagem é dotada de um significado relevante, pois é considerada “o resultado da

combinação dinâmica, portanto instável, dos fatores físicos, biológicos e antrópicos, que, reagindo dialeticamente uns sobre os outros, fazem da paisagem um conjunto único e indissociável, em constante evolução” (BERTRAND, 1972).

Considera-se assim que a paisagem é um conjunto que para ser conhecido deve ser parcelado, e que esse conjunto não se reconstitui a partir tão somente da união das partes. Para a paisagem ser compreendida, deve haver a inter-relação e interdependência entre as mesmas partes que a integram.

O mesmo autor classifica as unidades da paisagem superiores e inferiores, em que as superiores são zona, domínio e região natural; e as inferiores, geossistemas, geofácies e geótopo, sendo no geossistema que se processa a maior parte dos fenômenos de interferência entre os componentes ambientais.

Os geofácies constituem unidades internas do geossistema, apresentando homogeneidades fisionômicas, e o geótopo a menor unidade geográfica homogênea. É oportuno lembrar que a presente pesquisa adotará as dimensões propostas como unidades inferiores, ou seja, geossistema e geofácies, na escala de 1:100.000 e 1:50.000, além de definir cartograficamente os ambientes em níveis ecodinâmicos como meios estáveis, intergrades e fortemente instáveis.

Essas unidades de paisagem ou geossistemas tendem a se caracterizar por uma funcionalidade no processo de troca de matéria e energia através do equilíbrio dinâmico e podem constituir-se em ambientes estáveis, mas não estanques.

No entanto, à medida que essas unidades sofrem impactos ambientais através das atividades humanas, há uma perda do equilíbrio dinâmico, podendo ir para a categoria de ambientes instáveis.

Cristofolletti (1989) interpreta que a análise geográfica dos padrões espaciais e das transformações temporais é um tema básico no estudo dos geossistemas. Em seus estudos sobre a abordagem holística sistêmica e a concepção do todo, esclarece que a abordagem holística sistêmica é necessária para a compreensão das entidades ambientais físicas que estruturam-se e funcionam como diferentes unidades complexas em si mesmas e na hierarquia

de interação, simultânea e interativamente focalizando os subconjuntos e conhecendo seus aspectos e relações entre eles.

O sistema assume estrutura e funcionalidade diferentes dos seus subconjuntos. Em novo nível hierárquico, cada componente do sistema possui características próprias, podendo ser considerado como unidade, sendo também analisado como uma totalidade, pois a noção de conjunto sempre envolve o contexto todo.

A abordagem holística é definida como concepção de que o todo possui propriedades que não podem ser explicadas em termos de seus constituintes individuais. Preocupa-se em entender o conjunto mais que suas partes e sugere que o todo é maior que a somatória das propriedades e relações das partes, pois há o surgimento de novas propriedades que não emergem do conhecimento das partes constituintes. Dessa forma, leva a considerar que as condições de emergência das novas qualidades geralmente devem estar relacionadas com o arranjo dos elementos, com a estrutura do sistema.

Para Troppmair (1995), o geossistema é um sistema espacial natural, aberto e homogêneo, que se caracteriza por possuir:

 morfologia – expressão física do arranjo dos elementos e da consequente

estrutura espacial;

 dinâmica – o fluxo de energia e matéria que passa pelo sistema no que varia no

espaço e no tempo;

 exploração biológica – flora, fauna e solo.

O estudo do geossistema, como um estudo da paisagem integrada nos moldes da moderna Geografia Física, apresenta dois objetivos principais, como os propostos por Neumeister, citado por Troppmair (1983): “estudar a dinâmica da paisagem e avaliar seus processos, interligando-os à sociedade”.

Segundo Tricart (1977), sistema é um conjunto de fenômenos que se processam mediante fluxos de matéria e energia. Esses fluxos originam relações de dependência mútua entre os fenômenos. Como consequência, o sistema apresenta propriedades que lhe são inerentes e diferem da soma das propriedades dos seus componentes. Uma delas é ter dinâmica própria específica do sistema.

O conceito de sistema é um dos recursos mais recomendáveis atualmente para que se possa estudar o meio ambiente, através de um procedimento dialético entre a necessidade da análise e a necessidade inversa de uma visão de conjunto, para uma atualização prática e eficaz sobre o meio ambiente.

Através da classificação ecodinâmica e sua aplicação no estudo da paisagem, propõem-se três tipos de meios morfodinâmicos: meios estáveis, meios intergrades ou de transição e meios fortemente instáveis. Suas principais características são:

 Meios estáveis – caracterizados pelo predomínio da pedogênese sobre a

morfogênese, o modelado evolui lentamente, a cobertura vegetal é capaz de atenuar os processos erosivos ocasionando uma dissecação moderada. Observação: condição de clímax;

 Meios intergrades ou de transição – a pedogênese ora sobrepõe-se à

morfogênese, ora o processo é contrário, exercendo-se de modo concorrente um sobre o outro;

 Meios fortemente instáveis – há uma predominância da morfogênese sobre a

pedogênese. Na dinâmica natural, é o fator determinante do sistema ao qual outros elementos estão subordinados.

Souza et. al. (1995), ao usar essa classificação, apresenta adaptações com as seguintes categorias ambientais: ambientes estáveis, ambientes de transição, ambientes instáveis e ambientes fortemente instáveis.

Na presente pesquisa, a teoria sistêmica contribuirá como base teórica, resultando na elaboração de uma proposta de planejamento e gestão ambiental da bacia de drenagem do açude Paulo Sarasate, procurando a interdisciplinaridade numa visão de síntese no conjunto do espaço geográfico em estudo.