O desenvolvimento dos construtos sobre as condições favoráveis à inovação em parques tecnológicos foi um processo importante para a evolução da teoria sobre parques
tecnológicos, já que estes construtos são novos. Após o seu desenvolvimento eles foram testados e apenas o construto de infraestrutura físicas dos parques ainda precisará de maior atenção, pois a sua AVE ainda está abaixo dos 0,5 sugeridos (HAIR et al., 2009). É importante salientar que podem existir novos construtos que facilitam a inovação em parques tecnológicos, porém este estudo se centrou apenas em 4 (serviços de apoio, infraestruturas físicas, redes de relaciomaneto entre empresas e redes de relacionamento entre empresas e universidades), pois foram construtos indicados pela literatura analisada e pelas entrevistas realizadas na etapa qualitativa.
A etapa posterior ao desenvolvimento dos construtos e escalas (parte bibliográfica e qualitativa) foi realizada através da técnica de modelagem de equações estruturais. Para tal, foram propostas cinco hipóteses oriendas da literatura que previam que as variáveis latentes das condições favoráveis à inovação em parques tecnológicos influenciariam a inovação das empresas: o construto Serviços de Apoio iria refletir os constructos de Inovação (H1a; H1b; H1c; H1d); Infraestrutura Física iria influenciar os constructos de Inovação (H2a; H2b; H2c; H2d); Redes de Relacionamento entre Empresas iria refletir a os construtos de Inovação (H3a; H3b; H3c; H3d); Redes de Relacionamento entre Empresas e Universidades iria influenciar os construtos de Inovação (H4a; H4b; H4c; H4d) e os construtos de Inovação iriam influenciar o Desempenho Organizacional (H5a; H5b; H5c; H5c).
Os índices de significância encontrados entre Serviços de Apoio e as Inovações foram parcialmente significativos, sendo que a relação com a Inovação de Processo foi marginalmente significativa e com a Inovação de Marketing foi significativa. A Inovação de Produto e a Inovação Organizacional não foram afetadas significativamente pelos Serviços de Apoio que os parques tecnológicos brasileiros oferecem as empresas neles residentes. Este resultado ressalta que provavelmente as inovações de produto e organizacional são mais correlatas a características internas das empresas (DAMANPOUR, 1991; DAMANPOUR; ARAVIND, 2011; VOLBERDA; VAN DEN BOSCH; HEIJ, 2013) enquanto as inovações de processo e marketing possuem maior influência dos serviços de apoio especializados que os parques tecnológicos oferecem (BELLAVISTA; SANZ, 2009; CANTÙ, 2010; EUROPEAN COMMISSION, 2007; FIGLIOLI; PORTO, 2012; HANSSON; HUSTED; VESTERGAARD, 2005; LINDELÖF;
LÖFSTEN, 2004; VAN DIERDONCK; DEBACKERE; RAPPA, 1990; VEDOVELLO; JUDICE; MACULAN, 2006; YLINENPÄÄ; PH, 2001). Isso reforça a importância dos serviços de apoio realizados por agentes externos para facilitar o processo de inovação dentro das empresas residentes nos parques tecnológicos (VOLBERDA; VAN DEN BOSCH; HEIJ, 2013) proporcionando acesso a recursos que provavelmente muitas das empresas não teriam acesso (BARNEY, 1991) se não residissem no parque tecnológico e com um menor custo de aquisição (WILLIAMSON, 1979). Os resultados da pesquisa qualitativa também ajudam a suportar este resultado.
Quanto às relações propostas entre o constructo Infraestrutura Física com as Inovações, todas as relações foram significativas demonstrando que o uso das infraestruturas físicas dos parques tecnológicos influência positivamente a inovação desenvolvida pelas empresas (BELLAVISTA; SANZ, 2009; CANTÙ, 2010; EUROPEAN COMMISSION, 2007; FIGLIOLI; PORTO, 2012; MOUDI; HAJIHOSSEINI, 2011; RADOSEVIC; MYRZAKHMET, 2009; RAGHAVAN, 2005). Tal resultado indica que quanto mais as empresas utilizam as infraestruturas físicas que o parque oferece, maior são os seus resultados em termos de inovação, ressaltando as premissas teóricas citadas anteriormente nesta tese. Esta dimensão proporciona um ambiente mais adequado para a empresa gerar ou adotar uma inovação (VOLBERDA; VAN DEN BOSCH; HEIJ, 2013), pois ela possui acesso a recursos específicos importantes (BARNEY, 1991) com um menor custo de transação (WILLIAMSON, 1979). É importante ressaltar que este foi o único construto que ainda não representa índices robustos de mensuração (AVE = 0,486 e Alfa de Cronbach = 0,633) e ainda precisa ser melhor explorado, mas como é um construto novo pode ser aceito (HAIR et al., 2009). Provavelmente ele ainda não se comporta adequadamente como os demais, pois ainda pode haver dúvidas por parte dos gestores das empresas sobre quais são as infraestuturas físicas dos parques tecnológicos brasileiros e os benefícios que elas agregam para as empresas.
Em relação ao construto Redes de Relacionamento das Empresas Residentes com outras Empresas com a Inovação, a influência esperada era positiva (DAMANPOUR, 1991; DETTWILER; LINDELÖF; LÖFSTEN, 2006; EUROPEAN COMMISSION, 2007; MOUDI; HAJIHOSSEINI, 2011; RADOSEVIC; MYRZAKHMET, 2009; SPOLIDORO; AUDY, 2008; VOLBERDA; VAN DEN BOSCH; HEIJ, 2013), porém a identificada foi
negativa, sendo que apenas a relação com a Inovação de Processo foi significativa. Tal resultado demonstra que as empresas residentes nos parques tecnológicos brasileiros pesquisados ainda não estão se valendo da relação com outras empresas para desenvolver suas inovações, sendo que relacionadas às práticas de trabalho, quanto mais se relacionam com as outras empresas, menor é a relação das inovações com tais processos. Outra possibilidade para tal resultado pode ser devido à baixa média de idade das empresas analisadas (7,9 anos), pois empresas mais novas tendem a focar muito nas suas competências em relação ao produto/serviço inicial, possuindo poucas relações com outras empresas devido à pequena estrutura organizacional que dificulta tal relacionamento (DAMANPOUR; WISCHNEVSKY, 2006). Os resultados da etapa qualitativa demonstram que este construto ainda não é muito explorado pelas empresas brasileiras e no futuro se pode ter resultados diferentes.
As relações entre as Redes de Relacionamento das Empresas Residentes em Parques com Universidades com as Inovações não possuíram resultados significativos. Apenas a relação com Inovação de Produto foi negativa, mostrando que provavelmente empresas menores focam mais em competências internas no desenvolvimento deste tipo de inovação (DAMANPOUR; WISCHNEVSKY, 2006; MCDERMOTT; PRAJOGO, 2012). Tal resultado demonstra que as empresas residentes em parques tecnológicos ainda não utilizam de forma incisiva o relacionamento com universidades para facilitar o desenvolvimento das suas inovações. Vale ressaltar que as premissas dos autores sobre as vantagens dos parques tecnológicos como um ecossistema voltado a inovação através da aproximação da academia com as empresas (EUROPEAN COMMISSION, 2007; LINDELOF; LOFSTEN, 2002; MOUDI; HAJIHOSSEINI, 2011; RADOSEVIC; MYRZAKHMET, 2009; VEDOVELLO; JUDICE; MACULAN, 2006) ainda não se fazem presente de forma significativa no contexto brasileiro das empresas pesquisadas de uma forma geral.
No que se refere à influência das Inovações no Desempenho Organizacional, duas relações foram significativas (Inovação de Processo e Inovação de Marketing), demonstrando que estas inovações (mais propícias a inferências do contexto do parque de interações de acordo com os entrevistados na etapa qualitativa) possuem influência no desempenho organizacional. Algo que deve ser levado em consideração é que, muitas
vezes, as inovações de produto e organizacional apresentam resultados no longo prazo (BELDERBOS et al., 2015; VAN DE VEN, 1986; WAARTS; EVERDINGEN; HILLEGERSBERG, 2002) o que também foi sustentado nas entrevistas realizadas com os gestores do Tecnopuc na etapa qualitativa.
Cabe reforçar que o rigor metodológico utilizado para a validação destes constructos foi trabalhado na robustez do método de modelagem de equações estruturais que tem como premissa testar múltiplas relações ao mesmo tempo (HAIR et al., 2009).
Em resumo, o presente trabalho teve por objetivo analisar a influência das condições favoráveis à inovação em parque tecnológicos nas inovações desenvolvidas pelas empresas e também a influência das inovações no desempenho organizacional, e isso foi confirmado através do teste do modelo teórico, através da modelagem de equações estruturais, permeando como um ponto forte o rigor metodológico aplicado e também da confirmação de uma parte das hipóteses estabelecidas. Os desenvolvimentos das novas escalas e as adaptações das escalas de inovação e desempenho organizacional para o contexto utilizado mostrou-se válida e confiável. De forma geral, pode-se dizer que os parques tecnológicos possuem influência nas empresas e que as inovações de processo e de marketing influenciam o desempenho das empresas residentes em parques tecnológicos.