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Human gut microbiota:

1. Introduction

1.1 Human gut microbiota:

Um ponto de partida para a questão tecnológica, tanto no entendimento da projeção política, quanto da cultural, é o aspecto da institucionalização da mudança, tal como aparece no item 4 da tendência múltipla. Além desse item, os autores, ao pensar sobre as inovações tecnológicas, consideram ainda a acumulação de conhecimentos científicos e tecnológicos347.

Ao pensar os desenvolvimentos tecnológicos, os futuristas não consideram as possíveis interações entre eles, apesar de acreditarem que essas relações poderiam se estabelecer. Essas interações poderiam se dar ou por estímulo a outras áreas, ou por possibilitar soluções inesperadas, ou para serem usadas em conjunto com outras, formando um todo, ou, finalmente, por conduzirem a inovações inesperadas. Então, os efeitos de cooperação e de interação, os autores chamaram synergism, enquanto que as inovações e descobertas imprevistas, de serendipity348.

Esses dois conceitos permitem os futuristas pensar o aspecto surpreendente que cerca as inovações científicas e tecnológicas. Inicialmente, reconhecem a dificuldade de determinar os desdobramentos de qualquer descoberta científica, já que a pesquisa científica não visa necessariamente um fim prático. A respeito do synergism, os autores afirmam que ele pode ocorrer de forma cumulativa, com um conjunto de interações se sobrepondo. E, por fim, essas relações das descobertas e inovações podem trazer, ainda, a serendipity349. Assim, cada uma das inovações pensadas poderia produzir uma mudança significativa nos próximos 33 anos. Essa mudança pode se caracterizar por ser ou espetacular, ou onipresente, ou que permita alguma relação sinergística – que possibilite, portanto, que uma grande quantidade de coisas                                                                                                                          

347

KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 57. 348

Ibid., p. 66-67. 349 Ibid., p. 68-70.

diferentes possam ser feitas – ou que aumente a produtividade, ou tenha importância para indivíduos específicos350. Além disso, pensam que o desenvolvimento tecnológico deveria se pautar no que ele poderia trazer de novo, qual o benefício, como ele influenciaria o inimigo, os aliados e a corrida armamentista como um todo, e qual a relação de custo e eficiência351.

Além desses critérios para considerar algo inovador, os autores pensam, ainda questões práticas e éticas. Assim, alguns avanços poderiam ser encarados como exemplos de benefícios não ambíguos do progresso humano. Todavia, eles poderiam, apesar de tudo, apresentar dificuldades em outros sentidos, como o aumento do poder da URSS, ou uma mudança no eixo de poder. São exemplos: novas fontes de energia, novos materiais para equipamentos e etc. Outras tecnologias novas poderiam ter conseqüências controversas, as quais poderiam ser evitadas ou desencorajadas pelas políticas governamentais. Algumas dessas questões a serem enfrentadas possivelmente seriam referentes ao desenvolvimento nuclear, ao poder governamental e/ou privado excessivo sobre os indivíduos e às decisões, que seriam complexas, importantes, incertas ou amplas, porém essencialmente necessárias. Alguns exemplos de tecnologias que poderiam suscitar tais questões seriam as técnicas novas e mais seguras de educação e propaganda para afetar o comportamento humano, armas e sistemas bélicos disponíveis e baratos, etc. Há, ainda, tecnologias que, além de interessantes, acarretariam conseqüências não triviais. Exemplificando: satélites permanentemente habitados e instalações lunares, alta capacidade de comunicação mundial, regional e local sem ser onerosa, conferências por TV, luas artificiais e outros métodos de iluminação noturna para grandes áreas, etc352. Há, finalmente, algumas possibilidades radicais, umas, importantes, e, outras, que fariam pouco sentido. Qualquer uma dessas dificilmente ocorreria. Exemplos são: crescimento artificial de membros e órgãos, viagem interestelar e modificações grandiosas da espécie humana (não mais homo sapiens)353.

Seguindo esse raciocínio, os autores pensam o desenvolvimento tecnológico de duas formas. Por um lado, como influência decisiva na questão militar, por outro, alterando o cotidiano social. Essas alterações terão papel fundamental nas especulações que fazem para o futuro, tanto da sociedade, como da política internacional. Aqui, centrar-nos-emos, por enquanto, apenas nas tecnologias que poderiam ter algum efeito sobre a política internacional.

                                                                                                                          350 KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 50. 351

Ibid., p. 82. 352

Ibid., p. 51. As listas das diversas inovações nas páginas 51-55. 353 Ibid., p. 56-57.

3.1.1. A tecnologia concernente à política internacional no mundo padrão

São diversas as maneiras como a tecnologia poderia influenciar a política internacional, mas todas acabam girando em torno da tendência do aumento da capacidade de destruição em massa e da acumulação de conhecimentos científicos e tecnológicos. Os autores consideram, por exemplo, que os diferentes avanços tecnológicos, como a utilização dos

lasers, o desenvolvimento da holografia, o avanço médico e o desenvolvimento da

informação e comunicação poderiam afetar tanto a política internacional quanto a guerra central, entendida como a guerra que envolve duas grandes potências e seus territórios. Partindo disso, afirmam a existência de um ritmo de mudança significativa nas estratégias e tecnologias militares de 5 anos. Este ritmo foi definido pelos autores a partir da experimentação e da comparação com o desenvolvimento já existente. Kahn e Wiener prevêem também a necessidade de adaptação da tecnologia às guerras de guerrilha, preocupação, esta, decorrente dos insucessos no Vietnã. Inquieta-os, ainda, a possibilidade de tais guerrilhas tirarem proveito dessas novas tecnologias, criando, portanto, a necessidade de se pensar contramedidas a isso. Essa possibilidade da difusão tecnológica poderia acirrar a corrida armamentista indiretamente entre os EUA e a URSS, porém, poderia, por outro lado, conduzir a uma política tecnológica mais prudente354.

Além disso, havia a questão da energia nuclear, a qual suscitou muitos questionamentos no período. O que inquietava os futuristas era a possibilidade de difusão dessa tecnologia, uma vez que a pesquisa e o desenvolvimento, por parte dos governos e das usinas nucleares, acabaram facilitando a fabricação de armas atômicas, fato que tenderia a aumentar até o ano 2000. Frente a isso, questionam o quanto foi pensado sobre tais programas e planejamentos, pois esses desenvolvimentos poderiam criar um impasse entre as utilidades práticas desse tipo de energia e suas capacidades destrutivas quando aplicadas no campo bélico. Como forma de resolver isso, cogitam outras formas de energia, inclusive a possibilidade de represas no Rio Amazonas355.

Assim sendo, a preocupação central com o desenvolvimento da energia nuclear era, portanto, a possibilidade de armas nucleares. Isso se evidenciava pelos 10 anos que seguiram a II Guerra, quando os 5 principais países que triunfaram ou construíram ou testaram armas nucleares (EUA, URSS e Reino Unido), ou iniciaram programas com esse fim (França e                                                                                                                          

354

KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 75-86. 355 Ibid., p. 71-75.

China). Por outro lado, contra isso, os autores apontam que após o início do programa francês ou chinês – nos anos 50 – nenhuma outra nação iniciou programas que não fossem pacíficos. Concluem, então, que a ausência de conflitos poderia contribuir com a não proliferação. Contudo, caso houvesse uma retomada, ela aconteceria por fatores próprios do terço final do século XX e provavelmente se iniciaria por Israel, Índia, Alemanha Ocidental e Japão. Assim, Kahn e Wiener afirmam que os programas poderiam proliferar até o fim do século, chegando a 50 nações, o que aumentaria as chances de uma guerra entre países menos desenvolvidos, como também poderia resultar em maior controle e cuidado, funcionando, portanto, como uma forma justa para a solução da defesa nacional356.

Na questão geral da tecnologia de guerra, os futuristas afirmam que as 3 principais nações da Europa (Reino Unido, Alemanha Ocidental e França) pareciam estar dez ou quinze anos atrás dos EUA. Todavia, os autores acreditam que elas poderiam alcançar um desenvolvimento, por méritos próprios e equivalente à tecnologia dos anos 60 dos EUA, até os anos 70. Essa capacidade poderia também ser relativizada, conforme a capacidade de defesa soviética ou conforme o próprio desenvolvimento tecnológico bélico mundial. Sendo assim, se os soviéticos não desenvolvessem alguma defesa mais elaborada, as nações européias poderiam ter a deterrence contra qualquer ataque nuclear da URSS. Por outro lado, se a URSS conseguisse desenvolver fortes defesas, talvez a força militar das nações européias ficasse menor. Contudo, se a Europa tivesse ajuda, poderia resolver esse atraso de forma mais rápida e vencer essas incertezas. Kahn e Wiener cogitam, ainda, a possibilidade de trabalho em conjunto da Europa, que poderia alcançar uma boa defesa de solo, assim como uma defesa nuclear propícia357.

No concernente à relação dos EUA com a URSS, os autores afirmam que a competição para a obtenção, a pesquisa e o desenvolvimento de armas continuaria. Contudo, apesar dos dois países, conforme os autores, poderem obter uma proteção leve contra mísseis, nenhum dos dois possivelmente alcançaria um programa tão vigoroso e efetivo que conseguiria abalar o equilíbrio entre as duas nações ou até mesmo deflagrar uma maior corrida armamentista. Isso, no entanto, não significa, para os futuristas, que caso a deterrence falhasse e estourasse uma guerra, as diferenças entre os programas não seriam importantes. Essa situação traria à tona, então, questionamentos tais como se as perdas seriam de 5 a 10 milhões ou de 30 a 100 milhões de pessoas. Contudo, afirmam que só o acontecimento de                                                                                                                          

356

KAHN, H.; WIENER, A.J, 1967, p. 242-247. 357 Ibid., p. 228.

algo improvável resultaria em uma grande guerra, pois, na projeção livre de surpresas, as diferenças que produzem os detalhes militares têm pouca probabilidade de serem significativas. Por fim, os futuristas afirmam que os soviéticos, desde o fim dos anos 40, tiveram um relativo atraso em relação à tecnologia de guerra, sendo que isso colaborou com seus posicionamentos mais conservadores no que tangia aos riscos. Assim, havia o temor de que, se os soviéticos se tornassem iguais ou superiores aos EUA nessa área, eles poderiam se dispor a assumir certos riscos, sem o receio de precisarem recuar358.

Delineado esse panorama tecnológico-político, podemos, agora, rumar às questões econômicas e sociais do mundo padrão. É importante ressaltar que não há uma determinação tecnológica para o mundo padrão, sendo que a divisão feita aqui é apenas expositiva. Assim, é prudente sempre pensar as partes como complementares e, como veremos, perceber que, no mundo padrão, a previsão e o planejamento para o futuro seguem a idéia de coexistência entre as duas potências.