• No results found

Helseopplysninger på sesjon del 1 og sesjon del 2

In document 14-02174 (sider 35-39)

2 eks mulige ut

4 Sammenhenger mellom sesjon del 1 og sesjon del 2

4.1 Helseopplysninger på sesjon del 1 og sesjon del 2

Veja cita em pelo menos duas matérias, em datas diferentes, um estudo do economista Armando Castelar Pinheiro, chefe do departamento econômico do BNDES em 1996: em 6 de agosto de 1997 (ALMEIDA; FERREIRA, 1997) e em 1º de novembro de 2006 (SOARES, 2006), quase de 10 anos depois. Tal estudo levantou

os dados de 46 empresas privatizadas entre 1981 e 1994 e chegou a constatações interessantes. O faturamento dessas empresas cresceu 27% entre o período estatal e o privado, e o número de funcionários caiu 31%. As vendas contabilizadas por funcionário subiram 83%, o patrimônio triplicou e o investimento quadruplicou. O lucro, que é o índice mais importante de qualquer empresa, substituiu o prejuízo crônico dos balanços (ALMEIDA; FERREIRA, 1997, p. 66).

Em 1997 a conclusão é o “desempenho lamentável das estatais. Muitas delas provavelmente estavam a caminho do desaparecimento, e renasceram depois da privatização” (ALMEIDA; FERREIRA, 1997, p. 66). Em 2006, Veja é condescendente com quem duvidava do sucesso das privatizações antes e convoca o debate público em favor de novas privatizações:

No início desse movimento, era compreensível que houvesse resistência. O desenvolvimento industrial do Brasil baseou-se em grande parte nas estatais. Agora os fatos falam por si. Passadas as eleições, é hora de retomar o tema das privatizações sem rabugice ideológica, não apenas à luz de eventuais desvios de conduta dos leilões, mas também dos resultados obtidos na telefonia e na Vale (SOARES, 2006, p. 89).

A referência às denúncias de corrupção que explodiram a partir de 1998 passam quase despercebidas, classificadas como de eventuais desvios de conduta.

A revista usa mais um estudo, de outro economista, para apresentar uma posição positiva do processo de privatizações em outra matéria, e a todo momento destaca os processos bilionários que resultaram em grandes arrecadações para o governo. Aliás, uma característica do discurso de Veja sobre as privatizações que exaure pela repetição é a

exaltação dos mega negócios fechados ou por serem fechados, como indicam os trechos a seguir:

“Se as estatais forem mesmo privatizadas, aí, sim, os investimentos poderão ser de 45 bilhões de dólares. O país nunca viu tanto dinheiro em sua história econômica” (A LINHA..., 1997, p. 118)”;

O sistema de transmissão de voz, imagem e dados – as telecomunicações, em resumo – é o melhor negócio do planeta Terra neste final de século. Estão sendo investidos trilhões de dólares – sim, trilhões – para comprar e operar esses sistemas em todo o planeta. (...) Seria como incorporar ao PIB quatro companhias do porte da Vale do Rio Doce. Portanto, também para o Brasil as telecomunicações são o negócio mais importante deste fim de milênio” (A LINHA..., 1997, p. 118).

“O governo embolsará pela venda das concessões uma fortuna estimada em 6 bilhões de dólares, e os consumidores sairão finalmente da fase da pedra lascada no terreno da telefonia móvel.” (ROCHA, 1997, p. 118).

Novamente se anuncia o maior negócio de todos os tempos: “A entrega da telefonia celular aos consórcios formados para operá-la não é apenas o maior processo de privatização até agora realizado no Brasil. É o maior negócio já feito no país em todos os tempos”. (ANALISTAS DA LAFIS, 1997b, p. 119).

Já o discurso de Carta Capital questiona o quão bons são os negócios fechados para a venda das estatais, como na matéria publicada em 29 de maio de 1996:

'Quanto maior a limitação que o governo fizer, menor valor vai conseguir. E a preço de banana não vale a pena privatizar', diz Krauspenhar. (…) Segundo Vaz das Neves, a Vale é bem administrada, sustenta-se com a própria geração de caixa e a União conseguirá pouco dinheiro com sua venda. (SAFATLE, 1996, p. 60).

Uma diferença marcante entre os discursos presentes em Veja e Carta Capital diz respeito aos serviços oferecidos ou a serem oferecidos pelas empresas privatizadas. Para Veja, os serviços serão melhores e mais acessíveis aos usuários. A única ressalva está presente na matéria de 16 de abril de 1997: “Anuncia-se que esse preço deve cair cerca de 30% quando a Banda B entrara em funcionamento, mas a prudência aconselha que se leiam essas promessas com alguma desconfiança. Nas regiões de maior demanda, uma queda nas tarifas mais significativa só aconteceria depois de dois anos no mínimo” (ROCHA, 1997, p. 121).

Figura 3 - Capa da revista Carta Capital publicada em 22 de julho de 1998

Fonte: Acervo disponível na página eletrônica da revista Carta Capital.

O símbolo da República falando ao telefone associado ao título em letras garrafais: “Bom negócio para o Brasil?”, sob o chapéu “Privatização da Telebrás”. O texto abaixo do título traz a resposta em informações selecionadas em tópicos:

Preço não retrata o ganho estratégico dos compradores; Empresas que disputarão a privatização brasileira não cumprem metas na Argentina; As dificuldades de atuação dos órgãos reguladores; As dúvidas sobre a competição; Os riscos para a

tecnologia e a indústria nacionais (INTELIGÊNCIA..., 1998, capa, grifo do autor)

As chamadas de capa desta edição acabam formando um texto bastante negativo da capa, cujo centro é o questionamento da privatização da Telebrás. São elas; “ABN AMRO E BANCO REAL: um negócio muito malcontado” e “ALERTA: o mau uso dos remédios mata 100 mil por ano, só nos Estados Unidos”.

Já na revista de 19 de agosto de 1998 é ainda mais direta em relação aos serviços: “E quanto aos interesses dos usuários? Só o tempo comprovará, mas a experiência dos países vizinhos indica que, para as pessoas físicas que já tinham telefones antes da privatização, a qualidade do serviço nem sempre melhorou e, apesar de todas as promessas, as tarifas

focaram mais caras. (…) Os usuários empresariais, porém, certamente ganharam com a privatização: além de geralmente terem sido beneficiados pela reestruturação de tarifas, obtiveram tarifas especiais para grandes usuários e a aceleração da expansão dos serviços mais modernos e sofisticados (Internet, teleconferência, etc.)”.

A preocupação com regras comum às duas publicações é para evitar monopólios e oligopólios. Um trecho publicado em 25 de junho de 1997 na Veja expressa: “'Se não houver cuidado, podemos sair do monopólio estatal para o monopólio privado', diz o deputado Paulo Heslander, do PTB mineiro, ex-presidente da Telemig”.

Entretanto, para Veja as regras de leilão estabelecidas pelo governo resolvem o problema. Para Carta Capital, o problema está no modelo de privatização como um todo. Assim, a revista da editora Abril apresenta um discurso entusiasmado em torno de algumas conquistas da Telefónica de España em um leilão, mas critica o arremate feito por um grupo estritamente nacional.

Em 5 de agosto de 1998 a revista Veja publica: “'Ficamos com a jóia da coroa. Ninguém pode querer ser grande na América Latina se não tiver a companhia telefônica de São Paulo', declarou o presidente da Telefónica de España, Juan Villa-longa. Os espanhóis levaram ainda a Tele Sudeste Celular e a Tele Leste Celular, e garantiram uma participação importante na Telesp Celular, comprada pelos portugueses. Desta forma, a Telefónica de España, uma companhia que foi estatal até 1995 e agora tem 100% de seu capital privado, passou a ter o controle da telefonia nas áreas mais importantes do Brasil. A empresa controla, atualmente, 11,6 milhões de linhas fixas na América Latina. Com a compra da Telesp, ela incorpora mais 6 milhões de linhas.” (…) Na mesma matéria, há um lamento: “pontual e perfeita na execução, a venda das teles enfrenta um único problema. É que a área mais problemática da telefonia, a Tele Norte Leste, que abrange as regiões que vão do Rio de Janeiro ao Amazonas, foi vendida ao consórcio Telemar, liderado pela construtora Andrade Gutierrez. Nesse consórcio não entra estrangeiro algum, e a crítica que se faz é que nenhum participante tem experiência na operação de empresas telefônicas.”

Já a Carta Capital denuncia o pequeno número de consórcios participantes de um processo e os efeitos de longo prazo em escala global:“Os quatro primeiros grupos competem por praticamente todas as regiões (exceto a Centro-Oeste, vencida pela Americel como única concorrente, e a Norte, desprezada por todos) e incluem os parceiros mais pesa pesados. Os demais, com pretensões menores, podem ser vistos como azarões. Em princípio, é possível

que um mesmo grupo, por meio de dois consórcios, controle quatro regiões; assim, a Banda B poderia ser praticamente dominada por apenas dois grupos (…) Assim, o problema está menos na eventual formação de monopólios brasileiros no futuro imediato do que na formação quase certa de um oligopólio mundial no longo prazo”.

A reportagem de 25 de junho de 1997 da Carta Capital alerta, ainda, para o perigo democrático da propriedade cruzada de meios de comunicação: “A questão é tanto mais delicada por não abranger apenas a fusão dos mercados nacionais em um global, mas também a fusão de três mercados de enorme importância estratégica até recentemente independentes e mantidos cuidadosamente separados por todas as regulamentações nacionais: telecomunicações, mídia e informática. Esses setores resumem o essencial da 'terceira onda' e – ao lado das finanças e de alguns segmentos da química e biotecnologia – são os únicos a se mostrarem realmente dinâmicos nas economias mais desenvolvidas deste último quarto de século. Além disso, tem papel essencial na formação e condução da opinião pública e na educação de crianças, jovens e adultos – há quem acredite que substituirão inteiramente a escola tradicional. Controlá-los significa essencialmente dominar o futuro”. O alerta é repetido em 25 de junho de 1997. As imagens de capa e da matéria principal desta data são bastante fortes e na contramão das privatizações em curso no país. A imagem da capa ilustra um aristocrata dos tempos do império sendo alimentado por servos que lhe dão de comer na boca, oferecendo pão, carne, frutas, barris de vinho, como pode ser visto na figura 4, a seguir.

Figura 4 – Capa da revista Carta Capital publicada no dia 25 de junho de 1997

Fonte: Acervo disponível na página eletrônica da revista Carta Capital. .(DRUMMOND, 1998).

A ilustração da figura 4 faz referência ao período monárquico em que os integrantes da nobreza tinham privilégios do Estado como algo natural à sua condição de nobres. Aliada ao título “Devoradores de estatais”, em caixa alta, tal imagem apresenta uma crítica tenaz ao processo de privatizações financiado pelo Estado por meio do BNDES, fundos de pensão e outros mecanismos, como a matéria denuncia. O texto que vem abaixo do título é também esclarecedor quanto aos privilégios de um setor no processo de privatizações em curso naquele momento: “A concorrência para a Banda B da telefonia celular expõe o favoritismo de um pequeno grupo de gigantes empresariais brasileiros, praticamente os mesmos protagonistas das últimas privatizações ocorridas no País” (ANALISTAS DA LAFIS, 1997, capa). As duas chamadas de capa da edição reforçam uma crítica ao governo federal. Uma anuncia a coluna de Raymundo Faoro, intitulada “FHC, se reeleito, viverá um pesadelo” e a outra questiona uma parceria de uma das grandes estatais brasileiras: “O lance das grandes irmãs para explorar petróleo com a Petrobrás”.

Já a imagem principal da matéria de 25 de junho de 1997 traz um homem branco opulento, trajando paletó e gravata devorando o pedaço de um prédio espetado em um garfo que o homem segura. Na outra mão, ele tem uma faca de mesa. À frente deste homem, sobre uma mesa, está o banquete: torres de TV, antenas, parabólicas, prédios de indústrias, usinas, etc. A imagem se refere ao título “O banquete dos gigantes”, conforme ilustra a figura 5.

Figura 5 – Ilustração da matéria “O banquete dos gigantes”, publicada na revista Carta Capital em 25 de junho de 1997

A imagem presente na figura 5 não deixa dúvidas quanto ao posicionamento da matéria, de crítica ao processo de privatização em curso naquele momento no país, em uma referência imagética clara à privatização das telecomunicações em especial, o que é confirmado pela linha fina: “No Brasil e no mundo, a privatização coloca as telecomunicações nas mãos de poucas empresas, com riscos para o consumidor e o cidadão”.

Carta Capital publica em 23 de março de 2005 uma análise das revoltas populares e das disputas entre governos e empresas privatizadas na Argentina e na Bolívia para fazer um paralelo com o caso brasileiro, também problemático, mas com menos conflitos. No caso do Brasil, “na maioria dos casos, o problema tem sido cuidadosamente acomodado debaixo do tapete: as empresas privatizadas deixam de cumprir suas metas e o governo deixa de cobrá- las. As agências reguladoras deixam de aplicar multas por deficiências nos serviços ou essas não são cobradas, enquanto o BNDES desembolsa bilhões em novos financiamentos e capitalizações para evitar que empresas privatizadas parem de funcionar, em vez de destinar esses recursos a novos investimentos urgentes. (…) Nos três países, com diferentes graus de gravidade, a premissa de que os interesses transnacionais seriam colocados acima de povos e países criou falsos direitos adquiridos e agora dificulta o ajuste a políticas mais equilibradas e expectativas mais realistas. Os governos necessitam desesperadamente recuperar parte do poder regulatório perdido”.

In document 14-02174 (sider 35-39)