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5.2 TC5
Todos os métodos dão importância significativa à emissão de CO2 durante a
operação do edifício (o GBC considera também o CO2 incorporado aos materiais). Esta é
claramente uma reação de países de clima frio (com demanda intensa por aquecimento) e/ou com matrizes energéticas baseadas no uso de combustíveis fósseis às metas de
emissões de CO2 estabelecidas no Protocolo de Kioto.
No caso brasileiro, o controle de CO2 durante a operação dos edifícios não é tão
válida, uma vez que a necessidade de refrigeração dos ambientes é muito mais freqüente que de aquecimento; a eletricidade utilizada é, em sua maior parte, proveniente de fontes
hidráulicas (apesar da tendência de alteração de cenário pela implementação de termoelétricas); e apenas uma parcela pequena (apesar da tendência de crescimento) do aquecimento de água provém de combustível fóssil (gás) e o uso de chuveiros elétricos ineficientes é dominante (SILVA et al., 2003b).
No Brasil, a emissão de CO2 durante a produção dos materiais de construção pode
ser preponderante em muitos casos e seria provavelmente mais eficiente implementar medidas de controle durante a produção, como a certificação de materiais e processos
quanto à emissão de CO2, por exemplo (SILVA et al., 2003b).
Em todos os quatro sistemas de certificação estudados há questões abordadas que
consideram as emissões do edifício, principalmente de CO2. No GBTool os quesitos
relativos às emissões de um edifício estão contidos na categoria Cargas Ambientais: • Emissões de gases de efeito estufa por materiais e operações;
• Emissão de substâncias destruidoras da camada de ozônio;
• Emissões de gases com foto-oxidantes;
• Resíduos sólidos;
• Efluentes líquidos;
• Impactos ambientais no terreno e propriedades adjacentes.
Na certificação Green Globes, considerados sob a categoria Emissões, estão os seguintes itens avaliativos:
• Emissões atmosféricas;
• Destruição da camada de ozônio;
• Evitar esgoto e contaminação fluvial;
• Minimização da poluição.
O sistema de avaliação AQUA, o conjunto de créditos “Gestão dos resíduos de uso e operação do edifício” considera não apenas os padrões de emissão constantes no edifício como também as estratégias utilizadas para tratamento e otimização da qualidade desses resíduos, como podemos notar nos itens da certificação listados abaixo:
• Otimização da valorização dos resíduos gerados pelas atividades de uso e operação do edifício;
• Qualidade do sistema de gestão dos resíduos de uso e operação do edifício.
No LEED for Homes, diferentemente das outras certificações o único item especificamente sobre resíduos trata do gerenciamento do lixo produzido no edifício, abordado no item listado:
• Gerenciamento de lixo.
Nessa certificação, o LEED for Homes, a questão das emissões vem sempre agregada às questões de uso de energia e equipamentos, e pode, portanto ser mensurada juntamente com os itens citados na categoria Consumo de Recursos, mas especificamente, os constantes no grupo de créditos Energia e Atmosfera.
Na Tabela 13, exibida a seguir, podemos ver a análise dos itens descritos por certificação, baseada nos critérios de balizamento especificados nas diretrizes metodológicas expostas no capítulo anterior.
Tabela 13: Balizamento dos itens da categoria Emissões.
Créditos da Categoria de Avaliação Emissões
Critérios para balizamento das Categorias dos Sistemas de Certificação Adequação à normatização estudada Aplicabilidad e no contexto brasileiro Pertinência para a determinação de desempenho ambiental Flexibilidade regional GBTool Emissões de gases de efeito estufa por materiais e operações
SIM SIM SIM SIM
Emissão de substâncias destruidoras da camada de ozônio
SIM NÃO SIM NÃO
Emissão de gases que
Tabela 13: Balizamento dos itens da categoria Emissões (Continuação).
Créditos da Categoria de Avaliação Emissões
Critérios para balizamento das Categorias dos Sistemas de Certificação Adequação à normatização estudada Aplicabilidade no contexto brasileiro Pertinência para a determinação de desempenho ambiental Flexibilidade regional Emissões de gases
com foto-oxidantes SIM SIM SIM SIM
Resíduos sólidos SIM SIM SIM SIM
Efluentes líquidos SIM SIM SIM SIM
Impactos ambientais no terreno e
propriedades adjacentes
SIM SIM SIM SIM
Green Globes
Emissões atmosféricas SIM NÃO SIM SIM
Destruição da camada
de ozônio SIM NÃO SIM NÃO
Evitar esgoto e
contaminação fluvial SIM SIM SIM SIM
Minimização da
poluição SIM NÃO SIM SIM
AQUA
Otimização da valorização dos
resíduos gerados pelas atividades de uso e operação do edifício
SIM SIM SIM SIM
Qualidade do sistema de gestão dos resíduos de uso e operação do edifício
SIM SIM SIM SIM
LEED for Homes
Gerenciamento de Lixo SIM SIM SIM SIM
No sistema de certificação Green Globes o item referente a “emissões atmosféricas” tem seu critério de desempenho baseado nas normas da ASME (America Society of Mechanical Engineers), não tendo parâmetros, portanto, aplicáveis ao contexto brasileiro.
Ainda no mesmo sistema de certificação, assim como também no sistema GBTool, o item que versa sobre a “Destruição da Camada de Ozônio”, ou “Emissão de substâncias destruidoras da camada de ozônio”, respectivamente, abordam quase que isoladamente, questões referentes a ambientes climatizados, com sistemas mecânicos de resfriamento e aquecimento, no que se refere a infiltrações de ar externo, diminuições do consumo de energia e distribuição de climatização pelos diversos espaços da edificação. Aqui mais uma vez lembramos que, no Brasil, a climatização mecânica, mesmo que de resfriamento, de edificações habitacionais não é uma prática comum, restringindo-se a residências de alto padrão.
Finalmente no tópico relativo à minimização da poluição advinda do edifício, a despeito de vários critérios inerentes a esse item serem plenamente aplicáveis ao contexto brasileiro, alguns não se aplicam, como por exemplo, a concordância com o código americano “Technical Guidelines for Underground Storage Tank Systems Containing Petroleum and Allied Petroleum Products and Technical Guidelines for Aboveground Storage Tank Systems Containing Petroleum”.