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4.2 OBSERVASJON, INNTRYKK OG FORSTÅELSE

4.2.1 HOVEDENTREPRENØREN

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Enquanto eu tiver perguntas e

não houver respostas... continuarei a escrever.

Clarice Lispector

As palavras de Clarice Lispector são extremamente representativas da sensação de incompletude, que nos invade ao término dessa empreitada. Sentimos uma espécie de vazio, um misto de alegria e tristeza, porque nos parece que, ao mesmo tempo em que um sonho se concretiza, temos que encerrar um ciclo e deixar para trás algo íntimo e precioso que por muito tempo a nós esteve impregnado como um sintoma. Como diria a psicanálise, é preciso fazer um corte, uma passagem, e isso não é feito gratuitamente, sem dor e sofrimento. É o preço que pagamos por nossas escolhas.

A incompletude a que nos referimos anteriormente não está relacionada tão somente a estes aspectos subjetivos, mas ao fato que, ao término desse estudo várias questões não foram esgotadas, o que nos deixa a sensação que, embora tenhamos avançado, ainda há muito por percorrer, sobretudo se pensarmos no terreno híbrido e tortuoso que é o da adolescência e da sexualidade.

Mas, apesar de tudo, estamos felizes! Quer seja no campo pessoal ou profissional sempre partimos do princípio que o coração a cada chamado da vida deve estar pronto para a partida e um novo início, para corajosamente e sem tristeza, entregar-se a outros novos compromissos, como nos diz Hermann Hesse no romance Jogo das contas de vidro. Parece-nos que este é o percurso natural, daqueles que se envolvem no mundo da pesquisa. Nada se esgota, tudo se renova.

Embora entendamos que não é possível fazer conclusões no sentido mais literal da palavra, ao longo do nosso estudo, algumas respostas se mostraram conclusivas naquilo que nos propomos. Ao optarmos por estudar a influência da mídia para os adolescentes presumimos que esta era uma instância privilegiada para refletirmos acerca da sexualidade, como de fato, pudemos observar. Neste sentido, a pesquisa revela que há por parte dos adolescentes um interesse pela

temática da sexualidade e que a mídia de maneira geral, em particular, a televisão e a internet, são referências que influenciam significativamente as concepções destes acerca da sexualidade.

De acordo com o que podemos observar, na perspectiva dos adolescentes, a sexualidade se apresenta como algo importante, todavia, ainda vemos arraigados certos preconceitos e posturas por vezes contraditórias, por vezes confusas, o que vem refletir o caráter de instabilidade que caracteriza este momento do desenvolvimento. Percebemos que os adolescentes são modernos, “antenados” e fazem parte da chamada aldeia global, no entanto lhes faltam esclarecimentos acerca da sexualidade e não recorrem à família para preencher esta lacuna. Estão sintonizados com os veículos midiáticos, em especial a TV e a internet e buscam nestes, informações acerca da sexualidade. A preponderância desses veículos foi relacionada a fatores como a facilidade de acesso, a rapidez e a clareza da informação proporcionada por estes meios.

Foi possível constatar que a sexualidade, na perspectiva dos adolescentes, está estreitamente vinculada a reprodução e a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, o que consideramos uma perspectiva reducionista da sexualidade que, ainda se perpetua na atualidade, embora, há muito tenha sido ultrapassada. Além dessa limitação, observamos que os adolescentes não apresentam uma visão crítica em relação á forma como a sexualidade é abordada na mídia. Ao contrário, nos chama a atenção á credibilidade que lhes é atribuída. Este é um aspecto que vem demonstrar a força exercida pela mídia no convencimento e na construção de significados constantes a respeito da sexualidade. A este respeito Fischer (2002), pondera que ao considerarmos a responsabilidade da mídia pelas trocas simbólicas abrimos para a educação um conjunto de problemas, como por exemplo, de que forma está sendo inserida nos espaços escolares a discussão dos saberes que circulam na mídia e a luta da mídia pela imposição de sentidos. Para esta autora, a busca pela fixação de determinados sentidos é uma luta da qual os educadores deveriam participar. Enquanto a escola ficar no papel tímido de espectadora ressentida de uma sociedade, que se pauta pelo mercado e pelas imagens de sucesso individual, da ilusão de felicidade dada pelo consumo real ou imaginário, estará marcando seu lugar como ausente do seu tempo.

Esta é uma constatação preocupante porque sabemos que a educação também se realiza por meio da omissão. Estamos nos referindo a um grupo especial de sujeitos, que serão os professores do futuro e estão sendo formados profissionalmente pelas duas maiores referências, em termos institucionais, de ensino superior do estado da Paraíba: a UFCG e a UEPB. Esta preocupação é amplamente acentuada quando verificamos que, em função da postura dos docentes universitários, a médio prazo, não há como reverter esta situação. Não há educadores interessados e habilitados para abordar a sexualidade no âmbito dos cursos de licenciatura. Este fato decorre, entre outros, da inexistência de uma proposta curricular que contemple esta temática nos cursos das instituições formadoras, mesmo sendo a sexualidade uma problemática de interesse e necessidade dos estudantes. Mais ainda, não há interesses ou iniciativas no sentido de considerar a viabilidade desta proposição o que implica na abordagem da sexualidade de modo superficial e incipiente.

Verificamos que as instituições formadoras não estão aparelhadas para desenvolver um trabalho efetivo na área da sexualidade, embora esta questão seja considerada de grande importância por parte daqueles que são responsáveis pela formação dos licenciandos. Os professores universitários consideram que a sexualidade é uma questão acessória que não deve fazer parte do currículo dos cursos de licenciatura. Deve ser tratada de forma paralela, por meio de palestras e cursos de formação continuada. Esta postura nos preocupa. Como é possível para os alunos (futuros professores) superar ideias equivocadas, refutar preconceitos, valores e crenças acerca da sexualidade?

Entendemos que há uma necessidade urgente de inserir no currículo dos cursos de licenciatura a abordagem da sexualidade na condição de uma disciplina específica. Para tanto, é necessário romper com as resistências individuais e coletivas para tornar possível aos licenciandos uma formação teórico-metodológica que os possibilite romper com concepções e preceitos superados, em detrimento da aquisição de concepções mais críticas sobre a sexualidade. Este é um caminho que poderá provocar mudanças concretas no âmbito educacional e assegurar novas posturas e múltiplas possibilidades de pensar e viver a sexualidade. Para tanto, é necessário que um processo de reflexão seja iniciado e que alguns princípios sejam pensados e articulados no sentido de construir uma “pedagogia” da sexualidade.