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Segundo a Federação Internacional de Educação Física (1970):

O elemento de educação que utiliza, sistematicamente, as atividades físicas e a influência dos agentes naturais: ar, sol, água etc. como meios específicos, onde a atividade física é considerada um meio educativo privilegiado, porque abrange o ser na sua totalidade. Dessa forma, o exercício físico foi identificado com o meio específico da Educação Física, cujos objetivos principais foram: corpo são e equilibrado; aptidão para a ação; valores morais (Dicionário Interativo da Educação Brasileira, 2001 a 2004).

A Carta Internacional da Educação Física e do Esporte da UNESCO, elaborada em 1978, estabelece que:

A prática da Educação Física e do Esporte é um direito fundamental de todos, e que o exercício deste direito: é indispensável à expansão das personalidades das pessoas; propiciam meios para desenvolver nos praticantes aptidões físicas e esportivas nos sistemas educativos e na vida social; possibilita adequações às tradições esportivas dos países, aprimoramento das condições físicas das pessoas e ainda pode levá-las a alcançar níveis de performances correspondentes aos talentos pessoais; deve ser oferecido, através de condições particulares adaptadas às necessidades específicas, aos jovens, até mesmo às crianças de idade pré-escolar, às pessoas idosas e aos deficientes, permitindo o desenvolvimento integral de suas personalidades.

No Brasil, em 1997, Câmara de Educação Básica do MEC emitiu parecer aprovando os Parâmetros Curriculares Nacionais, em 12 de março, cumprindo assim o dispositivo constitucional (CF/1988, artigo 210) que determinou a “fixação de conteúdos mínimos para o ensino fundamental”. Este parecer atendeu aos indicadores apontados pelo diagnóstico levantado pelo Plano Decenal e concretiza suas diretrizes que são linhas gerais que, assumidas como dimensões normativas, tornam-se reguladoras de um caminho consensual, conquanto não fechado a que

historicamente possa vir a ter outro percurso alternativo, para se atingir uma finalidade maior. Nascidas do dissenso, unificadas pelo diálogo, elas não são uniformes, não são toda a verdade, podem ser traduzidas em diferentes programas de ensino e, como toda e qualquer realidade, não é uma forma acabada de ser.

A palavra diretriz significa caminhos propostos para e, contrariamente à imposição de caminhos, ela denota um conjunto de indicações pelas quais os conflitos se resolvem pelo diálogo e pelo convencimento. A diretriz supõe, no caso, uma concepção de sociedade e uma interlocução madura e responsável entre vários sujeitos, sejam eles parceiros, sejam eles, no campo político, dirigentes e dirigidos. Dessa interlocução, espera-se o traçado de diferentes modos de se caminhar para a efetivação dos fins comuns, obedecendo-se à diversidade de circunstâncias socioculturais, ao respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais (art. 210, CF/88) e à recusa ao monopólio da verdade. Logo, os currículos e seus conteúdos mínimos propostos pelo MEC (art. 9º, letra c, da Lei nº 9.131/95) tiveram seu norte estabelecido por meio de diretrizes. Estas têm como foro de deliberação a Câmara de Educação Básica (art. 9º, letra c, da Lei nº 9.131/95) que definiu, portanto em 1997, que os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) são as referências para o Ensino Fundamental e Médio de todo o país e que estes estabeleceram, para os sistemas de ensino, uma base nacional comum nos currículos e servem de eixo norteador na revisão ou elaboração da proposta curricular das escolas.

O documento de volume 08 é o da Educação Física e traz “uma proposta que procura democratizar, humanizar e diversificar a prática pedagógica da área, buscando ampliar a visão, apenas biológica, para um trabalho que incorpore as dimensões afetivas, cognitivas e socioculturais dos alunos”. De acordo com os PCNs, o trabalho de Educação Física no ensino fundamental é muito importante, na medida

em que possibilita aos alunos uma ampliação da visão sobre a cultura corporal de movimento, e, assim, viabiliza a autonomia para o desenvolvimento de uma prática pessoal e a capacidade para interferir na comunidade, seja na manutenção ou na construção de espaços de participação em atividades culturais, como jogos, esportes, lutas, ginásticas e danças, com finalidades de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções.

A Educação Física, hoje, constitui-se como um campo do saber no espaço escolar, definindo seus próprios conteúdos e relacionando-os com outros pertinentes às demais áreas do saber, na escola, através da proposta de trabalhos com temas. Tal perspectiva tem sido considerada um grande avanço, à medida que amplia o universo da Educação Física no processo de construção do conhecimento, aproximando-se das outras áreas de ensino, de forma mais elaborada, tornando esse saber significativo na vida de quem a produz ou a utiliza.

Desta forma é que se percebe a teia de relações na qual a área está inserida, juntamente com as demais, discutindo e constituindo conhecimentos que são comuns, ou seja, desmistificando a exclusividade de conteúdos, numa demonstração de que é possível relacionar os diversos campos do saber na escola, escapando da fragmentação da educação tradicional.

Esta fragmentação na construção do conhecimento tem sido presente no ambiente escolar. Só recentemente o processo educacional é compreendido como resultado de articulação dos diferentes campos do saber, numa crescente valorização de canais de comunicação entre estes – inter e transdisciplinaridade.

Pierre Weil (1997) esclarece sobre os termos interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, alertando para equívocos ou enganos sobre o que são e qual papel de cada um na educação. O primeiro trata da síntese de duas ou várias

disciplinas, instaurando um novo nível do discurso, caracterizado por uma linguagem descritiva e novas relações estruturais. Já o segundo advém da síntese dialética provocada pela interdisciplinaridade, quando esta for bem sucedida. É sobre essa base teórico-filosófica que a Educação, sustenta-se para justificar as recentes intervenções no processo de ensinar e aprender. Nos PCNs, a transversalidade é entendida como a possibilidade de estabelecer conexões com outras áreas do conhecimento, a partir de conteúdos selecionados pela Educação Física, onde questões como corpo, jogo, dança, esporte etc. possam ser compreendidas. Vê-se, acima de tudo, o valor dos olhares cruzados na busca da superação do isolamento das áreas, pois se objetiva que a produção de conhecimentos na escola contemple a multiplicidade, onde se considera a diversidade cultural presente no espaço escolar.

A Educação Física tem um papel importante de integração, pois se utiliza do maior recurso didático que possui: o "corpo", nas suas diversas dimensões. Por exemplo: analisar como o corpo é compreendido em diferentes sociedades pressupõe tanto uma compreensão histórica quanto uma leitura particular da área de Educação Física. Do mesmo modo, a articulação entre os conceitos de tempo e espaço estudados na História e na Geografia, e aqueles presentes em atividades próprias da área de conhecimento em questão, como nos jogos e esportes, são fundamentais na construção de propostas de trabalho com cunho interdisciplinar.

Nesta perspectiva, a Educação Física extrapola as suas atividades curriculares, visando à construção de uma escola comprometida com a transformação social, permitindo o conhecimento crítico da realidade, onde a educação para a cidadania possibilitará que questões sociais sejam apresentadas para uma maior reflexão. Com isso, o currículo passará a ser mais flexível e aberto.

Os PCNs ainda mostram a importância dos Temas Transversais para a área de Educação Física, já que, ao discutir questões como: ética, pluralidade cultural, orientação sexual, meio ambiente, trabalho e consumo, saúde, entre outros, permite- se o debate relevante e urgente de questões fundamentais para o país, onde valores enraizados na Educação Física serão questionados, visando modificar atitudes e comportamentos apresentados pelos alunos, ampliando o seu olhar sobre o cotidiano. Quando a Educação Física considera que o homem em movimento produz cultura, estabelecendo relações de valores nas suas diversas dimensões, ela está possibilitando vivências de práticas corporais que reconhecem ética, pluralidade cultural e saúde, entre outras, na discussão sobre o corpo inserido na sociedade de consumo, questionando seu papel na relação com o mundo.

É importante lembrar que os PCNs ao abordarem as novas funções que a sociedade do conhecimento exige da escola fazem menção aos quatro pilares da Educação para o Século XXI, quais sejam: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Esses pilares apresentados pela UNESCO (1999) no Relatório Delors, intitulado “Educação, um tesouro a descobrir” nos ensinam o quanto a escola está distante da realidade global e local da sociedade complexa. PROGESTÃO (Módulo 1, Pág. 54 e 55)

MORIN (UNESCO, 1999), mentor intelectual dos quatro pilares da Educação para o Século XXI assim os definiu:

• aprender a conhecer significa não tanto a aquisição de um vasto repertório de saberes, mas o domínio dos próprio instrumentos do conhecimento. Supõe aprender a aprender exercitando os processos e habilidades cognitivas: atenção, memória e o pensamento mais complexo;

• aprender a fazer exprime a aquisição não somente de uma qualificação profissional, mas de competências que tornem a pessoa apta a enfrentar variadas situações e a trabalhar em equipe;

• aprender a conviver quer dizer tanto a direção da descoberta progressiva do outro e da interdependência quanto a participação em projetos comuns;

• aprender a ser significa contribuir para o desenvolvimento total da pessoa: espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, capacidade para se comunicar e espiritualidade.

Neste contexto sabe-se que uma educação concebida de acordo com os quatro pilares da educação indica uma função da escola voltada para a realização plena do ser humano alcançada pela convivência e pela ação concreta, qualificada pelos conhecimentos. Se o esporte escolar for assim concebido garante-se que suas atividades sejam uma continuidade das aulas de Educação Física Escolar.

Aprender a conhecer o mundo contemporâneo e neste contexto o esporte e, ainda, relacioná-los às demandas de cada escola, quais seus anseios, suas necessidades e seus sonhos, é condição para se efetivar uma educação de qualidade. Aprender a planejar e a fazer (construir e realizar) a escola que se quer e construir seu projeto pedagógico, aprender a conviver com tantas e diferentes pessoas, definir e partilhar com elas um projeto de escola e aprender a utilizar, suas próprias potencialidades de crescimento e de formação continuada, não é tarefa fácil e exige dos atuais gestores uma mudança muito grande que é sair do individualismo e partir realmente para uma ação de gestão compartilhada que muito deles ignoram ou fogem da responsabilidade.