Um outro subtema é a busca por solução de problemas, que considero fundamental para um professor que tem como objetivos promover a inclusão digital e social de seus educandos.
Nos registros correspondentes à textualização do fenômeno que investigo, Suely (AM) aponta para a necessidade de o professor buscar soluções para incluir os alunos na sociedade em processo de digitalização, por meio do contato com alguns recursos tecnológicos. Mesmo sem ter vários recursos disponíveis, o professor pode solucionar tal problema promovendo uma conversa sobre o assunto. O excerto abaixo confirma essa visão:
Apesar de, na maioria das vezes, as escolas não possuírem todos esses aparelhos, o professor pode providenciar meios para o contato com alguns deles. Até mesmo, na total impossibilidade de se ter os recursos tecnológicos, promover uma discussão sobre o assunto “Tecnologia” é uma forma de se criar uma “ponte”, isto é, uma aproximação entre tecnologia e escola, a fim de que a escola cumpra mais um papel: o de preparar os alunos para uma sociedade digital, quer sejam eles com possibilidades de acesso ilimitado aos mais avançados equipamentos, quer dependam exclusivamente do espaço escolar para ingressarem e vivenciarem experiências nestas novas dimensões de ensino (Suely, AM).
As dificuldades que o professor encontra não podem ser encaradas, segundo Marília (BN), como intransponíveis. Devem, ao contrário, ser enfrentadas e resolvidas, seja de que forma for. Ela sintetiza essa visão, afirmando:
As dificuldades devem ser solucionadas pedindo ajuda ou ir em busca de soluções (Marília, BN).
Sentir-se preparada para resolver problemas foi uma sensação apontada por Vivian (BN) em dois momentos: no quarto, quando reflete sobre a aula ministrada e no quinto, quando confronta suas opiniões de então com aquelas produzidas no início do curso, como ilustram os excertos a seguir:
Como tinha o objetivo de trabalhar um plano onde estivesse inserida a tecnologia e como o estagiário tem um problema na escola de não ter muito acesso aos recursos disponíveis, decidi trabalhar com música, pois caso me fosse negado um CD player, eu mesma poderia levar o meu. Felizmente não foi o que aconteceu, a escola disponibilizou o aparelho (Vivian, BN).
Por meio da experiência realizada, posso considerar-me uma professora atenta a todos os recursos que a escola pode me oferecer, para realizar uma aula interessante e construtora. No caso das limitações da escola nesse sentido, também posso dizer que estou ciente, preparada e engajada para lidar com esse problema, criando eu mesma novas condições (Vivian, BN).
Karla (AM) afirma que o professor, atuando em uma escola desprovida de recursos tecnológicos, pode contornar o problema, buscando, em si mesmo, a solução. Tal postura sugere que ela, percebe que a solução de alguns entraves, se não resolvidos no âmbito institucional, podem sê-lo pela iniciativa individual, do próprio professor. Essa reflexão pode ser verificada quando salienta que:
Se a desculpa é que a escola não tem nenhum tipo de equipamento, o professor pode muito bem tentar levar de casa, nem que for um CD player pequeno (Karla, AM).
I nterpreto a busca por solucionar problemas como uma atitude essencial para o professor de hoje. Caso ele trabalhe em uma escola que não tenha recursos tecnológicos, cabe a ele buscar alternativas para incluir seus alunos na sociedade atual. Luciana (AM), no seu convincente relato do terceiro momento de problematização, aborda uma experiência vivida para demonstrar que a busca por
solucionar problemas pode envolver buscar outros ambientes, fora sala de aula, para que o processo ensino-aprendizagem possa se realizar. Segundo suas palavras:
Participei de uma dinâmica em que a educadora desenhava os ícones de um computador no flipchart, levou um teclado para aula, orientou os alunos e indicou lugares em que eles poderiam utilizar computadores sem pagar ou por R$ 1,00 ou R$ 2,00, dinheiro que eles gastam com “porcarias”. Uma das opções foi os computadores do Poupa-tempo em Santo Amaro; outra, uma escola de informática local que cobraria por hora um preço simbólico para os alunos da escola que quisessem usar os computadores. Em relação às dificuldades de manuseio a turma poderia escolher um monitor entre eles, um aluno que tivessem mais conhecimento e estivesse disposto a ajudar os colegas sob a supervisão da professora. Alguém disposto a dedicar um tempo fora da sala de aula, um professor ou um universitário do Programa Escola da Família ou do Projeto Amigo da Escola. Ainda não sei como resolveria isso, mas com certeza existe um jeito de ajudar alunos e professores que não têm ferramentas tecnológicas ou dificuldades em manuseá-las (Luciana, AM).
Suely (AM), no segundo momento de problematização, enfatiza a responsabilidade do professor em solucionar problemas, neste caso, de incluir a utilização de um recurso com a finalidade de ampliar a capacidade de aprendizagem dos alunos. O excerto abaixo ilustra tal posicionamento:
Em tempos de escassez de recursos tecnológicos nas escolas públicas, creio que deve haver um esforço do professor em colocar o aluno em contato com alguma forma de tecnologia, a fim de que seus horizontes se ampliem no que concerne às diferentes formas de aprendizado (Suely, AM).
Em síntese, o subtema busca por solução de problemas que estrutura o fenômeno em foco explicita uma característica fundamental de qualquer cidadão, pois enfrentamos situações problemáticas ou difíceis que exigem uma solução. Buscá-las é, no meu entender, uma qualidade essencial para vivermos mais plenamente a cidadania, mas é necessário ter conscientização sobre alguns aspectos quando o fenômeno é formação pré-serviço de professores, o que discuto a seguir.