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Outro exemplo desse vínculo entre as três entidades musicais aparece quando ocorreu o I Congresso Nordestino de Música, realizado em 1949, pela Sociedade de Cultura Musical e pelo Conservatório Paraibano de Música. Nesse evento, o primeiro a ser realizado na Paraíba, de porte nacional, a Escola Santa Cecília teve destaque especial cabendo a mesma vários números musicais no evento:

Da programação artística foram levadas a efeito diversas festividades, entre as quais uma audição de piano da Escola de Música Santa Cecília, dirigida pela professora Zulmira Botelho, uma audição do orfeão do abrigo Jesus de Nazaré, uma conferência a cargo de frei Marcelo Gercken sobre o conceito de beleza na arte, uma audição de ‘SCHOLA CANTORUM’, do seminário sob a direção do maestro Batista de Queiroz e uma audição do orfeão do Colégio Marista do Recife, dirigido pelo irmão Afonso House, sob a batuta do prof. Miguel Barkokebas.[...] A programação artística do segundo dia, 4 de setembro, abriu com o brilhantismo apresentado pela Escola de Música Santa Cecília, dirigida pela professora Zulmira Botelho. Esse estabelecimento de ensino musical alcançou o mais vivo sucesso. Várias alunas participaram dessa exibição de arte, destacam-se as Srtas. Joria Toscano, Marta Cavalcanti, Joseria

Toscano, Zélia Meira de Menezes, Terezinha Miranda e Nurcia Kerbrie. [...] Encerrando a programação artística do dia, teve lugar audição de piano executada pela Escola de Música Santa Cecília, que mais uma com incontestável êxito, com a participação das alunas: Terezinha Miranda, Joria Toscano, Joseria Toscano, Maria Marta Cavalcanti, Selma Lins e Maria Nurcia Kerbrie. (OLIVEIRA; LIMA; MORAIS, 2012, p.128-130).

Destacando-se a qualidade dos recitais realizados pela Escola Santa Cecília, logo, a excelência no ensino desenvolvido pela escola nos eventos supracitados, mencionamos a nota no jornal A União, na sessão de Notas de Artes de 17 de setembro de 1949, que atestava a participação honrosa no I Congresso bem como entre outros eventos de música da cidade. Nesse sentido, fica-nos claro a importância que tiveram as escolas particulares durante esse processo de transição e ao mesmo tempo de coexistência entre o funcionamento de escolas particulares, que normalmente funcionavam na casa do/a próprio/a professor/a e a escola particular institucionalizada e, em alguns momentos, até subvencionada pelo poder público. Ocorreu, portanto, nesse período uma efervescência cultural, ou melhor, um movimento musical na Paraíba que até então ainda não havia se processado, especialmente na cidade de João Pessoa.

Mas, como ia dizendo: este fim de ano está sendo muito musical. Senão vejamos: No dia 26 teremos a visita da pianista Isabel Mourão, que vai nos oferecer uma hora de arte no SANTA ROSA, sob o patrocínio da SOCIEDADE DOS AMIGOS DA MÚSICA. No dia 30, Escola de Música ‘Santa Cecília’ realizará mais uma audição de piano em homenagem à memória de Frederico Chopin; no mês vindouro, esta mesma Escola repetirá a audição do dia 30; surgirá depois a ESCOLA DE MÚSICA ‘GUIOMAR NOVAIS’ levando a efeito dois recitais; no dia do centenário chopiniano, a Escola de Música Antenor Navarro dará a segunda audição com os seus alunos. (OLIVEIRA; LIMA; MORAIS, 2012, p.124-125).

Oliveira; Lima; Morais, (2012) destacaram ainda em seu livro uma crônica publicada no jornal A Imprensa, de 11 de setembro de 1949, no qual as qualidades da professora Zulmira Botelho e de suas alunas foram exaltadas. Acompanhemos:

[...] Os componentes do Conservatório de Música da Paraíba, estão assim de muito parabéns, pela coragem da realização do Congresso. Munido de um convite permanente, tive o ensejo de assistir algumas das sessões plenárias e recitais, entre eles, o de piano da Escola de Musica Santa Cecília, dirigida pela professora Zulmira Botelho. Essa exímia preceptora, deve estar hoje bem satisfeita e tranquila, pelo êxito obtido por suas alunas, salientando-se os números executados pela senhorinha Maria Marta Cavalcanti, que muito honra a escola Santa Cecília e o Conservatório, podendo exibir-se em qualquer meio culto artístico, pela sua competência e maestria com que executou as partituras que lhe foram confiadas, provando ser uma artista apaixonada e que sabe dominar o piano [...].(OLIVEIRA; LIMA; MORAIS, 2012, p.134-135)

Apesar dos parcos documentos, importa pois, considerar a importante colaboração da professora Zulmira Botelho na efervescência cultural em João Pessoa na década de 1940, não só efetivada a partir de sua Escola Santa Cecília, mas também, na amistosa relação de trabalho com a Sociedade de Cultura Musical e o Conservatório Paraibano de Música. Este foi, provavelmente, o caminho trilhado que tornou possível a concretização da institucionalização do referido Conservatório, e de uma proposta de ensino inovadora do ponto de vista social, uma vez que essa instituição preocupou-se em dar acesso ao estudo da música a uma parcela da sociedade antes nunca contemplada. É, pois, com o Conservatório Paraibano de Música que surge a primeira entidade de ensino musical gratuito na Paraíba preconizando o acesso a educação pública que a UFPB viria a ofertar anos mais tarde74.

74

Em 1986, quando chegamos à Paraíba, o curso particular de piano de Osiris Botelho funcionava em frente da Caixa Econômica Federal no centro da capital. Este curso, ao que tudo parece, Curso de piano Mario Mascarenhas, adotava entre os principais métodos de ensino, os métodos de piano de Mario Mascarenhas e funcionou durante muitos anos formando diversas gerações. Tanto é, que até hoje, quando se fala em piano, ouvimos referências à professora Osiris Botelho. O que nos chama a atenção neste episódio é o sobrenome de Osíris, teria a professora algum parentesco com Zulmira Botelho?

PARTE III

O ENSINO DE PIANO NAS ESCOLAS

ESPECIALIZADAS

CAPÍTULO V

A INSTITUCIONALIZAÇÃO DO ENSINO MUSICAL NA PARAÍBA

5.1- Conservatório Paraibano de Música: uma instituição mista

O Conservatório Paraibano de Música (CPM) foi fundado em 15 de junho de 1946, a partir da iniciativa privada de um grupo de jovens idealistas e "amantes" das artes. Anos antes, esse mesmo grupo havia criado, em 05 de novembro de 1943, a Sociedade de Cultura Musical (SCM) que tinha entre suas metas a difusão da música erudita na Paraíba.

Foto 24: Diretoria da Sociedade de Cultura Musical da Paraíba, ano