4. Sentrale hensyn
4.5 Hensynet til undersøktes rettssikkerhet
Lembramo-nos das considerações de Benjamin (1987a) a respeito do desenvolvimento de uma nova arte do século XX que só poderia ser analisada através de uma nova perspectiva, bem como dos argumentos de Cabot, que baseia-se em Benjamin para interpretar fenômenos da atual cultura digital. Cabot lembra que no contexto de profundas transformações que Benjamin analisa no início do século XX, as ferramentas tradicionalmente usadas para socializar a experiência já não são eficientes, surgindo outras que deveriam ser aprendidas em um momento de mudanças inclusive no modo de ver considerado natural, mostrando que esse modo de ver não é estável, o que pode ser verificado através da seguinte citação: “Como especificó Benjamin, incluso nuestro modo de ver cambiaba, incluso aquello que se tenía por lo más natural, por su condición de biológico, se mostraba flexible y volátil, incluso hasta su desaparición” (CABOT, 2012, p.25)47.
Também Cesar Costa (2001, p.3) afirma que os produtos da indústria cultural afetam a percepção humana, que se modifica para acompanhar o curso da história e da inserção de novas tecnologias de representação da realidade, de forma que o desenvolvimento das novas
47 Tradução nossa: Como especificou Benjamin, inclusive nosso modo de ver mudava, inclusive aquilo que se
considerava mais natural, por sua condição de biológico, se mostrava flexível e volátil, inclusive até sua desaparição (CABOT, 2012, p.25)
tecnologias aqui analisadas e seu uso na criação de imagens cinematográficas impactariam a sensibilidade e percepção dos espectadores.
Atualmente, com a facilidade e abundância de transmissão de informações alcançados por meio dos recursos digitais, observamos indivíduos que apresentam dificuldade de concentração e que necessitam de estímulos que causem sensações cada vez mais fortes para que ocorra uma percepção duradoura.(TÜRCKE, 2010, p.10).
Cabot, por sua vez, observa que no contexto da cultura audiovisual, que é alimentada pelo interesse por desenvolvimento de novas tecnologias, ocorre uma busca pelo aproveitamento máximo de cada técnica disponível e também é modificado o repertório de imagens que o espectador é capaz de interpretar, cujo limite nos é ainda desconhecido (CABOT, 2007b, p.36). Isso porque nossos modos de percepção se modificam, a partir dos modos já adquiridos, para melhor se adaptarem ao contexto que nos rodeia:
La capacidad adaptativa de la percepción humana, adquirida desde nuestro nacimiento con los patrones perceptivos de los que nos rodean, la hace especialmente predispuesta a cambiar los esquemas para ver mejor en el mundo en que nos movemos cada día. Lo único importante es no quedarse nunca sin ningún esquema (es una forma de hablar, ya que nunca podemos quedarnos sin ninguno a no ser que padezcamos la disfunción psíquica conocida como agnosia). Por tanto los fragmentos de nuevo esquema perceptivo van acompañados del suficiente contexto ya conocido, para que se aprenda rápida e intuitivamente el nuevo esquema (CABOT, 2007b, p.36).48
Cabot acredita que em geral, interesses econômicos e o constante bombardeio de imagens sobre a vida cotidiana garantam o desenvolvimento paralelo das novas tecnologias e dos modos de percepção, no entanto, identifica também a existência de contextos em que a evolução dos dois âmbitos não ocorre de forma simultânea em um setor específico da população, o que
48 Tradução nossa: A capacidade de adaptação da percepção humana, adquirida desde nosso nascimento com os
padrões perceptivos dos que nos rodeiam, a torna especialmente predisposta a modificar os esquemas para enxergar melhor no mundo em que nos movimentamos a cada dia. A única coisa importante é não ficarmos nunca sem nenhum esquema (é uma força de expressão, já que nunca se pode ficar sem nenhum, salvo que se padeça de uma disfunção psíquica conhecida como agnosia). Portanto, os fragmentos do novo esquema perceptivo vão acompanhados pelo suficiente contexto já conhecido, para que se aprenda de forma rápida e intuitiva o novo esquema (CABOT, 2007b, p.36)
exemplifica comparando o envolvimento de jogadores de videogames e de espectadores não habituados a esses jogos com o filme The Matrix reloaded, de 2003: Para o autor, os jogadores mantinham grande interesse em uma cena de perseguição cujo desfecho era previsível, enquanto os demais espectadores entediavam-se após os primeiros trinta segundos, e isso ocorreria devido à semelhança entre a posição ocupada pelo espectador de cinema e pelo jogador habituado a participar de jogos de perseguições em videogames (CABOT, 2007b, p.37). Tal exemplo justifica que novos recursos tecnológicos que são incorporados no cotidiano do espectador, tal como os recursos cinematográficos que são utilizados no cinema, podem modificar a forma como este interage com os filmes.
Atualmente, graças aos recursos do cinema digital as possibilidades criativas do cinema foram exponencialmente amplificadas, pois imagens podem ser criadas por computadores de forma totalmente livre em relação às leis que regem o mundo táctil, mas paralelamente a essa liberdade de criação, há também uma intensificação do aspecto realista, alcançado também com auxílio dos recursos do cinema digital. E acompanhando essas mudanças no mundo cinematográfico, há espectadores que se acostumaram às sensações alcançadas através de filmes que contam com imagens impossíveis de existir no mundo táctil, mas com um aspecto bastante realista. Isso nos permite encontrar espectadores como os entrevistados, que associam o uso de tais recursos à possibilidade de se depararem com novas experiências e que dizem imergir no enredo do filme assistido até o ponto de sentir-se parte de seu cenário e ação, e ao mesmo tempo têm consciência de que somente com o auxílio do cinema poderiam ser colocados em tais situações.
Observamos também que há uma grande porção de espectadores que valorizam o uso dos recursos de estereoscopia e CGI no cinema, entretanto a maior parte deles demonstra ter superado um interesse pelos recursos analisados fruto de mera curiosidade em relação à uma nova tecnologia, sustentando que o interesse que têm por tais recursos está ligado ao seu uso de forma à enriquecer a narrativa do filme, o que não está necessariamente ligado ao potencial de simular a realidade, mas de intensificar emoções, tal como apontado por Gardner (2009). Esses espectadores, mostram que ao se habituarem aos novos estímulos dos recursos audiovisuais, as sensações primeiramente provocadas pela novidade, passam a dar lugar a novas formas de apreensão.
Observamos, portanto, através do estudo teórico e empírico conduzidos ao longo da pesquisa, que as formas de percepção podem ser modificadas gradativamente e, nesse momento, podem ser exercitadas por meio de sensações produzidas por novas características da linguagem cinematográfica, alterando o perfil dos espectadores.
Compreendemos assim que os modos de percepção não são imutáveis e suas transformações estão intimamente ligadas à incorporação de novas tecnologias no cotidiano das pessoas uma vez que ocorreriam, segundo Benjamin, pelo desenvolvimento da técnica, que atua em uma forma de arte anterior, antes de consolidar-se em uma nova forma de representação artística, buscando produzir novos efeitos e sensibilizando uma estrutura de recepção modificada por transformações sociais que muitas vezes são imperceptíveis (BENJAMIN, 1987a, p.185). E acreditamos que em uma época em que a maior parte dos conteúdos são transmitidos pelo meio audiovisual, os recursos que afetam sua linguagem ocupam uma posição de destaque no que diz respeito às alterações da percepção. A aplicação de novos recursos ao cinema, como o 3D e as CGIs, atuam sobre a linguagem cinematográfica que se desenvolveu até o presente, produzindo novos efeitos e afetando a percepção dos espectadores, que sensibilizam-se para interpretar novas imagens representadas na linguagem audiovisual.