• No results found

HPLC analysis of (2S,4S,5R)-diastereomer-17 and (2R,4S,5R)-diastereomer-18

2 Results and Discussion

2.7 HPLC analysis of (2S,4S,5R)-diastereomer-17 and (2R,4S,5R)-diastereomer-18

“[..] no caso do aluno surdo, a percepção da sua produção é diferente de uma criança que ouve e fala uma língua falada. [...] Assim, ter a oportunidade de explorar a própria produção lendo a si próprio é fundamental para o desenvolvimento cognitivo que sustentará o processo de aprendizagem da leitura e

escrita na Língua Portuguesa”. (QUADROS;

SCHMIEDT, 2006, p. 32).

De acordo com Gesueli (2003), crianças surdas significam a escrita primordialmente a partir de seu aspecto visual. A prática como professora em classes de alfabetização para surdos nos aponta nesse mesmo sentido e observamos, inclusive, que as línguas de sinais apresentam-se como visoespaciais, logo, os falantes dessas línguas demonstram afinidade com a interação por meio das linguagens visuais (desenho, fotografia, cinema e outras).

Dessa forma, observamos a concepção de sistemas de registro escrito das Línguas de Sinais. Encontramos, em nossa pesquisa, dois sistemas de escrita das Línguas de Sinais: SignWriting e Sistema de Escrita para as Línguas de Sinais (SEL). Tal fato, em nosso ponto de vista, apresenta-se como fator de propagação e empoderamento das Línguas de Sinais e da cultura surda, além de oferecer aos surdos a possibilidade da interação com a linguagem escrita da Língua 1.

Considerando a importância da constituição de uma língua para o aprendizado da segunda (SKLIAR, 1998a), compreendemos que, desta forma, o letramento em SignWriting e SEL estimulariam o processo de letramento das pessoas surdas na modalidade escrita do português. Portanto, focalizaremos a proposta do letramento de surdos a partir do sistema de registro da Língua de Sinais na modalidade escrita. Vejamos a proposta da pesquisadora surda Stumpf (2005) em relação ao letramento de surdos em SignWriting.

Segundo a autora, este sistema foi criado por Valerie Sutton nos Estados Unidos, há aproximadamente 30 anos, fundamentada em outro sistema de notação anteriormente criado por ela para representar movimentos de dança. Esse sistema funciona como a escrita alfabética. De acordo com Gesser (2009), os estudos a respeito do SignWriting no Brasil

foram iniciados por pesquisadora surda Marianne Stumpf . Como resultado de seus estudos, Stumpf (2005) aponta que as crianças surdas sinalizadoras, ao aprenderem SignWriting, apresentaram mais facilidade em escrever também na modalidade escrita da Língua Portuguesa.

Entretanto, aquela autora acrescenta que o sistema ainda é conhecido por uma pequena parcela da população de surdos e conclui que o SignWriting representa um bem cultural, contribuindo, portanto, para o fortalecimento e emancipação linguística dessa comunidade.

Observamos que a criação da escrita de sinais possibilitou a publicação da literatura ficcional produzida para surdos, inclusive por autores surdos. Abordaremos essa questão de forma mais detalhada na próxima seção.

Quanto ao SEL9, de acordo com Lessa-de-Oliveira (2012), este foi criado pela

professora Adriana Lessa-de-Oliveira, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) a partir de pesquisas iniciadas em abril de 2009. O sistema foi criado para transcrição da Libras, porém, com adaptações, tornou-se possível a grafia de outras línguas de sinais. Esta autora argumenta que os surdos apresentam dificuldades em relação à alfabetização em línguas orais e argumenta que poucos chegam a usar o português escrito de forma fluente. Então, propõe a alfabetização em SEL como alternativa para mudança desse contexto.

Este sistema focaliza a tridimensionalidade da língua, observando que esta característica apresenta-se não só nos sinais, mas em frases expressas em Libras. Para essa pesquisadora, os sistemas de escrita das Línguas de Sinais devem ser aperfeiçoados até que demonstrem ser capazes de: a) representar qualquer item lexical e frase da língua na modalidade escrita; b) promover a automatização da leitura fluente e c) ser grafado de forma mecânica ou manuscrita de forma fácil e rápida (LESSA-DE-OLIVEIRA, 2012).

Diante do exposto, concluímos que os sistemas de registro escrito da língua de sinais, ao contribuir para o processo de letramento dos surdos, assume um papel significativo na promoção da mudança de um paradigma primordial para o processo educacional dessa população: da deficiência à minoria linguística (KAUKCHAKJE, 2003, p. 58).

2.2.3.2 Literatura ficcional surda: a construção da identidade

9 Para mais informações sobre o Sistema de Escrita em Línguas de Sinais, acesse: http://sel-

“O prazer é um elemento muito importante da poesia em Língua de Sinais que precisa ser considerado.

Entretanto, muito da poesia é também – em algum

nível - empoderamento dos povos surdos. Mesmo o prazer e o entretenimento proporcionados pela poesia podem ser vistos como um tipo de fortalecimento para

essa comunidade linguística”. (SUTTON-SPENCE;

QUADROS, 2006, p. 115).

Para o pesquisador surdo Mourão (2011), a literatura ficcional surda não apresenta uma única definição. Segundo ele, esta nasceu nas trocas estabelecidas nas comunidades surdas e da necessidade de se registrar essas trocas. O mesmo autor afirma que, se os surdos conquistassem a oportunidade de uma maior interação com a literatura ficcional por meio da contação de histórias (a partir da família e dos professores), essa comunidade teria mais possibilidades de imaginação, reflexão, emoção e se tornariam uma fábrica de histórias. O que este autor demonstra em seu texto, com grande conhecimento de causa, pois vivencia a surdez, é que existe um potencial criativo latente em um grande número de surdos. Compartilhamos com essa ideia, pois nossa atuação na Sala de Literatura do Centro de Apoio ao Surdo no Distrito Federal ofereceu-nos a oportunidade de presenciar os alunos surdos envolverem-se com a encenação de textos tanto escritos em português, quanto produzidos pelo grupo em Libras, de forma bastante entusiasmada.

Ao encontro dessa concepção a respeito da literatura ficcional surda, deparamo-nos com o olhar do professor surdo Rosa (2011), o qual afirma a importância da produção e interação com esta para o seu amadurecimento e ressalta o grande valor da literatura produzida por surdos e para surdos na produção e divulgação da cultura desse povo, além de identificá-la como importante ferramenta no ensino das línguas de sinais.

Quanto ao letramento de surdos em linguagem escrita da nossa língua pátria, Quadros e Schmiedt (2006) argumentam que o acesso da comunidade surda a recursos comunicativos em Língua Portuguesa escrita é restrito e que as estratégias utilizadas em sala de aula não são adequadas. Consequentemente, os surdos demonstram não ser capazes de perceber as nuances na mudança de sentido em contextos linguísticos diferentes, ou seja, não apresentam o mesmo desempenho que adultos imersos em um contexto linguístico mediado por uma língua acessível. Farias (2006, p. 281), por sua vez, aponta a necessidade de ampliação dos recursos comunicativos para a comunidade surda.

Para esta pesquisadora, as questões culturais incorporadas à Língua Portuguesa não são transmitidas aos surdos. Nosso construto a respeito do letramento envolve o uso social da leitura e da escrita. Assim, encontramos, na poesia composta em Língua de Sinais, uma

experiência interessante no que concerne ao letramento como uso social. Entendemos que o uso social da leitura envolve a tentativa de compreender e ser compreendido e que, ao compor poesia, as pessoas surdas exercem a comunicação de elementos subjetivos em sua Língua 1 e têm a oportunidade de incorporar elementos da sua cultura ao texto.

Ao comentar uma poesia de Cecília Meireles, Aguiar (2004, p. 6) argumenta que a poetisa “capta o inefável e o transforma em imagens passíveis de serem sentidas pelo leitor”. Concebemos que a poesia em Língua de Sinais também possibilita aos surdos a comunicação e a compreensão, ou seja, a significação de sentimentos e abstrações que dificilmente seriam elaboradas em segunda língua.

Sutton-Spence e Quadros (2006) destacam que a criação de poesias em língua de sinais na comunidade surda traz a visualidade para o primeiro plano, ressaltando o lado positivo da surdez e da experiência de viver intensamente a visualidade. As autoras indicam a poesia em língua de sinais como integrante do grande folclore dos povos surdos, posto que, desta forma, ao compor poesia em sua Língua1, os surdos produzem as raízes surdas. Aquelas autoras apresentam a seguinte definição para esse termo: processo por meio do qual as pessoas surdas constituem a identidade surda e percebem-se como membros de uma comunidade coletiva-visual.

Compreendemos que a linguagem poética envolve a subjetividade. Nas pessoas surdas usuárias das línguas de sinais, a comunicação da subjetividade por meio de linguagem visual se dá de forma mais fluente, pois a natureza de sua L1 é visoespacial. Logo, buscaremos nos envolver com a poesia presente nas linguagens abordadas por nós nessa pesquisa (visual e escrita), pois focalizamos a comunidade surda, na qual o olhar está diretamente relacionado à comunicação, à concepção do mundo; portanto, à linguagem.