2.1 Evaluering
2.1.4 Hensikten med evalueringen
Diante das novas considerações, Freud se volta mais uma vez ao estudo da memória, e neste retorno confere às fantasias um lugar fundamental na formação das recordações. Em maio de 1899 conclui o ensaio “Recordações encobridoras”, que é publicado em setembro desse mesmo ano. Freud parte de dois fatos consolidados por sua clínica e teoria: 1. a importância patogênica conferida as impressões da primeira infância. 2. o fato indiscutível de que as vivências infantis deixam traços não erradicáveis na constituição de nosso aparelho mental. (FREUD, 1989j, p.297). Essas considerações pressupõem uma teoria da memória cuja estrutura, composição e funcionamento podem ser sintetizados pela seguinte asserção: a memória é constituída por traços formados a partir de impressões advindas da experiência capazes de serem rememoradas através de sua tradução em imagens mnêmicas reprodutíveis. (FREUD, 1989j, p.301).
Segundo a teoria, existe uma relação direta entre a importância psíquica de uma vivência e sua retenção na memória. Assim, de acordo com essa premissa, as impressões que são importantes devido a seus efeitos imediatos, ou por suas conseqüências posteriores, são fixadas em imagens mnêmicas, e o que é julgado como não essencial é esquecido. No entanto, diz Freud, algo não se ajusta com as observações, pois, se inquirimos nossa memória sobre aquelas impressões de nossa infância que estão destinadas a permanecer e a nos influenciar até o fim de nossas vidas, ou nada obtemos, ou bem ela nos entrega recordações isoladas e de importância duvidosa. (FREUD, 1989j, p.297). Isso faz crer, diz o autor, que haveria uma diferença entre o funcionamento psíquico das crianças e dos adultos no que concerne a função mnêmica. O vínculo entre a importância psíquica e sua conservação na memória, segundo
essa hipótese, parece valer apenas para aquelas vivências ocorridas a partir do sexto ou sétimo ano de vida.
Porém, os rendimentos obtidos pelo trabalho com a psicopatologia levam a questionar essa via de explicação pela imaturidade constitucional. Freud observa que há uma estreita analogia entre a amnésia normal e a amnésia patológica encontrada nas psiconeuroses. O elemento comum está no fato de que em ambas o esquecimento se abate precisamente sobre as vivências mais significativas dos primeiros anos da infância, o que fornece indícios da íntima relação entre o conteúdo psíquico das neuroses e a vida psíquica infantil.
O problema se desloca então da imaturidade para o exame da determinação do conteúdo das reminiscências infantis. Freud extrai de uma pesquisa realizada por V. e C. Henri (1895) os elementos que lhe permitem aprofundar o problema. Segundo a pesquisa, a idade a qual se referem as mais antigas recordações se encontra entre dois e quatro anos, já o conteúdo, freqüentemente, diz respeito a situações que envolvem medo, vergonha, dor, doenças, mortes, nascimento de irmãos e irmãs, etc. Portanto, estaria confirmada também para o funcionamento da memória na infância a relação esperada entre a força das impressões e sua retenção mnêmica. Entretanto, a mesma pesquisa trouxe a tona um fato diametralmente oposto que contraria todas as expectativas; num delimitado número de sujeitos, as recordações infantis estão enigmaticamente relacionadas com eventos cotidianos, indiferentes, e que não possuem a capacidade de produzir qualquer efeito emocional, mesmo nas crianças e, ainda sim, são recordados detalhadamente e com uma nitidez sensorial fora do comum. Enquanto aqueles eventos contemporâneos que, segundo outras testemunhas, foram altamente comoventes para o sujeito, não deixaram nenhuma imagem mnêmica. (FREUD, 1989j, p.300).
Apesar dos autores descreverem esses casos como sendo raros, a experiência analítica com pacientes neuróticos indica que são os mais freqüentes, e nesses, ao invés de
esquecimento seria mais adequado falar em omissão de elementos altamente significativos. Com freqüência, afirma Freud, por meio do tratamento psicanalítico pode-se descobrir a peça faltante da vivência infantil, e assim demonstrar que, a impressão da qual se reteve na memória uma parcela realmente obedecia à premissa de que na memória se conserva o mais importante. No entanto, o grande problema a ser esclarecido é outro, pois essa descoberta “não nos explica a rara seleção que a memória pratica entre os elementos de uma vivência;
devemos antes de tudo investigar por que o substantivo foi sufocado e se conservou o indiferente.” (FREUD, 1989j, p.300). Essa é a questão que o ensaio “Recordações
encobridoras” pretende esclarecer, e para tanto, é preciso penetrar no mecanismo de tais processos.
Freud expõe o processo psíquico através da seguinte figuração: duas forças psíquicas
participam da produção dessas recordações, uma delas toma como motivo a importância da
vivência para ser recordada, a outra se opõe como resistência à seleção. Essas forças de efeitos contrários não se cancelam entre si, e nenhuma delas predomina sobre a outra, o que sobrevém é a formação de um compromisso cujo resultado é: o que é fixado numa imagem mnêmica reprodutível não é a vivência desagradável, e sim outro elemento psíquico a ela associado. A recordação substituta, aparentemente indiferente, somente justifica sua persistência e sua nitidez sensorial através da relação associativa que mantém com o material que fora reprimido. Esse é um dos casos mais simples em que os elementos essenciais de uma vivência são representados na memória pelos menos importantes. Isso se faz por meio de um processo de “deslocamento para alguma coisa associada por contigüidade, ou tendo em vista
o processo na sua íntegra, uma repressão com substituição por algo próximo (no espaço e no tempo).” (FREUD, 1989j, p.301).
Segundo Freud, a série operativa – conflito, repressão e substituição com formação de compromisso – é um processo que se verifica na formação de todos os sintomas
psiconeuróticos. São hipóteses sobre processos de defesa tal qual foram estabelecidas no “Projeto...” (1895), cuja descrição mais detalhada é preciso aguardar as futuras investigações, pois ainda não foi possível “comprovar em que estratos da atividade psíquica atuam e sobre
quais as condições que passam a operar”. (FREUD, 1989j, p.302). Nesses termos, todo processo teria por fundamento a seguinte asserção, (que também aguarda comprovação): uma
intensidade psíquica é deslocada de uma representação e transferida à outra que passa a desempenhar o papel psicológico da primeira.
7.4 A produção da cena inconsciente
Freud propõe o relato de um caso (autobiográfico) em que é possível acompanhar o processo de formação das recordações. Segundo o caso, a recordação a ser analisada corresponde ao 2º e 3º ano de vida do sujeito que na ocasião do relato tem a idade 38 anos. A cena se refere a um grupo de recordações relacionadas à partida do sujeito de sua bem afortunada terra natal para uma vida difícil num grande centro urbano. Porém, seu conteúdo lhe parece algo bastante indiferente, o que torna incompreensível sua fixação. A recordação possui as seguintes características: é uma cena curta, entretanto, muito bem conservada e provida de todos os detalhes da percepção sensorial, ao qual se opõem as imagens mnêmicas da maturidade nas quais está inteiramente ausente o elemento visual. (FREUD, 1989j, p.303). A cena é a seguinte: trata-se de uma pradaria verde onde há grande número de flores amarelas. No alto uma casa de campo e a frente de sua porta duas mulheres conversando. Três crianças brincam na grama, uma delas é o sujeito em questão (aos 3 anos), as outras duas um primo um ano mais velho e uma prima da mesma idade que a do sujeito. Estão colhendo