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Hovudresultat og funn frå studiane av dei to utvalde fylkesmannembeta

10. Case-studie

10.2. Hovudresultat og funn frå studiane av dei to utvalde fylkesmannembeta

O DSC 6 foi formado através da reunião dos discursos sobre o corpo, em suas dimensões materiais e espirituais, inclusive energéticas. Muito foi abordado sobre a estética do corpo pelos participantes da pesquisa, tanto no sentido de uma análise do

corpo nas obras, como do ponto de vista da experiência pessoal nesta interação. O assunto conduziu a discussões sobre consciência, limites do corpo (ou sua ausência), vontade, psicossomática, perplexidade, doenças e emoções.

DSC 6 Corpo material e espiritual

São imagens bem fortes. A terceira e a quarta não gostei tanto... acho feio o corpo humano por dentro: veias, crânio, caveira, os ossos, pele... nunca tinha visto desta maneira... isso causou estranheza, mas não uma estranheza ruim. Parece que ele divide, separa em camadas. É um pouco desconfortante, mas não é ficar incomodado; é diferente. Na última, é como se tivesse aberto o cérebro; o crânio não cobre o cérebro, como se ficasse o cérebro desprotegido. Parece que relativiza os espaços da matéria; fala de energia, do corpo, remete a alguma coisa transcendental; sente até um pouco fora do corpo. De alguma forma ele estava me puxando, e no negócio de figura e fundo, principalmente no da mulher... Eu falei: nossa essa imagem é em 3D. Achei que eu estava ficando maior, que eu estava indo para frente, mas eu estava indo para trás. Eu acho que umas obras que tinham uns pontos, que apareceram destacados, ou circulados e, às vezes, quando eu uso maconha, eu sinto que, algumas partes do meu corpo, eu estou sentindo com mais intensidade que outras. Essa imagem dos círculos, os círculos, para mim, não representariam muito isso, mas, sob o efeito de ácido lisérgico, por exemplo, você sente uns tremeliques dentro do seu corpo... você sente que tem alguma coisa acontecendo que extrapola o seu corpo. Quando uso maconha, eu encosto em alguma coisa que parece que tem a textura gostosa; posso ficar durante horas sentindo só a textura, e não prestar atenção no resto do meu corpo, que pode estar desconfortável... ou brincando... seus dedos se tornam coisas fantásticas... Tem uma imagem de um cara olhando... parece que ele está olhando sério para as mãos; pode ser pensando algo do tipo: “Nossa, como meus dedos estão legais hoje”.

Em geral, quando você vê uma obra de arte, a obra de arte é muito mais física e parecia que, o que ele queria representar não era algo físico, mas algo muito mais espiritual, energético, interno. Eu também posso ser isso? No último, a menina olha para a lua e a lua emana uma energia, e ela emana também uma contraenergia. Eu pensei em Reiki. A quarta imagem ficou muito forte para mim, que era a vontade, a vontade como uma força dentro do sujeito. Na terceira, tem a mulher, tem cabelo, ela tem um brinco, a aura dela era uma coroa, não era tão transparente; é uma coisa mais relacionável, me

pareceu comum, palpável. Para mim, no final, já era só um sujeito. Quando chega na quarta, o indivíduo está olhando para baixo e está sem a pálpebra, porque é só o corpo em si e aí tem o olho; é uma coisa meio que amedronta.

Até mesmo bêbado, quando você não tem controle do seu corpo, parece que cada coisa é uma coisa separada. Tem hora que eu quero mexer meu braço, aí você mexe a perna. Eu nunca me peguei vendo meu corpo deste jeito. Eu percebo meu corpo como uma coisa só, uma coisa sólida: corpo, alma e ser estão tudo junto... acabo não dissociando... Acho que é como se o corpo fosse o plano mais concreto e que, portanto, sofre com este desequilíbrio, que acontece entre outras instâncias da complexidade, que é o indivíduo. Do que é que eu estou falando? De todas as possibilidades de doenças psicossomáticas que tem início, quando você não consegue lidar com as emoções pelo mundo do trabalho e que vai gerar um problema completamente físico, que é uma doença.

Uma das temáticas centrais das obras de Grey, e que foram bastante expressas na entrevista com os participantes da pesquisa, foi o corpo. O DSC 6 foi formado a partir dos discursos acerca do “Corpo Material e Espiritual”, que foi a IC proposta.

As imagens foram novamente tomadas como fortes, com a presença de aspectos feios do corpo e de sua transparência, como “veias, crânio, caveira, ossos, pele”, que causaram uma “estranheza ruim” e, em certa medida, foram dimensões corporais, tomadas como não desconfortáveis, mas diferentes. Outra impressão foi a de que Grey dividiu o corpo em camadas, com a relativização dos espaços da matéria. Esta torna-se fluida, com a presença de energias, “remete a algo transcendental”. Na medida em que a matéria foi relativizada, a interação com as obras levou o sujeito coletivo a ENOC, no qual “sente-se até um pouco fora do corpo”. A imagem “estava me puxando”, principalmente no da mulher e deu a impressão de estar em 3D. O sujeito coletivo pensou estar ficando maior, que estava indo para a frente, mas relatou estar efetivamente indo para trás.

O DSC 6 aproximou as obras a estados de consciência experimentados durante o uso de substâncias psicoativas, particularmente da maconha. Segundo o sujeito coletivo: “eu sinto que algumas partes do meu corpo estou sentindo com mais intensidade que outras”. As imagens em círculos representariam, para o sujeito coletivo, sob o efeito de LSD, a experiência de que algo ocorre que extrapola seu corpo e diversifica sua

interação psique-corpo e psique-mundo, de modo a possibilitar novas experiências, inclusive de prazer.

Observou-se, outrossim, uma possível semelhança entre os efeitos catalisados pelas obras e os oriundos do consumo de psicoativos enteogênicos ou psicodélicos. No entanto, de forma distinta de tais psicoativos, os efeitos da alteração de consciência mencionados se extinguiram após a experiência da obra, referindo-se somente ao momento de interação com a mesma. Exceção foi uma participante que relatou que, após a interação com as obras, ainda encontrava-se um pouco alterada. Uma ocorrência expressa no discurso é a alteração da consciência do corpo: “Quando uso maconha, eu encosto em alguma coisa que parece que tem textura gostosa; posso ficar durante horas sentindo só a textura e não prestar atenção no resto do meu corpo, que pode estar desconfortável”. No relato, destaca-se uma hipertenacidade, com grande foco em um estímulo, à revelia de outros, com a capacidade de não focar em um estímulo desconfortável. Ao mesmo tempo, a obra recorda ao sujeito coletivo um outro tipo de substância, o álcool, mais especificamente o beber excessivo; neste caso, a presença não é de uma extrapolação do corpo ou intensidade, mas da fragmentação e perda da coordenação motora, como se as obras apresentassem uma fragmentação, e não uma inteireza, o que, no DSC 6, é tomado como distinto de sua experiência integrada de corpo, na qual “corpo, alma e ser estão tudo junto”. Grey (2001b) intencionou em sua arte reunir dimensões denominadas como físicas, emocionais, conceituais, psíquicas, sutis e espirituais. Embora o sujeito coletivo não negue as distintas dimensões da obra, não a compreendeu, neste momento, como ligando estas dimensões, mas como expressas de forma fragmentada.

A obra de Grey foi experimentada como uma busca de representar algo “espiritual, energético, interno”, o que resultou em uma análise de si: “Eu também posso ser isso?”, como potencial de emancipação e transformação de si para além da experiência da obra. Esta experiência envolve, diretamente, a relação do ser no mundo, os limites do corpo e sua materialidade e energia. A troca de energia entre pessoa e ambiente evocou, no DSC 6, a lembrança do Reiki.

Por fim, no DSC 6, foi mencionada a possibilidade do corpo sofrer com um desequilíbrio em seu dinamismo complexo, resultando em doenças psicossomáticas, particularmente diante de uma dificuldade emocional no mundo do trabalho. Os pensamentos suscitados podem remeter a uma tensão entre o prisma racional, o mundo do trabalho e o cotidiano versus as experiências de afeto, de atenção e aprofundamento

de si. Notou-se no discurso uma dualidade entre os aspectos voláteis e concretos da corporalidade, entre a espiritualidade manifesta, inclusive no corpo, e a possibilidade de dificuldades de lidar com a emoção e com o cotidiano laboral – que parece representar, aqui, o mundo adulto das responsabilidades, notadamente quanto as suas dificuldades.