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4. Method

4.3. Data Collection

4.3.1. How the experiment was conducted

O que foi possível identificar é que essas pessoas vêm de de pequenos povoados próximos, lugares menores, ainda mais pobres e com menos acessos, ou seja, elas não conhecem outras realidades melhores, com mais acesso e possibilidades. Esse é o melhor que elas já puderam vivenciar (em sua maioria).

Foto 9: Exemplo de povoado de onde a população sai em migração para regiões maiores. Fonte: Arquivo pessoal.

4.3.2 Educação

A autora Sposito (1999) aponta a importância da educação ligada a movimentos sociais organizados. Para ela, nas lutas sociais e na busca por caminhos de transição nasce a ideia de participação da sociedade civil, principalmente através de grupos organizados, na formulação, implantação e acompanhamento de políticas públicas, sobretudo na área social de base em educação.

Nos assentamentos estudados vemos como tal luta se faz importante, uma vez que a taxa de analfabetismo em uma das comunidades (Futura Generación) chega a 30%. E mesmo na outra comunidade (Leôncio Prado), onde essa taxa é bem menor (8%), esses números são bem superiores aos 4% que o governo peruano afirmou ter alcançado em 2010.

Nesse ponto o apoio do Projeto Acordando Palvras se mostrou fundamental na luta por melhores condições de educação. Tal projeto conseguiu doações para a construção de um Espaço de Aprendizagem utilizados pelas crianças e para formação de educadores.

Mesmo sendo uma prática informal, a educação de crianças nesse espaço foi grandemente apoiada pela população local, uma vez que tira as crianças de atividades

ociosas e/ou perigosas e violentas e as incluem num contexto de contínuo aprendizado e maior reflexão sobre as questões que as rodeiam. Sendo assim, essa educação informal se mostra complemento eficiente à educação formal das escolas.

4.3.3 Emprego e renda

Nos últimos anos, o Peru registrou crescimento econômico médio de 8% ao ano. Porém, tal crescimento não reflete um real desenvolvimento. O país vive constantes turbulências causadas pelo elevado percentual de peruanos na faixa de pobreza extrema e baixa qualidade no mercado de trabalho. (Fonte: Agência Brasil)

Menos da metade desses moradores trabalha, sendo que apenas uma parcela muito pequena tem emprego fixo.

Não foi possível estabelecer uma média do salário recebido por toda população, pois muitos não quiseram ou não souberam responder sobre os ganhos mensais. Em muitos casos, pelo fato da maioria não ter trabalho fixo, há uma variação muito grande de mês pra mês na renda da família. Porém, através de conversas, foi possível se ter uma ideia da realidade enfrentada. Algumas pessoas afirmaram ter que sustentar toda a família com cerca de 100 soles mensais (aproximadamente R$80).

Foto 10: As “bayajes” são mototáxis muito comuns e principais responsáveis pela renda dos moradores de cidades fora do tradiocional roteiro turístico peruano. Fonte: Arquivo pessoal.

4.3.4 Condições de moradia

Segundo a autora Arlete Moysés Rodrigues, ”na II Conferência dos Assentamentos Humanos (1996) os movimentos sociais participaram, embora como

ouvintes, dos debates dos representantes das nações, indicando o reconhecimento, pela ONU, da sociedade organizada. A Agenda Habitat II, fruto da Conferência, estabelece o direito à moradia como direito humano” (2007, p.7) o que aponta o processo e ampliação das lutas sociais.

Apesar desse direito reconhecido, sabemos que a realidade encontrada em alguns lugares do mundo está muito distante disso, inclusive nos assentamentos humanos de Huánuco.

Em 287 domícilios visitados foi possível constatar a presença de 1224 moradores, entre eles 568 do sexo masculino e 656 do sexo feminino. Uma média de 4 habitantes por casa. Porém sabe-se que em alguns casos haviam pessoas morando sozinhas, famílias com mais de 10 pessoas numa casa de um cômodo e até um caso de um casal de adolescentes que viviam sós. A maioria dos moradores possuíam idades entre 21 e 60 anos de idade. E, apesar da aparência de desgate da maioria, havia muito poucos idosos, apenas 49 pessoas acima dos 61 anos de idade, o que corresponde a cerca de 4% apenas.

No assentamento humano mais antigo (Leôncio Prado, com cerca de 15 anos) a maioria das famílias está há pouco tempo vivendo ali. Porém no assentamento reconhecido a menos tempo (Futura Generación, cerca de 7 anos) as pessoas vivem ali praticamente desde seu início.

Ao serem perguntadas se estavam satisfeitas com o lugar em que vivem, a maioria afirmou que sim e que não tem o desejo de se mudar dali. Essas respostas se mostraram uma grande surpresa com relação ao que era esperado, pois inúmeras pessoas nessas comunidades não possuem acesso a serviços básicos como água, luz e esgoto.

O principal motivo para a satisfação dos moradores é o fato de terem um lugar que de fato sentem que lhes pertence. Muitos tem seu próprio imóvel e até seu comércio.

Os moradores que mostraram-se insatisfeitos com o lugar apontaram 2 motivos principais para isso. O primeiro é a falta de segurança devido às gangues de jovens que há nas comunidades e na vizinhança, as chamadas “pandillas”. O segundo motivo seria o “huayco”, espécie de lama que desce do morro em grandes quantidades devido as chuvas.

Foto 11: Exemplo de moradia. Apenas um cômodo e o banheiro é apenas um buraco ao lado da casa. Fonte: Arquivo pessoal.

Foto 12: Enorme vala que delimita o Assentamento Humano Leôncio Prado e por onde escorre o “huayco” no períodos de chuva. A população deposita aí seu lixo pois não há coleta regular. Fonte: Arquivo pessoal.

O que foi verificado nesse ponto do questionário gerou grande espanto, pois, observando pessoalmente as condições de moradia dessas pessoas, nota-se que são tratados pelas autoridades como se não fossem cidadãos, uma vez que não possuem nem acesso a direitos básicos como rede de eletrecidade, água e esgoto encanados, condições dignas e saudáveis de moradia. As pessoas vivem amontoadas em casebres sujos de apenas um cômodo e sem banheiro.

É óbvio o enorme abismo que existe entre discursos de organizções internacionais sobre direito à moradia e a realidade encontrada. Do modo como essas

pessoas são obrigadas a viver, sua condição de cidadãos fica questionada, até mesmo sua condição de humanos, já que são completamente esquecidos pelo Estado.

4.3.5 Perspectivas

O que foi possível notar também é a falta de esperança de grande parte dos entrevistados, que não souberam o que responder quais suas expectativas para o futuro, ou então disseram não esperar nada.

Num primeiro contato com os peruanos, nota-se que são pessoas bem tímidas, caladas. São também muito formais, tratando sempre por “senhor” ou “senhora”, falando baixo, sem olhar direto nos olhos e sem expressão corporal.

São pessoas muito reprimidas. A cultura parece ser assim. E algumas causas que nos parecem ter causado, ou aprofundado tal característica foram justamento o terrrorismo e o período do governo Fujimori, coisas bem recentes e que marcaram muito (e negativamente) as pessoas. Isso sem falar que a cultura andina já é mais calma, até mais lenta, que outras que estamos mais acostumados aqui no Brasil.

Uma dessas marcas que dicaram dessa época nebulosa da história peruana é uma espécie de “cultura de acomodação”. Não faz parte da vida dos peruanos planejar o futuro, investir e pensar a longo prazo, buscar alguns tipos de melhorias pessoais. Ao contrário, a lógica que prevalece é de ganhar o pão diário. A preocupação é conseguir algum dinheiro para sobreviver àquele dia, conseguido isso não é mais necessário continuar trabalhando. Um exemplo disso é as lojas do comércio central da cidade não terem um horário muito fixo de funcionamento, geralmente abrem depois das nove horas da manhã, param cerca de três horas para almoço e fecham por volta das cinco horas da tarde.

E essa “acomodação” (na falta de um termo mais claro que se adeque ao caso) não está relacionada apenas a camada mais pobre e sem conhecimento da população. Isso se nota também, com a mesma frequência, em pessoas de classes sócio-econômicas mais elevadas, professores universitários, advogados, etc.

Isso parece, por muitas vezes, ser um empecilho enorme para o desenvolvimento do país, tanto em termos sociais quanto econômicos. Afinal, é um país rico em belezas naturais, com grande potencial turístico e de desenvolvimento, porém há essa cultura que espera que outras pessoas, geralmente chilenos, rivais e aliados históricos, venham

de fora para explorar esse potencial sem proporcionar grandes ganhos aos próprios peruanos.

Sheila, uma senhora que esteve próxima durante todos esses meses no Peru, apesar de estar mergulhada nesse contexto, apresentou uma rara visão de mundo e capacidade de compreensão da realidade de seu país. Segundo ela, “o Peru é um país que não se desenvolve porque as pessoas são muito lentas”.

Porém, depois de cinco meses em solo peruano, foi possível vislumbrar uma mudança nesse panorama apresentado. Estimulados pelo contato com novas pessoas, de realidades diferentes algumas mudanças começaram a se tornar visíveis. As lideranças das comunidades passaram a abrir mais os olhos com relação a precariedade das condições em que vivem e intesificaram a luta por melhorias. Prova disso é que no Assentamento Humano Futura Generación a insistência de seus líderes junto ao governo local levou a aprovação de um plano de instalação de rede elétrica em toda a região.

Isso demonstra o poder de organização e de consolidação de um novo território através dessa luta mais organizada, transformando a utopia que tinham quando deixaram suas casas nas cidadezinhas mais pobres em realidade e aumentando a perspectiva de mais melhorias em suas condições de vida num futuro próximo.

Conclusões

Diante de tudo que foi visto, estudado e vivenciado foi possível notar que o povo peruano é um povo bem tradicional, apegado às suas raízes, suas origens e, portanto, a sua terra. Um povo bem nacionalista, que busca, com muito suor, defender o que é seu.

A relação do peruano com a terra, no caso dos assentamentos humanos, especificamente, é bem forte e marcante. Vê-se que valorizam o que, há muito custo, conquistaram. Tal fato se ralaciona com a ideia de HAESBAERT (2007) de que grupos sociais desenvolvem uma identidade territorial como forma de controle simbólico do espaço em que vivem, sendo também, portanto, uma forma de apropriação do espaço.

Este mesmo autor segue falando de territórios que moldam identidades e identidades que moldam territórios. No caso dos assentamento peruanos isso é bem evidente, porém não é possível definir se é o território que molda as identidades ou o contrário. Na verdade é como se as duas coisas se fundissem, território e identidade são a mesma coisa para essas pessoas.

Outro fator que chama a atenção nos assentamentos humanos é a organização e união da comunidade a partir do lugar. Nesse caso poderia-se também incluir esses grupos nas ideias de movimento socioespacial de MARTIN (1997, p.26), que afirma que esses são “movimentos que têm o espaço como trunfo”, eles “organizam sua forma e dimensionam-se a partir desse referencial”. Os processos que essas pessoas desenvolvem no espaço é que os possibilita assim serem definidos.

Uma vida de constantes lutas pela sobrevivência, muitas vezes, se torna fator inibidor para crescimento de uma construção cidadã efetiva, porém, não se pode dizer que tal fato não ocorre, já que vemos que há sim a busca de alguns por essas melhores condições e seu emprenho acaba por se refletir nas pessoas a sua volta.

O novo lugar que ocupam acaba por reproduzir algumas condições de miséria das quais fugiram em suas localidades natais, entretanto a noção que paira sobre suas cabeças é de uma nova perspectiva de emancipação e a criação de novas territorialidades pode sim acontecer.

O fato é que a luta dessa gente é constante, seja buscando moradia, reconhecimento ou direitos básicos, e, de forma muito valente e batalhadora, eles seguem vivendo da maneira que as condições lhes permitem. Um grande exemplo de vida e uma experiência muito intensa de se viver.

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VILLALOBOS, Jorge Ulises Guerra. América Latina: movimentos sociais e desafios futuros. 1999.

Apêndice1: Questionário

Cuestionario para diagnóstico socioeconómico

Dirección:

_________________________________________________________________

Datos del responsable

1. Nombre del responsable:

______________________________________________________________________ 2. Edad: _____ años 3. Sexo: ( ) M ( ) F 4. Grado de escolaridad:_____________________________________________________ Familia

5. ¿Cuantas personas viven en esta casa? _______varones y _______ mujeres. 6. ¿Qué edad tienen los residentes? (Poner entre paréntesis el número de personas en ese grupo de edad)

( ) 0-5a ; ( ) 6a – 10a ; ( ) 11a – 15a ; ( ) 16a – 20a ; ( ) 21a – 30a ; ( ) 31a – 40a ; ( ) 41a – 50a ; ( ) 51a – 60a ; ( ) 61a – 70a ; ( ) 71a – 80a ; ( ) +81a

7. ¿Hace cuánto tempo viven en esta casa?

_____________________________________

8. ¿Está usted satisfecho con el lugar donde viven? ( ) si ( ) no

9. ¿Siempre vivió aquí? ¿De dónde viene?

______________________________________

10. Si pudiera, ¿se trasladaría a otro lugar? ( ) no ( ) si ¿Cuál? ¿Por qué?

______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________

11. ¿Posee acceso a agua? ( ) Sí ( ) No

¿De dónde viene el agua que consumen? _____________________________________ ¿Y esa agua es limpia? ____________________________________________________

12. ¿Dónde depositan la basura?

_______________________________________________ 13. ¿Hay red de desagüe? ( ) Sí ( ) No

14. ¿Posee baño? ( ) Sí ( ) No

En caso negativo, ¿dónde hacen sus necesidades? ______________________________ 15. Poseen energía eléctrica? ( ) Sí ( ) No

Salud

16. ¿Cuantas veces se alimentan por día?

________________________________________

17. ¿Y qué consumen normalmente?

___________________________________________

______________________________________________________________________ 18. ¿Siéntense mal o se enferman con frecuencia? ( ) Sí ( ) No

19. ¿Cuáles son los tipos más comunes de enfermedades que sufren? _________________

______________________________________________________________________ 20. ¿Hay alguno tipo de asistencia médica para buscar? ( ) Sí ( ) No

¿Cuál?

______________________________________________________________________

Educación

21. ¿Cuantas personas saben leer y escribir? __________ 22. ¿Cuantas personas estudian/estudiaran? __________

23. ¿Cuantos abandonaran los estudios? _____________ ¿Por qué?

______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________

¿Desea volver/empezar a estudiar? _________

¿Por qué? ______________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 24. ¿Cuánto tiempo demora el trayecto de su casa hasta la escuela? ___________________

Ingresos y trabajo

25. ¿Cuántos miembros de la familia trabajan? __________ 26. ¿Cuántas personas tienen trabajo fijo? (Si hay) ¿Qué función?

______________________________________________________________________

27. ¿Cuál es el sueldo mensual medio de la familia?

______________________________________________________________________

Cultura

28. ¿Que hacen para divertirse?

______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________

Expectativa

29. ¿Que usted espera para el futuro?

_____________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________