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4.5 Høringsuttalelse fra Bø kommune, datert 12.12.2016
O PT surgirá em Alagoas no período de ocaso da Ditadura Militar, simultaneamente ao desenvolvimento do projeto político do Partido dos Trabalhadores em nível nacional. Antes de passarmos a analisar os primeiros anos do Partido em Alagoas, cabe assinalar os efeitos do regime militar no Estado, qual era o cenário político quando o Partido começa a se constituir.
Em primeiro lugar, observa-se que em Alagoas o projeto militar de solapar as esquerdas foi plenamente bem-sucedido. Durante trinta anos as figuras a assumir o poder político no Estado virão, em franca maioria, da União Democrática Nacional (UDN), Partido de caráter conservador, portanto facilmente alinhado ideologicamente ao projeto político dos militares.89 O cenário para a esquerda, durante a maior parte desses trinta anos, foi desolador:
A ditadura militar em Alagoas representou, até pelas características do nosso pequeno Estado, um esmagamento quase completo da ciclo da esquerda pré-64. A desarticulação dos movimentos sociais foi profunda. Os quadros políticos da esquerda quase todos presos, neutralizados, exilados, voluntariamente ou não. O movimento sindical e social inteiramente desorganizado, reprimido.90
87 Como exemplo, conferir o artigo escrito no calor da votação na câmara dos deputados a respeito do Impeachment da presidenta Dilma Rousseff: http://www.conjur.com.br/2016-mar-24/tutmes-airan-stf-possa- dar-juizo-aos-nossos-juizes. Acessado às 12:45 do dia 22/07/2016.
88 Cf.
89 Cf. ALMEIDA, Leda Maria de. Rupturas e Permanências em Alagoas: O 17 de Julho de 1997 em questão. P. 66. 90 Cf. MIRANDA apud ALMEIDA.
Sob a égide do milagre econômico, um crescimento calcado em empresas multinacionais, o prestígio da ditadura não encontrará rivais dentro do território alagoano durante quase três décadas. A economia da cana-de-açúcar, uma das principais do Estado, não vislumbrará sinais de crise no período91, conferindo segurança econômica para que a ditadura
nomeie seus representantes políticos locais sem maiores dificuldades.
Figura de destaque nesse período é a de Divaldo Suruagy. Oriundo -- como ele próprio gosta de frisar -- de classes populares, Suruagy iniciará sua carreira política pouco antes do golpe de 1964. Alinhado à UDN, aos poucos galgará posições de importância no cenário local, sendo Prefeito de Maceió e líder da bancada Estadual do Governo. Como Deputado, Suruagy exercerá dois mandatos de governador nos anos 1970. Consolidará então a figura de grande administrador e captador de recursos.92 Segundo Almeida, seu governo garantiu o
apoio popular através de duas medidas, "era um governo que pagava em dia os funcionários e dava emprego à população."93
No seu primeiro mandato, Suruagy (1975-1979) destinou a maior parte de seus investimentos para a dimensão econômica, segmento industrial e infraestrutura econômica, dentro do plano batizado de plano de ação imediata.94 Através deste plano foi implantado o
polo petroquímico do Estado de Alagoas, estradas vicinais, de expansão da energia elétrica e da rede de telecomunicações. A dimensão social foi subalternizada, o que pesou negativamente nas populações mais pobres. Seu mandato foi incapaz, portanto, de oferecer uma saída estrutural para os problemas populares.
O governo Guilherme Palmeira (1979-1982) sucedeu o primeiro mandato de Divaldo Suruagy (1979-1982) e manteve o foco na economia, em detrimento dos problemas sociais. Na esteira do crescimento econômico nacional, o governo manteve o crescimento local:
Alagoas ainda estava vivendo o seu período mais próspero de crescimento econômico. Os dois choques do petróleo ocorridos em 1973 e 1979 fizeram com que a economia brasileira direcionasse sua atenção para o Programa Nacional do Álcool (PROALCOOL), o que, de certa forma, veio beneficiar economicamente a agroindústria açucareira alagoana. O efeito deste movimento foi que para ampliar a
91 Cf. . ALMEIDA, Leda Maria de. Rupturas e Permanências em Alagoas: O 17 de Julho de 1997 em questão. p. 67 92 Cf. . ALMEIDA, Leda Maria de. Rupturas e Permanências em Alagoas: O 17 de Julho de 1997 em questão. p. 70.
93 cf. IDEM. p. 71
94 Cf. CABRAL, Luís Antonio Palmeira. “Os ciclos de desenvolvimento em Alagoas”. IN: Desenvolvimento e
área plantada da cana de açúcar, foram devastadas grandes áreas de mata atlântica do litoral alagoano, restando preservado menos de 2% da mata atlântica original.95
Não tendo sido afetada de forma tão contundente quanto o resto do país pela crise econômica internacional causada pelos choques do petróleo, Alagoas viveu anos de prosperidade, baseada no desenvolvimento do polo petroquímico e na exportação de álcool. Ainda assim, concentrando atenção quase insignificante aos problemas sociais do Estado. A miséria, a pobreza e a fome seguiam afetando a maior parte da população.
O segundo governo de Divaldo Suruagy (1983-1987) se situou dentro do esgotamento desse ciclo de desenvolvimento em Alagoas. Admitia-se que os níveis de emprego, saúde, educação e habitação eram deficientes e havia uma enorme necessidade de intervenção social no Estado.96 No cenário nacional, o milagre se esgotava e tornava-se incontornável o
problema da dívida fiscal. Aumentava a insatisfação popular devido ao que Leda Maria de Almeida chamou de um "atrofiamento das políticas públicas.97
Os movimentos sociais e manifestações populares em Alagoas eram liderados pelo MDB, que funcionava como um "guarda-chuva", abrigando tanto setores das classes médias e altas da cidade quanto agremiações de esquerda. Em Alagoas, seus líderes eram "José Costa, José Moura Rocha, Djalma Falcão, este herdeiro do espólio político de Muniz Falcão, e, a essa altura, com o apoio do senador Teotônio Vilela, que migrará da situação para a frente de oposição, sobretudo por divergências com a orientação que assumiria o Movimento Militar de 1974."98
Essa presença poderosa do MDB, ocupando a maior parte do espaço político à esquerda, será um entrave para a construção do PT no Estado, ao mesmo tempo que elemento de construção identitária do Partido, definindo-se a partir dos enfrentamentos com o MDB. Ao mesmo tempo, este Partido vivia uma reorganização no período, com novas lideranças emergindo e antigas lideranças modificando suas posições no espectro político:
(...) José Moura Rocha, um político considerado pelas classes dominantes alagoanas como esquerda, abandonou a disputa pelo governo e ocupou o lugar de Teotônio. José Costa, o mais brilhante deputado da bancada, abriu mão de uma reeleição garantida e aceitou as incertezas do enfrentamento com Divaldo Suruagy, ex- governador, hábil negociador dos conflitos de chefes locais e gestor de imensos
95 Idem, p. 84. 96 Idem, p. 85.
97 ALMEIDA, Leda Maria de. Rupturas e Permanências em Alagoas: O 17 de Julho de 1997 em questão. p. 71. 98 idem. p. 73.
recursos que o Governo Federal lançou nas eleições em apoio aos seguidores. Costa foi derrotado pelo voto-cabresto e pelo desespero da miséria, mas teve retumbante vitória em Maceió, onde a opinião é mais livre e a fraude difícil. O seu sacrifício e de Moura Rocha permitiram a sobrevivência do PMDB local, a constituição de uma bancada majoritária na câmara dos vereadores da capital e a eleição de jovens deputados estaduais progressistas, como a ex-presa política Selma Bandeira e o antigo líder estudantil Ronaldo Lessa.99
Introduzido este cenário, passemos agora a analisar os primeiros passos do PT em Alagoas.