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How far do people walk to public transport stops?

In document Pedestrian Access to Public Transport (sider 45-49)

Prof. Dr. António Azevedo    1. Os temas de place marketing e place branding são relativamente recentes  e por vezes se confundem‐se. Mas, existe já uma forte convicção, por parte da  comunidade  científica  e  dos  profissionais  de  marketing,  que  estes  modelos  podem contribuir para o desenvolvimento dos lugares. Esta ideia é comprovada  por inúmeros estudos de caso de lugares, cidades e países, que através de um  planeamento  estratégico  de  marketing,  conseguiram  reposicionar‐se  no  mercado  aumentando  o  seu  reconhecimento,  atractividade  e  promover  o  seu  desenvolvimento. Na sua opinião, há já uma maior consciencialização, por parte  dos  governantes  locais  e  regionais,  que  o  branding  e  marketing  podem  ser  ferramentas de desenvolvimento integrado, ou estas actividades esgotam‐se na  criação de um  novo logótipo e slogan do local?  Nos últimos 5 anos os governantes, principalmente alguns com formação académica,  estão mais sensibilizados para o marketing ou branding de cidades ao constatarem os  exemplos de sucesso no estrangeiro, na maioria dos casos apenas com uma vertente  na promoção turística, e com uma expectativa de que o marketing seja uma solução  “mágica” baseada num “silver bullet” como exemplo o caso de Museu Guggenheim em  Bilbau, ou em eventos. Não conheço muitos casos que vão para além da contratação  de uma agência de comunicação e da criação do logótipo e slogan.   

2. Alguns  autores  (ex.  Rainisto,  Kavaratzis)  consideram  que  o  place  branding pode ser um bom ponto de partida para uma estratégia de marketing  territorial. Concorda com esta opinião? Porquê? 

Na minha opinião a criação da marca de cidades é importante porque, tal como nos  produtos, a marca incorpora uma identidade, um posicionamento ou uma promessa  de  benefícios  baseados  em  vantagens  competitivas.  Na  estratégia  de  comunicação  a  marca é uma forma de representação da cidade mais simples e eficaz. Pode ainda ser  um elemento aglutinador/umbrela dos stakeholders da cidade.    3. Na sua opinião o place branding termina onde começa o place marketing  ou são “disciplinas” paralelas e complementares?   

Hermano Manuel Martins Gouveia      O marketing numa perspectiva de gestão estratégica é uma disciplina que estuda os  mercados  e  os  comportamentos  de  compra  para  conceber  produtos/serviços  orientados  para  essas  necessidades  segmentadas;  enquanto  o  branding  é  uma  subdisciplina  do  marketing  pois  trata‐se  de  uma  estratégia  de  diferenciação  e  posicionamento  de  um  produto/serviço;  o  marketing  operacional  depois  está  subordinado à estratégia de branding. 

Na minha opinião publicada (Azevedo, 2011, 2ºCongresso Internacional de Turismo,  IPCA)    uma  estratégia  correta  tem  cerca  de  12  etapas  (que  devem  ser  planeadas  e  sequenciais,  mas  que  na  realidade  podem  ser  emergentes);  começa  com  a  decisão  política  de  elaborar  o  plano  estratégico  da  cidade;  e  sendo  a  promoção  da  competitividade da cidade um eixo estratégico incontornável, deve‐se criar uma CMO  –city  marketing  organization,  que  desenvolve  uma  estratégia  de  branding  como  forma de comunicar o posicionamento da cidade, bem como as politicas operacionais  de  marketing  e  planos  de  acção,  nomeadamente  a  estratégia  de  comunicação  junto  dos  diferentes  segmentos  alvo/stakeholders,  eventos,  CRM,  desenvolvimento  de  produtos  e  design  de  experiencias,    cooperação  intercidades,  etc  e  termina  na  avaliação e monitorização. 

 

4. Da revisão da literatura pode concluir‐se que o place marketing e place  branding  parecem  sofrer  de  um  paradoxo.  Apesar  de  os  lugares  necessitarem  de  novas  estratégias  integradas  para  o  seu  desenvolvimento  sustentável  a  longo  prazo  e  a  literatura  e  prática  sobre  marketing  e  branding  de  lugares  fornecer  já  alguns  caminhos  concretos  para  a  sua  aplicação,  a  falta  de  conhecimento e a ânsia de resultados “milagrosos” de curto prazo por parte dos  decisores  políticos,  limita  a  sua  eficácia  e  leva  a  que  a  disciplina  seja  desacreditada. Concorda com esta leitura? Se sim, na sua opinião, como é que se  pode inverter esta situação e credibilizar o marketing como “disciplina” para o  desenvolvimento dos lugares?    Sim concordo com a leitura, e muitas vezes a má “reputação” do marketing, sinónimo  de “maquilhagem” de lugares, leva a que esta palavra seja evitada e substituída por  outras  como  “promoção/  comunicação”.  O  primeiro  passo  será  a  formação  dos  decisores  políticos  sobre  a  necessidade  em  primeiro  lugar  do  planeamento  estratégico e da implementação de politicas de marketing inseridas na governação de  uma forma integrada, participada e com o apoio e gestão de especialistas numa infra‐ estrutura do tipo CMO. 

5. Na  sua  opinião,  a  elaboração,  por  parte  das  Instituições  Académicas,  de  estudos  sobre  situações  e  locais  concretos  que  possam  ter  utilidade  prática  para as organizações públicas responsáveis pela gestão dos locais, pode ajudar  a estreitar essa ligação entre a academia e essas organizações despertando nos  seus decisores para a importância das disciplinas de branding e marketing na  gestão e desenvolvimento dos lugares?  Sim, embora muitas vezes os exemplos de sucesso apresentadas nos estudos de caso  não podem/devem ser generalizados a outros lugares.    6. E em Portugal, no que toca ao marketing territorial, considera que ainda  falta fazer a “ponte” entre a academia e os organismos responsáveis pela gestão  dos lugares?   Na maior parte dos casos falta desde logo uma abordagem integrada (Braun,2008)  de  todos os stakeholders, e por consequência também a participação das universidades.    

7. Considera  importante  a  existência  de  modelos  que  possam  avaliar  as  percepções  dos  residentes  e  não  residentes,  quanto  à  imagem  que  têm  de  um  local e da sua marca?  

Defendo  que  não  existe  uma  verdadeira  política  de  marketing  territorial  sem  a  adopção do integrated approach 360º em que as diferentes necessidades e objectivos  dos  diferentes  stakeholders  (residentes,  potenciais  residentes,    empresas  /  organizações públicas e privadas, potenciais investidores e turistas) são considerados  e integrados nos objectivos estratégicos. 

 

8. Na sua opinião, a aplicação destes modelos de uma forma periódica pode  contribuir  para  avaliar  a  evolução  das  percepções  de  residentes  e  não  residentes, em relação às acções de promoção e desenvolvimento do lugar que  vão sendo tomadas?  

Sim, é esse o papel da avaliação e monitorização que falo na questão 3 que deve ser  levado a cabo pela CMO ou por uma entidade independente como as universidades. 

 

9. Alguns  autores  afirmam  que  será  difícil  promover  e  desenvolver  uma  marca  territorial  se  os  seus  habitantes,  que  em  última  análise  são  quem  materializa  a  marca  no  seu  dia‐a‐dia,  não  se  identificarem  com  ela.  Considera  importante, que antes da implementação de uma estratégia de place marketing 

Hermano Manuel Martins Gouveia     

é  importante  conhecer  a  imagem  que  os  seus  habitantes  têm  do  local  e  que  atributos e características consideram diferenciadores? Porquê? 

Ver  questão  6.  Já  publiquei  vários  artigos  sobre  politicas  de  marketing  orientadas  para  os  residentes  com  vista  à  promoção  da  auto‐estima,  place  attachment,  auto‐ eficácia, cidadania activa, felicidade percebida. 

 

10. Considera  que,  as  regiões  de  Portugal  Continental  (NUTS  II:  Porto  e  Norte,  Centro,  Lisboa  e  Vale  do  Tejo,  Alentejo  e  Algarve)    trabalham  e  promovem  as  suas  marcas  de  uma  forma  integrada  para  os  seus  públicos  internos e externos, ou essa comunicação limita‐se à promoção turística?  

Não  tenho  conhecimento  senão  de  uma  comunicação  relacionada  com  a  promoção  turística. 

 

11. Considera  que,  em  Portugal,  já  chegou  a  hora  do  marketing  regional  como estratégia de desenvolvimento integrado das regiões?  

Porque há transferências (bidireccionais) de associações e significados da imagem da  região  e  da  imagem  da  nação  para  a  imagem  das  cidades/lugares  e  vice‐versa,  o  marketing regional é importante nomeadamente na captação de fluxos turísticos e de  investimento estrangeiro.                       

ANEXO 9 

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