2. Teorigrunnlag
2.3 Hørselshemming
Para o desenvolvimento deste trabalho, adotou-se uma estratégia qualitativa de pesquisa, a qual se mostrou mais adequada à natureza dos fenômenos estudados. Creswell (2014) ressalta que se conduz uma pesquisa qualitativa, por exemplo, quando é preciso uma compreensão complexa e detalhada da questão estudada. Para o autor (p. 49-50), pesquisa qualitativa
(...) começa com pressupostos e o uso de estruturas interpretativas/teóricas que informam o estudo dos problemas da pesquisa, abordando os significados que os indivíduos ou grupos atribuem a um problema social ou humano. Para estudar esse problema, os pesquisadores qualitativos usam uma abordagem qualitativa da investigação, a coleta de dados em um contexto natural sensível às pessoas e aos lugares em estudo e a análise dos dados que é tanto indutiva quanto dedutiva e estabelece padrões ou temas. O relatório final ou a apresentação incluem as vozes dos participantes, a reflexão do pesquisador, uma descrição complexa e interpretação do problema e a sua contribuição para a literatura ou um chamado à mudança.
Nessas circunstâncias, a pesquisa qualitativa envolve maior atenção à natureza interpretativa da investigação, situando o estudo dentro do contexto social, político e cultural dos pesquisadores e a sua reflexão nos relatos apresentados por eles (Creswell, 2014).
Os ambientes em que uma pesquisa ocorre são muito diversificados, assim como são muitos os métodos e técnicas utilizados para a coleta e análise dos dados e os enfoques adotados em sua análise e interpretação. Neste sentido, é interessante classificar as pesquisas conforme o
seu delineamento, que é o planejamento da pesquisa em uma dimensão mais ampla, envolvendo os fundamentos metodológicos, a definição dos objetivos, o ambiente da pesquisa e a determinação das técnicas de coleta e análise de dados (Gil, 2010).
Considerando-se a natureza, essa pesquisa pode ser classificada como aplicada, dado que, de acordo com Gil (2010), abrange estudos elaborados com a finalidade de resolver problemas presentes no contexto das sociedades em que vivem os pesquisadores.
Quanto aos objetivos, essa pesquisa classifica-se como explicativa, visto que seu propósito é o de identificar fatores que determinam ou contribuam para a ocorrência de fenômenos. Assim, esses fatores possuem a finalidade de explicar a razão, o porquê das coisas (Gil, 2010; Yin, 2010) e/ou como o evento estudado ocorre (Yin, 2010).
No que se refere aos procedimentos técnicos, essa pesquisa pode ser classificada como estudo de casos múltiplos. Creswell et al. (2007) destaca que o estudo de caso constitui uma abordagem qualitativa em que o pesquisador explora um sistema delimitado (um caso) ou múltiplos sistemas delimitados (mais de um caso) ao longo do tempo por meio de coleta de dados detalhada e aprofundada. Assim, o estudo de caso estuda uma questão explorada por meio de um ou mais casos dentro de um sistema delimitado, ou seja, dentro de um contexto, por exemplo. Para Yin (2010), os projetos de casos únicos ou de casos múltiplos são variantes da mesma estrutura metodológica, não existindo uma distinção ampla entre esses dois tipos de estudos de casos.
O autor ressalta que as evidências nos estudos de casos múltiplos são consideradas geralmente mais vigorosas e, assim, o estudo como um todo pode ser visto como mais robusto. Ademais, Yin (2010) comenta que, embora possa se ter estudos de casos bem-sucedidos em qualquer projeto de pesquisa, as chances de se realizar um bom estudo de caso são maiores em casos múltiplos do que em casos únicos, sendo, desse modo, preferidos os projetos de casos múltiplos.
O estudo de caso caracteriza-se em um estudo em profundidade e utiliza diversas técnicas de coleta de dados como entrevista, observação e análise de documentos (Creswell, et. al, 2007; Creswell, 2014; Martins, 2008; Gil, 2009; Yin, 2010). Essas técnicas são confrontadas (triangulação) no sentido de se obter informações mais detalhadas e confiáveis que gerem
resultados também confiáveis e de qualidade. Por exemplo, os dados obtidos por meio de entrevistas devem ser contrastados com aqueles obtidos por observações e análise de documentos.
Portanto, com o propósito de aumentar a validade externa, além de utilizar duas técnicas de coleta de dados (entrevista e análise documental), esta pesquisa foi realizada por meio de três casos, sendo cada um composto pelo relacionamento entre uma montadora de veículos e um de seus fornecedores, empregando-se, assim, a perspectiva díade. Agndal e Nilsson (2010) observam que vários casos oferecem a vantagem adicional de se poder fazer comparações entre os casos. Embora o propósito de se empregar vários casos não seja identificar regularidades entre eles no sentido estatístico (Dubois & Araujo, 2007), as evidências com base em multicasos podem enriquecer e aprofundar as discussões em que os pesquisadores contrastam descobertas a partir de casos individuais e, ainda, conforme defende Yin (2010), os benefícios analíticos de ter dois ou mais casos podem ser substanciais.
Yin (2010) aponta três tipos diferentes de estudos de casos: (a) o exploratório, em que o evento estudado não possui um único e claro conjunto de resultados, porém sua meta é desenvolver proposições para investigação posterior; (b) o descritivo, que descreve o evento no contexto de vida real em que ocorreu; e (c) o explanatório ou causal, cuja função, além de descrever, é explicar os presumidos vínculos causais do fenômeno estudado com a vida real, ou seja, explica como e/ou por que o evento estudado ocorre, tendo como base teorias existentes.
Os estudos de casos desenvolvidos nesta tese enquadram-se no tipo explanatório, uma vez que procura explicar, a partir da Economia dos Custos de Transação, como o OBA e a confiança influenciam a satisfação em um relacionamento interorganizacional.
Adams, Hoque e McNicholas (2006) observam que estudos de casos podem auxiliar pesquisas em Contabilidade em diversos aspectos: desenvolver um estudo utilizando múltiplas fontes de evidências; obter uma descrição detalhada dos processos de gestão e controles contábeis e como tais processos afetam os participantes na prática; analisar as forças e fraquezas dos processos relatadas pelas pessoas entrevistadas; descobrir como a experiência, as palavras, os
sentidos, as atitudes e juízos de valores dos participantes na organização influenciam a questão de pesquisa; e, ainda, capturar as diferenças individuais ou variações nas percepções sobre a prática no mundo real.
Corroborando, Agndal e Nilsson (2010) comentam que o método estudo de caso é relevante em pesquisas sobre o Open-Book Accounting, em que se considera o contexto no qual ele de fato é implementado e utilizado, ao contrário de ser estudado de forma isolada; outro aspecto importante é que esse método é comumente reconhecido como frutífero quando o fenômeno se apresenta complexo e o conhecimento prévio sobre ele é restrito (Otley & Berry, 1994; Yin, 2010), o que vai ao encontro da proposta deste trabalho. Ademais, o OBA é um fenômeno multifacetado (Agndal & Nilsson, 2010) e pouco entendido dentro das relações díades.
Neste estudo, não existe o propósito de testar a teoria existente, mas adicionar contribuições, o que é condizente com as recomendações para a escolha do método estudo de caso, conforme destacam Agndal e Nilsson (2010) e Dubois e Araújo (2007). Com essas considerações, o método estudo de casos múltiplos mostra-se adequado para alcançar o objetivo proposto nesta tese.