Segundo Domingues (2006), a origem do nome da cidade é folclórica, baseada em uma lenda repassada através das gerações. De acordo com essa lenda, ao penetrarem pelas matas virgens que cobriam a região, os bandeirantes iam derrubando árvores e abrindo caminhos e, durante a derrubada dessas matas, um português de nome Marco e seus companheiros batiam os machados nos trocos das árvores e gritavam: “Abre Campo! Abre Campo! Abre Campo!”. A autora considera como verdadeira a versão de Nélson de Senna, segundo a qual a cidade foi habitada antigamente “por uma tribo indígena denominada “Catoxós”, ou “Cotoxós”, ou “Cotoxés”, que significa “Abre Campo”, o que justifica a escolha do nome”. (DOMINGUES, 2006, p.19).
O explorador Matias Barbosa da Silva liderando uma bandeira de setenta homens livres e cinquenta escravos, em 1734, chega até uma localidade de nome “Escadinhas da Natividade”, onde combateu com índios botocudos. De acordo com o historiador Waldemar
de Almeida Barbosa, o bandeirante fundou, nessa época, o “Presídio de Abre Campo”, instalação de tipo militar que tinha o espírito repressor e objetivava conter os indígenas da região; mas o presídio não durou muito tempo: “o desconhecimento dos colonizadores da cultura dos muitos povos indígenas que habitavam o território provocou nos nativos uma reação contra o domínio, manifesta na destruição do presídio” (DOMINGUES, 2006, p.19).
O bispo Dom Frei João da Cruz, por provisão de 15 de outubro de 1741, criou aqui uma freguesia com o nome de Santana e Senhora do Rosário da Casa da Casca, atendendo a pedidos do guarda-mor João de Abreu e demais moradores dessa região. Para vários historiadores, entre eles Cônego Trindade, a Casa da Casca, a aldeia descoberta pelo sertanista e bandeirante Antônio Rodrigues Arzão, de Taubaté, em 1693, em que foi colhido o primeiro ouro em terras de Minas Gerais – uma porção de três oitavas – era localizada no local em que hoje é esse município. Ao saber da história de seu descobrimento, vários aventureiros, caçadores de índios e de ouro foram atraídos, fazendo com que essa localidade se transformasse em um arraial povoado de mineiros e lavradores, formando assim o núcleo do povoado de Abre Campo.
A freguesia de Abre Campo, criada em 1741, não consegue se manter devido aos diversos ataques dos índios botocudos; devido ao fato de terem sido desalojados e perseguidos pelos brancos, os botocudos, saturados de ódio, atacaram o arraial por quatro ou cinco vezes.
Foi uma chacina. Salvou-se quem pôde. Vieram vingar a usurpação de suas terras e de suas ocas de palha e casca. Lutavam pela sobrevivência de sua identidade cultural. Num desses ataques, mais impetuoso e brutal, as duas capelas erigidas em louvor a Santana e Nossa Senhora do Rosário e as casas, são destruídas e incendiadas. Varrera tudo o incêndio. Mas os habitantes expulsos voltaram, mantiveram-se heróicos, sem mais arredar pé até hoje das terras que sua tenacidade conquistara e seu labor civilizara. A freguesia reduziu-se, por isso, à capela filial de Barra Longa, cujo território integrava. (DOMINGUES, 2006, p.20).
O fato de a freguesia ter sido rebaixada não foi bem aceito, tanto que em 1770, os habitantes de Abre Campo, chefiados pelo capitão José do Vale Vieira, reivindicaram seus direitos através de uma ação judicial movida por eles contra Francisco Xavier da Costa, vigário de Barra Longa, essa ação foi apaziguada pelo governador Conde de Valadares que tenta conciliar as partes litigantes.
Em 1755, José do Vale Vieira ganha a sesmaria do Ribeirão do Carmo e abre espaço para a povoação dos sertões de Abre Campo, para onde abriu uma estrada de cavaleiro. Foi por esse tempo que o lugar passou a denominar-se Abre Campo. Continuou capela filial de Barra Longa até 1846, ano em que se anexou à freguesia de Ponte Nova. A lei nº 312, de 8 de abril de 1846, criou o distrito, como parte do município de Mariana. A reconstrução é lenta e, pela Lei Provincial nº 471, de 1º de junho de 1850, Abre Campo é elevada à categoria de paróquia, prevalecendo a capela de Santana como matriz. Imponentes solenidades religiosas se celebravam na
nova paróquia, estando presente o bispo Dom Antônio Viçosa, em visita pastoral ao ensejo do importante acontecimento. No mesmo ano, por provisão de 13 de novembro, foi canonicamente instituída a freguesia, com a posse do primeiro vigário, padre Francisco Martins Valadão. (DOMINGUES, 2006, p.21).
Segundo Domingues (2006), alguns fatos históricos narrados pelos moradores da cidade são fortes evidências de que a Casa da Casca era realmente localizada em Abre Campo. Os moradores antigos relatam a existência de uma mina de ouro na cidade, explorada por ingleses, causa do povoamento do município. As pessoas vinham de Cachoeira do Livramento, apelidado de Cachoeira Torta, com o fim exclusivo de explorar a mina, “mas devido às dificuldade encontradas e a quantidade insuficiente do metal, gerou conflitos e lendas de fantasmas com fim de atormentar os descendentes das famílias que tentassem reerguer a caça ao ouro”. (DOMINGUES, 2006, p.23).
FIGURA 6 – Visão parcial da cidade de Abre Campo – Praça da cidade
A vila foi criada por Lei Provincial nº 3712, de 27 de julho de 1889. Desmembrada do Município de Ponte Nova. A instalação foi em 29 de março de 1890. Conseguiu foro de cidade pela Lei Estadual nº 23, de 24 de maio de 1892. Em divisões territoriais datadas de 31- XII-1936 (88) e 31-XII-1937 (89), bem como no quadro anexo ao Decreto-Lei Estadual nº 88, de 30 de março de 1938, o Município de Abre Campo compreende o único termo judiciário da comarca de Abre Campo e divide-se em 5 Distritos: Abre Campo, Itaporanga, Pedra Bonita,
Santo Antônio do Matipoo e S. João do Matipoo. Pelo Decreto-Lei Estadual nº 1148, de 17 de dezembro de 1938, o Município de Abre Campo perdeu parte do território do Distrito de Santo Antônio para o novo Distrito de Bicuíba, do Município de Raul Soares e o Distrito de Matipó para o novo Município de Matipó.
FIGURA 7 - Mapa de Minas Gerais localizando a cidade de Abre Campo Fonte: www.famat.ufu.br/sbmacregional7
O município de Abre Campo está localizado na Zona da Mata de Minas, possui, atualmente, uma área de 470, 38 Km2, estando incluído nessa área, como já foi citado, o distrito de Granada, único que não se emancipou.
FIGURA 8 – Visão parcial da cidade de Abre Campo – Rio Santana
Os seguintes municípios são vizinhos limítrofes dessa cidade: Caputira, Jequeri, Matipó, Pedra Bonita, Raul Soares, Rio Casca, Santo Antônio do Grama, São Pedro dos Ferros e Sericita. Encontra-se distante dos grandes centros urbanos, estando a 216 Km de Belo Horizonte e a 324 Km de Vitória. As principais rodovias de acesso a Belo Horizonte são a BR-381, BR-262.
Fonte: IGA (Instituto de Geociência Aplicada) em 10/05/1999
A população estimada pelo censo de 2005 é de 13.319 habitantes; é interessante ressaltar que em 1970 era de 20.013 habitantes, mas que o decréscimo deu-se, em grande parte, pelo desmembramento de antigos distritos que se tornaram cidade. A população da cidade sempre foi mais rural do que urbana; dados do censo de 2000 mostram que a população era de 13.322, sendo que desse total, 5.961 pessoas viviam na zona urbana e 7.361 na zona rural.
O município tem sua base econômica na agricultura e na pecuária. Embora o café seja considerado o principal produto agrícola, o município é também um bom produtor de feijão, milho e cana-de-açúcar. A pecuária é também muito forte nesse município.
Com relação à educação, o município possui escolas municipais, estaduais e particulares, algumas de ensino fundamental e/ou médio e uma faculdade particular que começou a funcionar através de um convênio entre a instituição de ensino e a prefeitura da cidade. Antes de se criar o primeiro Grupo Escolar de Abre Campo, o ensino era ministrado pelos professores em suas próprias residências. O município não possui cinema, teatro ou shopping center. As pessoas têm por hábito reunirem-se na praça da cidade, em barezinhos ou, até mesmo, nas festas religiosas.