O comportamento geoquímico dos elementos Y-ETR nos minerais analisados foi comparado com as demais fases minerais de uma mesma amostra, com os resultados da rocha total (Alkmim 2014; figuras 4.9-4.11), e com outros trabalhos de química mineral publicados.
Os grãos de hematita lamelar e goethita correspondentes as amostras F1A23A, F1A25A e F1A36B apresentaram espectros Y-ETR, normalizados pelo PAAS (McLennan 1989), muito semelhantes, com enriquecimento dos ETRP em relação aos ETRL, anomalias positivas em Eu e Y, anomalias negativas em Ce e Nd. Já os espectros referentes aos óxidos/hidróxido de ferro (martita, hematita lamelar e goethita) da amostra F1A35 apresentaram-se bem distintos, conforme a figura 4.16. De maneira geral, os minerais óxidos/hidróxido analisados de uma mesma amostra apresentaram uma assinatura geoquímica em Y-ETR parecida, com exceção da amostra F1A35.
Na maioria das amostras, os grãos de goethita apresentaram uma concentração média em Y- ETR superior aos grãos de hematita lamelar, martita e celadonita. A diferença da concentração média desses elementos entre hematita lamelar e goethita é de 32% para a amostra F1A23A, de 55% para a amostra F1A25A e de 97% para a amostra F1A36B. A amostra F1A35 apresenta um enriquecimento progressivo entre os óxidos/hidróxido de ferro, sendo que os grãos de martita apresentaram menor conteúdo médio (cerca de 79% menor que a hematita), seguida dos grãos de hematita lamelar (cerca de 89% menor que a goethita) e por último os grãos de goethita mais enriquecidos, conforme mostra a figura 4.16. Esses resultados mostram o enriquecimento em Y-ETR entre os óxidos/hidróxido de ferro de uma mesma amostra, relacionado ao aumento do grau de oxidação deles.
Foi observado também um aumento progressivo da razão Y/Ho (tabela 4.12) dos minerais de ferro analisados com o aumento do grau de oxidação deles, sendo menor razão apresentada pela martita, seguida da hematita lamelar e por último a goethita, que apresenta maior razão.
Os resultados de Y-ETR da rocha total das amostras em estudo foram obtidos através do trabalho de Alkmim (2014). Esses resultados foram normalizados pelo PAAS (McLennan 1989) e plotados nos espectros dos óxidos/hidróxido de ferro correspondentes àquela amostra, conforme as figuras 4.9-4.11. Os espectros Y-ETR indicam que os grãos de hematita lamelar das amostras F1A20A, F1A24B, F1A25A, F1A36B e de goethita das amostras F1A21A, F1A35 e F1A36B refletem a assinatura da rocha total, exceto pela presença de anomalia negativa em Nd desses minerais. Para os grãos de hematita lamelar e goethita da amostra F1A23A e goethita da amostra F1A25A, há uma diminuição nas anomalias de Y e Eu e um aumento na anomalia de Ce, em relação a rocha total. E para a hematita lamelar da amostra F1A22A apenas diminuição na anomalia do elemento Y em relação à rocha total. Já os cristais de hematita lamelar da amostra F1A21A e de hematita lamelar e martita da amostra F1A35 exibiram um padrão de Y-ETR bem distinto da rocha total.
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Figura 4.16- Espectros dos Y-ETR dos óxidos/hidróxido de ferro (martita, hematita lamelar e goethita) referentes à amostra F1A35 do Sinclinal Gandarela (QF), com valores normalizados pelo PAAS (McLennan 1989).
O comportamento geoquímico dos óxidos de ferro estudados neste trabalho também foi comparado com outros trabalhos de química mineral publicados. Devido ao grande número de grãos de hematita lamelar analisados foram escolhidos os grãos que apresentaram valores mais próximos do valor médio das amostras, a fim de representá-las.
As análises em óxido de ferro realizadas por Figueiredo e Silva (2009) apresentaram uma assinatura geoquímica em ETR diferente dos óxidos apresentados neste trabalho. Os espectros das martitas analisadas por Figueiredo e Silva (2009), normalizados pelo Nakamura (1974), apresentam um enriquecimento dos ETRL em relação aos ETRP, enquanto os espectros dos grãos de martita analisados neste trabalho apresentam um enriquecimento dos ETRP em relação aos ETRL e uma anomalia positiva de Eu e negativa de Ce, conforme a figura 4.17B. E os espectros dos grãos de hematita lamelar (figura 4.174A), normalizados pelo Nakamura (1974), também são bem distintos dos diferentes tipos de hematita analisados por Figueiredo e Silva (2009).
As magnetitas analisadas por Hensler et al. (2015) apresentaram valores de Y-ETR muito baixos, menor que o limite de detecção do método, assim como os grãos de magnetita analisados neste trabalho. Pelos espectros da figura 4.18A, observa-se que no geral os grãos de hematita lamelar de itabiritos do Sinclinal Gandarela apresentam um enriquecimento do conteúdo Y-ETR em relação aos óxidos de ferro analisados por Hensler et al. (2015). Sendo que os cristais de hematita lamelar, com exceção das hematitas das amostras F1A35 e F1A36B, apresentam uma assinatura geoquímica parecida com as hematitas (exceção das hematitas microtabulares dos depósitos de Conceição e Pau Branco e da hematita granoblástica de Conceição) estudadas por Hensler et al. (2015), com enriquecimento dos ETRP em relação aos ETRL e anomalia positiva em Eu e Y. Os grãos de martita analisados neste trabalho apresentam uma assinatura geoquímica bem diferente das martitas, do
0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 100 La Ce Pr Nd Sm Eu Gd Tb Dy Y Ho Er Tm Yb Lu Martita Hematita Goethita
Amostra F1A35
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itabirito dolomítico de Águas Claras e itabirito quartzo da Pedreira Socorro estudados por Hensler et
al. 2015 (figura 4.18B), apresentando uma depleção em alguns ETRL.
Figura 4.17- Espectros dos Y-ETR dos grãso de hematita lamelar (A) e martita (B) da amostra F1A35 de itabiritos do Sinclinal Gandarela (QF), com valores normalizados por Nakamura (1974).
Os espectros da figura 4.19, normalizados pelo PAAS (McLennan 1989), comparam o padrão geoquímico dos valores médios de Y-ETR das hematitas granulares e especulares realizadas por Oliveira et al. (2015) com os grãos de hematita lamelar analisados neste trabalho. Observando os espectros, nota-se que os grãos de hematita lamelar analisados apresentam um conteúdo de ETR superior (exceto a hematita da amostra F1A36B) às hematitas analisadas por Oliveira et al. (2015). O enriquecimento dos ETRP em relação aos ETRL é notável em todos os espectros. A hematita granular do itabirito dolomítico apresenta uma assinatura geoquímica semelhante aos grãos de hematita lamelar do Sinclinal Gandarela (QF), com exceção da hematita lamelar das amostras F1A35 e F1A36B.
0,1 1 10 100 1000 La Ce Pr Nd Sm Eu Gd Tb Dy Ho Er Tm Yb Lu F1A20A-H17 F1A21A-H22 F1A22A-H8 F1A23A-H6 F1A23A-H7 F1A25A-H28 F1A35-H1 F1A35-H2 F1A36B-H2
A
0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 100 La Ce Pr Nd Sm Eu Gd Tb Dy Ho Er Tm Yb Lu Mt1 Mt2 Mt3 Mt4 Mt5 Mt6 Mt7 Mt8 Mt9Amostra F1A35
B
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Anomalias positivas em Eu presente na hematita granular do minério de ferro de alto teor 1 e na hematita especular do itabirito dolomítico se assemelham às anomalias da hematita lamelar do Sinclinal Gandarela (QF).
Figura 4.18- Espectros de comparação do comportamento geoquímico dos Y-ETR entre hematita lamelar (A) e goethita (B) de itabiritos do Sinclinal Gandarela (QF) e martita, hematitas granoblástica, microtabular e especular de vários depósitos do QF (Baú, Cauê, Corrego Feijão, Esperança, Jangada, Mutuca, Pico, Retiro das Almas, Usiminas, Águas Claras, Pau Branco e Conceição) e itabirito dolomítico de Águas Claras e itabirito quartzo da Pedreira Socorro, segundo Hensler et al. (2015). Os espectros foram normalizados pelo PAAS (McLennan 1989).
A
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Figura 4.19- Espectros de comparação do comportamento geoquímico dos Y-ETR entre hematita lamelar de itabiritos do Sinclinal Gandarela (QF) e hematitas granulares (HG) e especulares (Hespec) de itabirito dolomítico (ID) e minério de ferro de alto teor (HIO) do depósito Esperança (QF), segundo Oliveira et al. (2015). Os espectros foram normalizados pelo PAAS (McLennan 1989).
Os padrões geoquímicos dos óxidos/hidróxido de ferro (hematita lamelar e goethita) analisados neste trabalho também foram comparados com FF paleoproterozoicas mundiais mais primitivas e do QF, conforme os espectros da figura 4.20, normalizados pelo PAAS (McLennan 1989). A assinatura geoquímica tanto dos grãos de hematita lamelar (figura 4.20A) quanto de goethita (figura 4.20B), apresentam uma depleção significativa nos ETRL em relação às FF mais primitivas de Bau & Duski (1996) e Pravanisky et al. (2010). Porém, bem parecidas com itabiritos de Spier et al. (2007), Selmi et al. (2009) e Alkmim (2014).