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2.4 Utfordringer i etableringsfasen og påfølgende driftsfase

2.4.4 HR

O estudo exegético de Is 42,1-9 e a análise semântica dos termos fundamentais dessa perícope indicam-nos algumas pistas que podem clarear o nosso conhecimento a respeito da identidade do Servo de YHWH e também da Teologia do Servo. Nessa parte do nosso estudo, queremos retomar algumas descobertas que fizemos ao longo dessa análise semântica e exegética dos termos para uma maior compreensão do sentido do texto.

Neste nosso aprofundamento, vamos dividir a perícope em dois blocos. Veremos as descobertas que fizemos no bloco de Is 42,1-4. E, a seguir, Is 42, 5-9.

Iremos dar preferência nesse aprofundamento de Is 42,1-9 para o comentário que fizemos e da análise semântica do capítulo anterior. Portanto, aqui trabalharemos com um texto corrido sem a preocupação de frisar um termo e citações em hebraico.

No inicio da perícope e no primeiro versículo, abrindo o cântico temos uma partícula demonstrativa. Essa partícula é traduzida por: "eis". Trata-se de uma partícula muito usada nos textos do Dêutero-Isaías. Ela tem a função de apresentar o Servo. YHWH aparece como sujeito oculto no versículo, porém é ele quem apresenta o Servo.

Em seguida, vem o primeiro substantivo: "Servo". Demos preferência a essa tradução, pois acreditamos que melhor traduz o relacionamento entre YHWH e o Servo. O Servo é alguem muito íntimo de YHWH que podemos compreender a partir do sufixo pronominal que está na primeira pessoa do singular: "meu". Aqui não se trata de uma submissão, mas de uma pertença. Esse alguém ou esse grupo está ligado a YHWH.

A pergunta fundamental de nossa pesquisa diz respeito à identidade do Servo. Quem é ele? Fomos verificar no contexto histórico do exílio da Babilônia e deixamos também que o próprio texto e a exegese pudesse nos indicar algumas pistas para responder a essa pergunta.

A partir da verificação em algumas citações bíblicas do Dêutero-Isaías, intuimos que o Servo é mais que uma pessoa em particular. Ele pode ser representado com uma identidade coletiva. Por isso assumimos o texto da Septuaginta e os acréscimos

VIakw,b o` pai/j mou

(Jacó, meu Servo) e

Israhl o`

evklekto,j mou

(Israel, o meu eleito). Is 44,21 cita Jacó e Israel com a expressão: "tu és servo meu, Israel". Ao fazer referência a Jacó e Israel em diversos textos, Dêutero-Isaías faz memória do povo de Israel e parece indicar que uma comunidade específica é assim chamada. Isso nos comprova a identidade do Servo de YHWH como uma comunidade dos exilados na Babilônia. Sendo assim, Jacó e Israel podem nos indicar um sinônimo para o Servo não pela raça e religião, mas pela condição de oprimido.

Este Servo que é fragilizado, que vive em profunda crise de fé em meio a um povo estrangeiro e que não tem referência política, é amparado por YHWH. Assim, aparece o primeiro verbo da perícope que traduzimos por "suster". O sentido primeiro que encontramos para esse verbo é que YHWH segura pela mão o seu Servo. Então, o rito de tomar pela mão era muito significativo para uma liderança política. Na função de governar, o rei pedia a proteção da divindade para levar adiante o seu serviço. Percebemos também muitas ocorrências desse verbo "suster" nos salmos. Por exemplo, no Sl 41,13 "eu na minha integridade, sustentei/amparei você". Este verbo quer enfatizar proteção, cuidado e carinho num relacionamento YHWH e Servo.

Em seguida, o Servo é escolhido, eleito. Esta escolha é uma iniciativa do próprio YHWH. Notamos também que o termo vem acompanhado do sufixo pronominal na primeira pessoa do singular: "meu". Aí temos uma preferência

especial de YHWH pelo Servo, porém, não se trata de privilégios e sim de uma iniciativa dele nessa escolha especial.

Outra expressão verbal é (se agradar). YHWH se agradou do Servo. É importante notar que a mesma raiz verbal tem outro significado: expiar, pagar algo. Tem, então, essa conotação de que uma culpa já foi paga. Daí que podemos dizer que a comunidade exilada na Babilônia, no pensamento do Dêutero-Isaías já expiou seus pecados e suas infedelidades. Ou seja, YHWH alegra-se e agrada-se desse povo sofrido. Já não necessita ficar pensando nas coisas antigas. Temos, então, um novo relacionamento entre o povo exilado e o próprio YHWH. Esse relacionamento é marcado por um gesto de amor e de misericórdia.

A pessoa de YHWH, ou seja, o próprio ser de YHWH fica feliz com o Servo. "se agradou minha pessoa, minha vida". Ainda como uma iniciativa do próprio YHWH, o verbo "dar" o "espírito" ao Servo. Na expressão: "dei meu espírito sobre ele". Isso denota mais uma vez uma entrega gratuita de YHWH, doando ao Servo aquilo que é sua essência. Somente YHWH pode criar e doar seu espírito. O uso da preposição "sobre ele" quer indicar que o Servo está sendo investido com uma missão de liderança. Por isso, a missão é: "fazer sair o direito". Pela primeira vez no cântico aparece esse substantivo: "direito". Este termo repete-se três vezes: Is 42,1.3-4.

Temos uma citação Is 51,4 que merece destaque. Aqui nesta citação diz: "pois uma lei de mim farei sair e o meu direito para luz aos povos". Então, lei e direito se complementam. A lei e o direito vêm da essência do próprio YHWH, assim, também poderemos dizer que vem da sua Palavra. O Servo tem a missão de fazer sair para as nações esse desejo do próprio YHWH. Já vimos que o direito é um projeto de libertação e uma ação histórica. É o desejo de YHWH de reconstruir algo que foi perdido e a comunidade exilada, entendida como Servo tem essa missão.

O direito de YHWH é para as nações. Em Is 45,20, tem uma expressão: sobreviventes das nações. São os exilados ao longo da história e que se encontram na diáspora espalhadas pela terra. O direito de YHWH compreende também uma

reunificação de todos e uma utopia para o povo de Israel que está espalhado entre as nações.

Fazer sair o direito é uma vontade de YHWH, contando com o serviço do Servo. Importante remarcar que em Is 42,7 diz: "fazer sair desde a prisão encarcerada, desde a casa de confinamento os que habitam de escuridão". Logo, poderemos dizer que se trata de um projeto de libertação.

Depois de identificarmos a apresentação do Servo por YHWH e sua tarefa específica: "fazer sair o direito" como mandato do próprio YHWH, veremos as atitudes do Servo para levar adiante essa missão.

Em Is 42,2 "Ele não clamará e não erguerá e não fará escutar sua voz na rua". Parece contraditório o silêncio do Servo, não seria melhor gritar em alta voz denunciando a violência e as injustiças? Mas, aqui não se trata de passividade e indiferença. Ele não quer repetir e não segue o costume imperial de exclamar em público os decretos imperiais como faziam os reis. A atitude silenciosa não deixa de ser profética e libertadora.

Outra atitude do Servo e de profunda humanindade, podemos ver a partir de duas expressões: Is 42,3 "cana a que é despedaçada não quebrará e pavio vacilante não extinguirá ". São duas metáforas para a situação que viviam os exilados. Aquilo que é desprezado e que não serve mais é recuperado e valorizado pela atitude do Servo. Esse povo já quase morto e condenado à morte é valorizado. Na fraqueza do povo exilado, surge a esperança.

E em Is 42,4 "o Servo não desanimará e não despedaçará, até por na terra direito e a instrução dele, ilhas esperarão". Diante da realidade de sofrimento e falta de esperança, o servo guarda uma firmeza para levar adiante a missão que é do próprio YHWH: fazer sair o direito.

Fazer o direito sair para as nações e a tarefa do Servo. O direito é compreendido como o projeto de libertação que é a essência do próprio YHWH. O servo é amparado, recebe o espírito de YHWH para realizar essa missão. Suas

atitudes são silenciosas, não violentas. E seu gesto é de solidariedade com o fraco e abatido. Ele reforça sua atitude e não desanimará até que o projeto de libertação aconteça.

Assim, em Is 42,1-4. Temos a apresentação do Servo por YHWH. Esse Servo tem uma preferência especial de YHWH que percebemos através do sufixo pronominal na primeira pessoa do singular “meu” e da missão “fazer sair o Direito”. E em seguida, de que maneira ele levará adiante esse serviço? Então, temos suas atitudes, sua firmeza e seu gesto solidário.

Veremos, agora, a segunda parte do cântico que começa no v.5 com a fórmula do mensageiro: "assim, disse o Deus YHWH".

O verbo dizer está no qal perfeito e na terceira pessoa do singular: "disse". Isto revela uma palavra dita. YHWH disse, relembra a atuação de Deus na história como Palavra sempre atuante. Em seguida, os verbos encontram-se no qal particípio: "o que cria os céus e o que os estende, o que estira a terra, e os produtos dela, o que dá alento para o povo que vive sobre ela, e espírito para os que andam nela". A ação de YHWH é contínua e o agente da criação é YHWH. Ele é capaz de realizar tal ação no mundo. Por isso, ele é "O" Deus YHWH. O artigo reforça a singularidade e a identidade dele. Em outras palavras, ele é único e verdadeiro. O nome YHWH está ligado à origem da fé javista. Em Ex 3,14 com a expressão: "eu sou aquele que sou" quer comunicar a novidade da revelação de YHWH. Essa revelação está presente na história da salvação como um Deus atuante na história. Num contexto de crise de fé e num contexto de escravidão e diante de uma realidade cultural e religiosa, sendo uma forte ameaça à unicidade de YHWH, o Dêutero-Isaías insiste no resgate do nome de YHWH na memória histórica e na sua identidade.

Ao dizer que YHWH é o que cria os céus e a terra e os seus produtos, o Dêutero-Isaías quer indicar o poder de YHWH diante dos deuses. Ele é capaz de criar. Em Is 43,7 diz: "todo o que chama por meu nome e para minha glória, criei, formei e também fiz". Essa é uma característica do próprio YHWH em sua

capacidade de criar a natureza ou em sua manifestação na história ao criar coisas novas.

YHWH é aquele que deu alento para o povo que vive sobre a terra e o espírito para os que andam nela. Em Is 42,1, YHWH deu o seu espírito ao Servo. E aqui ele dá o seu espírito ao povo. Podemos intuir que o Servo que aparece no v.1 é o mesmo povo que se encontra nesse versículo. Em Is 40,29 diz que YHWH é o que dá, ao fraco, energia. Sendo assim, esse povo fraco e abatido recebe esse dom do alento e da energia para prosseguir sua missão.

Eu YHWH te chamei em justiça. Aqui retoma a identidade dele onde ele apresenta-se. Chamar alguém é atrair para si. Aqui o povo exilado é chamado em justiça. O termo justiça são critérios de profunda relação entre o ser humano e Deus e de relações entre os seres humanos. A justiça é o valor supremo da vida em todas as suas dimensões. Desde os tempos antigos, o povo de Israel celebrou YHWH como aquele que comunica a seu povo o dom universal da justiça.

YHWH é aquele que segura firme a mão do Servo. Esse gesto é compreendido como um gesto político na perpectiva de liderança. O Servo é protegido por YHWH. Ele é instituído como aliança de povo e luz de nações. Aqui nasce um novo modelo de liderança política. Aliança é compromisso num novo modelo de vida comunitária baseada no direito, na justiça e na solidariedade. E luz das nações é um projeto de salvação divina. É o projeto libertador de YHWH que está fundamentado no direito e na justiça.

Is 42,7 revela o direito de YHWH e a tarefa primordial do Servo. "Para abrir olhos cegos; para fazer sair desde a prisão encarcerado, desde a casa de confinamento os que habitam de escuridão". Neste versículo está presente o direito e a justiça. Revela o sofrimento do exílio e de todos os exílios ao longo da história. Revela a ausência da liberdade em todos os sentidos. Cadeia e escuridão são metáforas da opressão. A preposição "para" indica a missão específica do Servo. Indica um serviço para entrar nesse projeto de libertação.

Em seguida, YWHW se revela com o seu nome que poderíamos traduzir como justiça e direito para os sofredores deste mundo e que essa sua identidade ele não transfere para ninguém e nem para os ídolos. Ele quer ser glorificado como o Deus da Justiça, do Direito e da liberdade.

E o texto finaliza com a expressão: as primeiras coisas eis que vieram; e as novas eu o que relata, antes que brotem, farei escutar a vós.

As primeiras coisas revelam os sofrimentos do exílio e são as coisas antigas. As coisas novas são o novo projeto de vida e liberdade - um novo modo de vida segundo o direito dos pobres. Eu o que relata revela o Deus que anuncia em primeira mão. Ele é o primeiro a comunicar a novidade. Antes que brotem, YHWH aponta para o novo que irá surgir. Trata-se da esperança que ele faz escutar ao povo exilado.