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Heltediskurs og maskulinitetsdiskurs

7.3 Sosiokulturell analyse

7.3.2 Heltediskurs og maskulinitetsdiskurs

A metodologia da pesquisa foi a história oral (LE GOFF, 2003), tomada como um método de pesquisa, de onde os sujeitos falam sobre suas experiências diretas ou nas quais foram testemunha ocular de situações ocorridas, desse modo, reivindicando a reconstrução histórica mediante a oralidade.

A história oral, ao utilizar fontes orais, dá voz aos oprimidos, aos que nem sempre foram ouvidos como testemunhas de histórias e sujeitos da história social da qual foram partícipes. Em contrapartida à historiografia oficial, a história oral ficou sendo considerada

uma “história vista de baixo”, capaz de permitir colher-se, ordenar-se, sistematizar-se e

criticar-se a vida social a partir do estudo do processo de produção do fato social em sua fonte. Como observa Alberti (2004, p. 158):

Não há dúvida de que a possibilidade de registrar a vivência de grupos cujas histórias dificilmente eram estudadas representou um avanço para as disciplinas das Ciências Humanas. Mas seu reconhecimento só foi possível após o amplo movimento de transformação dessas ciências que, com o tempo, deixaram de pensar em termos de uma única história ou identidade nacional, para reconhecer a existência de múltiplas histórias, memoriais e identidades de uma sociedade. É evidente que essa compreensão traz em suas dobras uma visão de memória que valoriza a experiência coletiva a partir do relato pessoal. Na verdade, a partir do sujeito singular pode-se, por meio da história oral, chegar-se à compreensões da experiência histórica coletiva. E como Alberti (2004 apud PINSKY, 2010, p. 167) assinalava:

A memória é essencial a um grupo porque está atrelada à construção de sua identidade. Ela (memória) é resultado de um trabalho de organização e de seleção do que é importante para o sentimento de unidade, de comunidade e de coerência – isto é, de identidade. E porque a memória é mutante, é possível falar de uma história das memórias das pessoas ou grupos, passível de ser estudada por meio de entrevistas de História Oral.

A história oral, um método que consiste em usar palavras gravadas, como observa Voldman (2002), dentro dessa perspectiva que vimos de sublinhar, situa-se, pois, como uma abordagem qualitativa que, segundo postula Gil (1991), considera que há uma relação entre o mundo real e o sujeito – um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito, que não pode ser traduzido sempre em números ou quantificado. O ambiente natural é

a fonte direta para a coleta de dados e o pesquisador é o instrumento chave na abordagem qualitativa, na qual essa pesquisa se enquadra. A pesquisa qualitativa reduz a distância entre teoria e empiria, entre contexto e ação (MAANEN, 1979a, p. 520), portanto, os procedimentos adotados buscaram a descrição dos significados que os sujeitos elaboraram no decorrer da pesquisa. Conforme classificada por Merriam (1998), essa abordagem pode ser considerada também fenomenológica, tendo em vista que ela usa dados e experiências daqueles que participam e investigam o fenômeno.

As técnicas para coletas de dados aplicadas, desse modo, foram as entrevistas, o levantamento de obras artístico-culturais compostas no percurso estudado e o relato autobiográfico dos sujeitos, diários de campo, além dos Círculos de Cultura, que deram corpo ao caráter descritivo e analítico da pesquisa.

Patterson (2005, p. 142) definiu diários de pesquisa como um "registro pessoal de eventos diários, observações e pensamentos". Podem ser usados como registro de "reações, sentimentos, comportamentos específicos, interações sociais, atividades e/ou eventos", em um determinado período de tempo (SYMON, 2004, p. 98).

Alaszewski (2006) classifica os diários solicitados e os diários publicados ou pré- existentes. Estes últimos podem ser:

a) o 'registro científico', no qual o autor está ausente ou se apresenta como um observador neutro, a narrativa é de descoberta, o estranho e não familiar são registrados, e ao leitor oferecem-se experiência e insight;

b) o memorial, no qual o autor é uma pessoa 'importante' que reivindica o acesso privilegiado para eventos-chave ou decisões, a narrativa é baseada no papel e na contribuição do autor em eventos e decisões, e ao leitor é oferecida a oportunidade de ver os acontecimentos 'pelos olhos' do autor;

c) diário-testemunho, no qual o autor se apresenta como uma 'pessoa comum' que experiência, experimenta ou sobrevive a eventos extraordinários, a narrativa é de sofrimento e sobrevivência, e ao leitor se oferece acesso e insight sobre 'como se sente';

d) o diário literário, no qual o autor afirma o status de 'escritor', a narrativa envolve a luta do autor para criar; ao leitor se oferece insight sobre o processo criativo bem como sobre o produto deste processo; e

e) diário fictício, no qual um narrador fictício reivindica o status de um observador independente e científico, a narrativa é de descoberta e revelação; ao leitor se oferece insight por meio do mundo de ficção. (ZACCARELLI e GODOY, 2010, apud ALASZEWSKI, 2006).

Sobre as entrevistas na História Oral, aqui se tem um caráter particular de documento-monumento – definição criada por Le Goff –, problematizada por Alberti (2004) como uma produção que possui intencionalidade, já que é construída, ao modo de um monumento, como algo que se fez para guardar a recordação (como uma obra arquitetônica, por exemplo). É nesse sentido que a intencionalidade está dentro do próprio documento

histórico ou relato, resultante da correlação de forças que existiram na sociedade que o gestou. É preciso, então, considerar esse caráter particular da entrevista na história oral.

E aqui temos de anotar a diferença entre fonte oral, arquivo oral e depoimento oral, segundo Voldman (2002, p. 255). A fonte oral é o material colhido por meio da oralidade e que possui utilidade específica na metodologia da história oral. O arquivo oral é

um “documento sonoro gravado” e que pode não ser usado pelo historiador ou pesquisador; é

algo captado do presente, que futuramente costuma ser retomado e usado como fonte oral, quando então for utilizado para pesquisa. Já depoimento oral é material a ser mediado pela técnica historiográfica, tornando-se testemunho ou prova de uma acepção ou verdade. Em meu estudo utilizei fonte oral, mas deixarei arquivos orais e depoimentos orais no Museu de Cidadania, com material que exceder a sua utilização como corpus desta pesquisa.

Nas biografias, observei a leitura que os jovens do Enxame fizeram das aulas teórico/discursivas vividas no curso Museu e Cidadania: seus momentos de construção sobre o método de mapeamento, as oficinas de sensibilização, as discussões sobre patrimônio material e imaterial buscado e codificado, as oficinas de fotografa documental, entre outros âmbitos da experiência vivida e recortada mediante a história oral. Realizei, ainda, a análise das aulas de campo dos alunos: consta da minha pesquisa também a parte em que os jovens do Enxame realizavam suas práticas em educação patrimonial, quando então iam entrevistar as pessoas da comunidade e visitar os locais a serem mapeados.

A pesquisa atuou com jovens do grupo Enxame que participaram do curso e da prática em educação patrimonial, vivida como Museu e Cidadania Cultural. Os critérios de seleção dizem respeito à participação no curso, disponibilidade em participar da pesquisa, envolvimento no percurso focalizado e, evidentemente, pertencimento ao grupo Enxame, que protagonizou o curso Museu e Cidadania Cultural, voltado para o olhar ao Grande Mucuripe. Os sujeitos da pesquisa foram os jovens do grupo Enxame, cujo percurso educativo vivido como educação patrimonial foi investigado.

Foram agregados, ainda, à pesquisa, sujeitos que conhecessem a história do lugar, memórias vivas, o que proporcionou um diálogo intergeracional.

Os dados foram coletados através de Entrevistas; Biografias e Documentos culturais-artísticos produzidos no percurso teórico-prático vivido por ocasião do curso de Educação Patrimonial, vivenciado pelos jovens do grupo Enxame, no Grande Mucuripe.

A coleta de dados foi realizada em três etapas:

Etapa 1 – Ordenação dos dados: Organização inicial dos dados coletados através dos instrumentos de registros.

Etapa 2 – Classificação dos dados: Segundo Minayo (1996, p. 209), inicia-se com uma leitura que ela chama de flutuante, que possibilita a identificação das unidades de registro, que começam a ser agrupadas de acordo com variáveis teóricas ou empíricas, ou segundo a interação entre ambas, que vão se agrupando significações de acordo com o tema e depois em categorias ora mais amplas, ora mais específicas.

Etapa 3 – Análise Final: A partir das etapas anteriores é possível identificar as categorias empíricas e analíticas. Daí, torna-se possível promover o diálogo entre ambas, que representa a articulação entre a teoria e a prática.