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6 Results and discussion - a systems perspective on maritime autonomy

6.2 The Vessel Traffic Services’ role in the maritime system

6.2.1 How do the Vessel Traffic Services contribute to the maritime traffic system?

outras contribuições sobre o papel do juiz, do promotor com o adolescente e com os pais ou responsáveis no contexto de sua trajetória pela Justiça.

Mesmo que poucos questionários tenham sido devolvidos, eles tiveram uma grande importância na pesquisa como foi discutido em tópicos acima. As questões 5, 6, 7 e 8 foram determinantes na condução das entrevistas. Através delas eu pude de antemão ter uma idéia da postura do profissional diante de sua clientela e de sua profissão, assim com checar informações dadas na entrevista. Acredito que as questões 3 e 4 poderiam ter sido integradas, assim como a questão 5, apesar de toda a sua importância para o trabalho, poderia ter menos subdivisões e uma maior integração entre elas.

O texto utilizado como desencadeador das entrevistas se constituiu de um ensaio teórico sobre o tema estudado. Ele contém as principais idéias sobre o objeto de pesquisa, e, com ele tive a intenção de provocar os sujeitos, levando-os a refletirem sobre seu papel social e político enquanto juízes e promotores. Sua utilização na pesquisa foi precedido do questionário e a solicitação feita era de que os sujeitos fizesse uma leitura detalhada do mesmo, para que ele pudesse ser discutido comigo. Infelizmente como já foi descrito, nem todos os sujeitos seguiram a instrução, e eu precisei em algumas situações fazer um resumo do mesmo para que a entrevista pudesse ser realizada.

Foi muito rico o trabalho realizado a partir dos instrumentos, mesmo que a dinâmica proposta não tenha sido cumprida em algumas entrevistas. Chamou a atenção a dificuldade por parte de alguns sujeitos de alcançarem o sentido proposto pela pesquisadora. A compreensão do significado subjetivo do termo “Função Paterna” foi difícil para alguns deles.

Entretanto foi interessante porque após a compreensão do mesmo, e para os sujeitos que já traziam esta compreensão à priori, ficou claro o quanto esse termo se constituiu em objeto de reflexão para todos os sujeitos entrevistados. Mostrassem-se eles preocupados, alegres, frustrados, animados, foi claro que o insight gerado pela percepção da Função Paterna provocou se não mudança, inquietação entre os sujeitos pesquisados.

Acredito que o texto pudesse ter sido mais condensado, facilitando a leitura, e que maiores informações e reflexões dos sujeitos pesquisados teriam sido obtidas se cada entrevistado tivesse realizado mais de uma entrevista. Essa seria hoje a meu ver a metodologia ideal. Entretanto, tendo em vista a dificuldade de acesso à clientela, tenho dúvidas se haveria disponibilidade por parte dos sujeitos para realizar mais de um encontro com a pesquisadora.

Enquanto objeto de rapport, eu hoje faria o questionário pessoalmente ao invés de remetê-lo aos sujeitos. Acredito que desta forma a integração dos dois instrumentos poderia ter sido maior.

3.4 – O processo da realização das entrevistas

Conforme exposto no item anterior, a coleta da informação ocorreu em dois momentos:

Primeiro momento: um questionário aberto, através do qual eu teria acesso aos

sujeitos, iniciando com este instrumento o rapport entre entrevistador e entrevistado.

O segundo momento: um texto, que tinha como função ser o disparador da

reflexão realizada durante a entrevista, por meio do qual eu me propus a construir junto com os sujeitos pesquisados um novo conhecimento.

As dificuldades começaram a aparecer na primeira etapa do processo. O que estava previsto para facilitar o andamento da pesquisa, mostrou-se como um obstáculo. Houve um pequeno número de questionários devolvidos, e as justificativas para isto vinham desde a falta de tempo, ao acúmulo de trabalho, à simples recusa de participar. Os sujeitos da pesquisa sem dúvida vivenciam as dificuldades alegadas, mas fiquei pensando sobre o que poderia representar para estes escrever sobre o cotidiano do seu trabalho. O que transferencialmente poderia estar impedindo a realização do mesmo?

Em função das dificuldades encontradas, senti uma certa apreensão no início das primeiras entrevistas. Não pude deixar de perceber que se eles se sentiam inibidos diante da proposta de trabalho, a autoridade representada pelos sujeitos contratransferencialmente me

inibia. Aos poucos, entretanto, a experiência clínica se colocou como um fator facilitador do processo e, diante da percepção de que ali eu estava diante do “Pai” que eu buscava e temia, pude “assumir” o papel da pesquisadora, com a certeza de que este era parte fundamental da qualidade da informação, uma vez que o dado, sem dúvida, seria construído na relação (Demo, P., 2001).

No decorrer destas, ficou claro a dificuldade da maioria dos entrevistados de se colocar diante de um instrumento que, por possuir um conteúdo subjetivo, os “tirava do controle da situação”. Alguns mostraram dificuldade de alcançar o nível subjetivo que eu propunha para a discussão. Insistiam em situar no concreto o sentido da “Função Paterna”, sendo necessário alguma insistência de minha parte, para que conseguíssemos vencer a resistência e nos aproximássemos do sentido buscado na pesquisa.

Eu procurava elaborar um dado qualitativo, que não representasse simplesmente uma interpretação, mas algo que pudesse ser construído a partir da conversa que se travava entre os sujeitos e eu, espaço transicional, e, que referenciasse certos parâmetros da realidade (Demo, P., 2001).

Na medida em que o trabalho evoluía eu me sentia mais a vontade para estar diante dos sujeitos da pesquisa. Entretanto as resistências que encontrava me deixavam curiosa. A mudança sentida entre a recusa de responder ao questionário e a participação nas entrevistas era muito clara. A construção dos dados era muito rica. Acredito que do mesmo material coletado, outras análise poderiam ser realizadas, uma vez que o olhar do pesquisador com certeza varia diante da sua perspectiva de leitura.

Uma questão me incomodou: a necessidade de os sujeitos de se manterem à distância dos adolescentes e de suas famílias. Poucos colocaram a necessidade de diminuí- la, como se ao descer do tablado e modificar o ritual pré-estabelecido perdessem a referência do seu papel. O apego à normatização ficou claro em alguns sujeitos. Refletir sobre esse papel foi interessante e rico. Percebi que, na medida em que tomávamos consciência das possibilidades de mudança, estas foram abrindo-se e novas perspectivas se apresentando, dando-me a certeza de que embora a intervenção não fosse meu objeto de trabalho de alguma forma ela acontecia.

3.5 – A análise e discussão da informação construída

Para a análise dos dados, realizei uma leitura flutuante dos textos das entrevistas, buscando neles os indicadores que me aproximassem de meus objetivos. Tinha, porém, em mente que eles seriam elementos norteadores do processo, uma vez que desencadeado esse, poderia me defrontar com uma variedade enorme de significados. Sempre buscando o que o texto das entrevistas me dizia, numa leitura contratransferencial do processo, comecei a construir as zonas de sentido a partir dos elementos em comum – os indicadores - que as falas dos atores me remetiam e as implicações que me suscitavam.

Decidi que não faria distinção entre os juízes e os promotores. Sabia de antemão das diferenças existentes em suas atuações e funções, como descrito no capítulo dois, mas, no decorrer de minhas articulações, percebi que se diferenças existiam, nos objetivos da pesquisa ambos se encontravam como uma referência comum enquanto atores no contexto judicial com o adolescente em conflito com a lei e com suas famílias.

Deparei-me com uma variedade de material que, a princípio, pareceu-me demasiado e disperso, cuja riqueza, em um primeiro momento, tive dificuldade de perceber. Sempre atenta, colocando em prática a escuta psicanalítica do significado da narrativa dos sujeitos, pouco a pouco, construí e reconstruí eixos temáticos e zonas de sentido. Winnicottianamente pus-me a “brincar”. Construí um 3º espaço, o espaço transicional, no qual percebi que o material começava a “fazer sentido”. Reconheci nele a profundidade com que os atores haviam mergulhado no processo. Do material encontrado, muitos caminhos poderiam ser percorridos. Tomando por base meus objetivos, optei por retirar das nove entrevistas realizadas 2 eixos temáticos e 5 zonas de sentido, com a certeza de que este era um recorte contratransferencial, feito a partir da interpretação subjetiva do pesquisador implicado naquela realidade.

As entrevistas gravadas foram transcritas pela pesquisadora, com a ajuda de uma estagiária. A seguir realizei uma leitura flutuante de cada uma delas, durante a qual grifei as falas que mais chamavam a minha atenção, tendo como referência os objetivos do trabalho.

A partir das primeiras análises das entrevistas foram construídos quatro grandes eixos de investigação:

Primeiro eixo: Como os juízes e promotores se reportam e significam o próprio

papel como atores do sistema da Justiça?

Segundo eixo: Como os juízes e promotores se colocam e significam sua relação

com o seu contexto institucional, ou seja, como concebem o sistema da Justiça?

Terceiro eixo: Como os juízes e promotores se reportam e se relacionam com o

adolescente em conflito com a lei? Como significam a relação do adolescente em conflito com a lei com a Justiça?

Quarto eixo: Como os juízes e promotores se reportam e se relacionam com a

família dos adolescentes em conflito com a lei? Como significam a relação da família do adolescente em conflito com a lei com a Justiça?

A partir dos quatro eixos de investigação, foram descobertos os principais indicadores que conduziram o processo de construção de zonas de sentido. Estes foram, posteriormente, categorizadas em duas grandes dimensões de análise, a saber:

Primeira dimensão de análise: Significações de juízes e promotores sobre seu

próprio papel e sobre o sistema da Justiça.

Segunda dimensão de análise: As significações de juízes e promotores sobre o

adolescente e a família.

Apresento, a seguir, as zonas de sentidos construídas, nas respectivas dimensões de análise.

A primeira dimensão de análise abordou sobre a significação de juízes e promotores sobre seu próprio papel e sobre o sistema da Justiça, tendo como resultado a construção de três ( 3 ) zonas de sentido:

2. Das dificuldades de juízes e promotores perceberem a dimensão simbólica da Justiça,

3. Procurando vencer os limites do sistema – Entre gratificações e desesperanças.

A segunda dimensão de análise abordou a significação de juízes e promotores sobre o adolescente e a família e teve como resultado a construção de duas (2) zonas de sentido.

1. O jovem em abandono e em busca - Ou como resgatar a competência das famílias;

2. Apostando na construção de vínculos de crédito e de confiança com os jovens e suas famílias.

As zonas de sentido se constituíram como áreas internas de análise a partir da identificação dos eixos e das dimensões de análise. Definida a primeira dimensão de análise a partir das significações dos sujeitos sobre si próprio e seu trabalho, senti necessidade de compreender melhor em que se constituía as dificuldades e propostas mostradas por eles nas entrevistas.

A partir da segunda dimensão de análise, busquei entender como se constituía a relação sujeito/clientela.

Após esse primeiro recorte na análise da informação verbal das entrevistas que apontava a primeira sistematização e já os primeiros achados da pesquisa, realizei a discussão das zonas de sentido elaboradas, retomando a análise das entrevistas, os indicadores selecionados e a literatura.

Parte III – SIGNIFICAÇÕES DE JUÍZES E PROMOTORES SOBRE A FUNÇÃO