Existem diversos tipos de recolha e análise de informação centrados na investigação-ação, tendo como técnicas de recolha de dados mais frequentemente
utilizadas (…) a observação, a entrevista e o inquérito por questionário (Afonso, 2005,
p.88). Podem ser também consideradas técnicas de recolha de informação, as conversas informais a cerca de toda a comunidade nas quais se integra a investigação em questão.
Deste modo, especifico os métodos de recolha de informação utilizados no processo da minha investigação:
Pesquisa Documental, que consiste na utilização de informação existente em
documentos anteriormente elaborados, com o objectivo de obter dados relevantes para responder às questões da investigação (Afonso, 2005, p.88) que
auxilia a fundamentar todas as observações que elaborei;
Durante os estágios sempre me foi dada a oportunidade de poder consultar os documentos das duas instituições. Estas consultas tiveram como principal objetivo retirar informações das mesmas de forma a poder inteirar-me, ficando, deste modo, a conhecer mais aprofundadamente a instituição onde me encontrava e compreender as suas crenças, valores e objetivos.
32 No estágio em creche foi-me facultado o Projeto Educativo 2014/2015 pela coordenadora da instituição, e no estágio em jardim-de-infância tive oportunidade de folhear e retirar informações do Projeto Educativo de 2010/2011, tendo em conta que era o mais recente que tinham disponível.
Relativamente à pesquisa documental de livros conceituados, é necessário ter em conta que estamos perante a visão de um determinado autor, e que essa visão varia de autor para autor devido às diferentes experiências que viveram. Não obstante, torna-se imprescindível num estudo como este, elaborar relações teórico-práticas das nossas próprias vivências e da informação recolhida com as vivências e estudos de autores conceituados.
Observação, que por sua vez, é bastante útil e permite adquirir informação fiável, uma vez que a informação obtida não se encontra condicionada pelas
opiniões e pontos de vista dos sujeitos, como pode [acontecer] nas entrevistas e nos questionários (Afonso, 2005,p.91);
A observação participante define-se como uma das (…) [melhores] técnica[s] de
recolha de dados (…) (Bogdan & Biklen, 1994, p.90) na abordagem qualitativa e, no
decorrer dos estágios que frequentei, esta foi a ferramenta que mais utilizei para recolha de informação.
Esta é uma técnica a que recorremos quando chegamos ao local de estágio, pois temos de compreender todo o novo ambiente que nos rodeia. Analisar as rotinas da sala, conhecer as crianças, cativá-las, entrar no dia-a-dia delas e sobretudo ter a capacidade de esmiuçar o que realmente importa para a pesquisa. Segundo Bogdan & Biklen (1994), é natural que nos primeiros dias de contacto com o grupo a estudar, sejamos colocados um pouco de parte e esperemos que falem connosco e que nos aceitem dentro do grupo. Sendo que, nas semanas seguintes, também se torna necessário ter tempo para ficar de fora, sentar numa cadeira e ficar apenas a observar, de modo a poder analisar com melhor clareza o que acontece num determinado momento.
No estágio em creche sempre tive essa abertura e possibilidade, pois eram poucas crianças e a educadora também estava consciente de que eu necessitava desse mesmo tempo para observar. Já no estágio em jardim-de-infância, essa possibilidade foi quase nula. Para além de ser difícil estar sentada apenas a observar um grupo de
33 crianças entre os três e os seis anos visto que as crianças pedem muita atenção aos adultos, nas primeiras semanas (3ª e 4ª) havia várias atividades para elaborar com as crianças estipuladas pela educadora, e outras decorrentes de trabalhos académicos no âmbito do Mestrado em Pré-Escolar. Como já referi na introdução deste trabalho, a partir da sexta semana de estágio fiquei sem a presença e apoio da educadora cooperante, por isso, o tempo para poder observar foi quase nulo, tendo em conta que tinha de, certa forma, substituir o papel de educadora de sala.
Não obstante, consegui a partir da observação criar laços com as pessoas com quem trabalhei, nomeadamente com as auxiliares de ação educativa. Consegui entender e fundir-me nas suas estratégias e formas de trabalhar, conhecendo verdadeiramente a definição de trabalho em equipa.
Inquérito por Questionário, que se baseia em perguntas escritas às quais se dá resposta, também esta por escrito, em que o principal objetivo é converter a
informação obtida dos respondentes em dados pré-formatados (…) (Afonso,
2005, p.101);
O inquérito por questionário foi uma das ferramentas que utilizei para recolher informação de uma forma escrita, no qual as educadoras com quem estagiei expressavam a sua opinião relativamente ao processo de adaptação das crianças ao contexto.
No estágio em jardim-de-infância tal não foi possível devido à educadora cooperante ter iniciado o seu período de baixa, como anteriormente referi e por conseguinte, ter deixado de me dar apoio. É de salientar que de tudo fiz para que a educadora me auxiliasse e respondesse às questões do inquérito. Não tendo respostas por parte da educadora de jardim-de-infância e, de modo a conseguir mais informação para análise, em conjunto com a minha orientadora decidimos por bem elaborar as mesmas questões à educadora/coordenadora de creche, já que foi o local onde realmente tive oportunidade de observar uma criança em fase de adaptação. A coordenadora aceitou o meu pedido, mas posteriormente concluiu que não conseguiria ter tempo para responder, especificamente, às minhas questões. Por isso, facultou-me um texto escrito por si, onde aborda o tema da adaptação.
34 As Entrevistas às crianças, que por norma são elaboradas de uma forma (…)
intencional (…) e entre duas pessoas (…) (Bogdan & Biklen, 1994, p.134), têm
como (…) objectivo (…) obter informações sobre (…) a pessoa entrevistada (Ibid).
A ideia de fazer entrevistas às crianças surgiu já em contexto de estágio em jardim-de-infância, visto que considerei que seria pertinente saber, estudar e escutar a opinião das crianças, relativamente ao que sentiam quando chegavam ao jardim-de- infância. Fazer entrevistas às crianças é muito complexo, requer experiência e competências, decidi-me, mesmo assim, por as realizar.
Optei por elaborar as entrevistas apenas às crianças entre os 3 e 4 anos por serem os novos elementos da sala do referido ano letivo. Consegui obter algumas informações interessantes, mas este trabalho tornou-se muito árduo, tinham alguma dificuldade em expressar os seus sentimentos. Por conseguinte, como não tinha conseguido recolher muita informação das crianças mais novas, elaborei a mesma entrevista a uma das meninas mais velhas da sala, que já detinha um bom desenvolvimento linguístico e psicológico, surgiram respostas muito interessantes e pertinentes.
Notas de Campo, onde trabalhei para que fossem detalhadas, precisas e
extensivas (Ibid, p.150), tendo em conta que o importante é descrever tudo o que o investigador ouve, vê, experiencia e pensa no decurso da recolha e refletindo sobre os dados de um estudo qualitativo (Ibid).
Importa referir que encontrei algumas dificuldades em concretizar as notas de campo. Durante o estágio em Creche ainda não tinha sido definido o orientador de tese, que tem como principal objetivo orientar e ajudar o orientando a recolher e posteriormente a analisar informação. Por essa razão, como também as crianças com quem me encontrava a concretizar o estágio produziam poucas palavras pela sua faixa etária, centrei-me mais nos registos da observação.
Não obstante, as notas de campo são materiais que devem ser utilizados em trabalhos de Investigação-Ação, elaborando relações teórico-práticas com o objetivo de tornar o estudo mais interessante e rico.
Após a organização de todos os dados, que têm como função interpretar e
35 análise dos mesmos como também para o tratamento da informação recolhida, ou seja, esta etapa centra-se na produção de um texto argumentativo que atribui sentidos novos
aos factos, situações e discursos dos actores, numa lógica compreensiva global
(Afonso, 2005, p.116).