1.2 I ntroducIng t hIs B ook
1.2.2 Headline Contributions: Aim and Scope of This Book The aim of this book is to develop an STS framework for examining
Realizou-se pesquisa qualitativa e descritiva, baseada em estudo transversal de casos. A escolha deste método baseou-se no fato de o contexto não requerer o controle de eventos comportamentais e por se tratar de estudo de eventos contemporâneos (YIN, 2009). A abordagem é construtivista e o modo de análise indutivo, sendo o autor o principal instrumento de pesquisa. Trata-se de um estudo de caso instrumental, voltado a uma população organizacional específica - um segmento da cooperação técnica internacional - mas visando à compreensão de um fenômeno mais amplo: transformações em relações de trabalho nos três setores de agenciamento da sociedade.
De acordo com Gerring (2004, p. 342), “o estudo de caso é um estudo intensivo de uma unidade singular com o propósito de se compreender uma classe mais ampla de unidades similares”. O autor entende a unidade como um fenômeno espacialmente delimitado, que pode ser observado transversal ou longitudinalmente. Pode ser uma pessoa, um processo ou mesmo um Estado-Nação. Explica que a hierarquização taxonômica dos elementos estudados depende da proposta de análise em questão, mas, mesmo assim, sugere um tipo de organização matricial que permita “conceituar as observações como células, variáveis como colunas, casos como linhas e unidades, alternativamente, como grupos de casos ou casos individuais”.
No contexto desta proposta, acata-se a forma de organização acima exposta, estabelecendo-se um estudo de caso composto de múltiplas unidades, cada qual comportando, de acordo com o desenvolvimento do projeto, casos individuais ou grupos de casos. As unidades não são definidas em função de organizações, especificamente, mas de posições ocupadas pelos sujeitos em relação ao modelo geral de contratação. Tal escolha se deu pelo fato de a maior parte dos entrevistados haver se relacionado direta ou indiretamente com mais de um OI e pela constatação de que o lugar de fala estaria muito mais relacionado com a postura do sujeito – muito influenciada por poderes posicionais – que pela grife organizacional em si. Funcionários permanentes internacionais são os que gozam de maior prestígio, fazendo jus a pacotes mais competitivos de benefícios – mesmo em relação ao setor privado - e também a graus maiores de liberdade em relação a normas. Funcionários permanentes nacionais possuem estabilidade relativa e
pacotes competitivos em relação a certos setores de mercado, mas trabalham com amarras que somam a normativa de suas organizações às dos Estados com os quais colaboram localmente. Consultores são os que vivem de arranjos temporários, instáveis e progressivamente precarizados. Possuem relativa liberdade em relação aos permanentes quando não são usados como substituição destes últimos.
Quadro 1 – Organização das unidades para estudo de caso.
Estudo de caso: O sujeito na gestão paradoxante em Organismos Internacionais
Unidade de caso Grupo de caso Pessoa Código Sexo Faixa etária Unidade 1
Permanentes internacionais
Grupo único - ativos Sujeito 1 U1S1 - Claus Masculino 55-60 Sujeito 2 U1S2 - Hermes Masculino 40-45 Sujeito 3 U1S3 - Fontes Masculino 40-45 Unidade 2
Permanentes nacionais
Grupo 1 - ativos Sujeito 1 U2S1– Heloísa Feminino 45-50 Sujeito 2 U2S2 - Laura Feminino 35-40 Sujeito 3 U2S3 - Marques Masculino 45-50 Grupo 2 - desistente Sujeito 4 U2S4 - Enio Masculino 50-55 Unidade 3
Consultores
Grupo 1 - ativos Sujeito 1 U3S1 - Ana Feminino 45-50 Sujeito 2 U3S2 – Cássia Feminino 35-40 Grupo 2 - desistentes Sujeito 3 U3S3 - Magda Feminino 35-40 Sujeito 4 U3S4 - Antero Masculino 40-45
Fonte: Salimon, 2015
2.3.1. Sujeitos da pesquisa e seleção dos entrevistados
A definição dos sujeitos foi propositada e teorética (BRYMAN, 2008), em função dos casos selecionados. Estes foram indicados pelo potencial de relação com o sistema fenômeno/fundamentação teórica (MILES;; HUBERMAN, 1994). Conforme sugerido por Stake (2005), muito embora a escolha dos casos tenha sido feita de antemão, houve espaço para escolhas subsequentes, que geraram casos imbricados ou mini casos. Por se tratar de pesquisa qualitativa e, mais especificamente, de estudo de caso, não se procurou caracterizar, na escolha dos entrevistados, qualquer lógica de representatividade.
Diferentemente do ocorrido na pesquisa quantitativa, a pesquisa qualitativa não se vale de amostras probabilísticas para a definição dos sujeitos de uma pesquisa. Recorre à amostragem propositada, definida em função de estratégias relacionadas à pergunta de pesquisa. Um tipo de amostragem propositada é a de bola de neve, em que se escolhe um grupo inicial de sujeitos, os quais indicam amigos que passam a ser parte da amostra. Outro é a amostra teorética, apropriada ao desenvolvimento de teorias emergentes, sobretudo no campo da Teoria Fundamentada. Esta permite que o pesquisador vá definindo, ao longo do percurso
de coleta e análise – e com base na interpretação dos achados – que dados deve buscar em seguida e onde poderia encontrá-los (BRYMAN, 2008). Ambas foram utilizadas neste estudo.
Estimou-se um grupo inicial de doze entrevistados, provenientes de quatro distintas agências que se qualificassem como OI, com ênfase naquelas caracterizadas como organizações internacionais sociais. O uso do procedimento bola de neve levou a um número maior de indivíduos, com um total de quatorze sujeitos contatados. Duas dessas pessoas alegaram temer retaliações e, apesar de haverem deixado em aberto a possibilidade de concederem entrevista, foram evasivas no momento de se marcar, efetivamente, o encontro para a conversa. Outra demonstrou entusiasmo com o projeto e chegou a marcar a entrevista, mas, sem qualquer justificativa, interrompeu contato nos dias que antecederam o encontro. Ao final, 11 sujeitos foram entrevistados, sendo codificados com nomes fictícios no Quadro 1.
Conforme estabelecido no projeto de tese, buscou-se engajar uma variedade de sujeitos que refletisse a complexidade do fenômeno estudado. A subdivisão básica se deu em função do tipo de vinculação, havendo entrevistados que atuam como consultores, outros como funcionários permanentes locais e ainda permanentes internacionais. Entrevistaram-se também ex-membros de OI (caracterizados como desistentes no Quadro 1), além de profissionais implicados com dois níveis dos processos de reestruturação: aqueles envolvidos com o desenho da estratégia e, portanto, com papel relevante na definição das estruturas, do discurso e da operação da mudança;; e também aqueles que podem ser entendidos como objeto da mudança, para quem, supõe-se, haveria sido mais patente o conflito entre a racionalidades finalística e a substantiva, entre lucro (relação custo-benefício dos ativos) e missão.
2.3.2. Instrumento de coleta de dados
O roteiro utilizado visou a levantar elementos que pudessem construir uma ponte entre as teorias utilizadas como fundamentação do estudo e a realidade observada. O esquema abaixo mostra o caminho lógico utilizado pelo pesquisador para a busca de sentidos nas falas dos sujeitos. Tal artifício foi importante na estruturação de um modelo mental que ajudasse o entrevistador a sustentar as conversas. Os entrevistados, com a exceção de um dos permanentes internacionais que desejou
preparar-se com base em perguntas estruturadas, não tiveram conhecimento do instrumento.
Quadro 2 – Caminho lógico: de objetivos a achados e indicadores.
I . Objetivo geral do estudo
II. Objetivos específicos III. O que se buscou em