Conforme os critérios e análises realizados no apêndice IV, o número de práticas de gestão de risco utilizadas no estudo foi reduzido para 49. Mesmo assim um número ainda bastante grande para uma análise atenta de possíveis variações que provoquem no desempenho. Essa é uma das razões para a utilização da técnica da Análise Fatorial nesse estudo.
Segundo Hair et al. (2010, p. 94), a análise fatorial “é uma técnica de interdependência, cujo objetivo primário é identificar a estrutura subjacente entre as variáveis em uma análise”, por meio da análise dos inter-relacionamentos (correlações) entre um grande número de variáveis, definindo os chamados fatores, conjuntos de variáveis que se inter-relacionam em grau elevado.
Ainda conforme Hair et al. (2010, p. 94), assume-se que esses fatores representam dimensões existentes nos dados. Permite com isso, reduzir o número de variáveis por meio da utilização das dimensões, representadas pelos fatores, para a criação de novas medidas de análise. Permite também, ao trazer maior simplicidade, ver com maior clareza as inter-relações existentes entre as variáveis contidas nas diversas dimensões, o que permite que sejam aplicadas em outras técnicas estatísticas.
Essas características permitem a aplicação comumente feita da análise fatorial a escalas ordinais, a fim de permitir que seja aplicada em uma regressão múltipla como variável dependente. Essa propriedade será muito importante nesse estudo, pois permitirá que sejam testadas as hipóteses H2, H3 e H4, ainda que para a construção do modelo seja desejável ter regressões individualizadas para as práticas.
Para a utilização da análise fatorial, algumas condições e pressupostos devem ser respeitados. Uma primeira condição é o tamanho da amostra. Como regra geral (rule of thumb), Hair et al. (2010, p. 102) apresentam como desejável que haja um mínimo de 5 casos por variável. Dessa forma, houve, em cada dimensão analisada, o seguinte rácio entre número de casos válidos e variáveis remanescentes da análise de confiabilidade: Complexidade – 833/5 = 166,6; Maturidade – 733/6 = 122,17; Desempenho – 824/6 = 137,33; e Práticas de Gestão de Risco – 545/49 = 11,12. Dessa forma, o tamanho da amostra permite que se realize a análise fatorial por subescala.
Quanto aos pressupostos, Hair et al. (2010, p. 103-104) apontam que deve haver um mínimo de intercorrelação como pressuposto a ser observado, por meio de três indicadores: correlação parcial obtida na matriz de correlação de anti-imagem superior a 0,7 (Measures of
Sampling Adequacy – MSA medido para as variáveis); significância estatística no teste de
esfericidade de Bartlett (sig < 0,05) e medida de adequação da amostra (Kaiser-Meyer-Olkin Measure of Sampling Adequacy) maior que 0,5. As subescalas apresentaram os seguintes resultados
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para esses indicadores, que mostram que todas as análises fatoriais obedecem ao pressuposto da multicolinearidade:
a) Complexidade: menor MSA = .733; Bartlett < .001; KMO = .756; b) Maturidade: menor MSA = .819; Bartlett < .001; KMO = .858; c) Desempenho: menor MSA = .803; Bartlett < .001; KMO = .824; e d) Práticas: menor MSA = .960; Bartlett < .001; KMO = .967.
Dessa forma, foram obtidos os seguintes fatores por meio da análise fatorial: a) Complexidade (1 fator FCP): Complexidade do Projeto
b) Maturidade (1 fator FMatur): Maturidade da Equipe de Projeto c) Desempenho (1 fator FDProj): Desempenho do Projeto
d) Práticas de Gestão de Risco (9 fatores FPGR):
• FPGR1 Fator de Práticas Básicas;
• FPGR2 Fator de Práticas de Alavancagem do Conhecimento;
• FPGR3 Fator de Práticas de Apoio Multicritério à Decisão;
• FPGR4 Fator de Práticas de Monitorização da Eficiência do Tempo e do Dinheiro;
• FPGR5 Fator de Práticas “Pensando fora da Caixa”; e
• FPGR6 Fator de Análise SWOT.
A Tabela 19 traz uma explicação dos fatores e quais as variáveis que as compõem. Tabela 19 - Detalhamento dos fatores obtidos na análise fatorial
Nome do Fator Abreviatura Conceito Variáveis contidas no Fator
Complexidade
do Projeto FCP Formado por todas as variáveis que avaliam a complexidade do projeto e que permaneceram no estudo
Tempo de Duração do Projeto Tamanho da Equipe do Projeto Custo do Projeto
Stakeholders em torno do projeto Dependência do ambiente externo Maturidade da
Equipe de Gestão do Projeto
FMatur Formado pelas variáveis que avaliam a maturidade da equipe de gestão do projeto
Assimilação do conceito de gestão de risco Alcance da Mentalidade de gestão de risco Capacitação para a gestão de riscos Atitude diante do risco
Liderança
Gestão do Conhecimento em projetos Desempenho do
Projeto FDProj Formado variáveis que permitem pelas uma avaliação multicritério do desempenho
Desempenho nas Metas de Custos Desempenho nas Metas de Prazo Atendimento das especificações técnicas Atendimento dos padrões de qualidade Satisfação do Cliente com o Projeto
Satisfação das partes interessadas (Stakeholders) Práticas de
Gestão de Risco 1 – Fator de Práticas Básicas
FPRG1 Práticas que compõem atividades mínimas a serem desempenhadas nas etapas do processo de gestão de risco
Registo de Riscos como prática de avaliação de riscos Registo de Riscos como prática de identificação de riscos Ranking de Riscos de Projetos como prática de avaliação de riscos Mapa de Risco, Matriz de Risco ou Grade de Probabilidades e Impactos Revisão Periódica de Riscos como prática de controle de riscos Ranking de Riscos de Projetos como prática de identificação de riscos Comunicação dos Resultados da Ação sobre o Risco Revisão Periódica de Riscos como prática de identificação de riscos
Plano de Ação ou Plano de Mitigação de Riscos com ações de evitamento, transferência ou mitigação
Revisão contínua do Plano de Ação e do Plano de Mitigação de Riscos Definição Interna dos Responsáveis pelos Riscos
Checklist de Riscos
Encontros Periódicos de Riscos e Encontros Periódicos do Projeto Ponderação como prática de avaliação de riscos
Estrutura Organizacional para Monitorização dos Riscos Plano de Contingência
Práticas de
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2 – Fator de Práticas de Alavancagem do Conhecimento
ou que com ela
produzem sinergias Gestão das expectativas e do Comportamento dos Stakeholders Treinamento e Capacitação Práticas de Comunicação
Relatório de Situação de ações contra os Riscos Revisão Documental
Controle de Qualidade
Pesquisa de Satisfação do Cliente Práticas de Gestão de Recursos Humanos Protótipo
Planejamento e Replanejamento do Projeto com Alocação Otimizada de Recursos Práticas de Gestão de Risco 3 – Fator de Práticas de Apoio Multicritério à Decisão
FPRG3 Práticas que apoiam a tomada de decisão, por permitirem empregar diferentes critérios simultaneamente. Exigem um maior conhecimento e recursos Balanced Scorecard
Análise Probabilística e Análise de Confiabilidade
Hazard Analysis (HAZAN) e Hazard and Operability Studies (HAZOP) PERT como prática de controle de riscos
Análise da Maturidade na Gestão de Riscos de Projetos
Gestão do Valor Agregado (EVM) e Análise do Valor Agregado (EVA) Análise do Custo do Ciclo de Vida
Indicadores-Chave de Desempenho
Extração de Dados do projeto como prática de controle de riscos Benchmarking Práticas de Gestão de Risco 4 – Fator de Práticas de Monitorização da Eficiência do Tempo e do Dinheiro FPRG4 Práticas comumente utilizadas para controle do estoque de recuros financeiros e de tempo e do controle do consumo desses recursos
Monitorização de sobrecusto do projeto por meio de orçamento, como prática de identificação de riscos
Monitorização de atraso do projeto por meio de cronograma, como prática de identificação de riscos
Monitorização de sobrecusto do projeto por meio de orçamento, como prática de controle de riscos
Monitorização de atraso do projeto por meio de cronograma, como prática de controle de riscos
Monitorização por meio de Marcos e Marcos Críticos
Método do Caminho Crítico e Análise do Caminho Crítico (CPA) Práticas de Gestão de Risco 5 – Fator de Práticas “Pensando Fora da Caixa” FPRG5 Práticas usadas na coleta de ideias e de insights, interna ou externamente à equipe de gestão Brainstorming
Entrevistas com especialistas Técnicas de Recolha de Informações
Práticas de Gestão de Risco 6 – Fator de Análise SWOT
FPRG6 Prática que sinaliza forças, oportunidades fraquezas e ameaças
Análise SWOT como prática de planejamento Análise SWOT como prática de avaliação de riscos