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Historiske diskurser om Groruddalen

In document Groruddalen; Oslos vakreste verkebyll? (sider 70-101)

A construção da capela do Pilar data do início do século XVIII, quando o capitão-mor Antônio Correa de Lemos, sesmeiro das terras da antiga

Caaguassu6

, foi acometido por uma grave doença e, para curar-se, fez uma

promessa à sua Santa de devoção, Nossa Senhora do Pilar7 (CINI, 2005). Apesar de muito debilitado e velho, conta-se que o capitão se recuperou,

comprometendo-se a construir uma capela em louvor à sua salvadora.

Depois de construída e recebida a bênção pastoral, em 1714, algumas famílias se transferiram para os seus arredores. Entretanto, com a morte do capitão, em 1739, o lugarejo do Pilar começou a definhar (CINI, 2005). Ademais, com a chegada da ferrovia e dos primeiros núcleos coloniais no final do século XIX, a maior parte da população se deslocou para os bairros localizados em torno da recém-estação de Ribeirão Pires, e

a pomposa ermida chegou a permanecer abandonada no meio da mata, servindo de abrigo aos animais, por mais de 20 anos. Seu piso interno mostrava sinais de ruína e crateras. Para alcançá-la fazia-se o percurso a pé, partindo-se da estação ferroviária” (CINI, 2005: 52).

O abandono foi interrompido, graças à presença de um fervoroso imigrante católico vindo da Espanha, José Obeda Martins, morador do município de Santo André, cujo sonho era achar uma suposta capela erguida numa pequena cidade do Brasil para a devoção da padroeira de Saragoza: a Nossa Senhora do Pilar.

Meu pai sempre acalentou o sonho e prosseguia suas pesquisas, organizando grupos de pessoas para caminhar entre as vegetações do Bairro de Santa Luzia.

6 As terras onde está localizado o município de Ribeirão Pires foram inicialmente conhecidas como Caaguassu e depois como bairro do Pilar.

7 A origem dessa santa remonta ao encontro da imagem de Nossa Senhora do Pilar por um dos apóstolos de Cristo, provavelmente o apóstolo São Thiago, às margens do Rio Ebro, na cidade de Zaragoza, na Espanha (CINI, 2005).

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Eles vinham a pé desde a estação ferroviária de Ribeirão Pires. (...) Até que um dia, no começo da década de 30, finalmente ele chegou até o local, encontrando a Igreja abandonada, ocupada por animais silvestres da região - ele disse para minha mãe ao chegar em casa: Eu acho que a encontrei!8

Foto (24): Capela de Nossa Senhora do Pilar.

Juntamente com membros de outras famílias do bairro, os Obeda passaram a freqüentar o local com diversos colaboradores que, munidos de ferramentas para restaurar a capela, tão logo concluíram as primeiras tarefas, conclamaram a vinda do padre para celebrar a missa (CINI, 2005). O trabalho de recuperação era realizado por todos, possibilitando novas amizades e

namoros que se tornavam casamentos sólidos9.

Na época, vínhamos em cima da caçamba do caminhão, nós brincávamos e saudávamos as pessoas que passavam na rua durante o trajeto, nas mãos

8 Irani Obeda, filha de José Obeda, entrevista realizada em 1-5-2006.

9 É comum nas festas religiosas, concebidas como um espaço sagrado, recriar o profano com espaços de socialização, em que muitas vezes se iniciam os namoros (SAVOLDI, 2002).

carregavam-se pesadas malas com lanches, (...) não existiam as barraquinhas de hoje, as crianças ficavam brincando, a gente fazia piquenique e passávamos o dia inteiro aqui. As árvores eram nossas barracas e a mata nosso banheiro”10.

Foto (25): Interior da Capela de Nossa Senhora do Pilar.

Ruth, moradora de Santo André, recorda que seu marido, proprietário de uma empresa de peças de cerâmica em Mauá, sempre conduzia um caminhão para o piquenique no Pilar Velho, a pedido dos funcionários:

“Era muito gostoso, quando eu era criança ficava na janela do caminhão contando quantos caminhões passavam, todos vinham a pé ou de caminhão, não havia carros”11.

Segundo CINI (2005), essas romarias experimentaram um significativo

crescimento, a partir da década de 1940, aumentando cada vez mais o número

10 Oswaldo Fantinatti, genro de José Obeda, entrevista realizada em 1-5-2006. 11 Ruth Viola, entrevista realizada em 1-5-2006.

112 de devotos de Nossa Senhora do Pilar12. Com o tempo, as barraquinhas de

pipoca e doces apareceram ao redor da capela, assim como danças e apresentações de grupos da região (catira, congada e moçambique). Conseqüentemente, as demandas por pequenas melhorias foram surgindo, motivo por que a prefeitura começou a organizar a festa.

Começaram a terraplanar cada vez mais para dentro da mata, construíram a escadaria de acesso à capela. Cada prefeito ia adotando uma postura diferente em relação a ela, cada um com sua arte... algum tempo atrás, até caminhão de bombeiros trazia a santa”13

Na década de 1990, as pessoas já não vinham mais em cima das caçambas, e os shows de famosos artistas foram substituindo ano a ano os piqueniques e as pequenas apresentações musicais. Em 1997, a prefeitura considerava a festa descaracterizada e voltada totalmente para o comércio. Por isso, percebeu a necessidade de retomar suas raízes e transformá-la num dos chamarizes para o turismo na cidade. Para tanto, se fez uma pesquisa histórica, e, ao final, se descobriu “a verdadeira caracterização da festa de

Nossa Senhora do Pilar“14. Dois anos mais tarde, Pilar velho recebia mais de

cem mil pessoas durante os seis dias de comemorações “em que foram promovidos espetáculos de danças regionais e entoados cânticos, tornando

legítima e verdadeira a comemoração”15.

Em reportagem publicada pelo Diário do Grande ABC de 30 de abril de 1999, Cícero Sebastião, morador de Ribeirão Pires, chamava a atenção, porém, para uma sensível mudança no modo de vivenciá-la:

12 Em 1968, a capela do Pilar Velho passava a fazer parte da divulgação turística do Estado. A iniciativa nasceu da ida de um grupo de estudantes até a Secretaria de Turismo do Estado. Em 1970, publicaram-se dados relativos às principais capelas de interesse histórico no interior paulista. Um ano mais tarde, o então prefeito Antônio Simões, pelo decreto 976, de 19 de fevereiro de 1971, declarou a capela bem de utilidade pública, a fim de serem adquiridas por desapropriação as áreas situadas no entorno, destinadas à preservação histórica e ao turismo. Em 24 de abril de 1975, José E. Mindlin, secretário da Cultura, Ciência e Tecnologia, assinava a resolução tombando a igreja de Nossa Senhora do Pilar, ou capela do Pilar Velho, como patrimônio histórico (MÉDICI, 1996).

13 Irani Obeda, filha de José Obeda, entrevista realizada em 1-5-2006. 14 Fonte: PMRP -

Guia de Negócios da Estância Turística de Ribeirão Pires, junho de 2000. 15 Fonte: PMRP - Guia de Negócios da Estância Turística de Ribeirão Pires, junho de 2000.

O ponto alto do culto religioso é a procissão que acontece pela manhã e inclui a missa campal celebrada pelo cardeal emérito de São Paulo. Eu sempre acompanhava a procissão e assistia às missas, juntamente com minha mulher; hoje, porém, como forma de aumentar a renda, venho para trabalhar” (Diário do

Grande ABC (DGABC), 30-4-1999).

Na mesma matéria, a comerciante Estelina Cândido, moradora de Suzano,

que havia 20 anos deixava sua cidade para comercializar lanches, observou que a chamada popularização excluía elementos que até então faziam parte do

universo das celebrações:

Nas primeiras vezes da festa, todo este aparato comercial não existia, as barracas eram bem pequenas, tinha inclusive um senhor bem velhinho que vinha até aqui vender pipocas em um carrinho de mão. Os shows também eram feitos em palco improvisado e aconteciam apresentações de grupos de congados e catira”

(DGABC, 30-4-1999).

Já para Braz Soares Ferreira, morador de Ribeirão Pires, a turistificação representava uma guinada no modo tradicional de conduzi-la, pois a divulgação e a preparação estavam voltadas para fora da comunidade:

Vários cantores caipiras passavam por aqui, como Pedro Bento, Zé da Estrada, Tonico e Tinoco, Nhá Balbina; da velha guarda, a única que participa é Inezita Barroso, a festa do Pilar é grandiosa e espetaculosa demais hoje, mas é apenas sombra daquilo que acontecia no passado” (DGABC, 30-4-1999).

Atualmente, para quem chega ao alto do morro do Pilar Velho, a impressão é de que a cidade não está vivendo uma festa religiosa16, mas uma feirinha, tanto por causa do isolamento do bairro quanto pela ampla quantidade

16 Estranho o fato de que em 2006 só havia uma barraca de artigos religiosos, vendendo imagens de vários outros santos, menos as da Nossa Senhora do Pilar - a dona da barraca disse que no próximo ano teria as imagens, porque a prefeitura ainda não havia disponibilizado as fotos ampliadas da santa.

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de barracas que vendem desde “cds piratas” aos bonecos do Bob Esponja. O

espaço é uma terraplanagem cercada no meio da Mata Atlântica. A poucos metros dos primeiros lances de escada está localizada a capela, cercada por barracas que se estendem pelos fundos até o palco para a realização de shows. Algumas barracas são mais bem estruturadas (quiosques), outras contam somente com a armação e a lona. Durante o dia, quase não há movimento, apenas no começo da noite aparece um considerável público, na maioria jovens de Ribeirão Pires e de cidades vizinhas, com exceção do último dia (1° de maio) cujas celebrações atraem grupos re ligiosos e corais da região17.

O material promocional da 70ª Festa de Nossa Senhora do Pilar18 trazia

impresso em letras garrafais o seguinte trecho: “shows diários-apresentação de

dança, artesanato e barracas de comidas típicas”. No entanto, como discurso e

realidade dificilmente se confundem, o artesanato e a comida típica foram substituídos por cachorros-quentes, refrigerantes, cervejas, espetinho de carne,

hambúrgueres industrializados, crepes, cds piratas, bonés e bonecos

contrabandeados. Aliás, grande parte dos que fizeram o comércio local não eram do município, mas “barraqueiros de carreira”19 (ambulantes), alguns do

interior do Estado, outros da baixada santista, Diadema, Mauá, inclusive, do Estado do Mato Grosso.

De acordo com CACCIAMALI (2000), os ambulantes são trabalhadores informais tradicionais que vivem de sua força de trabalho, vendendo artigos de consumo mais imediato, como alimentos, vestuários, calçados, produtos importados, etc. Geralmente, se inserem nas atividades que requerem baixa capitalização, buscando obter uma renda para consumo individual e familiar.

Havia também trabalhadores contratados temporariamente por empresas ligadas a este tipo de festa, como a Festeiro: “Eu sou de Mato Grosso do Sul,

17 Apesar de a programação contar com variadas apresentações que abrangiam todo o dia, no período da manhã e da tarde dos três primeiros dias (28, 29, 30 de abril, 2006) quase não houve público.

18 70° Festa de Nossa Senhora do Pilar, de 28 de abr il a 1° maio de 2006.

19 “Barraqueiro de carreira” era como se autodenominavam os ambulantes que faziam o comércio da festa. Constatou- se que muitos desses “barraqueiros” percorrem um circuito de festas pelo Brasil, alguns são informados por gente que já trabalhou na festa, outros recebem ou compram o ponto.

aqui na festa fui contratada por uma empresa de eventos, que já tem quatro

pontos, mas há muitos que são por contra própria mesmo” (Ana Luiza20,

residente do Estado de Mato Grosso).

Por conseguinte, percebe-se que, no universo das relações de trabalho da festa, houve duas situações de informalidade21, sempre adotando a categorização de CACCIAMALI (2000), que variavam segundo o grau de precariedade. Os ambulantes podiam ser classificados como os menos instáveis, porque tinham o mínimo de conhecimento profissional e os meios de

trabalho, enquanto os recrutados, cujos rendimentos ficavam circunscritos aos serviços prestados, estavam em situação de maior precariedade.

Foto (26): Festa do Pilar.

20 Neste trabalho os nomes dos entrevistados são fictícios.

21 O conceito de informalidade abrange uma diversidade de situações que inclui tanto as atividades informais tradicionais quanto novas formas de trabalho precário, por isso mesmo, tentativas de especificação estão sempre sujeitas ao erro. Embora houvesse outras situações de informalidade na economia da Festa de Nossa Senhora do Pilar, das 14 entrevistas realizadas, 7 trabalhadores podiam ser enquadrados na categoria de ambulantes, 5 contratados temporariamente, e 2 que combinavam trabalho regular com o ocasional, praticando os chamados bicos.

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Foto (27): Ambulante no comércio local da Festa de Nossa Senhora do Pilar.

Foto (29): Festeiro.

Vendia-se em quase todas as barracas o mesmo produto, sessenta ao todo, fato que, para alguns da área de alimentação, acabava concentrando as vendas nos quiosques maiores e mais bem estruturados: “pela falta de

variedade, tentamos entre nós barraqueiros repartir os clientes” (Clara,

moradora de Santos). Esse contexto esboça a fala de NORONHA (2003), quando afirma que a informalidade depende de redes sociais, já que sem “elos comunitários”, os contratos informais não seriam possíveis:

O controle de um grupo sobre determinadas atividades informais, encontradas em muitas cidades do mundo, é um bom indício de que mecanismos sociais são requeridos para selar contratos informais. Sem a lei ou outros contratos formais de compromisso (por exemplo, acordos coletivos) as identidades culturais são a base da confiança mútua, evitando situações hobbesianas de mercados” (NORONHA, 2003:116).

Em matéria publicada pelo Diário do Grande ABC22, afirmava-se, em tom

amistoso, que todos os valores recebidos pelos aluguéis das barracas seriam

118 revertidos em obras sociais para a paróquia local, Igreja Santa Luzia. Porém, ao contrário do divulgado, houve uma disputa entre a administração municipal e a Igreja pela organização da festa, que envolvia o espaço para a distribuição

dos pontos de venda23, de modo que a prefeitura passou a cuidar somente da

infra-estrutura, do policiamento e da divulgação. E mais, como a Igreja havia repassado os pontos para uma empresa de eventos, esta acabou priorizando os barraqueiros de carreira, em detrimento dos vendedores locais24.

“Nos últimos anos, houve uma disputa entre a prefeitura e a Igreja pelo controle do espaço e das atividades. O recente padre pronunciou a respeito de o espaço ser da Igreja, cabendo à prefeitura só o apoio (...), não há mais os shows de três anos atrás (...) enquanto o festival do chocolate, este sim, organizado inteiramente pela Prefeitura conta com grandes shows”25

(Marcos, morador de Ribeirão Pires).

A maioria dos ambulantes se sentia traída pela organização do evento. Sem muito exagero, a paisagem que se podia contemplar durante o dia era sempre a mesma, mesclando barracas ainda cobertas de lona e um vai-e-vem de pessoas, entre uma conversa e outra.

Ficamos aqui de papo para o ar, não há uma só alma, somos obrigados a estar aqui desde manhã” (Ana,

moradora de Ribeirão Pires).

É escusado dizer que a dificuldade em pagar o débito ao credor do ponto tornou-se regra, pois muitos, em razão de um faturamento quase inexistente, nem sabiam por onde começar, visto que, provavelmente, a dívida se arrastaria ao longo do ano, avolumando-se no circuito de festas.

23 Funcionário da secretaria de cultura da Prefeitura Municipal da Estância Turística de Ribeirão Pires, entrevista realizada em 29-4-2006.

24 Conforme depoimentos coletados no Festival do Chocolate, em 29-7-2006, alguns artesãos manifestaram o interesse de expor na festa de Nossa Senhora do Pilar: “Eu tenho interesse, mas lá as coisas são muito fechadas e quando a gente liga já acabaram as vagas. Antes quando era direto pela prefeitura havia mais chances, era mais fácil” (Elaine , artesã).

25 Além da querela entre a igreja e a prefeitura, por meio dos depoimentos, constatou-se que a concorrência com o Festival do Chocolate também foi um dos motivos da queda de prestígio da festa por parte da administração. Por exemplo, na Missa Campal realizada no último dia (1-5-2006), o padre José Silva chamou a atenção do prefeito Clóvis

“Começou ontem à noite a festa, e logo de manhã ele passa cobrando. Eu não sei como vou fazer para pagá-lo do jeito que está”. (Ana, moradora de Ribeirão

Pires).

Eu aluguei este espaço por R$ 750,00, mas até agora faturei R$ 18,00... Como vou saldar minha dívida?” (Clara, moradora de Santos).

“Eu não vendi nada até agora, inclusive a venda de certos produtos é monopólio de quem terceirizou, se eu quero comprar bebida de outra marca eu não posso”.

(Lúcio, morador de São Paulo).

Foto (30): Pouco movimento durante o dia na Festa de Nossa Senhora do Pilar.

Por fim, pelo exposto, como qualificar a Festa de Nossa Senhora do Pilar, com base em suas dimensões materiais-econômicas? Pela sua funcionalidade, para que se efetivassem a circulação e o consumo das mercadorias industrializadas, o evento poderia ser considerado mais um entre os mecanismos do capital “que tem uma força de trabalho virtual que só é acionada no ato da comercialização, no momento em que a circulação se faz

Volpi, quando este subiu ao palco, com a seguinte frase: “espero que o prefeito traga um pouco mais de chocolate para a nossa festa o ano que vem”.

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presente” (OLIVEIRA, 2006a: 71). Mas isso não é tudo, porque por trás da

informalização das relações de trabalho que pautava o comércio local, o espaço do evento também era um microcosmo de exploração, que envolvia desde a empresa encarregada de comercializar os lotes, até moradores que, por influência na prefeitura, não se sabe como, conseguiam pontos de venda com maior facilidade, para depois revendê-los.

Quem lucra aqui é quem terceiriza, essa empresa de Poá comprou o direito de explorar o espaço, depois loteou como bem quis. Só o parque de diversões foram sete mil reais, as barracas de alimentação variam de 750 reais a 800 reais, há também aqueles que compram o espaço e revendem especulando para os barraqueiros, outros alugam mais lotes e colocam gente para trabalhar, e inclusive há vendedores antigos que, quando a prefeitura abre as inscrições, logo conseguem o ponto para especular na véspera da festa (Ana,

moradora de Ribeirão Pires).

Tudo isso se soma e não substitui as velhas formas de pobreza. O resgate ao laborioso colono de antanho, como estímulo para o futuro empreendedor, reapareceu na festa de Nossa Senhora do Pilar em forma de comédia prevista por MARX, uma vez que tanto um quanto o outro passaram/passam sua vida trabalhando para produzir a riqueza de outrem. Mas, não é esse o real sentido da atividade turística, muitas vezes, renovando a possibilidade de enriquecimento de “novos” velhos senhores? O certo é que, na tradicional festa do dia 1° de maio (Dia do Trab alho), a corda de negociatas arrebentou justamente no ponto em que está pendurada mais da metade da população brasileira que, nos dias de hoje, não tem outra opção senão correr desesperadamente para agarrar a outra ponta.

Se a promessa de geração de renda e emprego na Festa do Pilar cedeu lugar para o endividamento, exploração e informalização das relações de trabalho, resta, ainda, investigar quais seriam as conseqüências daquela que é considerada a principal vitrine para o incentivo ao empreendedorismo local.

Como dito alhures, a investigação, deste ponto em diante, prossegue somente pelas dimensões econômicas do Festival do Chocolate.

In document Groruddalen; Oslos vakreste verkebyll? (sider 70-101)