• No results found

HELSETILSYNET I FYLKENE

As categorias Decisão, Diretrizes e Padronização, localizadas no quadrante inferior direito do Gráfico 5, foram identificadas como os prováveis componentes do sistema periférico da representação social, de acordo com a técnica do quadro de quatro casas de Vergés.

Estes componentes refletem os aspectos menos rígidos da representação social estudada. São ideias que, embora sejam associadas por profissionais de TI ao conceito de Governança de TI, não são consideradas essenciais para o seu entendimento, sendo mais facilmente modificáveis, regulando e adaptando o núcleo central às experiências e necessidades cotidianas individuais (SÁ, 2002; MARQUES; OLIVEIRA; GOMES, 2004).

De acordo com a revisão de literatura realizada no presente trabalho, seria razoável esperar que Decisão figurasse entre os elementos do núcleo central da representação social de Governança de TI, uma vez que em cerca da metade das definições (ALVES, 2013; ISACA, 2012; LUNARDI, 2008; PETERSON, 2004; SIMONSSON; JOHNSON, 2006; WEILL;

86

ROSS, 2004) apresentadas para o referido termo (Quadro 3), esse elemento é destacado explicitamente, sendo a Governança de TI equiparada com a estrutura, distribuição das responsabilidades e direitos para a tomada de decisão sobre os assuntos de TI.

A própria definição de Governança Corporativa, disciplina de onde a Governança de TI é derivada, expressa a tomada de decisão como um de seus elementos-chave (OECD, 2004).

No entanto, a categoria semântica Decisão apresentou uma frequência de evocação (15), embora próxima, inferior à frequência média (16) e uma ordem média de evocação de 3,47, muito superior à OME média de 2,9. Esses resultados a posicionaram como provável elemento do sistema periférico da representação social de Governança de TI, contrariando o esperado. Adicionalmente, a categoria também não demonstrou representatividade dentre as aquelas como mais relevantes na definição do conceito de Governança de TI, sendo indicada por apenas 3 respondentes por essas características.

Talvez, poder-se-ia cogitar que a razão para a baixa relevância do termo Decisão, esteja ligada à implantação recente do modelo de Governança de TI. O modelo foi concebido no fim de 2012, sendo aplicado a partir de 2013, especialmente voltado para a obtenção de disciplina orçamentária. Seria esperado que, por tratar-se de um mecanismo recente, utilizado por completo em apenas dois ciclos de planejamento, provavelmente estaria em processo de evolução, clareando indefinições e corrigindo possíveis falhas. No entanto, este argumento não se sustenta, pois somente 19% dos respondentes classificaram o modelo de Governança de TI nos dois estágios de menor maturidade.

Outra possível explicação para Decisão não ter sido percebida como um elemento- chave no conceito de Governança de TI seria a característica histórica dos direitos de decisão sobre a priorização das demandas de TI não ser de responsabilidade da área de TI na organização. Essas decisões eram tomadas pelas áreas demandantes, detentoras de um orçamento pré-estabelecido, com pouca influência da área de TI. A Governança de TI não trouxe uma mudança significativa da participação da TI nesse processo decisório, pois o direito de decisão continuou fora da área de TI, passando a pertencer à área gestora do processo ao qual a demanda visa atender. A influência da TI neste processo decisório restringe-se ao apoio que fornece aos gestores dos processos, esclarecendo dúvidas e tecendo considerações em relação às demandas recebidas.

87

Weill e Ross (2004) destacam que além da priorização de investimos, existem mais quatro grandes tipos de decisões a serem endereçadas pela Governança de TI: o papel estratégico da TI; a arquitetura de TI; a infraestrutura de TI e as necessidades das soluções de TI.

Estes últimos quatro tipos de decisão, aparentemente são tomados pela unidade de TI. Na prática, porém, exceto por questões relacionadas à infraestrutura e serviços de TI centralizados, a área de TI demonstra pouca autonomia em suas decisões. Assim, mesmo que a TI tenha por objetivo exercer um papel estratégico para a organização, há poucas chances dessa decisão produzir efeitos práticos. Até mesmo algumas decisões envolvendo questões mais técnicas relacionadas à Arquitetura de TI contrariam as políticas de TI, atendendo a interesses específicos de algumas áreas da companhia. O mesmo se aplica à definição dos requisitos de negócios, os quais muitas vezes refletem especificidades desnecessárias, prejudicando o ótimo global.

Outro provável componente do sistema periférico é a categoria semântica Diretriz, a qual parece estar intimamente ligada ao processo de tomada de decisões, que, para exibir coerência, deve seguir diretrizes e orientações pré-estabelecidas por um corpo diretivo. Segundo Assis (2011), a Governança de TI estabelece as orientações e diretrizes para que a Gestão de TI possa implantar as decisões tomadas. O COBIT 5 também preconiza que a Governança é responsável pela orientação em relação à priorização e à tomada de decisão, realizando monitoramento do desempenho e da conformidade para garantir o alcance do objetivos organizacionais (ISACA, 2012). Essa característica é destacada claramente na transcrição:

alguns dos propósitos de uma Governança é o de definir objetivos e fornecer diretrizes para condução de atividades e processo de tomada de decisão (respondente n. 39).

É a partir do estabelecimento, divulgação e clara compreensão dessas diretrizes, tradutoras do direcionamento da área de TI, que se torna possível garantir o alinhamento da TI com a estratégia da organização.

O último elemento do sistema periférico está representado pela categoria

Padronização. Traz a noção de que é preciso que as atividades de TI sigam padrões pré-

estabelecidos, visando à garantia de homogeneidade em atividades correlatas desempenhadas por áreas distintas.

88

Parece estar relacionada à necessidade de garantir a organização e padronização de processos, o que remete à necessidade de controle, operacionalizada geralmente por

frameworks que exibem modelos de referência de processos.

A Padronização apoiaria, assim, a implementação das decisões, facilitando a gestão e garantindo que as atividades de TI mantenham-se continuamente aderentes e alinhadas à estratégia da organização, conforme destacado pela transcrição:

[A importância da padronização se dá] devido à necessidade de que todos trabalhem de forma uniformizada, conheçam suas responsabilidades e os rumos da empresa, de forma a contribuir para a eficiência da gestão (respondente n. 28).

A menção pelos respondentes da necessidade de padronização das atividades de TI poderia sinalizar a existência de dificuldades cotidianas vivenciadas por estes profissionais na tradução da estratégia da organização para o dia-a-dia da TI.