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A avaliação na Metodologia de Projeto tem como particularidades o fato de ser contínua e possibilitar uma retroação, visando a redefinição das várias etapas da metodologia do projeto, caso seja necessário. Nesta etapa é essencial recorrer a ferramentas de avaliação para que esta se conceba de modo rigoroso. Esta etapa inclui a validação do sucesso dos objetivos inicialmente traçados.

O projeto de aprendizagem clínica teve como objetivo geral: Promover o desenvolvimento de competências nos familiares/cuidadores de pessoas com alteração do estado de saúde mental, nomeadamente esquizofrenia.”.

Os objetivos específicos delineados foram os seguintes: transmitir informação; estimular a capacidade reflexiva; promover a expressão livre de emoções e afetos; favorecer a troca e partilha de experiências; promover a compreensão e aceitação da doença mental; permitir o esclarecimento de dúvidas e ensino de estratégias; fomentar uma atitude mais esclarecida e informada sobre a doença; diminuir o criticismo; promover estilos de vida saudáveis e mudança de comportamentos.

95 No presente trabalho de projeto, as sessões psicoeducativas delineadas permitiram dar resposta aos objetivos propostos, assim como, ao desenvolvimento de competências a vários níveis: relacionamento interpessoal; tomada de consciência de si (do self); promoção da expressão livre de emoções e afetos; estimulação da capacidade reflexiva; partilha de experiências, aquisição e consolidação de conhecimentos acerca das temáticas abordadas.

A avaliação da primeira sessão foi verbal e os objetivos propostos foram atingidos.

De acordo com Benner (2001) cada pessoa traz a sua história de vida, o seu percurso intelectual e a sua escolha em aprender, quando está perante uma situação em particular. É através desta escolha, em particular, que se deve conquistar a adesão dos familiares/cuidadores, pois eles são elementos ativos em todo o processo, o seu consentimento, além de informado, tem de ser ativo e interveniente, “o respeito pelo valor de cada pessoa deve ser o nosso motor; o saber técnico, o combustível que nos faz mover; a humanização, a ma rca de todas as nossa s intervenções” (Cordo, 2003:83).Deste modo, a colaboração entre profissionais de saúde mental e familiares/cuidadores deveria ser identificada como um dos objetivos das políticas de saúde mental, quer ao nível nacional, como internacional (Magliano, 2008; Hanson, 2005 e Gonçalves Pereira et al., 2006).

Na 2ª, 3ª, 4ª e 5ª sessão a avaliação foi realizada no final de cada sessão. Todos os elementos do grupo responderam às perguntas solicitadas.

Os elementos da amostra mencionaram que as sessões deram resposta às suas reais necessidades, o que é preconizado pela literatura (Hanson, 2005). No entanto, a mesma fonte cita que vários estudos têm revelado que as intervenções, que compreendem apenas um programa educativo, podem originar mudanças sobre a quantidade de informação que os familiares possuem, mas muitas vezes, não diminuem por um longo período os problemas emocionais e a sobrecarga dos familiares/cuidadores. Também estes programas não têm muita influência sobre o ambiente familiar. Brown (1972) sugeria que um maior entendimento acerca da doença, pelos familiares/cuidadores beneficiaria o ambiente familiar, tornando-o menos conflituoso e menos crítico.

Neste trabalho de projeto foram fornecidas informações, ferramentas indispensáveis para quem cuida de pessoas com alteração do estado de saúde mental, nomeadamente com esquizofrenia. Durante as sessões ia-se fazendo alusão ao self dos elementos do grupo, especialmente durante a descrição dos sintomas. O grupo refletiu e

96 expressou unanimemente que associavam o comportamento do familiar doente, a uma questão de personalidade, tal como é referido pela literatura vigente (Hanson, 2005 e Gonçalves Pereira et al., 2006).

A culpabilização pela transmissão da doença mental era patente neste grupo. A informação que receberam na 3ª sessão promoveu alguma serenidade, relativamente a este sentimento (Hanson, 2005).

A informação transmitida na 4ª sessão sobre a rede social existente na área de residência e em dois concelhos da margem sul, não ficou esgotada. Foi referido pelos elementos do grupo, o impacto positivo, que esta sessão exerceu sobre eles, assim como, o fato de terem conhecido o assistente social pessoalmente, uma vez que quatro destes elementos não o conheciam. Porém dois familiares mostraram-se receosos em relação a

estas instituições, referindo que “por vezes demoram muito tempo a fornecer o apoio e outras vezes nem sequer o proporcionam”.

Ao longo das sessões, nomeadamente na 3ª e 5ª sessão, abordou-se a importância da adesão terapêutica. Todos os elementos deste grupo estão sensibilizados para a importância da adesão terapêutica, não tendo sido esta identificada como necessidade real. Relativamente à prevenção de recaídas, temática abordada na 5ª sessão, os elementos do grupo foram informados e sensibilizados a pedir ajuda, no sentido de evitar recaídas e novos reinternamentos, de acordo com o estudado por Brito (2006).

Porém três elementos do grupo acrescentaram, que ainda precisavam de ter mais informação acerca das temáticas apresentadas.

Ao longo das sessões foi expressa a importância da participação em Associações Familiares, ou em Grupos de Ajuda Mútua, como forma de sensibilização da opinião pública, de promover ou desenvolver ações que visem a melhoria dos serviços públicos, da aprendizagem contínua relativamente à resolução de problemas e no aumento da rede de amigos, ou seja, em criar laços, com pessoas com interesses comuns.

Os familiares/cuidadores que cuidam habitualmente de pessoas com alteração do estado de saúde mental, nomeadamente com esquizofrenia, encontram-se em elevado risco de morbilidade, desencadeado pelo stress e pela sobrecarga. Torna-se, assim, prioritária a tomada de medidas que visem a prevenção ou redução dos sintomas acima mencionados, nestes familiares/cuidadores, para que seja possível a diminuição de recaídas, de reinternamentos e, para que sintam que se podem aventurar nesta vida com mais segurança

97 e melhor qualidade de vida, o que pode ser possível com a participação em programas de psicoeducação (Brito, 2006 e Alto Comissariado da Saúde/Ministério da Saúde, 2009).

As sessões de psicoeducação com grupos de famílias com duração de 9 meses são as que apresentam uma melhor relação custo-benefício, por comparação com vários estudos a nível de intervenções psicoeducativas (Magliano et al., 2005).

A TFC é uma intervenção com efetividade documentada, deve incluir a pessoa com alteração do estado de saúde mental e deve ter a duração de seis a doze meses. Deve ser planeada com uma sequência de módulos incluindo: psicoeducação, treino de comunicação, treino de resolução de problemas e formas de gestão de crise (Falloon et al., 1993). No treino de comunicação são abordadas quatro práticas, tais como: expressão de sentimentos agradáveis; formulação de pedidos de forma construtiva; escuta ativa e expressão de sentimentos desagradáveis.

No que diz respeito às intervenções decorrentes da execução do trabalho de projeto, as mesmas foram benéficas, permitindo desenvolver um pensamento mais reflexivo sobre a prática, ao nível dos estereótipos e do estigma; na aquisição e consolidação de conhecimentos sobre o planeamento e organização de sessões; no desenvolvimento do relacionamento interpessoal e na aquisição de competências comunicacionais.

Durante o estágio, foi realizado o acompanhamento de duas pessoas com alteração do estado de saúde mental. Ao longo das entrevistas procuramos ter uma atitude de escuta, de modo a extrair o conteúdo da sua mensagem pelos acontecimentos, o contexto, assim como pelo sofrimento e pelas emoções sentidas. A “entrevista é um momento de empowerment para a pessoa cuidada”, (Phaneuf, 2005:261). A entrevista deve servir para a pessoa expressar as suas emoções, através de palavras, estabelecendo-se uma relação de empatia, de autenticidade e de confrontação, de modo a ajudar o outro a analisar melhor o seu problema e a fazer sobressair possíveis soluções que possam conduzir a mudanças criativas. Foram respeitados os períodos de silêncio, que foram facilitadores da comunicação. O acompanhamento em saúde mental requer tempo, trabalho pessoal e motivação da pessoa com alteração do estado de saúde mental para progredir, a vários níveis, tais como: aumento do insight, do autoconhecimento, capacitando-se que o potencial está em si. De modo a poder utilizar os seus recursos acedendo a desafios, e poder gozar dos prazeres da vida, podendo sonhar e planear objetivos pessoais, em

98 colaboração com acompanhamento terapêutico, verificando-se momentos de avanço e retrocesso (Alto Comissariado da Saúde/Ministério da Saúde, 2009).

As pessoas entrevistadas não tiveram dificuldade em expressar os seus sentimentos, facto que facilitou as intervenções e o delinear dos planos terapêuticos. Após a análise dos dados foram identificados alguns diagnósticos, segundo a CIPE, e estabeleceu-se um plano terapêutico, com o qual as pessoas intervenientes concordaram e se comprometeram a cumprir. Estas demonstraram alguma crítica relativamente à sua situação de saúde, embora tivessem dificuldade em estabelecer metas a atingir, de modo a resolver os seus problemas. No entanto, possuem capacidades para dar continuidade a um plano terapêutico estabelecido com o apoio dos técnicos de saúde.