3. Teoretisk referanseramme
3.3 Helhetlig sykepleie
Data de início: 30/06/2017 Data de término: 12/07/2017
A realização do campo empírico exigiu uma preparação cuidadosa que se iniciou nas semanas que antecederam a viagem efetiva à comunidade. O território já era conhecido pela equipe de pesquisa há alguns anos e participamos de numerosas atividades na comunidade, as quais foram conduzidas por pesquisadores do Núcleo Tramas (UFC). No entanto, essa pesquisa apresentava algumas características singulares, principalmente relacionadas à decisão de realizar análises de ingredientes ativos de agrotóxicos em material biológico (sangue e urina humanos) e água para consumo humano, além de análises de cariótipos em famílias selecionadas. Desta forma, a organização da pesquisa de campo nos direcionou a planejar, principalmente, duas dimensões:
1. Articulação com os sujeitos dos territórios para auxiliar nos diálogos com as famílias envolvidas no estudo;
2. Efetivação da logística necessária para a coleta de material biológico (sangue e urina humanos) e água para consumo humano.
Em relação ao ponto 1, é importante destacar que a inserção do Núcleo Tramas, desde 2007, no território em questão, possibilitou a criação de laços afetivos com alguns moradores da comunidade, os quais extrapolam os vínculos de parceria de trabalho habituais. Por isso, alguns sujeitos do território auxiliam o grupo desde a etapa de formulação do problema de estudo, passando pelo momento de realização da pesquisa em campo, e, posteriormente, na fase de divulgação dos resultados. No presente estudo, contamos com a participação ativa de algumas lideranças comunitárias para conseguir efetivar as etapas planejadas. Antes de viajarmos, por meio de contato telefônico, explicamos a essas lideranças do que se tratava o nosso estudo e solicitamos apoio para conversar com as famílias que seriam convidadas a participar da pesquisa. Obtivemos, mais uma vez, um auxílio significativo destes sujeitos, os quais iniciaram os diálogos com algumas famílias antes mesmo da nossa chegada na comunidade.
A chegada no território, entretanto, comumente difere do que havíamos planejado com antecedência. Quando se trata de uma pesquisa que depende necessariamente da participação das famílias e do nosso acolhimento em seus domicílios, os contextos comunitários e familiares cumprem um papel crucial durante a efetivação da pesquisa de
campo. Como já havíamos participado de um projeto piloto para a investigação desses casos, conhecíamos algumas das famílias que seriam convidadas a contribuírem com a pesquisa, o que, de certa forma, facilitou o contato inicial com estes sujeitos. Primeiramente, com o acompanhamento de moradoras da comunidade, visitamos as famílias em seus domicílios para explicar do que se tratava a pesquisa e convidá-las a participarem do estudo. Em cada uma das visitas que realizamos, pudemos escutar as histórias dessas pessoas, o processo de adoecimento dos seus filhos e os dramas pessoais e familiares que elas carregam. Tivemos que lidar com situações difíceis de antever, como a separação de cônjuges, mudanças de domicílios (inclusive para outras cidades), violência familiar, adoecimentos graves, dificuldades para falar sobre os problemas de saúde das crianças, os quais, em alguns casos, as levaram a óbito, dentre outras questões que nos mobilizavam a interromper por alguns instantes o roteiro que deveria ser aplicado e acolher aquele sofrimento, às vezes com o intuito de realizar uma escuta atenta, outras vezes com a obrigação de conseguir uma consulta médica com urgência para investigar alguns casos de crianças que apresentavam sinais e sintomas de alerta. Outro fato que nos surpreendeu após a chegada na comunidade, foi a indicação feita pelas lideranças comunitárias de mais dois casos que poderiam ser investigados pela pesquisa (uma família com histórico de más-formações incompatíveis com a vida recorrentes; e uma família que possuía uma menina com suspeita de apresentar um quadro de puberdade precoce). Após visita a esses domicílios e concordância das famílias, resolvemos inclui-los na pesquisa, por se tratar de agravos relacionados ao nosso estudo.
Assim, dia após dia, com o apoio das lideranças comunitárias e o diálogo constante com as famílias, foi possível realizarmos as entrevistas e a coleta do material das famílias que tínhamos planejado, inclusive daquelas que haviam mudado de endereço, com exceção de um casal que precisou ir à Fortaleza (CE), devido problema de saúde que afetou as duas crianças da família, após a realização da entrevista, não sendo possível realizar a coleta do material.
Em relação ao ponto 2, que envolveu a efetivação da logística necessária para a realização da coleta de material biológico e água para consumo humano, foi preciso organizar um aparato bem articulado para garantir a integridade do material a ser analisado. Os laboratórios responsáveis pela análise desse material foram o CESTEH (Fiocruz/RJ), um dos poucos laboratórios públicos no país que realiza, atualmente, esse tipo de procedimento (análise de ingredientes ativos de agrotóxicos em material biológico e água para consumo humano) e o laboratório de citogenética da Unirio, responsável pela realização dos cariótipos nas famílias selecionadas. Este material foi coletado na comunidade de Tomé, localizada em
uma zona rural da cidade de Limoeiro do Norte (CE), município que se encontra a aproximadamente 200 km de distância da cidade de Fortaleza (CE), capital do estado. Desta forma, era importante traçar um plano que assegurasse a integridade do material e a chegada no seu destino final em boas condições de armazenamento, para não comprometer a qualidade das análises. Para cumprir esses quesitos, foi fundamental o diálogo constante entre a pesquisadora responsável pelo estudo e a pesquisadora responsável pela realização destas análises no CESTEH. Os laboratórios nos enviaram os protocolos que deveriam ser observados para as coletas dos materiais e estiveram à disposição para o esclarecimento de dúvidas e questões que surgiram ao longo do processo.
Uma das etapas iniciais na organização dessa logística, foi o estabelecimento de uma parceria de trabalho com um laboratório de análises clínicas local, em Limoeiro do Norte (CE), para a realização dos procedimentos que deveriam suceder a coleta e anteceder o transporte aéreo do material, solicitados pelo CESTEH. Apesar do interesse em realizar esse trabalho, o laboratório com quem estabelecemos este vínculo nunca havia realizado esse tipo de procedimento, de forma que foi necessário um estudo minucioso do protocolo enviado pelo CESTEH e algumas conversas entre o técnico do laboratório de Limoeiro do Norte (CE) e a pesquisadora do CESTEH para garantir a execução correta do procedimento. Apesar das tentativas do laboratório local para conseguir adquirir o produto químico em vários estabelecimentos no estado do Ceará, que deveria ser utilizado para conservação de parte do sangue, não houve êxito na obtenção desta substância (fosfato de sódio dibásico). Diante deste fato, foi necessário o envio deste material pelo CESTEH, o que provocou um atraso na data de coleta.
Tivemos também dificuldades para conseguir o produto químico que deveria ser utilizado nos frascos de coleta da água (tiossulfato de sódio), no entanto, após contato com professor responsável pelo laboratório de química da UFCA, conseguimos adquirir este produto. Ainda sobre a coleta de água, a recomendação inicial do CESTEH foi de que cada amostra deveria ser coletada em frasco de vidro cor âmbar (volume de 1 L). No entanto, apesar da procura exaustiva deste material nas principais cidades da região do Cariri (CE) (Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha), não encontramos o item conforme preconizado. Em diálogo novamente com o CESTEH para a buscar alternativas, optamos por substituir o frasco de vidro cor âmbar por recipiente de mesmo material, transparente, o qual deveria ser revestido por papel alumínio, com o intuito de evitar o contato com a luz.
Em relação ao transporte do material coletado, resolvemos realizá-lo por meio de uma transportadora especializada em transporte de material biológico, pois, em diálogo com o
CESTEH, a pesquisadora nos informou que experiências pregressas mostraram que empresas especializadas nesse tipo de transporte são mais criteriosas e cuidadosas no manejo das amostras do que as companhias aéreas convencionais. No entanto, ainda era necessário resolver como seria realizado o transporte do material até a cidade de Fortaleza (CE), local mais próximo para a transportadora realizar o embarque aéreo das amostras e única cidade no estado do Ceará onde se produz e comercializa gelo seco, material imprescindível para a conservação das amostras até o Rio de Janeiro (RJ). Como o CESTEH exigiu que as amostras chegassem ao destino final congeladas (sangue e urina) e refrigeradas (água), decidimos pernoitar na cidade de Limoeiro do Norte (CE) após a coleta do material. Viajamos, então, no dia posterior, com as amostras condicionadas em recipiente de isopor com bateria de gelo (sangue e urina) e gelo do tipo “escama” (água), em veículo próprio, devidamente refrigerado. Em Fortaleza, entregamos o material para a transportadora contratada, a qual se responsabilizou pelo envio e a chegada das amostras nos laboratórios (CESTEH e Unirio).