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Herbivory and climate as drivers of woody plant growth: Do deer decrease the impacts of warming?

Como já assinalamos, o conceito de fantasia foi sendo trabalhado por Freud ao longo de sua obra, e isto pode ser verificado tanto em textos que antecederam o ciclo da fantasia proposto por Coutinho Jorge (2010) como também em trabalhos posteriores, e é certo que, durante tal percurso, o conceito foi-se imbricando a outros, como o de pulsão.

Roudinesco e Plon (1998) consideram que até o momento em que Freud conseguiu vincular a sexualidade, o Édipo e a fantasia, ele continuava hesitante quanto ao abandono da teoria da sedução. A partir de sua auto-análise, Freud já sugerira, na Carta 71, de 1897 (p. 316), uma estreita relação entre a fantasia e a lenda grega quando esta captava uma compulsão

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Devemos ter cuidado com a palavra passividade quando se trata da vida psíquica originária, pois acreditamos que, fora uma situação em que está se instalando uma patologia, o bebê é sempre ativo em suas conquistas. O termo ―passividade‖ cabe aqui, pois, além de não possuirmos outro melhor, através dele podemos nos referir às situações em que o outro está na posição de cuidador de um bebê que necessita de seus cuidados para a própria sobrevivência.

[...] que toda pessoa reconhece porque sente sua presença dentro de si mesma. Cada pessoa da platéia foi, um dia, em germe ou na fantasia, exatamente um Édipo como esse, e cada qual recua, horrorizada, diante da realização do sonho aqui transposta para a realidade, com toda carga de recalcamento que separa seu estado infantil do seu estado atual.

Parece verídico, assim, que se a vinculação entre fantasia e Édipo já se anunciava, a compreensão desta relação somente se complementaria através das formulações freudianas sobre a sexualidade infantil. Roudinesco e Plon (1998) ainda ressaltam que o texto Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, de 1905, era paradigmático de um retorno à ancoragem biológica da sexualidade, porém, devemos destacar que é justamente em tal texto que Freud apresenta o conceito de pulsão que, por sua vez, implica o próprio distanciamento entre o humano e o puro instinto.

Jerusalinsky (1987, p. 15) pontua que, diferente dos animais, o ser humano é um deficiente instintivo, e isto implica pensar que o ―instinto humano‖

[...] não existe na medida suficiente para definir com que objeto se poderá obter a satisfação de suas necessidades. O ser humano não sabe o que comer, não sabe qual é o objeto de sua sexualidade, não sabe o que implica perigo para ele [...] isto não ocorre com os animais [...] um macaco pode agarrar uma banana [...]. Entretanto, se se dá uma banana a um bebê, ele a coloca no olho...

Ora, não seria a citação de Jerusalinsky a própria definição de pulsão? Lembremos que, para Freud, a pulsão é um representante psíquico de uma fonte (interna) de estimulação, e se caracteriza, fundamentalmente, como ―(...) um dos conceitos de delimitação entre o anímico e o físico‖ (Freud, 1905, p. 157); como esse representante psíquico não possui um objeto de satisfação definido, fixo, faz-se necessário, portanto, construir um objeto.

É nesse sentido que Levin (1997) assinala o caráter ficcional da pulsão, e a ficção aí não está, em absoluto, correlata ao que é falso, mas sim, ao que pode ser construído. Coutinho Jorge (2010), ao pensar a satisfação pulsional, indica seu caráter imaginário e fantasístico, o que corrobora a afirmação de Laplanche e de Pontalis (2001, p. 403) de

que a pulsão estaria estreitamente relacionada ―[...] a um jogo de representações ou fantasias que a especificam.‖

É importante ressaltar que o texto Três ensaios, ao tentar transmitir uma compreensão da sexualidade (infantil) que tem a pulsão como fundamento, trata basicamente daquilo que conhecemos por pulsão sexual, ou seja, Freud, em 1905, ainda abordava a fantasia em sua relação privilegiada com a pulsão sexual e o princípio de prazer.

Portanto, será somente em um momento ulterior ao que Coutinho Jorge intitulou de ―ciclo da fantasia‖, que Freud se dedicará a pensar a fantasia de um modo distinto daquele que pensava até então, quando a abordava em sua relação privilegiada com a pulsão sexual e com o princípio de prazer. E ele o fará ao publicar, em 1919, o ensaio Uma criança é espancada, que se configura, fundamentalmente, como um ensaio sobre o masoquismo.

Tal ensaio já aponta para as inovações que se apresentariam um ano depois, em Além do princípio de prazer, quando ―[...] Freud já se aproxima de forma inequívoca da pulsão de morte‖ (COUTINHO JORGE, 2010, p. 96). Portanto, ao trabalhar o masoquismo no texto Uma criança é espancada, Freud antecipa as interrogações sobre a pulsão de morte14 que viriam a ser trabalhadas em Além do princípio de prazer, publicado no ano seguinte – 1920 –, e apresenta uma leitura da fantasia não mais articulada somente ao princípio de prazer, mas também ―[...] a seu mais além, qual seja, o vínculo entre o gozo e a dor.‖ (idem)

Para Freud, as fantasias de espancamento, criadas em um momento muito primitivo da vida do sujeito, estariam na etiologia de determinadas perversões sexuais

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A pulsão de morte faz parte da construção do segundo dualismo freudiano – pulsão sexual/pulsão de morte – e, segundo Laplanche e Pontalis (2001, p. 403) está no quadro da última teoria freudiana das pulsões. A pulsão de morte ―[...] designa uma categoria fundamental de pulsões que se contrapõem às pulsões de vida e que tendem para a redução completa das tensões, isto é, tendem a reconduzir o ser vivo ao estado anorgânico.‖ Tais pulsões tendem à (auto)destruição e são as fontes da compulsão à repetição.

de alguns de seus pacientes adultos. Essa resultante perversa será construída em três fases nas quais se apresentarão várias dialéticas entre o consciente e o inconsciente, o amor e a humilhação, o prazer e a culpa.

Ressaltamos não ser nosso objetivo trabalhar especificamente tal processo e nem tais perversões – leia-se especialmente o par sadismo e masoquismo –, mas sim, pensar no texto como uma ilustração das interrogações freudianas acerca da pulsão de morte. Mais especificamente, estamos tentando construir um pensamento que elucide a passagem que Freud faz da relação da fantasia com a pulsão sexual para a relação da fantasia com a pulsão de morte.

Nossa tentativa de esclarecer essa passagem se explica pelas conseqüências que tal transformação terá nas teorizações freudianas sobre o brincar. Trabalharemos na seção seguinte a proposição freudiana do brincar como a primeira expressão da vida imaginativa; Freud, inclusive, equaciona o brincar infantil e o fantasiar do adulto, o que nos indicará claramente que este autor pensa o brincar e a fantasia – vida imaginativa – como fenômenos que guardam uma relação indissociável.

Portanto, ao modificar seu pensamento acerca da fantasia, apontando que esta se imbrica não apenas à pulsão sexual, mas também à pulsão de morte, Freud reformulará suas proposições sobre o brincar, apontando para três questões importantes: 1. O fato de a criança também brincar com situações que lhe causam sofrimento; 2. A possibilidade que o brincar fornece à criança de adiar satisfações, o que também lhe possibilitaria experienciar o princípio de realidade e uma construção simbólica e; 3. Como indica Rabello (2004), o fato de Freud considerar o brincar como a atividade que, na infância, ilustra a compulsão à repetição.

Ainda sobre a relação entre fantasia e pulsão de morte, Coutinho Jorge (2010) assinala que, se a pulsão de morte implica uma busca pela satisfação absoluta, o freio

para esse gozo seria a própria fantasia inconsciente, que sexualiza a pulsão de morte e a transforma em pulsão sexual. É isto que, para o autor, representa a função estruturante da fantasia, para a qual, o brincar representaria uma via de constituição.

Seguimos, então, para a conclusão deste item, ressaltando que a dificuldade de trabalhar a fantasia freudiana reside, para além dos fatores apontados inicialmente, na relação que este conceito guarda com outros de mesma complexidade no campo psicanalítico.

Como assinalado, desde Os três ensaios (1905), Freud se utiliza da imbricação fantasia e pulsão para construir suas elaborações acerca da sexualidade infantil. Os desejos infantis, tão precocemente experimentados, especialmente os incestuosos, encontram nas fantasias uma satisfação possível. Sobre isto, Nasio (2007, p. 11) afirma que ―[...] quando um desejo incestuoso não encontra seu objeto na realidade concreta – e, insisto, ele nunca o encontrará –, o eu inventa e cria integralmente em sua imaginação‖.

A fantasia freudiana se configura como um fundamento para o psiquismo do neurótico; o ―eu‖ necessita da fantasia para existir. Desde a fantasia originária – reconhecida pelo sujeito como tal apenas posteriormente – que surge como uma imposição dos enigmas que cercam as origens, passando pelas complexas e ambíguas construções identificatórias, a fantasia se apresenta como ―[...] uma ação dramática interior que se impõe incessantemente. Interpretamos nossa realidade segundo nossas fantasias‖ (NASIO, 2007, p. 17). Daí a afirmação de que a realidade psíquica é constituída por fantasias.

Se retomarmos a proposição freudiana de que as fantasias originárias são transmitidas filogeneticamente, poderemos, inclusive, pensar nas fantasias que transcendem a experiência individual. Laplanche e Pontalis (2001), mesmo reticentes

quanto à hipótese filogenética, resgatam a transcendência das fantasias, especialmente as originárias, ao pensarem na própria transcendência da experiência edípica. Se esta vem a regular as relações inconscientes entre pais e filhos – e as próprias relações entre os sujeitos – de modo universal, como já apontara Freud, faz sentido essa transposição do individual que a fantasia realiza. Contudo, se as fantasias estão ―desde sempre‖, elas estariam sempre em reconstrução, já que cada sujeito constrói a particular ficção do si mesmo.

E o que pensar das fantasias parentais, quando, então, investem na pequena criança os ideais? Kehl (2006, p. 18), ao prefaciar o livro ―Fadas no divã‖, assinala que a posição de um filho precisa considerar ―[...] o delicado equilíbrio entre não encarnar o que se espera de nós, e (viver) levando em conta exatamente isso‖.

É desse modo, portanto, que tentamos empreender um estudo sistemático sobre a fantasia freudiana nesta seção, com o intuito de introduzir as questões mais fundamentais acerca do brincar freudiano e, sobretudo, a relação entre brincar e fantasia para Freud.

Porém, antes de partirmos para a seção sobre o brincar freudiano, gostaríamos de, mais uma vez, citar Coutinho Jorge (2010, p. 93) quando este comenta uma afirmação de Mannoni a respeito das expectativas em relação à criança no mundo moderno: ―[...] falar da infância é necessário no mundo de hoje, que, com seus ideais imediatistas, recalca a criança, com sua gratuidade afetiva e o seu prazer no mais simples brincar‖.