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3.1 Control chamber experiment and experiment design:

3.1.8 Harvest:

Nesse momento do trabalho, cabe ressaltar que análise do material coletado só foi possível a partir de uma atividade intensa, realizada pela pesquisadora, de um determinado contexto e interação. Dessa forma, as descrições contidas neste capítulo poderão informar sobre as reflexões que surgiram a partir dessa relação. Tal colocação faz-se pertinente, pois a descrição que segue foi fundamental para a constituição do corpo de análise do trabalho.

Os procedimentos para análise dos dados foram divididos em cinco momentos. O primeiro trata da transcrição e edição do material áudio-gravado que na perspectiva construcionista já se constitui um momento de construção de sentidos. O segundo momento trata da imersão nos conteúdos e da continuidade do processo intenso de construção de sentidos entre a pesquisadora e o grupo focal. Nesse momento também ocorreu a tematização seqüencial das conversas e a definição de categorias gerais e temáticas que refletiam os objetivos desse trabalho.

O terceiro momento é o resultado da interação entre a transcrição, a seqüência temática da conversa grupal e a construção de um Mapa de associação de Idéias a partir das categorias definidas no decorrer das leituras intensas do material coletado. A construção desse mapa teve o objetivo de dar visibilidade ao processo conversacional e de produção de sentidos.

No quarto momento, a sessão do grupo focal foi descrita em forma de narrativa, baseada na transcrição e nas consultas às anotações ao diário de campo e finalmente, no quinto momento, foram realizadas sínteses temáticas como resultado dos desdobramentos contínuos que ocorreram ao longo de todo processo de análise. Tais sínteses foram construídas em forma de narrativas das temáticas acerca dos sentidos de cuidado ao portador

de transtorno mental grave na Atenção Básica, negociados e construídos nas conversações entre os participantes.

4.5.1 O Primeiro Momento: Transcrição da Entrevista e Edição do Material

A transcrição integral da entrevista foi realizada pela pesquisadora utilizando um editor de texto tipo WORD for Windows a partir de seu registro áudio-gravado. Conteúdos verbais e não verbais foram observados e anotados, o que resultou em um único texto com 38 laudas.

Na perspectiva teórico-metodológica que orienta este estudo, esse procedimento constitui um momento ativo de interações, pois inúmeras vezes a pesquisadora pôde se reencontrar e retomar o processo de conversação com o grupo presentificado nas gravações e em sua lembrança. Esses (re)encontros foram marcados pela atenção da pesquisadora ao processo dialógico, ao fluxo conversacional e às múltiplas vozes na produção de sentidos durante o momento da interação grupal (GUANAES, 2006).

Durante a transcrição foi mantido o tom coloquial da produção de linguagem oral e foram escritos em negrito os nomes de cada participante no início de cada fala como forma de identificá-los e posteriormente facilitar a visualização da interação grupal. Aspectos não verbais foram escritos entre parênteses e algumas expressões de linguagem foram marcadas com aspas.

Depois de transcrita na íntegra, a sessão do grupo focal foi editada pela própria pesquisadora inspirada na metodologia utilizada por Guanaes (2006) e Camargo-Borges (2002) e foram utilizados os seguintes recursos de edição:

• Numeração das linhas e das páginas: foi realizada a numeração seqüencial das linhas e das páginas no decorrer de toda transcrição. Este recurso foi utilizado para auxiliar a localização e identificação da fala no curso da interação grupal e facilitar a referência a trechos específicos da entrevista durante a síntese temática do material.

• Uso de cores: para cada participante foi escolhida uma cor específica de fonte disponível no editor de texto WORD for Windows. Dessa forma, as falas de cada participante apareceriam sempre com a mesma cor ao longo de toda transcrição e possibilitaria a visibilidade às interações entre os participantes.

4.5.2 O Segundo Momento: imersão nos conteúdos

Depois de editado o texto resultado da sessão do grupo focal, a análise foi inspirada pelo modelo utilizado por Souza (2004) e foram utilizados os seguintes recursos:

• A construção de um quadro seqüencial: depois de transcritas e coloridas, foi construído um quadro composto por duas colunas e linhas que separam as falas de todos os participantes sem alterar a ordem e a seqüência em que elas apareceram. Para isso foram utilizados os recursos de edição do WORD – tabela. Cada apresentação da fala registrada com nome do participante, anteriormente destacado em negrito, ficou na primeira coluna. A segunda coluna foi utilizada para anotação de algumas frases ou expressões que traduziam a temática tratada por cada participante. Nesse momento, passaram a chamar atenção da

pesquisadora os temas tratados pelo grupo e a permanência deles durante o curso da conversa grupal.

• Imersão nos conteúdos: a entrevista na íntegra foi cuidadosamente lida e em cada apresentação da fala registrada e tematizada, foi utilizada a segunda coluna do quadro seqüencial para anotação de frases ou expressões que traduziam a temática tratada por cada participante. Neste momento, o foco não foi a eleição a priori de temas ou categorias, mas havia interesse de imersão nos conteúdos das informações coletadas, a fim de destacar os repertórios utilizados pelo grupo e o entrelaçamento desses na interação grupal. Essa ação favoreceu a construção de alguns sentidos sobre o portador de transtorno mental grave, a equipe de saúde da família, possibilidades e dificuldades do cuidado.

• Definição de categorias: a categorização das respostas foi baseada na literatura investigada e no objetivo deste trabalho. Segundo Spink e Lima (2000), depois da definição das categorias gerais, de natureza temática que refletem os objetivos da pesquisa, os conteúdos devem ser organizados e, por não ser uma técnica fechada, há um processo interativo entre a análise dos conteúdos e elaboração das categorias. Nesse sentido, “embora iniciando com categorias teóricas, que refletem os objetivos da pesquisa, o próprio processo de análise pode levar a redefinição das categorias, gerando uma aproximação paulatina com os sentidos vistos como atividade-fim” (SPINK; LIMA, 2000 p.107). As categorias são estratégias lingüísticas e são utilizadas para organizar, classificar e explicar o mundo (SPINK; MENEGON, 2000). São expressas por meio das práticas discursivas e estão vinculadas ao contexto e à finalidade com que foram organizadas, sendo assim, nesta pesquisa, fazem parte da interpretação.

As categorias gerais que refletem o objetivo dessa pesquisa são: os sentidos dados ao portador de transtorno mental grave e ao seu cuidado pela equipe de saúde da família. Dentro

dessas categorias emergiram as categorias temáticas, com as quais foi construído um Mapa de Associação de Idéias.

4.5.3 O Terceiro Momento: Mapa de Associação de Idéias

Dada a proposta de Spink e Lima (2000) após a identificação das categorias foram construídos o Mapa de Associação de Idéias com objetivo dar visibilidade ao fluxo discursivo realizado pelo grupo. Nesse momento, esse recurso favorece a visibilidade do movimento grupal em torno das categorias gerais e temáticas construídas e facilitam a identificação e compreensão de quais e como os conteúdos foram utilizados na construção de sentidos.

Na construção desse mapa utilizou-se a função recortar-colar do editor de texto WORD for Windows para transferir o conteúdo do texto para as colunas. A seqüência do diálogo foi respeitada e mantida na íntegra. Como resultado, obteve-se um efeito escada, conforme sugerido por Spink; Lima (2000). Dois mapas, contendo trechos das conversas estão apresentados no apêndice B.

4.5.4 O Quarto Momento: Narrativa grupal

Nesse momento, com a imersão e a familiaridade gerada após as leituras exaustivas da transcrição e observação favorecida pela edição do material, a sessão do grupo foi sinteticamente narrada. O fluxo da conversa, conteúdos e seqüência das mesmas foram

preservados incluindo a descrição do contexto, do diálogo estabelecido entre os participantes, incluindo a pesquisadora e ainda uma breve análise dos temas abordados, rupturas e permanências no processo de interação dialógica.

4.5.5 O Quinto Momento: Sínteses temáticas

Estas sínteses se constituíram na apresentação sintetizada dos diálogos dos participantes por meio de narrativas pelas quais foram focalizados os repertórios interpretativos que foram utilizados para construir os sentidos acerca do portador de transtorno mental grave e dos cuidados da equipe de saúde da família a ele dirigido. Segundo Spink e Medrado (2000, p. 47), os repertórios interpretativos são as “unidades de construção das práticas discursivas - conjunto de termos, descrições, lugares comuns e figuras de linguagem – que demarcam o rol de possibilidades de construções discursivas”. Foram escolhidos trechos da conversa que, pela sua relevância, podem evidenciar os sentidos, produzidos acerca do modo como os participantes construíram sentidos sobre o cuidado ao portador de transtorno mental grave na Atenção Básica