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Braided injections and double loop spaces

1.1 Preliminaries

2.1.1 Braided injections and double loop spaces

As pessoas aposentadas buscam, nessas atividades, primeiramente, uma nova aprendizagem que os fará se sentir produtivos; segundo, idealizam a conquista de um novo convívio social; e, terceiro, consideram importante o reconhecimento daqueles que vivenciam esse momento da aposentadoria, como é o caso da família.

Para essas pessoas que participam dessas atividades musicais, coletivas ou individuais, o reconhecimento familiar se torna bastante expressivo, visto que é uma forma de poderem mostrar o quanto ainda são

capazes de continuar uma vida de produtividade, nesse caso, com capacidade para aprender.

Zilda (Entrevista, 20 de maio, 2013, p. 4) fala desse sentimento que passou a ter depois que começou a participar do coral. Comenta que ela e a irmã, que participam do mesmo grupo coral, se sentem as “artistas da família”. Nas apresentações do coral, Zilda considera muito importante a presença da família e afirma que a primeira atitude que tem ao estar no palco é procurar e achar seus filhos, parentes e amigos (p. 9).

Fabiana (Entrevista, 25 de maio, 2013, p. 21) também conta como a família dela a apoia e a incentiva a participar do coral, já que é uma atividade que tem contribuído muito para o seu bem-estar. De acordo com ela, eles “acham o máximo”, acham que ela “é uma estrela”. Contudo, afirma que ainda precisa melhorar muito, porque se considera muito dispersa e que tem algumas dificuldades para aprender a melodia. Mas, sua família a incentiva bastante, vão às apresentações, a encorajam e “têm o maior carinho com o coral” (Fabiana, entrevista, 19 de novembro, 2013, p. 32).

Sobre isso, de acordo com Marilda, esse reconhecimento, a partir de um elogio, faz bem para essas pessoas. Ela diz que:

É muito bom. A gente se sente muito bem. É bom pra mim tanto quanto pra minha família. Então, a gente se sente orgulhosa e isso me faz muito bem. E o coral nas apresentações leva amor, a arte, a cultura pra muitas pessoas (Marilda, entrevista, 25 de novembro, 2013, p. 52).

A família de Marilda (Entrevista, 29 de maio, 2013, p. 42) também a prestigia indo às apresentações. Além disso, se sente muito satisfeita quando comentam com outras pessoas que ela participa de um coral, e, como forma de incentivá-la, ouvem o cd que o coro em que participa já gravou. Marilda diz que tem a sensação de que é reconhecida, porque acha que é “um status” participar do coral, e que faz parte dele, “porque as pessoas valorizam isso” e ela se sente valorizada.

Fernando (Entrevista, 17 de dezembro, 2013, p. 66) diz que se sente muito feliz em participar das apresentações com seu coral e também por tocar o seu violão. De acordo com ele, quando as pessoas o reconhecem tocando ou cantando, há um sentimento de muita felicidade. Ele conta que um dia uma

senhora da hidroginástica veio lhe dizer que viu uma apresentação dele no Teatro Municipal e que ela achou muito bonita , pois isso o deixou “muito feliz”. Fernando acrescenta ainda que esse reconhecimento é muito importante em sua vida, e que por isso não deixa de participar de nenhuma das atividades propostas para aquele grupo.

Na entrevista de Ângela, percebe-se que os pequenos gestos familiares são importantes para sua própria satisfação, por estar aprendendo. De acordo com ela,

a família incentiva, mais diretamente o marido e os filhos que a incentivam. Eles não têm muita paciência para parar e me ouvir tocando, mas meu filho mais novo para ouvir, me ajuda em alguma dúvida que eu tenho. O mais velho de vez em quando aplaude quando passa, mas eu ainda estou aprendendo. Então, ainda não dá para mostrar o que eu estou tocando (Ângela, entrevista, 19 de dezembro, 2013, p. 76).

Ângela ainda salienta como a música está lhe ajudando a se expressar melhor e é importante também porque tem oportunizado a ela mostrar aos outros a sua capacidade:

Outro dia eu até tentei postar na internet eu tocando uma música para o meu irmão. Isso porque, por mais que ele consegue ir na internet e ouvir a música, eu queria que fosse eu tocando pra ele. [...] Era o aniversário dele, aí eu pensei: “_O que eu posso dar pra ele estando tão longe?”. Aí eu pensei que uma música, através da letra, eu poderia passar uma mensagem pra ele, uma mensagem que falasse daquilo que ele estava passando naquele momento. Então, é para isso que eu quero aprender, para o meu prazer e também para ajudar alguém, de alguma forma, através da música (Ângela, entrevista, 19 de dezembro, 2013, p. 76).

Para Zilda (Entrevista, 20 de maio, 2013, p. 4), mostrar o que ela aprendeu se torna importante para ela mesma. Nas reuniões familiares, ela diz que faz questão de levar o teclado e tocar para a família e os amigos, para que possam presenciar suas conquistas e seu crescimento. Considera também que essas apresentações servem para que a família se reúna e se distraia, a partir da música que ela tem aprendido.

Nesses encontros familiares, Zilda tem prazer em tocar para a família e também os familiares pedem para que ela toque. Assim, esses momentos são

importantes para estarem juntos e se tornam uma oportunidade para mostrar o que ela tem aprendido no coral e nas aulas de teclado.

Zilda ainda acrescenta que acha importante mostrar às pessoas que, apesar da sua idade, de já estar aposentada, ela é capaz de aprender, e o que é “mais difícil”: aprender uma música. Por isso, ela se sente importante, sente que não é uma simples avó que “faz coisinhas gostosas, que brinca, que rola no chão, mas também uma avó artista que toca, que canta, porque não é toda avó que faz isso” (Zilda, entrevista, 25 de novembro, 2013, p. 17).

Além dos filhos que estão por perto e que sempre se encontram, Zilda também tem um filho que não pode prestigiar as apresentações em que participa por morar em outra cidade. Ela diz que, mesmo assim, ele a incentiva a distância. Seu grupo tem DVDs gravados e, segundo ela,

quando tem algum novo ele sempre leva. E ele sempre me manda mensagem. Agora mesmo no ano novo ele me mandou uma mensagem com feliz ano novo e tal tal... e disse que: “_Nesse ano que você continue cantando e encantando” (Zilda, entrevista, 20 de maio, 2013, p. 7).

Já Fernando (Entrevista, 17 de dezembro, 2013, p. 65) menciona que o reconhecimento, muitas vezes, não precisa partir apenas da família. Pode vir do professor, mesmo durante as aulas, quando ele percebe que ele aprendeu algo e faz algum comentário.

Assim, a participação em atividades musicais está ligada também a uma aceitação de uma condição que essa pessoa agora está vinculada, que é a de aposentado. Porém, não é aquele aposentado que se torna inativo, mas sim aquele que busca, nesse momento da vida, uma chance de abrir seus horizontes e adquirir um novo conhecimento.

Portanto, serem reconhecidos pelas pessoas que vivem à sua volta, como o professor, o regente e a família, é importante para esses aposentados. O fato de estarem envolvidos no ensino de música faz com que uma nova aprendizagem, que se iniciou após a aposentadoria, seja a oportunidade para que novas/outras interações aconteçam, para que se sintam produtivos e para que a situação de aposentado não faça com que as relações sociais e o desenvolvimento de novas habilidades se estanquem em suas vidas.