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2.5 K ILDER OG KILDERELASJONER
Mesmo exercendo o cargo de Juiz de Direito, na comarca de Pio IX, foi nomeado por ato do então Prefeito Municipal José Ferreira de Alencar Mota (Zuca Berto), em 01 de março de 1964, para ser professor e diretor do Ginásio Francisco Suassuna de Melo.
Em Pio IX, Ozildo Albano colocou em prática algumas das atividades culturais que realizou em Picos. Nas palavras da ex-aluna Custódia Matutina de Alencar, disponível em Albano; Silva (2011, p. 125):
[...] Exerceu o elevado cargo neste município, com muita responsabilidade e honestidade. Por isso mesmo é que era respeitado como autoridade por todos os piononenses. Além de respeitado, todos tinham verdadeira amizade e consideração à pessoa dele, que era simples, sincera e demonstrava gostar de todos e não tinha aqui nenhuma inimizade. [...] desempenhou muito bem os referidos cargos. Era muito estimado por todos os alunos, professores e demais funcionários do ginásio.
Exerceu com honestidade e ética os cargos de Juiz de Direito, diretor e professor do Colégio Francisco Suassuna de Melo. Como professor, levou aos seus alunos os conhecimentos gramaticais de forma crítica e contextualizada. Era um profundo conhecedor do latim e isso fazia com que tivesse um domínio maior da língua portuguesa.
Os alunos se sentiam motivados com as aulas que ele ministrava no ginásio de Pio IX. A primeira turma que concluiu o ginásio, quando Ozildo Albano dirigiu o Colégio Francisco Suassuna de Melo, foi composta por Anízia Maria de Alencar Antão, Antônia Zuila de Sousa, Benedito Bezerra de Alencar, Custódia Matutina de Alencar, Décio Antão de Alencar, Elói de Alencar Bezerra, Francisco Alves de
Oliveira, Geraldo Bezerra de Alencar, Geraldo Florência de Sousa, Inácio Bezerra de Alencar, Maria Dalva Lopes do Nascimento e Maria Teresa Maia.
No convite de formatura da turma de ginasianos do Colégio Francisco Suassuna de Melo, do ano de 1964, localizado nos arquivos do Museu Ozildo Albano, obteve-se a informação de que Ozildo foi um dos homenageados pelos formandos. O dia marcado para a solenidade da formatura aconteceu em 06 de janeiro de 1965.
Ilustração 42 – Fotografia: Turma do ginásio do Colégio Francisco Suassuna de Melo com Ozildo Albano
Fonte: Museu Ozildo Albano
Na illustração 42, percebe-se a presença de Ozildo Albano com os alunos do Colégio Francisco Suassuna de Melo. Uniformizados e enfileirados, em uma escadaria.
Durante os anos em que esteve no ginásio, Ozildo Albano realizou alguns eventos. Dentre eles, a organização de uma quadrilha, conforme discorreu a ex- aluna Custódia Matutina de Alencar, em Albano; Silva (2011, p. 126):
[...] As quadrilhas organizadas por Dr. Ozildo eram muito bonitas, alegres, cuja marcação era feita por ele mesmo. Houve um ano em que, vieram da Várzea da Carnaubinha até a cidade todos os componentes da quadrilha, cada par montado em cavalo, o cavalheiro com a dama na garupa, com sobrinha aberta e bolsa a tiracolo, inclusive, vinham em cavalos também o padre e os pais dos noivos. Foi tudo muito interessante.
Infere-se, pela afirmação de Custódia Alencar que as comemorações das festas juninas, no colégio, eram, além de alegres, criativas, pois os alunos que participavam fizeram uma espécie de desfile da localidade Várzea da Carnaubinha até a cidade, montados a cavalo, apresentando uma prática cultural de forma original para aquela realidade.
Outro evento organizado por Ozildo Albano, no Colégio Francisco Suassuna de Melo, foi a dramatização de uma peça teatral da escritora Maria Clara Machado, A Bruxinha que era boa. Na ocasião, levou a peça para a sala de aula e separou as partes para cada um dos alunos que iria participar da encenação.
Foi organizado o cenário para a apresentação. Ao fundo, o painel de uma floresta e um fecho de lenha, como se observa na ilustração 43. Do lado, uma torre que serviria de prisão para a bruxinha que era boa, tudo estava ali procurando seguir o texto original da peça. Os alunos se vestiram caracterizados e incorporaram os personagens em cena.
Ilustração 43 – Fotografia: Alunos no cenário da peça “A bruxinha que era boa”, na cidade de Pio IX (1964) - I
Ilustração 44 – Fotografia: Alunos no cenário da peça “A bruxinha que era boa”, na cidade de Pio IX (1964) - II
Fonte: Museu Ozildo Albano
Com a arrecadação da bilheteria da peça teatral, os alunos fizeram uma excursão a Recife-PE e a Paulo Afonso-BA, para comemorarem o encerramento do curso ginasial da segunda turma do Colégio Francisco Suassuna de Melo.
Faziam parte da turma os alunos Cecília Florêncio, Crineilda Bezerra, Lídia do Monte, Mercês Antão, Luisete Antão, Antônio Senhor, Manoel Bezerra, Alencar Neto, Joaquim Viana, Joicenilde Maia, Gracinha Ferreira, Trindade Alencar, Teresa Maria de Alencar.
Ilustração 45 – Fotografia: Ozildo Albano com os alunos e professores no Colégio Francisco Suassuna de Melo
Na ilustração 45, vê-se Ozildo Albano sentado, tendo ao seu lado professoras e, por trás, alunos do Colégio Francisco Suassuna de Melo. O registro apresenta os alunos uniformizados e a equipe docente feminina.
Em 16 de junho de 1966, o Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, em sessão plenária, por unanimidade, promoveu por antiguidade José Albano de Macedo, Juiz de Direito da comarca de Pio IX, de 1ª entrância, para a comarca de Jaicós, de 2ª entrância.
Após a promoção e remoção para Jaicós, Ozildo Albano entregou a direção e as disciplinas que lecionava no Colégio Francisco Suassuna de Melo, em Pio IX, cidade em que contribuiu com sua prática educativa no desenvolvimento da educação.
Como forma de retribuição pelos serviços prestados à sociedade de Pio IX, as autoridades locais fizeram-lhe uma homenagem. Registra-se aqui um dos discursos feitos por uma das professoras que trabalhava no Grupo Escolar Padre Ibiapina e também como auxiliar da justiça piononense,
Exmº Srº. Dr. José Albano de Macedo, ex-Juiz de Direito desta comarca.
Exmª Srª Drª. Dalcí, digníssima Promotora de Justiça. Minhas colegas,
Meus senhores,
Quis a generosidade da ilustre diretora deste educandário, que fosse eu, a mais incompetente das suas colegas, a intérprete dos seus sentimentos, no momento que V. Exª, Dr. Ozildo (permita que assim lhe trate, pois soa melhor aos nossos ouvidos), por um capricho impiedoso do destino, atendendo a conveniências de ordem familiar e econômica, vai deixar esta cidade, onde durante mais de dois anos, prestou relevantes serviços à Justiça, ao Magistério e a Sociedade pionense. Por isso mesmo, Dr. Ozildo, V. Exª tornou-se realmente merecedor das homenagens, estima e consideração do povo pionense, não só dos serventuários e auxiliares da justiça, de cujo número tenho a honra de figurar, como dos corpos docente e discente do Ginásio, do Grupo Escolar “Padre Ibiapina”, que consigo militaram receberam os eflúvios de sua inteligência, de sua judiciosa orientação, de sua capacidade de trabalho e, sobretudo, da sua bondade, que é característica marcante da sua personalidade, pois, além da amenidade no trato e afável cortesia, coloca a amizade acima de todos os interesses, acima de todas as paixões, fazendo dela uma verdadeira religião, a que presta o mais devotado culto. Daí, o respeito, a estima e o acatamento que todos lhe tributam, cujos sentimentos afetivos cada dia se estreitava e se arraigam em nossos corações. Assim, me expressando, em meu nome e de minhas colegas do Grupo Escolar “Padre Ibiapina”, não estou fazendo lisonja ao ilustre homenageado, que hoje se despede de nós, para ir exercer as suas múltiplas atividades em outra comarca,
talvez mais feliz do que a nossa, pois ele é portador de tantos predicados nobres, que enaltecem e honram a sua classe e cativam os seus jurisdicionados. Mesmo porque „não são, em verdade, as posições, nem os cargos, nem os degraus do poder que estabelecem,na planície da história, a estatura moral dos homens, como disse Humberto de Campos‟. Desincumbindo-me da honrosa missão que me foi imposta, esforcei-me por traduzir algo de que vai em nossa alma e respeito do ilustre homenageado, formulando, ao mesmo tempo, os melhores votos para que, na sua nova comarca, encontre a boa acolhida, respeito e consideração que lhe proporcionou o povo pionense, e que continue a servir a Justiça, ao Magistério, a Pátria e a Sociedade, com a mesma integridade, retidão e dedicação, com que soube se conduzir entre nós, fazendo de cada um dos seus habitantes um amigo.
O discurso da professora sintetizou o perfil de Ozildo Albano enquanto agente histórico, em sua época. Revelou traços de um educador disposto a educar através de sua vida, com suas práticas educativas variadas e elegância no trato com aqueles que faziam parte de seu cotidiano profissional.