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Har ungdoms holdninger til medborgerrettigheter endret seg fra 2009 til 2016?

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A aplicação do produto educacional se deu por meio da estratégia de pesquisa conhecida como observação participante. Trata-se de uma modalidade de observação, na qual o pesquisador não é apenas um ator passivo. Ao contrário, ele torna-se parte integrante da estrutura social e tem relação com os sujeitos da pesquisa para coleta de informações, dados e evidências. (MARTINS; THEOPHILO, 2007). Com esta estratégia tornou-se possível alcançar o quarto objetivo específico, isto é, aplicar o produto educacional em aulas ministradas aos estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal

Ao realizar a pesquisa, na aplicação do produto, o observador-pesquisador desenvolveu o papel formal de professor regente de Física, ministrando as aulas constantes nos planos de aulas já referenciados na seção anterior, referentes aos primeiro e segundo bimestres do ano letivo de 2015, de forma revelada e com a permissão dos alunos, da professora regente e da direção escolar, inclusive para realizar gravações de áudio e vídeo. A professora de Física responsável pelas turmas de 1º ano do ensino médio cedeu a regência de duas dessas turmas desde o primeiro dia de aula ao observador-pesquisador. Ela só entrou em contato com as turmas após o período da pesquisa, no 3º bimestre letivo. Assim, o observador-pesquisador pôde se apresentar às duas turmas como professor regente desde o primeiro dia de aula, quando já esclareceu que permaneceria com a turma somente pelos 1º e 2º bimestre. Dessa forma, evitou-se a influência da variável troca de professores, caso o

observador-pesquisador só assumisse a regência das turmas com as aulas já em andamento, conduzidas por outro professor.

6.3.1 Caracterização das turmas

Os planos de aulas elaborados nesse projeto foram aplicados a duas turmas de 1º ano do ensino médio matutino de uma típica escola da rede pública de ensino do Distrito Federal. As turmas da amostra foram escolhidas pelo critério da conveniência, isto é, aquele em que “o pesquisador seleciona membros da população mais acessíveis.” (OLIVEIRA, 2001). Este tipo de amostragem é adequada e utilizada com frequência em pesquisas exploratórias, pela facilidade e baixo custo do pesquisador. Assim, as turmas foram escolhidas por alinharem-se com a disponibilidade de horários da professora regente, do professor pesquisador e a disponibilidade oferecida pela direção da escola, para aulas em um dia específico na semana.

A turma 1 era composta, inicialmente, por 27 alunos e a turma 2 por 35 alunos, ambas com alunos entre 14 e 17 anos. Desses, 6 eram alunos repetentes na turma 1 e 8 na turma 2. Logo nas primeiras aulas, o professor pesquisador identificou a falta de importantes pré- requisitos básicos para muitos alunos das duas turmas. A título de exemplo, quando abordava o assunto “transformações de unidades”, o professor pesquisador propôs que a turma resolvesse uma proporcionalidade (“regra de três”) para efetuar determinada transformação. Passando de carteira em carteira, identificou muitos alunos com dificuldades mesmo para iniciar o procedimento (montar a “regra de três”), quanto mais para efetuar as manipulações matemáticas necessárias para solucionar uma simples equação de 1º grau (“passar” um termo para o outro lado da igualdade e “isolar” a variável).

Já acostumada a lidar com essa realidade escolar, a direção da escola costuma aplicar uma avaliação diagnóstica no início do ano, buscando averiguar habilidades básicas de matemática, leitura e interpretação. No ano de aplicação do produto educacional, isso se deu por meio de uma prova de matemática e outra de português, cada uma contendo 5 questões, para as 8 turmas de 1º ano da escola, com a participação de um total de 203 alunos nessa avaliação.

As questões de matemática dessa avaliação diagnóstica versavam sobre os seguintes temas: potenciação (questão 1), equações de 2º grau (questão 2), propriedades da radiciação (questão 3), geometria e sistemas de medidas (questão 4) e operações com frações (questão

5). O percentual de acerto nas questões foi de apenas 6,1%.14 Notou-se, no entanto, que a turma 4 obteve um desempenho muito acima da média das demais, com um percentual de acerto de 23,8%, conforme Gráfico 1. Excluindo essa turma da análise, o índice de acerto cai para apenas 3,5%.15 Assim, segundo a prova elaborada pelos professores de matemática da escola, em termos de pré-requisitos de matemática para o 1º ano do ensino médio, as turmas 1 e 2 onde o projeto elaborado nesse trabalho foi aplicado se situam em torno da média das turmas, excluindo-se a turma com percentual de acerto fora da curva.

Gráfico 1 - Percentual de acerto nas questões de matemática da avaliação diagnóstica aplicada pela direção da escola no início do ano, por turma.

Fonte: autoria própria

Infelizmente o pesquisador-observador não teve acesso à prova de português, nem ao desempenho individual dos alunos, tampouco ao desempenho de todas as turmas. A única informação disponibilizada pela coordenação da escola foram os gráficos a seguir, mostrando a distribuição dos alunos das turmas 1 e 2 em faixas de notas (n) nas cinco questões da prova diagnóstica elaborada pelos professores de português da escola, cuja nota máxima seria de 5,0 pontos (Gráfico 2 e Gráfico 3).

14 Para o universo de 203 alunos, 62 questões certas de um total de 1015 questões.

Gráfico 2 - Distribuição dos alunos da turma 1 segundo faixas de nota (n) na avaliação diagnóstica elaborada pelos professores de português da escola

Fonte: Coordenação da escola em estudo

Gráfico 3 - Distribuição dos alunos da turma 2 segundo faixas de nota (n) na avaliação diagnóstica elaborada pelos professores de português da escola

Fonte: Coordenação da escola em estudo

Nota-se nos gráficos que apenas 30,2% dos alunos das duas turmas obtiveram nota acima da média, ou seja, acima de 2,5 pontos. Analisando os alunos que obtiveram pelo menos 2,0 pontos de desempenho, verifica-se que 10 alunos (43,5%) da turma 1 e 22 da turma 2 (73,3%) conseguiram atingir essa marca. Assim, conclui-se que, de acordo com a prova diagnóstica elaborada pelos professores de português da escola, os alunos da turma 2 possuem mais pré-requisitos nessa disciplina do que os da turma 1. Essa informação pode ser relevante ao avaliar o desempenho das turmas em atividade que exijam maior nível de leitura e interpretação de texto, como na abordagem dos temas 1 e 2.

3 2 8 3 7 n = 0 0 < n < 1 1 ≤ n < 2 2 ≤ n < 2,5 n ≥ 2,5 TOTAL = 23 ALUNOS

Turma 1

1 1 6 13 9 n = 0 0 < n < 1 1 ≤ n < 2 2 ≤ n < 2,5 n ≥ 2,5 TOTAL = 30 ALUNOS

Turma 2

6.3.2 Adaptações do planejamento durante a aplicação do produto educacional

No que se refere ao objetivo específico aplicar o referido produto educacional em aulas ministradas aos estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal, uma característica específica da escola mostrou-se consideravelmente prejudicial ao andamento do projeto. Não havia uma cultura de respeito ao horário de início das aulas, nem por parte dos alunos, nem por parte de alguns professores. Isso representou uma perda do tempo efetivo das aulas de Física na turma 1, que se davam nos dois primeiros horários, pois muitas vezes o professor-pesquisador se via no seguinte dilema: aguardar a chegada de mais alunos para iniciar as atividades da aula ou iniciá-las no horário com um número reduzido de alunos? Naturalmente, ambos os casos são prejudiciais ao andamento das aulas.

Para a turma 2 a situação não foi muito diferente, embora as aulas dessa turma ocorressem somente nos dois últimos horários. Acontece que a escola seguia uma organização do tipo “sala ambiente”, onde os professores permanecem nas suas salas e as turmas é que circulam de uma sala para outra ao longo dos seus horários de aulas. Infelizmente muitos alunos demoravam demais para efetuar essa troca de sala.

Diante desses dois fatores, logo se observou que, na escola em questão, o tempo útil de aula – aquele que pode ser aproveitado com a exposição e discussão dos conteúdos, com a resolução de atividades, descontando-se o tempo necessário para a chegada, organização da turma e avisos diversos – seria menor do que o esperado pelo professor-pesquisador ao elaborar seu planejamento inicial (apresentado na seção 6.2 do presente texto),mesmo tendo 8 anos de experiência em escolas da rede pública e privada de ensino do Distrito Federal.

A aplicação do plano de aula elaborado neste trabalho seguiu, de fato, o cronograma descrito no Quadro 5 a seguir. A descrição detalhada da aplicação dos temas 1 a 4 (Apêndice F e Anexo B) levou em conta as observações das filmagens das aulas. Nessas observações, priorizou-se identificar elementos da transposição didática efetuada pelo professor do saber a ensinar (plano de aula e material de apoio) para o saber ensinado (aula ministrada) e a participação dos alunos que demonstrassem as virtudes e falhas nos planos de aula testados, bem como dos materiais de apoio.

Quadro 5 – Cronograma de aplicação efetiva do plano de aula dos 1º e 2º bimestres inserindo os temas 1 a 4 com uma carga de 2 h/a semanais de Física

Semana Data h/a Conteúdos/Atividades

B

im

est

re

1 24/02 2 Apresentação da direção para a comunidade escolar (não houve aula de Física)

2 03/03 2 Apresentação do professor O que é Física?

3 10/03 2   Grandezas Físicas, Unidades de Medidas e Notação Científica Sistema Internacional de Unidades

Transformações de Unidades

4 17/03 2

Correção de exercícios

Velocidade Média

Divisão da turma em 5 grupos

Entrega dos textos de apoio (um para cada grupo)

Orientações para preparação dos cartazes e da apresentação oral 5 25/03 2 Tema 1: apresentação oral e dos cartazes (elaborados pelos grupos em casa) e discussão

6 01/04 2

 Correção de exercícios

 Velocidade Relativa

Aplicação do questionário prévio à leitura da apostila

Entrega das apostilas (texto de apoio ao tema 2) para os alunos 7 08/04 2 Aplicação do questionário após a leitura da apostila

Tema 2: discussão da apostila em sala

8 15/04 2 Esclarecimento de dúvidas Movimento Uniforme: definição, função horária e gráficos

9 22/04 2 Exercícios Revisão para prova 10 29/04 2  Semana de Provas

11 06/05 2  Correção da Prova no Quadro

b im est re 12 13/05 2 Aceleração e MUV 13 20/05 2 Exercícios

14 27/05 2 Tema 3: trechos do filme “Interestelar” e apresentação de slides

15 03/06 2 Grandezas Físicas Vetoriais: As Forças

Determinação da Força Resultante

16 10/06 2 Exercícios 1ª e 2ª Leis de Newton

17 17/06 2 Exercícios 3ª Lei de Newton (OBS.: AULA COM HORÁRIO REDUZIDO)

18 24/06 2 Exercícios (tração, sistemas de corpos) Força Peso

19 01/07 2   Avaliação do dever de casa Tema 4: demonstração da analogia da deformação do espaço- tempo com um lençol e atividades em sala

20 08/07 2  SEMANA DE PROVAS

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