Njoku et al. (2010) apontam que a investigação da qualificação profissional se faz necessária para entender os fatores relacionados aos caminhos que o profissional de Ciências Contábeis pode percorrer. Nesse sentido, os autores alegam que a realidade estadunidense permite que o profissional de Ciências Contábeis, em alternativa à qualificação acadêmica, possa obter uma certificação profissional. Adicionalmente, Miranda (2011) defende que a qualificação profissional e à docência podem caminhar juntas, uma vez que se torna relevante a união do ensino teórico contábil com a prática contábil, e o docente com experiência no
mercado pode realizar essa ponte com mais objetividade, pois se torna extensão da sua realidade profissional.
Nesse sentido, Annisette e Kirkham (2007) apontam que existem gaps entre a academia e as práticas contábeis e que essas lacunas podem ser observadas por meio da realidade das pesquisas dessa ciência, que cada vez menos se preocupam em abordar os caminhos da prática contábil. Para Lima (2006) os programas de pós-graduação em Ciências Contábeis focam na formação para habilitação docente deixando em segundo plano a formação profissional do futuro professor.
De forma complementar, Comunelo et al. (2012) aponta que a formação prática docente está alinhada com a experiência do docente como profissional de mercado e que o domínio de situações práticas são frutos dessa experiência. Os autores completam que essa formação permite que o estudante tenha uma visão atualizada do que está acontecendo na prática, possibilitando paralelos entre situações teóricas e práticas.
Perazo et al. (2014) estudaram a realidade da formação pedagógica em três IES. Os autores concluíram que ao menos metade do corpo docente analisado possui experiência profissional no mercado de trabalho, ou seja, fora da academia. Os autores alegam que esse perfil possibilita que os docentes contribuam com exemplos práticos que possam ser encontrados no ambiente empresarial.
Dessa forma, Perazo et al. (2014) e Miranda, Casa Nova e Cornachionne Júnior (2012a) apontam que a qualificação profissional é o elo entre docência e a experiência prática contábil obtidas por meio de exercício da profissão. Assim, Miranda (2011) aponta os fatores determinantes de investigação quanto à qualificação profissional. São eles:
Figura 4 - Fatores componentes da qualificação profissional
Fonte: Adaptado de Miranda et al. (2011)
Miranda (2011), estima cada fator como sendo:
• Experiência como docente: É a experiência que o profissional teve/tem como docente. Qualificação
Profissional
Experiência como docente
Experiência como profissional
• Experiência como profissional: É a experiência que o profissional teve/tem no mercado de trabalho (fora do ambiente acadêmico como docente).
• Certificações: É o fator que investiga o número de certificações profissionais que o docente venha a possuir.
Observa-se que as definições acerca da qualificação profissional remetem à experiência prática do docente, possibilitando apresentar a relação entre as definições teóricas e práticas. Com isso, cabe o resgate das definições acerca dos saberes docentes, em especial os saberes experienciais.
Nota-se que Miranda (2011) definiu como experiência profissional o tempo de carreira em atividade profissional extra carreira de professor. Contudo essa mensuração se torna complexa, uma vez que, no momento da análise deve-se ponderar aquelas respostas que afirmam não ter outra experiência profissional, com aquelas que afirmam ter experiência profissional, além de considerar as variantes quanto ao tempo de carreira profissional extra docência. Nesse sentido, utiliza-se uma adaptação ao proposto por Miranda (2011) onde se restringirá apenas ao fato de ter ou não experiência em outra atividade profissional, além da carreira de professor.
Diante da qualificação profissional, espera-se que adoção das categorias de metodologias ativas se relacionem com a experiência do docente. Quando se avalia a experiência como docente, acredita-se que o professor com maior adoção das categorias de metodologias ativas seja aquele com maior experiência na carreira de professor. Dessa forma, espera-se que a adoção das metodologias ativas esteja positivamente relacionada à experiência acadêmica.
Ademais, o fato de o docente ter experiência em outra profissão além da docência, pode favorecer a adoção das metodologias ativas, uma vez que atitudes e habilidades percebidas e desejadas nas práticas profissionais podem ser trabalhadas por meio destas. Nesse sentido, destacam-se as habilidades de trabalho em grupo, exposição e defesa de seus pontos de vista e desenvolvimento de argumentação. Assim, de forma análoga à experiência acadêmica, julga-se que a adoção das metodologias ativas esteja positivamente relacionada à experiência profissional.
Uma terceira variável relacionada à qualificação profissional é a certificação profissional. Para Diehl e Souza (2007) a certificação profissional é capacitação que o contador realiza na busca pela excelência, fazendo com que o contador, apresente ao mercado, uma “credencial” que o permite executar melhor uma certa atividade. Como exemplo de
certificação profissional, Marshall et al. (2010) aponta a existência da Associate of Chartered Accountants (ACA) nos Estados Unidos. No Brasil, destacam-se o CNAI (Cadastro Nacional de Auditores Independentes), o CNPC (Cadastro Nacional de Peritos Contábeis) e o próprio registro no CRC (Conselho Regional de Contabilidade).
Espera-se que essa variável seja capaz de se relacionar positivamente com a adoção das categorias de metodologias ativas, uma vez que, por ser uma certificação voltada para o mercado de trabalho, o professor consiga trazer à luz no momento de sua explanação, exemplos de situações práticas, que podem envolver o uso de storytelling e método do caso. Além disso, o uso do GVGO pode ser estimulado com a discussão acerca de situações práticas vivenciadas pelo professor, fazendo com que os discentes desenvolvam e apresentem argumentos a partir da problematização inserida pelo docente.
Visto esses aspectos acerca da qualificação profissional do docente, exprime-se que:
H3: A adoção de metodologias ativas está positivamente relacionada (a) à experiência acadêmica, (b) à experiência profissional e (c) à certificação profissional.
Por fim, faz-se necessário a investigação a respeito da qualificação pedagógica como parte componente da qualificação docente, como proposto por Miranda (2011).