4.3 HOVEDENTREPRENØR OM KOMMUNIKASJON MED
4.4.2 DISKUSJON AV INTERVJUENE
As primeiras famílias afrodescendentes que povoaram o vilarejo de Jovi foram a famílias Gamboa e Moreno. Conforme aos relatos dos informantes estas famílias chegaram há mais de 70 anos (I5) e vinham das subregiões do Alto Baudó e o San Juan, procurando as praias do Litoral Pacífico (Figura 3). A abundância dos alimentos no passado foi uma constante nos relatos dos entrevistados. Eles se referiam tanto aos produtos extraídos dos ecossistemas como peixes, moluscos, crustáceos e animais do mato, quanto aos produtos agrícolas.
Figura 3. Migrações ao vilarejo de Joví
Inclusive afirmaram que habitantes de outros povoados se abasteciam em Joví de alimentos. Relataram que antes saíam barcos carregados de arroz, banana da terra, coco, banana e milho para serem comercializados em outros municípios. Hoje com uma população de 170 habitantes16 são poucos os excedentes disponíveis para a comercialização e, na maioria das vezes, os plantios são planejados só para garantir o consumo familiar do agricultor. Os hotéis da zona, cujos proprietários não são locais devem trazer estes produtos da cabeceira municipal ou da cidade. Algumas pousadas nativas têm cultivos para o autoconsumo como árvores frutíferas, temperos, vegetais e uma delas produz a madeira para a construção dos chalés (silvicultura).
Assim, a agricultura era a principal atividade econômica do povoado antes da chegada do turismo e práticas comunitárias como a minga17 e as festas populares eram comuns. Alguns entrevistados acreditam que as novas gerações não têm recebido formação para o trabalho agrícola, caça e pesca e isto tem debilitado as tradições comunitárias. Um entrevistado afirmou que o turismo traz dinheiro, mas faz com que as pessoas se tornem dependentes da temporada turística18. Ele afirma que antes, as pessoas viviam de acordo com os tempos do trabalho agrícola, tais como ciclos lunares; e neste sentido acha que a produção agrícola foi reduzida, existindo ainda para suprir o autoconsumo, mas deixando poucos excedentes para a venda ou o sistema de troca.
Atualmente, segundo os dados coletados, o turismo tem uma participação importante na economia do povoado, com 23% dos entrevistados identificando como sua atividade principal, além de 14% que se reconhecem como “donas de casa”, mas que trabalham com o turismo durante as temporadas. Desta maneira, pode-se considerar que 37% da amostra tem como renda principal o turismo (Figura 4). As atividades realizadas pelos locais na sua maioria envolvem transporte de pessoas, serviços de guia, de camareira, cozinha e jardinagem.
16Esta cifra foi registrada pelos habitantes e acreditam que este número apresenta uma tendência à baixa.
17 Prática ancestral utilizada para propor um trabalho coletivo. Este trabalho podia ser para cultivar ou realizar
trabalhos que beneficiassem toda a comunidade. Pelo costume, após o trabalho dava-se continuidade à atividade com uma festa. É uma atividade solidária sem pagamento monetário; caso fosse para um benefício privado (cultivo), o dono do plantio garantia a comida e a bebida para os trabalhadores. A reciprocidade era esperada, quer dizer, se esperava a participação do beneficiado quando alguns dos integrantes convocam para um trabalho coletivo em sua parcela.
Figura 4. Distribuição das atividades econômicas dos povoadores de Joví, a partir das citações dos chefes de família (No. total da amostra: 48)
Fonte: Elaboração da pesquisadora, 2016
Destaca-se que a geração de renda que se categoriza como múltiplas atividades, tem como atividade comum a pesca. Eles conciliam a pesca com a agricultura, turismo e/ou a criação de animais, embora lhes tenham sido solicitado registrar a atividade que fosse mais significativa para eles, estes participantes se identificaram com várias atividades principais.
Segundo os relatos dos entrevistados, o turismo de natureza chegou no povoado faz 30 anos e desde 2005 organizam-se iniciativas comunitárias para aproveitar este SE: o grupo
Pichindé19 foi criado neste ano e tem liderado atividades de limpeza no povoado e separação
de resíduos. Outros grupos e associações formadas pelos habitantes são o Grupo Las Palmas (pescadores), Banco comunitário El esfuerzo, e a autoridade étnica local Conselho Comunitário Local.
O grupo Pichindé foi formado com o apoio de estudantes universitários do interior do país e é referência em outros povoados como iniciativa de turismo de base comunitária. Atualmente, nota-se que esse grupo está debilitado, uma vez que alguns entrevistados dizem perceber a perda da sua capacidade de convocatória para os trabalhos coletivos de limpeza do povoado. Las Palmas recebeu apoio técnico e equipamentos para pesca artesanal, por parte de entidades públicas e privadas. A criação de um banco comunitário foi uma iniciativa de uma liderança local, a dona de um dos empreendimentos turísticos locais mais bem sucedidos no
19 Nome inspirado na espécie vegetal arbórea que ocorre nas margens do rio Joví formando arcos
7% 33% 9% 23% 5% 14% 3% 2% 4% Múltiplas atividades Agricultura Pesca Turismo Cria de animais Dona de casa Educação Funcionario público Sem atividade
povoado e que considerou importante promover o hábito da poupança especialmente entre as mulheres, dado que elas muitas vezes sustentavam e/ou administravam a economia familiar.
É importante considerar algumas informações sobre a infraestrutura do povoado: Fornecimento de energia: descontínuo, até abril de 2016 havia energia por
quatro horas diárias (das 18h às 22h). Em maio, o fornecimento foi estendido para 8 horas (usando-se geradores de energia fóssil), mas tal fornecimento não tem cobertura nas praias de Guachalito. Nestas praias estão localizadas a pousadas nativas e não nativas e que se abastecem com geradores de energia próprios;
Água: Há um aqueduto que canaliza à água potável do rio Majagualito, mas esta água não tem tratamento. Guachalito tem seu aqueduto próprio (águas provenientes do rio Guachalito), mas estas águas também não têm tratamento; Saneamento: Não tem esgoto, nem coleta pública de resíduos20;
Serviço de saúde: Há um posto de saúde e uma pessoa capacitada para atendimento primário; no entanto, o posto está inativo. Portanto, qualquer atendimento deve ser feito na cabeceira municipal.
Serviço de educação: Há uma escola que vai até o nível de básico primário. Para continuar com seus estudos os estudantes devem sair do povoado e morar na cabeceira municipal (escola com ênfase em ecoturismo) ou em cidades como Quibdó, Medellín ou Cali (distancia variando de 68 Km a 266 Km e exigindo transporte de avião ou em barco para Cali). Não há oferta de serviço educativo para adultos.