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A sede da cidade foi fundada aos 16 dias do mês de abril do ano de 1876. De acordo com documento existente nos arquivos da prefeitura da cidade, João Fernandes dos Santos e sua mulher Antônia Valeriano de Moura, herdeiros de seus sogros e pais Antônio da Silva Pedroso e Floriano Martins de Moura, “venderam a Miguel Monteiro de Oliveira condicionalmente, conforme se verifica na Escriptura lavrada no Livro de Notas do Cartório de Paz de Abre Campo, 50 alqueires de planta de milho e mais ainda 5 alqueires” (COTTA, [s.d.], p.1)1; para serem tirados de uma área de 70 alqueires que receberem de herança deixada pelos finados acima citados.

Segundo Cotta, essa venda de terras foi feita pelo prazo de 18 meses como garantia de uma dívida de 1.250$000; essas terras, naquele tempo, pertenciam ao município de Abre Campo, na fazenda denominada Cachoeira Alegre de Santo Antônio de Matipó, lugar esse em que, posteriormente, fundou-se o arraial São João do Matipó; se, no vencimento do prazo, a dívida não tivesse sido paga, os 50 alqueires de planta de milho passariam ao comprador que teria o domínio e posse dessa área, podendo desmatar, gozar e tirá-los onde quisesse.

João Fernandes dos Santos faleceu por volta do ano de 1877 sem resgatar a dívida oriunda da compra da terra com o credor Miguel Monteiro. Antes de falecer,

conforme título lavrado, passado pelo finado Reverendíssimo Padre Francisco Gomes Baptista de Almeida e Castro, Vigário da Freguesia e distrito de Santa Margarida aos 26 dias do mez de Outubro do anno de 1876, levado a publica forma no livro competente do cartório de Paz do mesmo anno, de accôrdo com o documento existente, confirmou possuir setenta alqueires de terras de culturas ao principio declarado, fazendo doação de 5 ½ alqueires ao povo ou aos povos da Zona dessa fasenda e outras para a fundação de um arraial em cumprimento de uma promessa feita a São João Baptista, cuja posse, na fazenda denominada Cachoeira Alegre de Santo Antônio, na margem esquerda do Rio Matipó, com a condição, que dos cinco e meio alqueires doados um seria grates e quatro e meio; quem quizesse edificar dentro do terreno, pagar-lhe-hia 320 por palmo da frente, e os correspondente ao fundo, na proporção que a localidade permitisse, e queria que esse título tivesse validade, digo, tivesse vigor e validade, tanto no eclesiástico como no Civil, declarando mais, que se alguma subscrição pagassem-lhe a referida indenização, ficariam, os povos exonerados para com elles e que faziam e doavam por uma promessa feita a São João Baptista (Cotta, [s.d.] , p.2)

Como se vê, João Fernandes dos Santos foi o proprietário das terras onde se deu a formação do povoado. Inicialmente, as casas foram sendo construídas pelos empregados e, depois, por outras pessoas que foram invadindo espaços. Em 1860, já se tinha um pequeno povoado que se denominava São João das Esteiras. A escolha do “nome de batismo” da

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cidade ocorreu em parte devido ao fato do pequeno povoado possuir casas que eram cobertas por esteiras de taquaras, bambus e sapé.

Em 1870, o povoado passou a ter o nome de São João do Matipoó, sendo que o segundo nome, como consta, foi por causa do rio que banha a localidade - rio Matipó, um dos afluentes do Rio Doce pela margem direita.

FIGURA 11 – Carta geográfica destacando Matipó Fonte: IBGE

Segundo Barbosa, o povoado de São João do Matipoó foi elevado a distrito pela lei nº 3.221, de 11 de outubro de 1884.

A lei número 3.442, de 28 de setembro de 1887, elevou o distrito a freguesia, com o mesmo título de São João do Matipoó (a grafia nesta lei é Matipoó). Entretanto, a provisão canônica apenas criou o curato a 23 de março de 1889; e depois, nesse mesmo ano, foi instituída a paróquia, tendo como primeiro vigário Pe. João Facundo Martins Chaves, que fora o primeiro curo (Cônego Trindade). (BARBOSA, 1971, p. 283-284)

Um ano antes de se emancipar, o nome do distrito foi revisado, de São João de Matipoó, passou a denominação de “Matipó” apenas; ficando suprimidas as palavras “São João do” e uma das letras “o”. Em 1938, o distrito de São João do Matipoó, passou a município pela lei nº 148, de 17 de dezembro, com território desmembrado do município de Abre Campo e com a denominação reduzida a Matipó.

De acordo com o histórico da Prefeitura encontramos duas versões: a palavra de origem indígena “Machi-poo” significa “milho em pó”, isto devido ao fato dos índios plantarem milho no local em que foram construídas as primeiras casas, cabe ressaltar que não se sabe quem atribuiu essa versão e nem baseado em quê. A segunda versão é remetida a Waldemar de Almeida Barbosa (embora não se faça menção à fonte bibliográfica), segundo informações, o topônimo Matipó seria classificado da seguinte forma: “Matipó: etim, mati, matei, pequeno, pó. Pó, mão, cipó, fibra, a mão pequena, o cipozinho, a fibra delgada.”.

Ao se pesquisar a respeito do grupo indígena que habitou a região, descobrimos várias referências a eles:

Abatipós - (Viviam outrora no valle do rio hoje denominado Matipó, a Leste do

Estado). Sua alcunha tupi aba-ti-pó mostra que esse gentio tinha certo mal de pelle toda “pampa” ou cheia de manchas esbranquiçadas, nas mãos e pés. (SENNA, 2005)

Abatipós – Localizam-se no solo dos atuais municípios de Matipó, Abre Campo e

Santa Margarida. Os viajantes distinguiam-nos como possuidores de manchas esbranquiçadas nos pés e nas mãos. Seriam vítimas de generalizada disfunção da glândula suprarenal. (JOSÉ, 1965, p. 16)

Abatipós (abá + ti + pó = mão) = homem de pele pampa (mal de pele), com

manchas esbranquiçadas nas mãos e pés; nome de tribo indígena que viveu no vale do Rio Maipó (Minas):

Mostra que esse gentio tinha certo mal de pele 'pampa' ou cheia de manchas esbranquiçadas." (Nelson de Senna - 100d, pág. 337)"

Matipó (abatipó, mbaipó, matipó): nome de rio afluente do Rio Doce e de cidade

de mesmo nome, em Minas, Zona da Mata, antiga Raul Soares:

O capitão Luís Borges Pinto "explorou as margens dos rios Xipotó, Abatipó (hoje Matipó) e Casca, chegando até a barra do Rio-dos Coroados..."(Basílio de Magalhães -32a., pág. 326). (GREGÓRIO, 1980, 339-340)

A partir daí, percebe-se que o nome da cidade, na realidade, é devido aos antigos moradores da região; índios que moravam à margem do rio que corta a cidade e que possui o mesmo nome – Matipó.

A cidade está localizada na Zona da Mata de Minas, possui, atualmente, uma área de 267, 1 Km2, estando incluído nessa área o distrito de Padre Fialho, antigo Garimpo.

FIGURA 12 - Mapa de Minas Gerais localizando a cidade de Matipó Fonte: www.famat.ufu.br/sbmacregional7

A população estimada é de 17.506 pessoas de acordo com dados do IBGE do censo de 2005. Até 1970, a população da cidade era predominantemente rural – do total de 11.070, 4.473 habitavam a zona urbana enquanto que 6.597 habitavam a zona rural; em 2000, a situação modificou-se completamente, do total de 16.294, 11.684 habitavam a zona urbana enquanto que 4.610 a zona rural. Dessa população de 2000, apenas 6.438 estão trabalhando, sendo que 3.966 pessoas estão no setor agropecuário, de extração vegetal e de pesca, 470 no setor industrial, 625 no comércio de mercadorias e 1.377 no setor de serviços, ficando claro que, apesar da população atualmente ser eminentemente urbana, é o setor agrário que movimenta a economia da cidade, uma vez que é nele que mais da metade da população está envolvida. Nesse setor, é a colheita do café a principal atividade econômica da cidade, seguida da criação de bovinos, suínos e galináceos.

FIGURA 13 – Visão parcial de Matipó

A cidade tem como municípios limítrofes as seguintes cidades: Abre Campo, Caputira, Manhuaçu, Pedra Bonita, Santa Margarida e São João do Manhuaçu. Encontra-se distante dos grandes centros urbanos, estando a 244 Km de Belo Horizonte e 294 Km de Vitória. As principais rodovias de acesso a Belo Horizonte são a BR-381 e a BR-262; cabe lembrar que o município não é cortado por nenhuma delas, estando localizado a uma distância aproximada de 6 Km.

FIGURA 14 - Mapa de Minas Gerais destacando as cidades de Belo Horizonte e Matipó Fonte: IGA (Instituto de Geociência Aplicada) em 10/05/1999

A cidade possui escolas municipais, estaduais e particulares de ensino fundamental e médio e duas faculdades particulares. O município possuía um cinema que foi fechado há tempos. Não possui teatro e nem shopping center. As pessoas são, em geral, conhecidas por todos e costumam se reunir em uma rua cheia de barezinhos ou no clube da cidade.

FIGURA 15 – Visão da cidade de Matipó