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Hjerneblødning – hvor mange rammes og hvordan går det?

In document Fysioterapi for eldre (sider 35-40)

espanhola e portuguesa em Inglaterra, Charles David Ley foi professor no Instituto Britânico de

Lisboa entre 1939 e 1943 e depois no mesmo instituto mas em Madrid, até 1952

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. Nos anos em que

esteve em Portugal escreveu para as revistas Presença e Seara Nova e fez-se amigo de vários

escritores portugueses (entre outros, João Gaspar Simões e Adolfo Casais Monteiro), como

descreveu no livro Escritores e Paisagens de Portugal (1942). É nesse mesmo livro que Charles

David Ley narra as suas duas passagens por Moledo do Minho. A primeira, ocorrida em 1937,

assinalou o primeiro contacto do inglês com José de Almada Negreiros:

360 NEGREIROS, Maria José Almada (1985), Conversas com Sarah Affonso, Lisboa: Edições «O Jornal», p.

79.

361 BENTO, Paulo Torres (2015), op. cit., pp. 62 a 65.

Figura 53.4.: José de Almada Negreiros e Sarah Affonso em Moledo do Minho, 1934.

Fonte: https://modernismo.pt/index.php/friso-de-fotografias/friso- fotos/144-10, consultado em: 06/08/2018.

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Era uma manhã de domingo. O comboio devia partir mais ou menos às 9 horas. Pensava ir directamente a Moledo, passar lá o dia, e dormir depois em qualquer canto. Iria a Viana do Castelo na segunda-feira.

(…) No comboio viajei em terceira, coisa que, no norte, é muito agradável. Sentia-me muito contente, porque penetrava, de facto, na mais bela província do país, naqueles confins da nação a que havia mais de quatro anos ouvia chamar «o jardim de Portugal». Além disso, tinham- me dito na véspera que à medida que eu fôsse caminhando para o norte mais e mais bela seria a viagem. E depois, quanto mais andasse mais perto estaria da encantadora Espanha, que tanto me atraía então.

De facto, o campo enchia-se cada vez mais de colinas e de belos frescos pinheirais. Depois a enseada de Viana abriu-se-me diante dos olhos. Desta recordo três coisas naquela manhã de Setembro — pequenas casas brancas ao pé do rio, a pálida água areenta e os barcos dos pescadores.

E em tudo havia um grande sentido de extensão, de espaço, de libertação. Em Viana, loquazes camponeses se apinharam no compartimento Só com muita dificuldade podia espreitar pelas janelas. Mas os camponeses eram muito amáveis, muito boas pessoas, — e de quando em quando faziam-me observações sorridentes, a mim que lhes era completamente desconhecido. A carruagem quási que se esvaziou outra vez em Âncora, onde certamente havia alguma festa. De repente, vi assomar ao longe uma imensa pirâmida natural, uma montanha. Era ameaçadora e ferozmente bela. Tive a certeza de que aquilo era Espanha, duplamente enigmática e terrível então, nas agonias duma guerra civil.

Nessa altura o comboio parou. Tirei a minha bagagem com pressa.

Um rapaz da pousada conduziu-me aonde vivia Almada Negreiros. Subia-se uma breve calçada de aldeia, e depois voltava-se à direita, por um caminho que tinha de uma lado um alto muro e do outro um campo aberto. Batemos à porta. Um homem que, pôsto não estivesse na primeira juventude, conservava muito da agilidade e da clareza de gestos de um rapaz, abriu a porta. Vesti um Jersey azul.

— O Sr. Almada Negreiros está? Perguntei.

— Sou Almada Negreiros, disse ele, com uma perfeita franqueza e natural cortesia. Conduziu-me a um terraço, à beira do caminho e debruçado sobre ele. Estávamos em pleno verão minhoto com o dorso das colinas à nossa esquerda e o pálido mar à direita.

Nunca me sentira tão completamente à vontade num primeiro encontro. Dois minutos depois, falávamos espanhol, e eu senti-me imensamente feliz. Cinco minutos mais tarde, Almada mostrava-me os seus novos quadros, os de sua mulher, e os dois livros que trouxera com ele, as obras de Gil Vicente e as peças de Shakespeare em espanhol.

Uma hora mais tarde, Almada, sua mulher, e eu fomos a Âncora ver a bênção do mar. Aí encontramos o escultor alemão Sempke e sua mulher. Assistimos à procissão da varanda de uma casa, na rua principal. Os seus figurantes eram crianças. Havia um sentido de brancura em tudo isto, quando passavam os santinhos nas suas belas vestimentas. As tábuas do chão enxameavam de pulgas, que nos subiam pelas pernas. Bebíamos vinho verde.

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Voltámos a pé até Moledo nessa mesma tarde, com a montanha piramidal espanhola na nossa frente. Jantámos, os cinco, à hora do crepúsculo, no terraço da casa de Almada, e falámos de Arte.

Essa noite dormi num pequeno quarto aldeão com porta para a calçadinha, febril de alegria e espectativa e não sem um certo mêdo por me sentir tão perto da fronteira espanhola. Às três da manhã despertaram-me de um ligeiro sono as pesadas botas de um camponês que subia a calçada.

Os seus passos sugeriram-me ideias da fronteira perigosa. Acendi uma vela, pus a máquina de escrever nos joelhos, e escrevi uma peça num acto, dura, modernística, satírica, que procurava provar o ponto de vista que eu defendera na nossa conversa ao jantar.

Permaneci algumas semanas em Moledo, gozando da mais amável hospitalidade e da conversação inspiradora de Almada. Nunca nenhum homem me deu nitidamente a impressão de ser artista como Almada. Numa pequena frase explicava todo o carácter da gente dos campos que nos rodeava; numa subtil mimica de mãos pintava-me personalidades inteiras. Entre estas colinas minhotas a sua filosofia desenrolava todas as suas mágicas sugestões e profundos abismos de sentimentos.

Recordo-me de várias obras literárias lidas ao sol do Minho. Primeiro, uma das mais brilhantes obras que o moderno pessimismo produziu — a Tabacaria de Pessoa. (...)

Pouco antes do fim de Outubro, viajei no rápido outra vez, a caminho de Lisboa.362

De acordo com Paulo Bento Torres

363

, os dois quadros de Sarah Affonso a que Charles

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