8 Regulatory changes and subsequent alternation in harvest strategy Environmental regulations are often subject to modifications and reforms to achieve
8.2 Harvest strategy of the codfish fishery under quota regulations
A charge 1, de Jean, foi publicada em 26/08/2006, pouco antes da realização do primeiro turno das eleições, após recusa de participação em vários debates televisivos e entrevistas. (Anexos A e F)35
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Enunciados:
(1) “Não posso responder essa pergunta, estou como candidato.” (2) “Não posso responder essa, estou como presidente.”
(3) “Como? Ah, sim:” (4) “9h20.”
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CHARAUDEAU, 1992.
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Os anexos trazem os temas abordados nas charges, mas nem sempre as charges estão diretamente ligadas a eles como fonte do tema.
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(a) Há a caricatura de Lula em diferentes cenas enunciativas.
(b) Notamos que a caricatura apresenta expressões faciais de pasmo nas duas primeiras cenas, demonstra hesitação.
(c) Na cena 3, a expressão muda para uma expressão de interesse, e na 4, a personagem morde a língua, como quem o faz de forma pensativa.
(d) As cores da charge 1 são apresentadas em tons pastéis.
(e) As diferentes cenas são reconhecidas pela roupa e pelos cenários diversos, como pode ser observado.
(f) Há muitos microfones que representam jornalistas. (g) Os enunciados são dispostos em balões de fala.
A charge é formada por vários atos de linguagem, entre os quais estão os enunciados (1), (2), (3) e (4) que remetem a atos de linguagem de Lula, em diversas ocasiões, esquivando)se das perguntas de jornalistas. Inclusive o candidato fora convidado a participar de uma sabatina na FSP, entretanto cancelou sua participação nas vésperas da entrevista.
Jean, ao dividir a charge em cenas, produz os efeitos de causalidade e temporalidade, através da palavra e da imagem. A causalidade porque confere à imagem fixa a idéia de seqüência de fatos, numa relação de causa e conseqüência. E a temporalidade expressa a mobilidade da charge, cada cena se apresenta em situações diferentes, portanto, atribui à charge seqüência de fatos e tempo. A organização da seqüência narrativa é, predominantemente, espacial e o decorrer do tempo se dá com a mudança dos espaços.
O pronome “eu” inscrito no verbo “posso” nos enunciados (1) e (2) e os discursos diretos do personagem, sem a marca expressiva de um narrador que interfira no texto, mostram que Lula é um narrador)personagem que, através do discurso direto, conta sua história. Quando o chargista dá ao personagem o estatuto de narrador, ele imprime maior força para a ironia e a crítica dos acontecimentos relatados, visto que é um protagonista que vivencia a enunciação. Ainda, atribui valor dramático à charge, conferindo ênfase à sátira do discurso evasivo de Lula.
Nos quatro enunciados, ficam evidentes as trocas linguageiras retomadas pelo chargista entre os interlocutores: Lula (instância política/governança, no espaço da cidadania), jornalistas (instância midiática, no espaço da produção) e espectadores, ou telespectadores,
que assistem à entrevista (instância cidadão, no espaço público). As vozes desses interlocutores formam a polifonia na charge.
A cena enunciativa retomada36é a encenação de coletivas de imprensa, nas quais se espera, de acordo com o contrato de comunicação desse ato de linguagem, que a pessoa entrevistada esteja disposta a responder a qualquer pergunta. O chargista recria várias situações de comunicação que são uma encenação de entrevista, apesar disso e ironicamente, o personagem não responde a nenhuma pergunta de conteúdo político. Fica claro, nos enunciados (1) e (2), que Lula não está disposto a responder a nenhuma pergunta.
A charge, dividida em quatro cenas, facilita para o leitor real a percepção da dualidade de Lula que, segundo o chargista, ora se dirigia como candidato (1), ora, como presidente (2), quando, respectiva e provavelmente, perguntam)lhe sobre fatos do governo ou da campanha. Quando Lula tem a intenção de responder a algo (3), só responde a amenidades e assuntos sem menor importância para a sociedade brasileira ou para o eleitorado (4). Há neste instante da charge o uso da estratégia carnavalesca de revogação na quebra de protocolo, Lula pára a entrevista para dizer as horas.
O chargista satiriza as situações em que o presidente/candidato se esquivou para não responder sobre os assuntos, por exemplo, a corrupção em seu governo. O conhecimento de tais informações seria de grande valia para o cidadão brasileiro se posicionar nas eleições.
Ainda, o chargista usa a estratégia carnavalesca da , aliando oscilação (enunciados (1) e (2)) e segurança (enunciados (3) e (4)) para ironizar e satirizar todo o contexto político no qual o discurso em si é evasivo. A charge é a resposta da imprensa e do público ao discurso político eleitoral de Lula que se constitui em uma enunciação puramente midiática, ou seja, sem conteúdo político.
A dualidade aparente (presidente/candidato) se contrapõe à identidade de Lula como cidadão comum que é revelada nos enunciados (3) e (4), quando se coloca em uma situação muito corriqueira, como a de dizer as horas. Isso revela a contradição do comportamento de Lula, antes um operário, trabalhador pobre, que se identificava por isso com seus eleitores, e a imagem atual e elitista que a mídia veicula.
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Chamamos aqui de enunciação retomada a encenação constituída fora da charge e construtora do contexto desta em várias situações de comunicação.
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O dêitico37 “essa” em (2) é uma anáfora38 que recupera a palavra “pergunta” em (1). Com esse recurso lingüístico, relacionado às imagens que mostram Lula em pelo menos três situações diferentes (a cor do terno, o cenário), o chargista demonstra que ele estava sempre em campanha, satirizando a imagem e o posicionamento do candidato.
Na charge 1, Jean retoma informações e faz comentários acerca das críticas que a imprensa, os adversários de Lula e a opinião pública fizerem contra ele, em virtude de, por exemplo, ele esquivar)se todo o tempo em responder a perguntas que, talvez, pudessem prejudicá)lo na campanha eleitoral.
Tais fatos podem nos fazer compreender que Lula, agindo estrategicamente, usava o discurso evasivo como estratégia eleitoral. Essa estratégia do discurso evasivo de Lula e a imagem midiatizada que ele veicula revelam a despolitização do discurso político eleitoral, proposta por Arnaud (2005). E em contrapartida, a charge, ao ironizar e satirizar o discurso evasivo de Lula, politiza)se ainda mais, pois é resultado da reação do chargista e da opinião pública.