HINFRA: HIERARCHICAL NEURO-FUZZY LEARNING FOR ONLINE RISK ASSESSMENT
2. Neuro-Fuzzy Risk Assessment Model 1 Fuzzy modeling of risk
3.1 Hierarchical neuro-fuzzy modeling
Em torno do filósofo e sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman (n. 1925): a “leitura” muito interessante (“thought-provoking” mesmo) de Bauman em relação a aspectos fundamentais da cultura contemporânea. Por exemplo, qual é a diferença entre uma comunidade (presencial) e uma rede (digital)? Por que é que a segurança e a liberdade constituem um par nunca totalmente conciliável na comunidade humana?
Querem explorar mais? Escutar, então, as palavras deste autor de Amor líquido, Sobre a fragilidade dos laços humanos e A vida fragmen- tada, Ensaios sobre a moral pós-moderna, entre muitos outros títulos:
• “Sobre os laços humanos, redes sociais, liberdade e segurança”: <https://www.youtube.com/watch?v=LcHTeDNIarU>
• “Modernidade líquida”: <https://www.youtube.com/watch?v= FOeCu4 -kmA0>
Explorar igualmente The Bauman Institute at the University of Leeds:
• <http://baumaninstitute.leeds.ac.uk/>
Na supracitada entrevista, dada no âmbito de um programa brasileiro intitulado Fronteiras do Pensamento, Bauman aborda um conjunto de temas entre os quais:
86 Christopher Damien Auretta
• a transição actual de uma civilização de produtores para uma de consumidores;
• a experiência da fragmentação na actualidade, levando a que sinta- mos a nossa vida como uma narrativa de natureza episódica e/ou descontínua, o que tem um impacte radical sobre o sentido que damos à palavra «identidade»;
• o tema de já não herdarmos uma identidade, mas, sim, termos de construir a nossa identidade ao longo da vida;
• o tema da redefinição da nossa identidade ao longo da vida numa sociedade crescentemente individualizada (o que influencia, por exemplo, como se faz a política no mundo contemporâneo); • o tema da irreversibilidade da situação de interdependência de
todos numa realidade doravante global de carácter proeminente- mente planetário;
• o tema da ciência e da tecnologia, cujo desenvolvimento e impacte nos levaram já à questão da “resiliência do planeta” (“the endurability of the planet”), à luz do ritmo de produção/consumo que a modernidade trouxe;
• o tema da possibilidade de uma democracia global;
• o pós-moderno e o seu impacte sobre a natureza dos espaços públi- co e privado da sociedade;
• o tema da distinção a estabelecer entre o significado da comuni- dade e o da “network” (as redes de natureza digital);
• o impacte desta diferença em termos de relacionamento humano; • o significado do pensamento e do percurso biográfico do filósofo
ateniense Sócrates.
Ver a entrevista em questão na íntegra: <https://www.youtube.com/watch?v= POZcBNo-D4A>
São trinta minutos de lucidez e análise. Segundo encontro:
Num vídeo intitulado “Nós hipotecámos o futuro”, Bauman aborda temas que ajudam a caracterizar a nossa experiência contemporânea tais como:
Cem Dias à Sombra da Torre de Babel do Século XXI 87 • a juventude desempregada;
• a sociedade de consumo;
• o divórcio entre o poder e a política; • as multinacionais;
• uma “situação de interregno” com que o pensador-sociólogo signi- fica que a maneira de fazermos as coisas no passado deixa de pos- suir força efectiva no presente, daí suscitando um período de ansiedade e incerteza e, subentende-se, a necessidade de inventar novas formas de organização do espaço social e pessoal;
• o “deserto” crescente do mundo off-line; • a comercialização da moral humana; • o consumismo obsessivo;
• a erosão da linha separadora entre o tempo de trabalho e o tempo pessoal;
• a nossa passagem actual por uma revolução cultural profunda. Como sempre, Bauman é lúcido e provocador.
Ver: <https://www.youtube.com/watch?v=OcPD1pLdkoQ> Terceiro encontro:
No volume, Does Ethics Have a Chance in a World of Consumers?, o sociólogo escreve em torno do consumismo, vertente contemporânea, e os desafios para uma conduta ética num mundo regido pelo consumismo:
Consumer society thrives so long as it manages to render dissatisfaction permanent. One way of achieving this effect is to denigrate and devalue consumer products shortly after they have been hyped into the universe of consumers’ desires. But another way, yet more effective, tends by and large to be kept out of the limelight [i.e., feito de modo mais subliminal ou, porventura, insidioso]: the satisfying of every need/desire/want in such a fashion that cannot help giving birth to new needs/desires/wants. What starts as a need must end up as a compulsion or an addiction. And it does, as the urge to seek in shops, and in shops only, solutions to problems and relief from pain and anxiety turns into a behavior that is not just allowed but eagerly encouraged as a habit (170).
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Pensar é para nós um amparo. Pensar é o nosso amparo num mundo agónico (=de tensão, de conflitualidade, de convivências difíceis e/ou desafiadoras, um mundo consubstancialmente incompleto mas expectante, solitário mas também solidário, agressivo mas também generoso). Pensar é o intervalo entre nós e o resto. É lá – nesse intervalo, fruto da imaginação, do intelecto, do sentir, do pensar e do conviver – que definimos ininterruptamente a nossa humanidade. Eis então uma escolha de cariz ético: to buy or to be?
Epílogo
“I do not believe that there is any thought process possible without personal experience. Every thought is an afterthought, that is, a reflection on some matter or event. Isn’t that so? I live in the modern world, and obviously my experience is in and of the modern world. This, after all, is not controversial. But the matter of merely laboring and consuming is of crucial importance for the reason that a kind of worldessness defines itself there too. Nobody cares any longer what the world looks like. (…) I comprehend it [the world] in a much larger sense, as the space in which things become public, as the space in which one lives and which must look presentable. (…) So that it all could belong to this space. However, in labor and consumption mas is utterly thrown back on himself. (…) On the biological, and on himself. And there you have the connection with loneliness. A peculiar loneliness arises in the process of labor. (…) But his loneliness consists in being thrown back upon oneself: a state of affairs in which, so to speak, consumption takes the place of all truly relating activities.” (Hannah Arendt, The Last Interview and Other Conversations, Brooklyn; London: Melville House, 2013, pp. 34-35.) “A necessidade de solidariedade parece suportar e sobreviver às agressões do mercado – mas não porque o mercado deixe de o tentar. Onde há necessidade há uma hipótese de lucro – e os especialistas em marketing levam o seu engenho ao limite para encontrar maneiras de podermos comprar nas lojas a solidariedade, o sorriso amigo, o convívio ou a ajuda no momento de neces- sidade. Constantemente têm êxito – e constantemente fracassam. Sucedâneos
comercializados não podem substituir vínculos humanos. (Zygmunt Bauman,
Amor líquido, Sobre a fragilidade dos laços humanos, trad. Carlos Alberto Medeiros, Lisboa: Relógio D’Água, 2006, p. 95.)
20. On memes, the university’s mission and the Garden of Eden. One