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Health practitioners and other providers

D. Is conversion therapy compatible with European human rights law?

III. Do individual rights grant providers a right to perform conversion therapy?

2. Health practitioners and other providers

Zheng (2005, p. 121) propôs uma classificação de raiz morfossintática, distinguindo, como o fez Cintra para as formas de tratamento portuguesas, formas pronominais e nominais. Em Chinês, não existem, naturalmente, as verbais, no sentido em que, aqui, se emprega54.

O sistema de formas de tratamento em Chinês poderá, assim, na perspetiva morfossintática, ser dividido em:

1) tratamentos pronominais e

2) tratamentos nominais (Zheng, 2005, p. 121).

54 Na verdade, em mandarim existe o tratamento verbal, no sentido em que, para determinados atos de fala, a escolha do verbo realiza-se segundo os valores semântico-pragmáticos envolvidos.

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Os tratamentos pronominais na língua chinesa são, na sua totalidade 13 (treze); wǒ (我eu), nǐ (tu), nín (você/o senhor), tā (她/他 ela/ele), wǒmen55 (我们nós), zán (

nós/eu/a gente), rénjia56 (人家eu ou ele/ela), zánmen (咱们nós), nǐmen (你们vocês/vós), tāmen (她/他们 elas/eles), dàjiā (大家pessoal), gèwèi (各位pessoal/“senhores”), zhūwèi (诸 位 “senhores” com deferência). Os tratamentos veiculam poucas informações sobre a

relação entre as pessoas, portanto estas formas raramente são analisadas em investigações da área. E quanto às formas de tratamento propriamente ditas, os investigadores referir-se-ão aos tratamentos nominais, ex., xiānsheng (先生 senhor), tóngzhì (同志camarada), zhǔxí (主席presidente), entre outros.

Recorrendo aos estudos que consideramos mais relevantes sobre as formas de tratamento em Chinês (Cao, 2005; Cui, 1996; Gu, 1992; Zheng, 2005), elaborámos o quadro seguinte que dá conta dos modelos e classificações:

55 Nos dialetos boreais, wǒmen (我们) não inclui o alocutário na conversa, mas zánmen (咱们) sim; nos dialetos austrais ambos

zánmen e wǒmen excluem o alocutário (Cui, 1996).

56 O uso do pronome “Rénjia” como tratamento da primeira pessoa é restrito, normalmente é utilizado por jovens femininas ou crianças.

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Quadro I-7 Quadro sinótico das classificações das formas de tratamento em Chinês

Como se pode constatar no Quadro I-7, as várias propostas de classificação do tratamento partilham elementos importantes, até porque, devido ao impacto do Sistema Patriarcal (宗法) que influenciou a China durante milhares de anos, os chineses dão

grande importância às suas famílias e assim sendo, foi-se produzindo um sistema extremamente complexo de tratamento de parentesco (Kádár & Pan, 2011; S. Li, 1990; Pan & Kádár, 2011a, 2011b; J. Shi, 2003; X. Zhu, 2005; X. Zhu & Xu, 2005). Para exemplificar, o irmão mais velho do pai é tratado como bóbo/dàye (伯伯/大爷) e o mais

novo é shūshu (叔叔); filho dos tios (bóbo/dàye ou shūshu) é tángxiōng (堂兄), quando

57 Nessa categoria, para além de tratamentos como tóngzhì (camarada) ou tóngxúe (colega), Gu (1992) classifica como “tratamentos neutros” também as fórmulas formadas com carateres 小 (pequeno/jovem)+nome próprio/apelido e 老 (velho)+nome próprio/apelido para manifestar proximidade entre o locutor e o seu destinatário. A formação e o uso dessas fórmulas serão analisados mais adiante.

58 Nos nomes chineses vêm primeiro os apelidos, seguidos pelos nomes próprios. A ordem é contrária à dos nomes ocidentais.

Classificação de Gu (1992)

Classificação de Cui (1996) Classificação de Cao (2005) Classificação de Zheng (2005)

Tratamento pronominal Tratamento pronominal

Tratamento de parentesco Tratamento de parentesco Tratamento de parentesco Tratamen to nominal Tratamento de parentesco Marcadores de reverência

Tratamento social Tratamento

social Tratamento na comunicação social Tratamento neutro57

Tratamento de relação Tratamento de relação Tratamento

de relação Títulos de profissão Tratamento de profissão Títulos de profissão Tratamento de profissão Títulos de profissão Tratamento de profissão Títulos de cargo Títulos de cargo Títulos de cargo Tratamento de modéstia/reverência Tratamento de modéstia/ reverência Nome próprio e/ou Apelido Nome

Nome próprio e/ou Apelido Nome58 Tratamento de afeto Tratamento de afeto Tratamento de intimidade

Tratamento de gracejo Tratamento

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este é mais venho que o locutor, e tángdi (堂弟) quando este é mais novo; no caso de um

rapaz que é filho da tia (irmã do pai, gūgu 姑姑 ou da mãe, yí 姨), será, então, um biǎoxiōng (表兄) ou biǎodì (表弟) segundo a sua idade59.

No que diz respeito aos tratamentos sociais (tratamento na comunicação social), existem fórmulas utilizadas como tratamentos de reverência, para falar com pessoas com papéis ou estatuto especiais. Por exemplo, xiānsheng (先生 senhor), nǚshì (女士

senhora/dona), géxià (阁 下 sua excelência), etc.. Salientamos a evolução e atual

utilização do uso da fórmula “xiānsheng” (senhor) que será apresentada mais adiante. As formas de tratamento de relação, como no seu nome se revela, são fórmulas que manifestam as relações sociais entre o alocutário e o locutor, por exemplo, lǎoshī (老师

professor/a), péngyou (朋友amigo/a), tóngzhì (同志camarada), lǎobǎn (老板patrão, chefe),

entre outras. Podem sozinhas desempenhar a função de formas de tratamento, ou alguns podem constituir tratamentos complexos junto com o cargo/a profissão (警察同志jǐngchá tóngzhì, literalmente como “Polícia Camarada”, Sr. Presidente) ou com nomes próprios ou apelidos (王老板 Wáng lǎobǎn, “Wáng Patrão/Chefe”, Sr. Wang) O termo tóngzhì

(camarada) bem como lǎobǎn (patrão/chefe) transportam com eles marcas ideológicas de certos períodos históricos da China.

Os títulos de profissão são fórmulas como yīshēng (医生médico), jiàoliàn (教练

treinador), gōngchéngshī (工 程 师 engenheiro), entre outros, enquanto os títulos de

cargo/categoria se referem aos cargos exercidos, incluindo civis e militares: ex., fù xiàozhǎng (副校长vice-diretor da escola), shàoxiào (少校major-general), jiàoshòu (教授

professor catedrático), etc. (Cao, 2005; Cui, 1996).

O tratamento de modéstia/reverência realizam-se por meio de fórmulas escolhidas pelo locutor quando se dirige a um alocutário cujo poder é, nesse caso, maior e o seu estatuto social ou senioridade (antiguidade na família/clã) é superior (D. Li, 2012, p. 69). Parte das formas de tratamento de reverência são comuns às do tratamento social, tais como xiānsheng (先生senhor), nǚshì (女士senhora/dona) e géxià (阁下Sua Excelência).

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Estas fórmulas são normalmente utilizadas em ocasiões presenciais, sendo possível antecedê-las de nomes próprios, apelidos ou nomes completos (Wáng xiānsheng, Sr. Wang ou Zhāng Shàoyún nǚshì, Sra. Zhang Shaoyun) tornando-se, então, tratamento complexo de reverência, quer presencial, quer não-presencial.

A parte remanescente do tratamento de reverência60 e todo o tratamento de

modéstia estão estritamente relacionados com o estabelecido por uma das maiores personalidades da etnia Han e foram sendo consolidados ao logo da história; trata-se da auto-depreciação e do elogio do outro (贬己尊人) (Gu, 1990; Kádár & Pan, 2011; Y. Pan&

Kádár, 2011b). Personalidade esta é apresentada no capítulo 2. Ao referir-se a si próprio ou a familiares, o locutor optará por usar termos como bǐrén (鄙人eu próprio humilde), bēizhí (卑职, “eu com profissão humilde”), xiǎonǚ (小女 pequena filha), entre outros;

enquanto termos com caracteres reverenciais, ex. zūnzhí (尊职, o senhor com profissão

respetiva) ou qiānjīn (千金, “mil peças de ouro”; a sua filha preciosa) são para o elogio

do interlocutor ou da sua família (Gu, 1990; Y. Pan & Kádár, 2011b). esta personalidade e a sua influência na língua e cultura chinesa já foi apresentada no Capítulo 2.

Os nomes próprios ou nomes completos (apelidos + nomes próprios) são, no entender de alguns académicos, irrelevantes para o estudo das formas de tratamento por serem apenas identificadores do indivíduo, não da sua persona social, e não possuírem conotações sociais (profissão, estatuto, relação com o locutor, etc.) (Zheng, 2005). É interessante mencionar que, quando se trata de uma relação com mais proximidade, os interlocutores optarão por utilizar apenas o nome próprio do seu interlocutor, sem mencionar o apelido, ou repetem o som do último carácter (chinês) do nome próprio do alocutário (ex.: Míngming 明 明, Fāngfang 芳 芳). Com mais afeto ainda, seria a

combinação do carácter “小 (xiǎo, pequeno)” com alguns tratamentos fixos, por

exemplo, xiǎohuǒzi (小伙子 menino, moço), xiǎogūniang (小姑娘 menina) (Cui, 1996;

Zheng, 2005).

O tratamento de gracejo realiza-se através de formas especiais e muitas vezes insultuosas que manifestam, normalmente, indelicadeza para as pessoas, exceto em

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contextos de brincadeira, ex.: tǔlǎomào (土 老 帽 pessoas grosseiros ou incultos,

matuto/caipira), xiǎobiēsān’er (小瘪三jovens sem abrigo que exercem aticidades imorais

ou ilegais, ex., roubo ou furto) (Cui, 1996; Zheng, 2005). Estes tratamentos são idênticos a “insultos” na classificação das formas de tratamento da língua portuguesa proposta por Medeiros (1985).

Não poderemos deixar de mencionar que, na investigação de Gu (1992), para além de se propor um modelo de classificação das formas de tratamento, há também uma preocupação com os elementos pragmáticos que determinam a decisão do locutor.