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Hamsuns betydning som språkfornyer og inspirator

Kapittel 14 Avsluttende kommentarer

14.3 Hamsuns betydning som språkfornyer og inspirator

“Mossoró tem foros de cidade adiantada e guarda com ternura as suas tradições de liberalismo e cultura” (LIMA, 1982, p.18)4.

Como afirma Lima (1982), Mossoró guarda as tradições de liberdade e cultura. Sua história mostra que as primeiras explorações colonizadoras das terras que hoje formam Mossoró foram marcadas por ações empreendidas por índios tapuios, uma

4 Esta epígrafe sublinha um estado sociocultural e de identidade localizada, ao referir-se ao apego às

suas tradições e à cultura, destacando que os moradores da cidade de Mossoró têm em sua essência de povo a magia do envolver-se no seu universo prioritariamente.

fase de domínio holandês e outra de invasões às salinas. O início da ocupação do território mossoroense data de meados do século XVII e início do século XVIII. Foi o Sargento-Mor Antonio de Souza Machado quem fundou a localidade. Em sua fazenda, denominada Santa Luzia, criava-se gado e havia oficina de carne seca, com vistas à exportação para os mercados do sul do país (LIMA, 1982). Mais tarde, tais oficinas fariam da cidade referência em toda Região Nordeste. Ao redor da primeira fazenda, foi construída, em 1772, uma capela. Cascudo (2001) afirma que, além das casas residenciais da família do Sargento-Mor, erguiam-se dezenas de outras moradias, igualmente de taipa e palha. Tratava-se dos primeiros passos para edificação do que hoje é Mossoró.

De acordo com Lima (1982), em 12 de janeiro de 1778, o Sargento-Mor e seus filhos obtiveram a sesmaria das terras que possuíam. Segundo Cascudo (2001), em 1810, variava de 200 a 300 o número de moradores da localidade, espalhados entre fazendas ao redor da igrejinha. No ano de 1842, é criada a Freguesia, pertencente ao município de Apodi. Da segunda metade do século XIX em diante, toma importância, no crescimento local, o papel do negociante, pois Mossoró tornou-se centro de exportação, estando conhecida em todo o Brasil, em especial no Nordeste. Dentre eles, destacava- se o suíço Ulrich Graf, proprietário da Casa Graf, responsável pelo comércio importador e exportador de algodão, peles e couros, capaz de trazer grande movimentação à localidade.

Em seu processo de evolução histórico-geográfica, os mossoroenses tiveram de enfrentar as especificidades climáticas do espaço que povoaram. Fizeram isso, conforme afirma o fragmento:

O que surpreende em Mossoró, ao primeiro lance de vista, é a batalha da conquista da terra. Os mossoroenses revogaram as leis mais cruéis da geografia humana. O exemplo dos desertos que ponteiam nosso infeliz paralelo, a sina de desolação das áreas nordestinas nos Estados pobres, tudo desiludia o esfôrço da conquista e a florescência de uma civilização (BARBOSA apud ESAM, 1978, p.9).

Para Barbosa (apud ESAM, 1978), o espírito de comunidade criado em Mossoró foi o diferencial no momento de resistência às secas. A estiagem era uma

situação recebida pelo seu povo como castigo e sua superação era transformada em motivo de glória e fonte de tradição.

A ocupação do espaço foi desordenado, espontâneo, característica das cidades brasileiras. Os moradores definiam o alinhamento das ruas e casas em função de seus gostos pessoais. Tempos depois, apesar de uma série de implicações legais e proibições por parte da Coroa Portuguesa, Mossoró tornou-se entreposto comercial, repassando produtos agrícolas para o comércio exterior. A cidade não esteve na liderança do comércio de carne seca, mas o sal permaneceu sendo uma mercadoria capaz de fomentar a economia local. Isso ainda ocorreu até a primeira metade do século XIX (ROCHA, 2005).

As décadas de 1860 e de 1870 da história mossoroense foram marcadas por um crescimento acelerado. Inúmeras edificações, casas e estabelecimentos comerciais foram construídos. Os primeiros registros de ordenamento das ruas datam desse século. A partir de 1868, instalaram-se diversos comerciantes estrangeiros e abriram firmas comerciais na cidade. De acordo com Rocha (2005), esses investidores, aliados à elite local, prepararam a geografia da cidade, preocupando-se com a sua questão urbanística, diferentemente do ocorrido anteriormente.

O período que compreende os anos de 1887 a 1889 foi marcado pela estiagem no Rio Grande do Norte, enfraquecendo o comércio. A partir daí, os capitais, antes voltados apenas para investimentos no âmbito comercial, começaram a ser investidos em salinas, o que deu à atividade salineira papel primordial para a retomada das perdas sofridas devido às secas. Mesmo nessa época de crescimento, a infra- estrutura urbana da cidade continuou precária.

Contudo, os acontecimentos das primeiras décadas do século XX, como a Primeira Guerra Mundial e a seca de 1915, prejudicaram o comércio. Houve também entraves relativos à construção de ferrovias, que acabaram por redirecionar os fluxos locais e regionais de capital. Um exemplo disso foi a melhoria das condições de outras praças. Assim, o empório comercial foi enfraquecido, devido ao problema do transporte. Unida à questão do fortalecimento de Campina Grande (PB), surgiu a emergência da criação de novas ferrovias, como ocorreu em cidades cearenses. O comércio diminuiu

consideravelmente. Para Cascudo (2001), três elementos darão outra vitalidade a Mossoró: a construção do Porto de Areia Branca, a estrada de ferro e a rodovia ligando Mossoró a Luís Gomes. Em um contexto de crise, Mossoró passa a ter um novo papel: em função da industrialização no Centro-Sul do Brasil, a cidade passa a enviar matéria- prima para essa região.

Atualmente, a potencialidade mineral do município é importante para o desenvolvimento de sua economia. Suas salinas e seus campos de petróleo têm grande capacidade produtiva. Hoje, as atividades salineira, petrolífera e de fruticultura irrigada comandam a economia local. Há outras atividades desenvolvidas nesse território decorrentes dessas economias. Tais atividades realizadas no espaço mossoroense são promotoras de uma nova organização social, conforme registrado a seguir:

[...] os processos sociais que formatam a cidade e dinamizam a sua sociedade são marcados por uma reestruturação econômica com reflexos em todo o território municipal, principalmente no espaço urbano, onde essas economias fazem a sua produção ou o processo de gestão, transformação e escoamento dos seus produtos e serviços (ROCHA, 2005, p.16).

No que se refere à história de Mossoró, responsável pela configuração de sua atual realidade econômica, não faltam relatos de bravura, pioneirismo e coragem protagonizados por seu povo. Um dos mais conhecidos é a jornada abolicionista de Mossoró, a qual resultou na libertação integral de seus escravos, efetivada a 30 de setembro de 1883. Destacam-se no movimento abolicionista homens como Almino Álvares Alfonso, Joaquim Bezerra da Costa Mendes, Romualdo Lopes Galvão, Miguel Faustino do Monte, Alexandre de Souza Nogueira, Francisco Romão Filgueira, entre outros. Juntos, instituíram, em 06 de janeiro de 1883, a “Libertadora Mossoroense”. As palavras de Lima (1982, p.17) afirmam que “É uma página de heroísmo cívico a campanha emancipadora, de que se guardam as mais fortes recordações para exaltação do valor dos que a fizeram e viram triunfante”.

Diante de fatos como esse, afirma-se que o passado é tido como capaz de elucidar o presente, e isso se torna muito claro quando se fala da cidade e do povo

mossoroense. Seus momentos históricos são retratados como feitos heróicos e repassados a toda a população, através de eventos de cunho cultural. Mais recentemente, uma gama de turistas tem apreciado tais festas como um diferencial da cidade. Isso se faz possível em uma sociedade cuja cultura representa um papel importante e cuja identidade e imaginário de seus habitantes são colocados como fomentadores das ações de sua comunidade. Essa realidade verifica-se em Mossoró nos últimos anos.