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1. INNLEDNING

3.4 H VORDAN VI MOTTAR GUDDOMMELIG OPPLYSNING

A Chamomilla recutita é uma das plantas medicinais mais estudadas e conhecidas em todo o mundo. A parte da planta usada com finalidade terapêutica são os capítulos florais, os quais possuem, como principais constituintes, o óleo essencial, os flavonoides, cumarinas, colinas, aminoácidos, ácidos graxos, sais minerais, terpenos, mucilagens e ácidos orgânicos (TESKE; TRENTINI, 2001; CARVALHO, 2004; FRANKE; SCHILCHER, 2005). Dentre seus constituintes, os de maior importância para fins medicinais são o óleo essencial e os flavonoides (FRANKE; SCHILCHER, 2005).

Seus constituintes químicos são categorizados de acordo com sua fração lipofílica ou hidrofílica. A fração lipofílica é composta pelos componentes do óleo essencial e cumarinas, e a fração hidrofílica por flavonoides, mucilagem, ácidos orgânicos, aminoácidos e colina. Dessa maneira, são os princípios ativos lipofílicos e hidrofílicos responsáveis pela atividade terapêutica da planta (TESKE; TRENTINI, 2001; FRANKE; SCHILCHER, 2005).

O óleo essencial (0,4-1,5%) é composto, principalmente, por alfa-bisabolol (até 50%) e camazuleno (1-15%). A coloração azul desse óleo é decorrente desse último componente,formado a partir de um precursor natural durante a destilação. A matricina é um composto instável, formado pela decomposição do camazuleno (CARVALHO, 2004; FRANKE; SCHILCHER, 2005).

Vários dos constituintes químicos ativos, com potencial biológico da Chamomilla

recutita estão presentes no óleo essencial, o qual possui atividades anti-inflamatória,

antialérgica e antiespasmódica. O camazuleno possui reconhecida atividade anti-inflamatória, que é reforçada pela presença de matricina e do bisabolol. O primeiro, além da referida ação, possui propriedades antibacterianas, antimicóticas e ação protetora de mucosas. Já o bisabolol atua como antibacteriano, antifúngico, antipirético (TESKE; TRENTINI, 2001; FRANKE- SCHILCHER, 2005; ROSS, 2008).

Outros compostos químicos são os flavonoides: apigenina, luteolina e quercetina, principais constituintes hidrossolúveis da planta, sendo responsáveis por mais de 8% do seu peso seco. A apigenina foi a primeira flavona isolada da Chamomilla recutita. Os flavonoides

possuem atividade anti-inflamatória, carminativa e antiespasmódica (TESKE; TRENTINI, 2001; CARVALHO, 2004; FRANKE-SCHILCHER, 2005; MATRICARIA CHAMOMILLA, 2008; ROSS, 2008).

A planta possui ainda cumarinas como a herniarina e umbeliferona, sendo essa última responsável pelas atividades antiespasmódica, bactericida e antifúngica (TESKE; TRENTINI, 2001).

A colina apresenta propriedades antiflogísticas, tanto na forma de extrato quanto na de infuso (TESKE; TRENTINI, 2001; FRANKE-SCHILCHER, 2005).

Os extratos aquoso e alcoólico, obtidos das flores da Chamomilla recutita, são utilizados principalmente pelas propriedades anti-inflamatória, antimicrobiana e antiespasmódica. Nas últimas décadas, o efeito anti-inflamatório tem sido testado in vitro, em animais e seres humanos (SRIVASTAVA; SHANKAR; GUPTA, 2010). O potencial terapêutico da apigenina como agente anti-inflamatório foi avaliado in vitro por Gerritsen et al. (1995). Os resultados desse estudo evidenciaram que esse componente da Chamomilla

recutita interfere com as moléculas de adesão dos leucócitos em células endoteliais humanas.

Dessa forma, a interferência na adesão é uma evidência da ação anti-inflamatória, uma vez que a expressão dessas moléculas na superfície das células é necessária, para a liberação de citocinas pró-inflamatórias.

Smolinski e Pestka (2003), em outro estudo in vitro, induziram a produção de citocinas pró-inflamatórias por lipopolissacarídeos em cultura de células contendo macrófagos obtidos de camundongos, e observaram que a apigenina inibiu significantemente a produção de interleucina 6. Ainda, utilizando a apigenina, Liang et al. (1999) também estudaram a sua ação em culturas de células contendo macrófagos de camundongos ativados por lipopolissacarídeos, e observaram que esse flavonoide inibiu a liberação da ciclooxigenase-2 (COX-2) e a produção de óxido nítrico, ambos componentes importantes para o desenvolvimento da resposta inflamatória.

Estudo conduzido com o objetivo de investigar o papel da Chamomilla recutita na inibição da via da COX-2 foi realizado utilizando modelo in vitro. Para tanto, empregou-se a cultura de células de macrófagos ativados por lipopolissacarídeos, um extrato aquoso obtido das flores secas da Chamomilla recutita e observaram a inibição na liberação de prostaglandina. Segundo os autores, esse resultado pode ser em decorrência da inibição da atividade da enzima COX-2 pela Chamomilla recutita, sugerindo que essa planta possui mecanismo de ação anti-inflamatório semelhante aos anti-inflamatórios não esteroidais (SRIVASTAVA; PANDEY; GUPTA, 2009).

Em modelos animais, a Chamomilla recutita foi investigada por Tubaro et al. (1984), quanto à sua possível ação anti-inflamatória. Os investigadores empregaram extrato alcoólico preparado a partir das flores da Chamomilla recutita em um processo inflamatório, induzido por óleo de cróton, na face interna da orelha de ratos. Como comparação utilizaram os medicamentos benzidamina e hidrocortisona. A inflamação foi induzida em ambas as orelhas, sendo que a direita recebeu o tratamento com uma das três substâncias e a esquerda não recebeu nenhum tratamento. No grupo que recebeu a aplicação tópica do extrato, os resultados foram semelhantes ao obtido com a hidrocortisona e superiores ao obtido com a benzidamina na redução do processo inflamatório. Em outro estudo, Della-Loggia et al. (1990) estudaram a efetividade da ação anti-inflamatória tópica do extrato da Chamomilla

recutita no tratamento de inflamação induzida por óleo de cróton em orelhas de ratos. Os

resultados demonstraram a efetividade do extrato na redução da inflamação, quando comparada ao grupo controle (nenhuma intervenção). Ainda, quando se realizou a comparação com outro grupo que recebeu benzidamina, um anti-inflamatório não esteroidal, os resultados foram semelhantes.

Sartori et al. (2003) desenvolveram um granulado composto pelos extratos secos de

Chamomilla recutita e Calendula officinalis e avaliaram a sua ação anti-inflamatória. Para

tanto, os autores induziram, em três grupos de ratos, uma resposta inflamatória em suas patas, empregando histamina, dextrana ou carragenina e trataram com o granulado. Os resultados apontaram a eficácia desse granulado na redução do edema, quando comparado com o grupo controle (nenhuma intervenção), na resposta anti-inflamatória induzida pelos três agentes.

Estudo realizado com camundongos teve como objetivo investigar o efeito tópico da

Chamomilla recutita no tratamento da mucosite bucal, induzida por 5-fluoracil. Os 105

camundongos foram divididos em três grupos, cada um contendo 35 animais. O grupo I não recebeu intervenção (grupo controle), o grupo II foi tratado com formulação contendo extrato fluido de Chamomilla recutita (Ad-Muc®) e o grupo III recebeu corticoide (betametasona). A mucosa bucal foi avaliada tanto clinicamente como por análise histopatológica. Os resultados desse estudo evidenciaram que os animais que receberam a Chamomilla recutita e o corticoide tiveram mucosite mais leve que aqueles do grupo controle. Na análise histopatológica, o grupo tratado com Chamomilla recutita apresentou menor intensidade de mucosite quando comparado ao controle e ao grupo que recebeu corticoide. Os autores concluem que, em modelo animal, a formulação contendo Chamomilla recutita mostrou ser efetiva no tratamento da mucosite. Contudo, sugerem a condução de estudos clínicos bem delineados para confirmar seu efeito em seres humanos (PAVESI et al., 2010).

Em seres humanos, a Chamomilla recutita têm sido investigada tanto para uso interno como externo, no tratamento de diversas alterações, tais como inflamação da pele e mucosa, câncer, úlceras, cólica e diarreia (TESKE; TRENTINI, 2001; CARVALHO, 2004; FRANKE; SCHILCHER, 2005). Tendo em vista os resultados dos estudos in vitro e em modelos animais apresentados, surgiu o interesse por investigar na literatura científica quais eram as evidências existentes sobre o emprego dessa planta, tanto para a prevenção como para o tratamento de alterações inflamatórias, em seres humanos, motivando a apresentação de uma revisão integrativa da literatura, neste capítulo.