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Higher monoidal injections and diagrammatic E n structures

1.1 Preliminaries

2.1.4 Higher monoidal injections and diagrammatic E n structures

Todas as pessoas entrevistadas mencionaram que, apesar de já conseguirem tocar e cantar, ainda sentem a necessidade de continuar estudando seus instrumentos, e não veem suas vidas sem que a música esteja presente diariamente. Continuar a aprender música faz parte dos planos e projetos musicais futuros dessas pessoas.

De acordo com Fabiana, sua idade a impede de conseguir maiores avanços com a música, mas, ao mesmo tempo que pensa assim, ela se empolga ao acreditar que ainda pode estudar e aprender cada vez mais. De acordo com ela,

eu acho que eu tô velha. Eu não consigo aprender, eu tenho bastante dificuldades na leitura de notas. Então, eu acho que eu vou ter muitas dificuldades. Eu tenho medo de começar e me decepcionar. Mas eu ainda quero tentar [aprender violão], nem que seja de ouvido (Fabiana, entrevista, 19 de novembro, 2013, p. 32).

Para Vânia (Entrevista, 12 de dezembro, 2013, p. 59), que está aprendendo tocar violão, o sonho de estudar música não se completa totalmente, visto que sempre se interessou por outro instrumento: o saxofone. Por isso, incentiva a família para que trilhem esse caminho, ou seja, que aprendam música enquanto jovens, e faz com eles “planos musicais” para o futuro:

As minhas filhas não se interessaram pela música, mas eu queria que elas tocassem alguma coisa, só meus netos é que tocam e têm interesse nos instrumentos. Aí eu até falo para os meus netos para eles irem aprendendo, porque quando eles já tiverem tocando, a gente pode até formar uma banda (Vânia, entrevista, 12 de dezembro, 2013, p. 59).

Vânia também considera que a idade é seu maior empecilho, porém afirma que a vontade de aprender supera essa dificuldade, especialmente quando diz: “Eu quero aprender o instrumento, eu queria ser uma pessoa que tocasse bem mesmo. Sei que eu não vou conseguir por causa da idade, mas tenho muita vontade de continuar a aprender a tocar” (Vânia, entrevista, 12 de dezembro, 2013, p. 59).

Acredita-se que essas ideias vêm, muitas vezes, segundo Câmara (2010), ao encontro da crença na capacidade e no potencial que os idosos têm para aprender música. Além disso, também se acredita na ideia da precocidade da aprendizagem musical, ou seja, quanto mais cedo as pessoas iniciarem sua aprendizagem, mais chances ela terá de desenvolvimento musical.

Marilda (Entrevista, 29 de maio, 2013, p. 46) pensa que, através da música, pode almejar sonhos maiores e vê nisso a importância da presença e do incentivo do professor na sua vida. Ela diz que espera conseguir “fazer uma faculdade de música, de violão”, e que seu professor disse que se ela quisesse, ele a ajudaria. Marilda conclui: “e eu conseguiria passar”.

Vânia, no que se refere aos seus projetos, diz que “a música é tudo” para ela e que tem “muita vontade de aprender”. Sua intenção é “sempre melhorar, estar envolvida com a música, [...] de ir pra frente, de aprender” (Vânia, entrevista, 12 de dezembro, 2013, p. 60).

Dessa forma, pode-se perceber, no caso dos participantes desta pesquisa, que o estudo da música durante a aposentadoria não se limita só a ocupação de um tempo livre. É uma escolha que, por vezes, ficou esperando uma vida toda para se tornar realidade, e que com a aposentadoria pôde se tornar real. Para essas pessoas, esse momento é uma oportunidade para que novas oportunidades possam vir e novos projetos pessoais possam ser empreendidos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesta pesquisa tive como objetivo geral compreender a aposentadoria como um momento para se buscar aprender música. Também busquei entender como as experiências musicais são vividas e compartilhadas com/por pessoas aposentadas, em espaços de ensino/aprendizagem coletivos e/ou individuais, bem como as relações que estabelecem com a aprendizagem musical nesses espaços.

Para isso, foi importante pensar o meu objeto de estudo de maneira ampla, para poder entender as relações estabelecidas por essa categoria social, o aposentado, inserido no contexto da aprendizagem musical.

Anteriormente, eu via o aposentado como um sujeito que possui um tempo maior para se dedicar às atividades de lazer. Porém, com o decorrer da pesquisa, percebi que esse aposentado é um sujeito que passou por um momento de transição, de um mundo estável, relacionado ao trabalho, para outro que está em construção e ressignificação.

Dessa forma, uma cortina se abriu no que tange ao conhecimento e ao desvelamento de peculiaridades relacionadas ao aposentado que, ao adentrar no período da aposentadoria, passa a viver em outro “mundo social” (SCHUTZ, 1979), muito diferente daquele quando estava no trabalho e em sua vida diária, com a família e amigos.

Para a realização da pesquisa, utilizei como método o estudo de caso e a entrevista foi o procedimento adotado para coleta de dados. Nesse momento da pesquisa, passei a buscar por pessoas que já tivessem passado pelo momento da aposentadoria e que estivessem participando de aulas de música. As primeiras entrevistas foram realizadas com pessoas que eu já possuía certo convívio. Porém, com o transcorrer da entrevista, a partir dos seus relatos, percebi que eu conhecia muito pouco daquelas pessoas. Eram histórias de vidas que as definiam melhor, que apresentavam ansiedades vividas no período que antecedia e durante a aposentadoria, e as quais me eram alheias. Assim, o mais importante do desvelamento desse processo, foi entender a importância da aprendizagem musical na vida dessas pessoas.

Algo que me chamou muito a atenção nas entrevistas foi a capacidade que a música tem para preencher a vida dessas pessoas e fazer com que suas

atividades, seu jeito de falar, seus sonhos, passem a “girar em torno” de um objetivo: a participação em grupos musicais.

Tive certo receio de contatar os outros três entrevistados que eu não conhecia. Porém, ao telefonar e combinar esse momento, uma abertura de caminhos se fez, visto que essas pessoas se dispuseram e fizeram com que eu me sentisse parte de suas vidas, pelo menos durante o pequeno tempo em que estivemos juntos. Dessa forma, pesquisar a aposentadoria como um momento da vida para se buscar aprender música, trouxe, como já foi dito, uma ampliação de horizontes jamais imaginada por mim.

Para que isso acontecesse, foi importante buscar um referencial teórico que auxiliasse no entendimento das complexidades desse momento, que subsidiasse a compreensão do ensinar/aprender em espaços coletivos ou não de aprendizagem musical. A educação musical como prática social (SOUZA, 2004), o pensamento da aposentadoria associada ao lazer (DUMAZEDIER, 1994; 1999) e o lazer relacionado com as potencialidades da educação durante a aposentadoria (MARCELLINO, 1987; 1995; 2000; 2002; 2007) foram o suporte teórico para a reflexão sobre o material levantado, a partir das entrevistas.

Assim, movida pelo processo de construção do trabalho, pude compreender como a pesquisa foi se estruturando e se solidificando, bem como fui me familiarizando com as surpresas que apareceram durante esse percurso.

Essa construção se fez muito importante a partir do momento que a leitura dos referenciais teóricos foi se efetivando. Enquanto transcrevia as entrevistas, era como se um grande quebra-cabeças fosse sendo montado, pois percebia nas falas dos entrevistados a ligação com as leituras realizadas. A diferença era pensar esses aposentados em suas relações com a aprendizagem musical nesse momento da vida

Dessa forma, as análises das entrevistas foram me encaminhando para a construção de um contraste entre o sujeito que vivenciou a música antes do momento da aposentadoria, na infância, juventude e vida adulta, em suas muitas possibilidades. Esse adulto, hoje aposentado, tem com a aprendizagem musical objetivos diferentes daqueles anteriores à aposentadoria.

Antes da aposentadoria, suas vidas “giravam” em torno do trabalho e das atividades domésticas que o precediam. Dessa forma, não havia a possibilidade da inclusão de atividades que tivessem como objetivo uma satisfação pessoal. De acordo com essas pessoas, a aprendizagem musical vivenciada agora só foi possível mediante a disponibilidade de tempo que a aposentadoria lhes proporcionou .

A partir do pensamento de Dumazedier (1999), o tempo agora delegado à aprendizagem musical, é um tempo destinado ao lazer, àquelas atividades que são desenvolvidas por vontade própria. Ele ressalta que este momento do lazer, nessa fase da vida, deve ser definido tanto quanto a uma “libertação do trabalho familial, quanto em relação à libertação do trabalho profissional” (DUMAZEDIER, 1999, p. 236).

Assim, após aposentar-se, essas pessoas passaram a disponibilizar mais tempo para que fossem realizadas as atividades com o objetivo de satisfazer seus desejos e necessidades. Ou seja, experiências musicais, individuais ou coletivas, que além de serem motivo de satisfação também cumprem a função de preencher o tempo desobrigado do trabalho.

Portanto, as poucas oportunidades vividas por essas pessoas, tanto pela falta de tempo quanto por outros motivos, como a falta de condições financeiras, ou envolvimento com as tarefas na família para se dedicarem à aprendizagem musical, anteriormente fez com que essa oportunidade seja muito importante em suas vidas.

Percebi durante a pesquisa, tanto nas entrevistas quanto nas leituras realizadas, que essa busca pela aprendizagem musical no momento específico da aposentadoria, faz com que ela seja uma aprendizagem que se estabeleça diferentemente daquela desenvolvida em escolas de música. É um momento de aprender música que leva em conta as características de cada indivíduo, as “bagagens carregadas”, suas expectativas, seus anseios; mesmo porque essas pessoas têm claro o que querem, além de não querer “perder tempo” em atividades que não lhes traga prazer.

A aprendizagem desses aposentados não se trata apenas de compreender uma partitura musical ou conteúdos musicais específicos. Nessa aprendizagem, o aposentado busca encontros, realizações, descobertas que

se darão através da vivência e convivência estabelecida no ambiente de aprendizagem em que participam.

Nesse processo que Brougère (2012) denomina “repertório de práticas”, o aposentado se beneficiará de novos encontros e descobertas que acontecerão a partir de sua própria história de vida. Esses novos encontros farão com que a aprendizagem que acontece ao longo da vida continue estabelecendo conexões com o dia a dia dessa pessoa, o que fará com que a aprendizagem musical adquira outros sentidos nessa fase da vida.

Assim, o ensino/aprendizagem musical será vivido no cotidiano, nas descobertas e também nas socializações envolvidas no aprender música. Esse processo vivenciado na aposentadoria é importante também nos aspectos sociais que envolvem essas pessoas. Para isso, o espaço no qual elas escolheram para que essa aprendizagem aconteça deverá ser um local que lhes permita estabelecer relações sociais perdidas com a aposentadoria. A partir do pensamento de Schutz (1979), é possível compreender que, nesse momento, essas pessoas passam a se reencontrar a partir de um sentimento de pertencimento a um grupo e de ações de compartilhamento de interesses comuns (SCHUTZ, 1979).

Nas entrevistas, percebe-se também que a escolha desses aposentados dos ambientes para viverem a experiência musical é fundamental. Nesses ambientes são tramadas muitas relações, inclusive sendo fundamentais para compor essas experiências.

Essa escolha também será importante quando se pensa em uma aprendizagem coletiva ou individual. Percebe-se que as pessoas que compartilham ambientes coletivos de aprendizagem musical estão atentas para as necessidades do grupo, que, por sua vez, demandam diferentes formas de envolvimento, desde a importância de estudar em casa às realizações do grupo como um todo. Porém, não importa se essa aprendizagem se dá através do instrumento ou da participação em um coral. A forma que essas pessoas relatam sobre os momentos vividos naquele ambiente é fundamental para a compreensão de suas experiências no momento da aposentadoria.

As amizades, as relações estabelecidas com o professor, as apresentações coletivas são momentos enfatizados pelos aposentados

entrevistados. De acordo com eles, a aprendizagem que se dá com o colega ao lado, às vezes, é mais importante do que aquela que se dá mediante a relação com o professor. A troca de experiências musicais e de vida é exaltada por essas pessoas.

As apresentações são momentos importantes em todo o processo de participação e de aprendizagem musical desses aposentados. Nesses momentos, eles se sentem reconhecidos e, por isso também, não deixam de participar do grupo. Portanto, a convivência, as interações vividas no grupo coral são essenciais para a configuração constante das experiências musicais vividas pelos aposentados nos grupos corais.

Quando os relatos se dão em relação às aprendizagens, os entrevistados concordam que quando se trata do ensino do instrumento, ele está muito mais voltado para o estudo individual do que coletivo. A pessoa está mais envolvida com a busca por uma técnica perfeita, independente se a aula é ou não em grupo. No coral, eles parecem não perceber essa busca pelo que “é correto”, pela precisão. Essas são questões importantes que envolvem processos e formas de aprendizagem musical diferentes em ambas as práticas musicais: tocar um instrumento ou cantar em grupo.

Percebe-se que essas pessoas aprenderam música pela forma com que falam sobre música, pelo vocabulário musical presente em seus relatos, pelas relações que estabelecem entre as aprendizagens coletivas e/ou individuais, e outras experiências vividas nos vários ambientes que a música está presente no seu dia a dia.

Assim, a aprendizagem musical, além de ser importante enquanto conhecimento a ser adquirido nessa nova fase da vida, traz consigo o desenvolvimento de alguns aspectos que não estão, essencialmente, ligados a essa aprendizagem. São também “razões sociais” (DIAS, 2011) ou “valores pessoais” (PIKE, 2008) atribuídos às possibilidades da aprendizagem de música na vida dessas pessoas, ou seja, da aprendizagem musical que abre possibilidades ao indivíduo de: realização pessoal; confiança em si mesmo; confiança nas pessoas que eles se relacionam no grupo a que pertencem, nas novas amizades conquistadas e no reconhecimento que se tem de familiares ou de pessoas próximas de que aquele aposentado ainda é uma pessoa produtiva.

Pude perceber com esta pesquisa que a aprendizagem musical deve estar direcionada ao interesse e objetivos daquele indivíduo; que o profissional que está atuando com esses aposentados tem que ter consciência da trajetória daquelas pessoas que estão ali, e que essa aprendizagem está interligada a outros fatores que transcendem o conhecimento musical.

Assim, pensar o aposentado como um sujeito que está passando por um processo de modificação social, e que a música é vista como uma oportunidade para que essa nova inserção social aconteça de forma prazerosa e rica de conhecimento, foi um marco definidor dessa pesquisa.

Acredito que os dados aqui coletados e analisados possam mostrar a riqueza e a complexidade do processo de ensino/aprendizagem musical realizado em ambientes frequentados por pessoas com experiências musicais , mas que adiam seus projetos pessoais para a aposentadoria. Nesse caso, se mantêm dispostas a aprender música e a ressignificar essas experiências na convivência com outras pessoas, nos espaços de ensino/aprendizagem de música.

Assim, acredito que a partir dessas discussões, outras pesquisas possam ser realizadas sobre os processos de ensino/aprendizagem musicais em diferentes espaços, para que se tenha melhor compreensão de outros fatores envolvidos no ensinar/aprender, presentes em ambientes musicais destinados a um público específico, para que cada vez mais se conheça as possibilidades da aprendizagem musical em qualquer fase da vida.

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